Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 523
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Capítulo 523: Cativos
A consciência de Atena subiu como algo puxado do fundo de um lago—pesado, resistente, incerta da superfície que estava rompendo.
Suas pálpebras tremeram uma vez, duas vezes, incapazes de decidir se a luz era amiga ou inimiga. Mesmo assim, uma fina camada de cinza penetrou. O mundo estava embaçado, feito de contornos suavizados e formas indistintas, como se ela estivesse vendo através de um vidro molhado.
Ela tentou permanecer nele, nesta vida-morta turva, mas o peso que a puxava para baixo era mais forte. A escuridão a envolveu novamente, silenciosa e absoluta.
Da próxima vez que emergiu, foi com uma inspiração aguda, como se alguém tivesse arrancado o ar para dentro de seus pulmões. Seus olhos—sem brilho pela exaustão, mas aguçados pelo instinto—se abriram. O que encontraram primeiro foi Ewan.
Ele estava do outro lado dela, amarrado a uma cadeira, ligeiramente curvado em uma postura que seria casual se não fossem as cordas mordendo seus pulsos e peito.
Mesmo desorientada, ela sentiu o quão errado o quarto parecia—quão errado ele parecia. Seus olhos estavam meio abertos, como se ele estivesse esperando naquele exato estado por horas.
No momento em que ele a viu mover-se, algo nele se libertou—o menor colapso de tensão, uma queda agradecida e cansada de seus ombros.
“Atena,” ele exalou, o som mal mais do que um murmúrio. “Graças a Deus. Eu…” Sua garganta trabalhou, as palavras emaranhadas em fadiga. “Eu estava preocupado. Você não acordou no primeiro dia.”
Primeiro dia.
A frase aterrou como uma pedra. Ela piscou firmemente, tentando limpar a pesada névoa por trás de seus olhos.
“Ewan… há quanto tempo estamos aqui?”
Ele levantou o olhar, em direção à fenda de uma janela talhada na pedra acima deles—mal mais do que uma junção defeituosa na parede. A luz do dia pálida se filtrava por ela, anêmica e fria. “Conteitei dia e noite. Três, acho. Talvez quatro. Difícil ter certeza.”
Três dias. Possivelmente quatro.
Algo dentro de seu estômago revirou—não apenas com horror, mas com a súbita e brutal consciência de quão vazio aquele estômago estava. A fome emergiu, insistente e aguda, como se seu corpo só agora se lembrasse de que existia.
Ewan parecia pálido. Muito pálido. Gravemente desidratado. As cavidades sob seus olhos estavam escurecidas, seus lábios rachados nas bordas. Ele não estava mentindo. Eles foram realmente deixados ali para apodrecer.
“Ninguém veio verificar?” Sua voz rachou dolorosamente, um som papírico puxado por uma garganta seca.
Seu maxilar ficou tenso. “Um guarda veio ontem. Eu… fingi que estava apagado.”
“Por quê?”
“Porque eu não queria enfrentar nada sem você estar acordada,” ele admitiu. Seus olhos piscavam para longe. “Ele apenas nos cutucou antes de sair.”
Ele não lhe contou mais. Ele engoliu, da mesma forma que havia engolido então—raiva comprimida tão fortemente que tremia sob sua pele.
Ele não lhe contou que o guarda a havia tocado, apalpado seus seios com uma crueldade descuidada, como se ela fosse um objeto deixado para ele inspecionar.
Ele não lhe contou como tentou se levantar, como as cordas ancoradas no chão o seguraram no lugar, como a fúria impotente forçou lágrimas a sair dele—lágrimas que ele esmagou instantaneamente, porque não se permitiria ser tão impotente.
Ele não lhe contou que memorizou o rosto do guarda, ensaiando a ideia de matá-lo a cada respiração.
Mas Atena sentiu algo estranho nele, uma tensão que ele não estava expressando. Ela não pressionou. Ainda não.
“Você acha que Herbert sabia que estávamos na casa?” ela perguntou em vez disso, sua voz ainda fraca. O ar no quarto parecia viciado, engrossando com medo quanto mais ela respirava.
Ewan assentiu. “Provavelmente. Os guardas devem ter informado a ele. Eu não quero pensar que Zane—” Ele se interrompeu, envergonhado da direção que o pensamento havia tomado.
Atena soltou um som que pretendia ser uma risada, mas que emergiu frágil, rasgando. Mesmo aquele pequeno esforço doeu em suas costelas. “Zane odeia o pai dele.”
Ela se mexeu ligeiramente, fazendo uma careta enquanto as mãos amarradas pulsavam. “Eu vi o diário dele quando visitei. Ele… ele é bom, Ewan. Ele não nos trairia.”
Ewan fechou os olhos brevemente, o autojulgamento se instalando. “Eu sei. Eu só—estar amarrado aqui, sem saber—” Sua respiração tremeu uma vez. “Eu não deveria ter duvidado dele.”
Ela queria alcançá-lo. Não podia. As cordas mantinham seus ombros rígidos, seus braços puxados dolorosamente para trás. Ela não tinha certeza se teria força de qualquer maneira.
O silêncio se adensava, zumbindo com terror compartilhado.
Então—passos. Lentos, desiguais, ecoando por um corredor.
O olhar de Ewan se fixou na porta. Seu rosto se alisou em algo vazio, desprovido de qualquer emoção que pudesse revelar seu ódio fervente.
A fechadura chacoalhou. O metal gemeu. A porta se abriu.
O guarda entrou primeiro.
Era grande, de ombros caídos, usando um sorriso arrogantemente preguiçoso – o mesmo exato que usava enquanto tocava o corpo inconsciente de Atena.
Seus olhos passaram por ambos, uma grotesca imitação de deleite cintilando ao vê-los acordados. Ele se demorou, sorriu mais amplamente, então saiu sem uma palavra.
Os dedos de Ewan se apertaram reflexivamente contra as cordas até que seus nós dos dedos ficaram brancos. Ele não olhou para Atena – não porque estivesse evitando-a, mas porque não confiava em si mesmo para olhar sem explodir.
“Eles estão chamando quem quer que esteja no comando,” ele murmurou uma vez que os passos do guarda desapareceram. “É… isso, eu suponho.”
Atena inalou profundamente, o movimento tensionando suas costelas. Ela precisava manter a mente firme, mesmo que seu corpo não estivesse. Havia muitas direções para onde isso poderia ir, e todas pareciam afiadas.
Ela se perguntava em que pânico sua família devia estar se afogando agora. Que tempestades seu desaparecimento havia criado. Ela pensou nas crianças e a dor em seu peito se intensificou.
A fechadura girou novamente.
Seu pulso saltou.
O guarda entrou novamente, mas desta vez não parou na porta. Ele se moveu para o lado, e atrás dele entrou Herbert—sorrindo, esfregando as mãos juntas com energia ansiosa.
E então ele se moveu para o lado, parecendo orgulhoso, expectante, como se estivesse apresentando um presente que ele mesmo tinha embrulhado.
E então, a terceira pessoa apareceu…
Antonio?