Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 506
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Capítulo 506: Motivos
Atena recostou-se na cadeira, a luz das janelas do escritório iluminando sua mesa e destacando o caos organizado de papéis, arquivos abertos e sua caneca favorita meio cheia de café frio.
Seus pensamentos vagaram enquanto ela folheava outro relatório. Era estranho como os dias passaram rapidamente. Um piscar de olhos e um mês inteiro havia se passado, como fumaça entre os dedos.
O silêncio de rádio sobre a questão do crime ainda se estendia, ininterrupto. Nenhuma nova atualização. Nenhuma nova pista. Mas o mundo seguiu em frente—as pessoas sempre seguem. O Vírus Cinza, aquela sombra monstruosa que outrora rastejava por cada conversa, cada transmissão, cada batida do coração, estava rapidamente se tornando uma coisa do passado.
O Cairo ainda não sorria novamente, mas havia pequenos milagres. Ela agora acompanhava as crianças à escola, até conversava com sua avó e se tornava mais amável com os gêmeos.
Os lábios de Atena se curvaram levemente ao lembrar deles—cabelos bagunçados, rindo, correndo pelo corredor naquela manhã com sapatos desparelhados. Ainda havia fendas, mas as peças estavam se mantendo juntas.
Sua própria vida também estava se encaixando lindamente. Seu relacionamento com Ewan era perfeito, tão perfeito que às vezes parecia irreal, como um sonho do qual ela tinha medo de acordar. O casamento deles estava chegando no outono, e sempre que ela pensava nisso, seu peito se enchia de uma antecipação silenciosa.
Seus amigos também estavam prosperando. Gianna havia sido promovida na empresa de joias e até venceu um concurso de design na mesma linha—Atena ainda se lembrava de como sua voz tremia de entusiasmo quando deu a notícia por telefone.
Chelsea, também, finalmente se estabeleceu como pediatra chefe no Hospital Whitman. Era tudo o que Atena desejava para sua amiga. A única parte desconfortável era que tanto Gianna quanto Chelsea estavam evitando taticamente o círculo de amigos de Ewan—Gianna por causa de Zane, Chelsea por causa de Sandro.
Atena entendia, mesmo desejando que as coisas fossem mais fáceis entre todos eles.
Suas ideias se voltaram para seu substituto no Hospital Whitman. Herbert havia aceitado seu conselho, e Kent, que havia assumido seu lugar, estava indo incrivelmente bem. Os relatórios que ela recebia do hospital eram brilhantes. Ela se sentia orgulhosa, aliviada até, por ter deixado as coisas em mãos capazes.
A terapia era outra vitória silenciosa. Suas sessões haviam se tornado um lugar seguro para respirar, para desfazer os nós que outrora retorcera seu coração em algo duro e defensivo. Damien—paciente e firme na mesma medida—ajudou-a a encontrar equilíbrio novamente. Ajudou-a a amar Ewan melhor.
Ela sorriu levemente, lembrando-se de que Ewan também havia se inscrito para terapia, embora com outro médico. Isso fez com que ela o amasse ainda mais—a disposição para crescer, para curar, para encontrá-la no meio do caminho.
Até agora, trabalhar na empresa do avô era enorme, uma montanha de responsabilidade, mas uma que ela poderia lidar com as mãos capazes ao seu redor. Ela estava aprendendo rápido, adaptando-se mais rápido ainda, e lentamente esculpindo seu lugar no legado.
Sua caneta pausou acima do papel quando a porta se escancarou. Cedric entrou sem bater.
Atena olhou para cima, um sorriso lento e conhecedor se espalhando por seus lábios. Ela estava esperando por ele.
“Cedric,” ela cumprimentou levemente, recostando-se na cadeira. “Você se lembra do conceito de bater, não é?”
Houve outras visitas dele, claro—várias, na verdade—mas aquelas foram estritamente profissionais, mascaradas sob o disfarce educado de relatórios de progresso e resumos de projetos. Cada uma dessas reuniões veio com seus sorrisos falsos de costume ou aqueles sorrisos apertados e carrancudos que ele deve ter achado que passavam por charme.
