Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 532
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Capítulo 532: Sobreviventes II
A voz de Athena rasgou o silêncio como uma lâmina.
“O que ele está fazendo aqui?!
Seu dedo disparou em direção a Zane antes que sua mente processasse completamente a visão dele. A raiva envolveu suas palavras — densa, quente, desenfreada — e a força de seu grito despertou todos ao mesmo tempo.
Kathleen se levantou primeiro, os olhos arregalados de choque. Nathaniel ofegou ao lado dela, piscando rapidamente, desorientado por um segundo antes que o reconhecimento se estabelecesse.
“Mamãe!” gritaram as duas crianças.
Eles desceram rapidamente do sofá e correram para ela. Athena instintivamente abriu os braços, reunindo-os contra seu peito, respirando o calor deles, o cheiro familiar.
O alívio quase fez com que seus joelhos cedessem. Mas ela não parou de encarar Zane.
Mesmo enquanto apertava seus filhos mais forte, mesmo enquanto Kathleen soluçava contra seu estômago e Nathaniel agarrava seu braço como se temesse que ela pudesse desaparecer novamente — seu olhar nunca deixou o homem sentado rigidamente no canto.
“Ewan.” Sua voz tremeu, as sílabas frágeis de fúria. “Explique. O que ele está fazendo aqui? Depois do que ele fez? Depois que ele nos traiu?”
Ela estava gritando novamente. A sala reverberava com isso.
Florence se moveu rapidamente, gentilmente guiando Kathleen e Nathaniel para o lado dela e de Sandro, sussurrando suavemente para eles, pedindo que respirassem, que deixassem a mãe falar.
Athena deu um passo em direção a Zane. Em seguida, outro.
Mas a voz firme de seu avô cortou sua raiva. “Ele estava atuando.”
Athena congelou como se seus ossos tivessem subitamente se transformado em pedra.
Ela se virou lentamente para ele. “Atuando…?” Sua voz estava pequena agora. Desconfiada. Confusa.
Seu avô encontrou seus olhos calmamente, sólido como sempre. “Sim. Ele estava trabalhando disfarçado.”
Ela piscou, engolindo em seco, e se voltou para Ewan em busca de confirmação.
Ele já estava de pé, o movimento lento mas firme, apesar do curativo em sua cabeça. Seus olhos — ainda um pouco vazios, ainda cercados de exaustão — seguravam os dela com uma gentileza que quase a desfez.
“Eu também não sabia,” ele admitiu. “Não até eu acordar. Eles me informaram sobre a situação completa.”
Ele encurtou a distância entre eles, segurou os lados do rosto dela com mãos trêmulas, e pressionou um beijo suave em sua testa. “Estou tão feliz que você está bem, meu amor…”
Atena inalou bruscamente.
O calor da pele dele. O cheiro familiar dele. O simples fato de que ele estava vivo.
Sem pensar, ela se inclinou para ele, deixando sua testa descansar contra o ombro dele. Os braços dele envolveram-na instantaneamente, fortes mas tremendo um pouco, e ela se derreteu naquele abraço, deixando-o ancorá-la, lembrando-a de que eles haviam sobrevivido, que de alguma forma o impossível havia acontecido.
Os lábios dele tocaram os dela em seguida — lentos, reverentes, quase descrentes — e ela retribuiu o beijo, agarrando-se à camisa dele, inalando-o como se estivesse submersa por anos.
Mas o momento frágil se despedaçou quando Zane finalmente falou. “Eu… sinto muito, Athena.”
Seu corpo ficou tenso. O som da voz dele trouxe as memórias de volta como um puxão violento — a câmara, as cordas, o riso de Antonio, a faca rasgando a pele, os gritos de Victoria.
Athena se afastou do abraço de Ewan, os olhos ardendo.
Zane engoliu em seco e começou.
“Eu descobri sobre meu pai antes do caso no tribunal,” ele disse calmamente. “Uma noite… Eu o ouvi em uma ligação.”
A respiração de Athena engatou.
Ele continuou, “Eu queria ir embora. Avisar alguém. Mas… Meu pai é poderoso. Poderoso demais. Se eu tentasse expô-lo sem provas, ele teria encoberto seus rastros. Provavelmente me mataria. E todos vocês.”
Seu maxilar se contraiu. “Então eu fiquei. Eu fingi lealdade. Eu fazia o papel de espião.”
Athena o encarou, os lábios se entreabrindo levemente, a respiração presa na garganta.
Os olhos de Zane caíram para o chão, raiva contida tremeluzindo em seu rosto. “A água não estava quente,” ele disse. “Não de verdade.”
“O quê?”
“Eram máquinas de névoa,” Zane explicou. “O fogo era real, mas o calor não vinha da banheira em si. Eu… Eu tinha agentes trabalhando comigo. Nós drenamos a água real antes de você ser trazida e a substituímos por água gelada. Eu tive que cronometrar perfeitamente. Se o timing estivesse errado, se o apoio tivesse chegado mais tarde do que nós… vocês dois poderiam ter…”
Sua voz falhou. Ele desviou o olhar, os punhos cerrando.
Athena não sabia se ria de alívio ou gritava de choque.
