Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 522
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Capítulo 522: Herbert – Parte II
Os aposentos pessoais de Herbert não se pareciam em nada com o resto da mansão.
O ar aqui era diferente — parado, pesado, como se os segredos que Herbert guardava tivessem se impregnado nas paredes e se recusassem a sair.
O espaço era dividido em dois grandes cômodos: um quarto à esquerda e um escritório à direita, cada um com seu próprio banheiro adjacente. Não parecia um cômodo dentro de uma casa; parecia um apartamento em miniatura isolado, construído para privacidade, para solidão, para trabalho.
Ewan se dirigiu ao quarto sem uma palavra, a tensão em seus ombros dizendo a Atena que ele estava se preparando para o que quer que pudesse encontrar.
Atena virou para o lado oposto, em direção ao escritório. O batimento cardíaco dela estava estável — estável demais. Isso só significava que ela estava se forçando a permanecer calma, a não ter expectativas exageradas.
O escritório estava mal iluminado, uma das lâmpadas piscando levemente no teto. Cheirava levemente a colônia e papel velho.
A primeira coisa que chamou sua atenção foi a ampla parede de estantes ocupando todo o lado direito da sala. De madeira, polida, carregada com arquivos, pastas grossas e livros de capa dura arranjados com precisão militar.
Herbert sempre foi organizado ao extremo, mas algo sobre esse nível de ordem parecia um aviso — como um homem aterrorizado de que algo escapasse por entre seus dedos.
Atena caminhou em direção às estantes e deixou seus dedos passarem pelas lombadas dos arquivos. Contas. Contratos. Relatórios de acionistas. Documentação de terras e negócios. Fila após fila de nada chocante, nada pessoal, nada humano. Tudo legal, tudo padrão, tudo impecável.
Impecável demais.
Ela puxou livros aleatórios enquanto procurava — livros didáticos de direito, manuais de desenvolvimento de negócios, regulamentos de comércio exterior. Coisas secas. Coisas sem vida. Coisas que um homem como Herbert consideraria valiosas.
As gavetas embutidas na base das estantes vieram em seguida. Ela se agachou e as abriu uma por uma. Mais documentos. Recibos. Faturas. Cópias de certificados de exportação. Perfeitamente categorizados.
Normal.
“Normal demais”, murmurou.
Ela se levantou e atravessou a sala até a parede à esquerda, onde uma fila de armários altos estava como guardas silenciosos. Madeira maciça. Pesados. O tipo que não abriria a menos que seu dono quisesse.
Ela puxou a primeira maçaneta. Trancada.
Segunda. Trancada.
Terceira. Também trancada.
Atena suspirou pelo nariz e procurou chaves no escritório. Ela verificou a mesa de mogno — grande, polida, intimidante — com gavetas de cada lado.
Ela as abriu bruscamente. Nada. Canetas. Alguns documentos grampeados. Um planejador semi-usado. Nenhuma chave.
“Claro,” sussurrou. “Você não faria isso fácil.”
Ela encontrou um abridor de cartas de metal grosso na mesa e o pesou na mão. Não era ideal, mas era sólido o suficiente.
Ela encaixou o objeto de metal na fechadura do primeiro armário, rangeu os dentes e aplicou pressão sobre ele. A fechadura resistiu. Ela se apoiou mais. Algo estalou — não tinha certeza se era a fechadura ou o metal — mas a porta do armário se abriu.
Ela abriu rapidamente, meio esperando algo dramático. Mas o que viu a fez parar de frustração.
Mais documentos, sim. Pastas empilhadas cuidadosamente. Algumas amarradas com fitas. Nada externamente incomum.
Mas embaixo deles — sentado no canto como se tivesse sido jogado apressadamente — estava um pequeno diário azul com bordas desgastadas.
Um diário destinado a uma criança.
As sobrancelhas de Atena se franziram. Ela o alcançou e levantou gentilmente, virando-o nas mãos. A capa tinha adesivos — estrelas descascando, um personagem de desenho desbotado.
“De Zane,” murmurou.
Ela abriu o diário na primeira página.
Olá diário. Meu nome é Zane. Papai diz que meninos não devem ter diários, mas a Sra. Harriet na escola disse que ajuda a pensar. Eu não vou contar a ele.
Atena sentiu algo torcer em seu peito. Ela virou para a próxima página.
O trabalho do papai é muito grande. Ele diz que eu tenho que aprender cedo para não envergonhá-lo quando as pessoas visitarem. Hoje aprendi sobre importações. Eu não sei o que isso significa, mas papai disse bom trabalho então eu anotei.
