Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 513
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Capítulo 513: Segundo Julgamento
O juiz entrou no tribunal com a confiança lenta e prática de um homem que passou metade da vida caminhando em direção a um banco. O coração de Atena bateu uma vez antes de se estabelecer em um ritmo constante.
Ela o observou subir os três largos degraus de madeira e se acomodar na cadeira de couro com encosto alto que dava vista para todo o tribunal.
O Tribunal Superior do estado sempre pareceria intimidante para as pessoas, com seus painéis de mogno polidos, suas altas janelas drapeadas com cortinas bordô e suas fileiras de bancos dispostas como as costelas de uma fera gigante esperando para engolir os culpados inteiros.
Mas não para ela. O que ela sentia era antecipação.
Hoje, porém, o lugar parecia carregado—vivo de expectativa.
O ar estava espesso com o zumbido suave de sussurros, o movimento sutil das cadeiras, o farfalhar de papéis. A galeria estava lotada. Os espectadores se inclinavam para frente, ávidos pelo último dia de um julgamento que já havia abalado a internet duas vezes.
Desde que a KN News Media primeiro divulgou a história dos crimes de Cedric e sua família, outras redes a engoliram e a regurgitaram com manchetes sensacionalistas. A voracidade só cresceu quando as alegações de assassinato surgiram.
Houve debates, painéis de especialistas, discussões online com milhões de comentários—alguns defendendo-a, outros atacando-a, mas a maioria exigindo justiça.
Mesmo fora do tribunal, mais cedo, repórteres bloquearam a entrada como um enxame agressivo de abelhas. Seus gritos ainda ecoavam nos ouvidos de Atena.
“Senhorita Atena, algum comentário sobre a acusação de assassinato?”
“Você acha que Cedric sairá livre?”
“É verdade que sua família manipulou as evidências?”
“É vingança pessoal?”
Foram necessários oito seguranças para abrir um caminho para eles através das câmeras piscando e microfones avançando como garras de metal. Ela não deixou nada transparecer em seu rosto, nem mesmo os nervos quase inexistentes.
Ela entrou ladeada por Ewan à sua esquerda e sua família à sua direita, queixo erguido, coluna reta. Ela devia aos seus pais pelo menos essa força.
Sua mão agora repousava na de Ewan. Quente. Firme. Uma âncora silenciosa ao seu lado.
Sua avó estava sentada ao seu outro lado, dedos entrelaçados com a mão livre de Atena. Ao lado de Vovó estava seu avô, solene, ereto, o peso dos anos pressionando seus ombros, mas seu olhar afiado como o de um falcão.
Seus filhos estavam em casa com Jessica, que voou assim que soube dos procedimentos finais. Ela tinha sido uma bênção de todas as formas possíveis, especialmente agora que Cairo precisava de gentileza.
Atena inspirou lentamente. Seu olhar vagou pelo tribunal até pousar em sua tia-avó e o resto daquela linhagem familiar amaldiçoada que ela não via desde a confrontação semanas atrás.
Sua pele se arrepiou.
Os pais de Cedric e seus estúpidos apoiadores a encaravam abertamente—ódio fervilhando em seus olhos como óleo em chamas. Mas sua tia-avó… não. Aquela estava calma. Calma como gelo parado sobre um lago que escondia monstros por baixo.
A mulher mais velha sentava-se graciosamente, mãos postas, rosto composto, usando a expressão de uma veterana que jogou um jogo longo e sujo e se recusava a ser perturbada pelas tempestades da mídia arrastando seu nome por semanas. Uma matriarca verdadeira e autêntica.
Atena mal podia esperar para ver a fachada se quebrar.
O juiz pigarreou então, manuseando alguns papéis, atraindo toda a atenção para ele.
Ewan apertou sua mão levemente—um lembrete sutil de que ele estava lá. Presente. Constante. Ela olhou para cima exatamente quando Herbert captou seu olhar do outro lado do corredor.
Ele piscou, sem vergonha como sempre, e ela revirou os olhos antes de voltar sua atenção para a frente.
Ela realmente se perguntava quando ele desistiria de qualquer ilusão que tivesse sobre tentar começar algo que não fosse negócios com ela.
“O tribunal está agora em sessão,” declarou o juiz, batendo seu martelo uma vez.
O silêncio caiu como um cobertor. Atena se endireitou.
O juiz virou seu olhar severo para a mesa da defesa. “Defesa, pode começar.”
O advogado de defesa levantou-se—alto, ligeiramente nervoso, apertando sua pasta como se ela pudesse criar asas e voar para longe. Ele pigarreou.
“Meritíssimo, membros do júri,” ele começou, voz alta demais, ansiosa demais, “as alegações da acusação devem ser vistas através de uma lente de rigorosa análise. Meus clientes foram pintados como criminosos, suas reputações arrastadas pela lama com base em motivos questionáveis e provas ainda mais questionáveis.”