“É por isso que o chamamos de Fantasma,” Ewan complementou silenciosamente atrás dela. “Na gangue. Ele era um especialista em operações encobertas. Infiltração, operações de cobertura profunda. Ele já fez isso antes.”
Zane assentiu uma vez. “Meu pai confiava em mim. Assim como Antonio. Eu contei a eles um pouco sobre John, sobre a cura… Foi assim que cheguei tão perto.” Sua expressão se contorceu de desgosto. “Fingindo admirá-los. Fingindo concordar com eles. Fingindo ser… como eles.”
Sua voz abaixou. “Assistir Antonio torturando você — ambos vocês — quase me quebrou. Mas… Eu não podia intervir ainda. Não até que eles confessassem. Não até que o apoio chegasse.”
Athena pressionou uma mão trêmula contra a boca.
As próximas palavras de Zane foram mais suaves. “Aranha me fez um gravador,” ele disse. “Só ele sabia. Eu não contei pro Sandro. Amizade… nublou o julgamento dele às vezes. Eu precisava de alguém objetivo.”
Sandro zombou de onde estava ao lado de Florence, embora permanecesse em silêncio, provavelmente preso entre a irritação e a admissão relutante.
O olhar de Atena encontrou Aranha—sentado ao lado de Gianna, cujos olhos já brilhavam com lágrimas.
Atena soltou uma risada trêmula e correu em direção aos amigos.
Chelsea a alcançou primeiro, chorando enquanto abraçava Atena ferozmente. Areso se juntou, seguido por Susan, depois Gianna, depois Aranha—desajeitadamente, relutantemente, como se o afeto físico fosse um conceito estranho para ele.
O reencontro foi bagunçado, emocional e perfeito.
Quando os abraços finalmente afrouxaram, seus avós a puxaram para perto também. Atena os segurou firmemente, sentindo a força constante de seu avô e o alívio trêmulo de sua avó.
“Como você sobreviveu?” ela perguntou baixinho. “Por que você participou da missão de resgate… você é muito velho para isso…”
Seu avô sorriu—pequeno, cansado, mas cheio de orgulho. “Como eu poderia ficar parado enquanto minha garotinha enfrentava a morte?”
Ele deu de ombros. “Eu não fui o único que entrou naquela sala… Aranha e alguns agentes estavam comigo. Você estava muito exausta para vê-los, assim como não percebeu que a água não estava quente.”
Aranha levantou a mão em uma pequena meia-saudação quando ela olhou para ele.
Atena riu suavemente—então pausou quando uma memória surgiu por trás de seus olhos.
“Você…” ela sussurrou, olhando para Aranha. “Eu me lembro de você.”
Ele piscou, confuso.
“Você me resgatou,” Atena disse. “Do esconderijo de Morgan. Dois anos atrás. Eu estava amarrada… outra mulher estava morta ao meu lado. Você entrou mascarado.”
Os olhos de Aranha se arregalaram. “Santo—”
Ela não o deixou terminar. Ela o abraçou apertadamente de novo, surpreendendo-o completamente.
“Obrigada,” ela sussurrou, voz quebrando. “Eu sempre quis saber quem me salvou naquela época.”
Aranha enrijeceu, claramente sobrecarregado. “Por favor… não… chore. Eu não sou bom com lágrimas—”
Atena riu com emoção e deu um tapinha no braço dele.
Ewan apareceu ao lado dela então, colocando uma mão gentil em suas costas.
“Obrigado,” ele disse a Aranha, voz firme com sinceridade.
Antes que Atena pudesse responder, outra figura familiar entrou pela porta.
Aiden.
Seus olhos brilharam imediatamente. “Atena…” ele suspirou.
Ela cruzou a sala e o abraçou apertadamente. Ele a segurou com a mesma intensidade.
“Eu achei que tinha perdido você,” ele sussurrou em seu cabelo.
Ela engoliu. “Eu também pensei isso.”
Eles se afastaram.
“O que aconteceu com Herbert? E os outros?”
A expressão de Aiden endureceu. “Herbert morreu no tiroteio. Uma morte lenta, eu cuidei disso…”
Atena não queria detalhes. Ela podia imaginar.
“Alfonso também,” ele acrescentou.
“E Antonio?”
“Nas celas negras. O que restou dele, de qualquer forma. Ele foi torturado até perder a sanidade.”
“E o resto?”
O olhar de Aiden se voltou para Ewan, depois para os filhos dela.
“O presidente assumiu o controle. Ministros. Funcionários. Memorandos estão sendo enviados. Tudo está… sendo limpo.”
Atena assentiu lentamente, mais lágrimas escorregando de seus olhos. Estava realmente acabado? Ela voltou para os braços de Ewan, sua mão deslizando protetoramente ao redor de sua cintura.
A voz de seu avô se espalhou pela sala, leve: “O bem sempre triunfa sobre o mal. Pode levar tempo. Mas triunfa.”
Atena exalou suavemente. Ela não podia discordar disso, não desta vez. Ela puxou seus filhos para perto, os pequenos braços deles se envolvendo ao redor de sua cintura, suspirando contente quando Ewan pressionou um beijo em sua têmpora.
A paz se estabeleceu sobre ela lentamente, mas profundamente. Ela se sentiu grata, entre outras coisas. “Sim, vovô, finalmente acabou. Nós vencemos.”