Outra página: A escola foi legal. Jason e Tim me empurraram de novo porque eu não quis brincar na briga com eles. Papai diz que meninos que choram são fracos. Eu não chorei.
Outra: Papai me bateu porque perguntei sobre a Mamãe. Eu não vou perguntar de novo.
Atena fechou os olhos por um momento. Em seguida, virou lentamente a próxima página. Vazia. Sem mais entradas.
“Confiscado,” ela sussurrou. “Ele deve ter visto… e levado embora.”
Seu olhar voltou para o armário. Atrás das pastas estavam pequenos brinquedos—figuras de ação, um pequeno robô sem um braço, um carro de plástico. Coisas baratas. Coisas amadas.
Ela passou o dedo por um dos brinquedos e exalou suavemente.
A infância de Zane… não foi uma infância. Idolatrar Herbert não veio da admiração. Veio da sobrevivência. De moldar-se no que quer que Herbert exigisse que ele fosse.
“O que ele fez com você?” ela sussurrou, uma dor silenciosa permeando suas palavras.
O armário não continha mais nada de valor—pelo menos, nada novo. Ela se levantou, fechando a porta quebrada gentilmente, como se merecesse mais respeito do que Herbert jamais lhe deu.
Atena cruzou novamente até a mesa de Herbert. Ela empurrou uma pilha de papéis organizados cuidadosamente e puxou o planejador para mais perto. A maior parte estava escrita em abreviações que ela não reconhecia. Códigos, formas abreviadas, iniciais. Muito deliberadamente vagas.
Nada aqui os ajudaria.
Ela bufou e se virou em direção ao quarto. Ewan estava sentado em uma cadeira almofadada ao lado da cama, um livro grosso aberto em seu colo.
O quarto era espaçoso, a iluminação mais suave do que no escritório, as paredes pintadas em tons de cinza neutros. A cama era do tamanho de um rei, os lençóis bem arrumados com disciplina rigorosa. Sem calor pessoal. Nenhum sinal de quem era Herbert—apenas funcionalidade, linhas afiadas, gosto caro.
“O que é isso?” Atena perguntou ao se aproximar.
Ewan não respondeu imediatamente. Ele inclinou o livro para que ela pudesse ver.
Desenhos. Dezenas de desenhos. Principalmente de lagostins.
Atena piscou. “Ele desenha?”
“Zane mencionou isso uma vez,” Ewan respondeu. “Disse que Herbert rabiscava quando achava que ninguém estava olhando.”
O estilo era áspero, quase frenético. Linhas sobrepostas, sombreamento inconsistente, traços pesados em alguns lugares—como se desenhados por um homem cuja mente nunca se acalmava.
Ao lado do livro estava um documento. Ewan bateu nele com o dedo.
Seus olhos se arregalaram. Era um contrato assinado—um dos acordos originais vinculando Herbert, Morgan e os outros.
“Por que ele guardaria isso aqui?” Atena murmurou.
“Pelo mesmo motivo que ele guarda tudo,” Ewan disse secamente. “Controle.”
A respiração de Atena se apertou enquanto folheava o livro. Cada entrada—cada uma delas—era assinada com o nome de Herbert.
E embaixo… Uma pequena assinatura de um rabisco de lagostim.
Ela tirou fotos. Fotos do documento. Dos desenhos de lagostim. De qualquer coisa que importasse.
Quando terminou, enviou os arquivos para Aiden e conferiu o horário no celular. “Devemos ir embora.”
Ewan assentiu, levantando-se rapidamente.
Atena alcançou o diário de desenhos para levá-lo com ela—
E congelou.
Um cheiro suave flutuou pelo ar. Suave. Químico. Familiar.
Sua mente acelerou. Então o nome a atingiu como um tapa. Seus olhos se arregalaram. “Ewan—”
A porta se abriu antes que ela terminasse.
Três homens mascarados estavam lá, bloqueando a saída.
“Droga!!” Atena colocou uma mão sobre o nariz, agarrando o pulso de Ewan enquanto recuavam. Eles correram para a janela, mas ela não cedeu. Mesmo que cedesse—Atena viu silhuetas esperando abaixo.
Seu estômago afundou. Entramos em uma armadilha.
O quarto girou naquele momento. A escuridão rastejava nas bordas de sua visão.
Ela tentou falar, mas o gás era muito denso, muito rápido. Seu último pensamento antes do mundo engoli-la foi uma única e fria verdade: Eles esperavam por nós.