Os lábios de Atena se contraíram. Motivos questionáveis? Sério?
O advogado continuou, folheando seus papéis com precisão exagerada.
“Em relação às acusações de fraude,” ele disse, “mantemos que os documentos financeiros fornecidos pela acusação não são apenas insuficientes, mas suspeitamente alinhados com uma vingança pessoal. Senhorita Atena—”
Um murmúrio baixo ondulou através dos espectadores. O advogado levantou a mão como se pudesse dispensar suas reações.
“Como eu estava dizendo, as acusações da Senhorita Atena parecem orquestradas. De fato, temos motivos para sugerir que a suposta fraude cometida por Cedric foi fabricada—possivelmente até plantada—para se livrar dele. Um plano—”
Uma explosão de risos irrompeu da galeria. Não eram risos educados. Eram risos feios, zombeteiros e mordazes.
“Ordem!” o juiz latiu, batendo o martelo com força.
O silêncio tentou retornar, mas apenas pairava, tremendo.
O advogado de defesa ficou vermelho do colarinho às orelhas, mas continuou, agora falando mais rápido, tropeçando ocasionalmente.
“Além disso,” ele murmurou, “insistimos que essas acusações são infundadas. Meus clientes são inocentes. Cedric especialmente está sendo alvo de maneira injusta.”
Ele encerrou abruptamente, a voz falhando na última palavra, e praticamente desabou em sua cadeira.
Atena se recostou, divertida. Muito divertida. O que havia de errado com ele? Ele não era o mesmo de sempre. Será que ele também via a desnecessidade de defender a família?
Então o advogado dela se levantou.
A mulher era alta, composta, elegante em um terno preto, com uma voz tão afiada que podia cortar os ossos. Seu avô a havia recomendado—não, insistido nela—e agora Atena entendia por quê.
“Meritíssimo, estimados membros do júri,” o advogado dela começou suavemente, “Gostaria de lembrar à defesa que alegações de falsificação requerem provas. E falando em provas…” Ela levantou uma pasta. “Vamos agora apresentar as declarações financeiras originais, verificadas por três auditores independentes.”
Ela gesticulou em direção à porta lateral.
Dois especialistas em finanças entraram, cada um carregando pastas.
O tribunal se agitou novamente—respiros contidos, cadeiras rangendo, expectativa a cada instante.
O advogado dela distribuiu cópias para os jurados, mantendo contato visual com o advogado de defesa, que de repente parecia querer derreter no chão.
“Estes são documentos autenticados,” o advogado dela continuou. “A menos que a defesa queira alegar que três entidades auditoras distintas conspiraram para cometer falsificação em nome da Senhorita Atena?”
O advogado de defesa não disse nada.
Um dos especialistas em finanças adiantou-se. “Meritíssimo, confirmamos que os documentos são legítimos. Todas as assinaturas, carimbos de data e hora, e movimentos financeiros estão alinhados. Nenhuma evidência de adulteração.”
Um leve suspiro percorreu a sala.
Aquilo selou o destino de Cedric. Todos sentiram isso.
Mas o advogado dela não tinha terminado.
“Prosseguindo para o caso de assassinato,” ela disse, abrindo outra pasta. “Cedric Thorne pode não ter cometido o assassinato pessoalmente, mas estava ciente dele. Seu envolvimento vai além do conhecimento passivo. Ele participou ativamente em tentativas de encobri-lo.”
O advogado de Cedric levantou-se de repente. “Isso é absolutamente ridículo! Meu cliente nem tinha nascido ainda—”
Ele congelou, percebendo seu erro tarde demais.
“Então ele admite que o assassinato realmente aconteceu?” alguém da galeria sussurrou em voz alta.
Outra rodada de risinhos abafados.
“Ordem!” o juiz trovejou novamente.
O rosto do advogado de defesa agora brilhava com suor. “N-Não houve assassinato,” ele balbuciou. “Meus clientes são inocentes—cada um deles!”
O advogado de Atena apenas arqueou uma sobrancelha.
“Meritíssimo, gostaria de lembrar ao tribunal da gravação submetida na semana passada.” Sua voz estava calma, sem pressa. “Uma gravação de Cedric ameaçando minha cliente, seguida de imagens internas da família dele discutindo planos para eliminá-la.”
“Objeção!” o advogado de Cedric gritou. “Gravação compulsória! Não pode ser admitida!”
Mas a objeção agora não passava de ar. Todos no tribunal já tinham tomado suas decisões. A zombaria recomeçou—baixa, perigosa, desdenhosa.
Cedric se mexeu desconfortavelmente, os olhos percorrendo a sala. Ele não conhecia aquelas pessoas. Não sabia quem estava rindo. Não sabia quem Atena havia chamado.
O pânico tomou conta de seu rosto quando a voz do advogado dela cortou a sala:
“E finalmente, Meritíssimo… temos testemunhas.”
O estômago de Cedric despencou. O quê?