Mas esta visita era diferente. Ela podia ver no contorno rígido de seu maxilar, na tempestade em seus olhos. Esta não era sobre negócios. Era pessoal.
Ela esperou por ele para falar, mas ele não falou—apenas ficou lá, furioso, punhos cerrados, peito subindo e descendo rápido demais.
Atena arqueou uma sobrancelha, divertida. “Deixe-me adivinhar,” ela disse suavemente. “Você está aqui por causa do que aconteceu mais cedo hoje?”
A reunião daquela manhã foi um movimento calculado da parte dela. Um necessário. Secretamente, ela inscreveu alguns funcionários de confiança para investigarem as finanças da empresa, para enviar-lhe relatórios detalhados do fluxo de dinheiro por cada filial e conta. O que eles encontraram foi condenador.
Cedric—seu querido primo—estava desviando fundos para uma conta offshore privada para ele e sua família.
Então ela fez o que precisava ser feito. Ela o expôs na frente de todos durante a reunião dos trabalhadores, cada número, cada registro foi exposto. Os suspiros, os sussurros, a incredulidade—foi um espetáculo.
Ela não fez isso por mesquinhez, mas sim por um propósito. Ela precisava encurralá-lo, forçar sua mão, despojá-lo da falsa compostura. Ela estava cansada de esperar; queria encerrar todas as pontas soltas, antes do dia do casamento.
Ela o humilhou, sim, mas foi uma humilhação estratégica. Para acelerar o que já era inevitável—o desenrolar de seu controle. Ela o rebaixou logo após a revelação, anunciou isso perante a equipe, seu tom cortante mas misericordioso.
Ela até o havia avisado: mude, ou ela entregaria tudo—os registros, as evidências—ao avô e à polícia.
Atena tinha feito isso para ser vista como misericordiosa. Para ser vista como justa. Porque em breve, quando o último fio fosse puxado, todos precisariam entender que ela havia dado a ele todas as chances.
E havia outro motivo. Ela queria justiça. Cedric e sua família tinham sangue em suas mãos. O sangue dos seus pais. Eles destruíram tanto, e agora, ela os faria pagar. Legalmente, precisamente, implacavelmente.
Ela inclinou a cabeça, observando Cedric lutar para encontrar suas palavras. “Você parece chateado,” ela disse, quase de forma provocante.
O controle de Cedric se quebrou.
Ele bateu as mãos na mesa dela, espalhando alguns arquivos. “Você acha que é intocável agora, não é?” ele sibilou, os olhos ardendo. “Porque Avô te entregou a empresa? Porque todo mundo aplaude quando você entra em uma sala?”
Atena permaneceu sentada, calma como a água, uma sobrancelha levantada. “Você veio até aqui para me dizer isso?” ela perguntou suavemente, sua voz baixa mas cortada com um aço quieto.
Ele se inclinou mais perto, sua respiração áspera. “Você não sabe o que está fazendo,” ele rosnou. “Você acha que é esperta, mas não é. Você é apenas uma menininha sortuda que conseguiu o trono porque seu avô a ama demais para ver o que ela realmente é.”
O sorriso de Atena se estreitou. “Cuidado,” ela murmurou. “Você está começando a soar ciumento.”
Seu rosto se contorceu. “Ciumento?” Ele soltou uma risada, sombria e sem humor. “De você? Você não faz ideia do que está por vir. Continue cavando onde não deveria, Atena, e você terminará como seus pais.”
Por um instante, o silêncio pairou no ar. Pesado. Afiado.
Então Atena riu suavemente. Não foi alta ou forçada—foi baixa, suave, e carregada com desdém. “Você acabou de me ameaçar no meu próprio escritório,” ela disse tranquilamente, empurrando sua cadeira para trás e se levantando. “Você tem ideia de quão estúpido isso foi?”
Cedric piscou, surpreso com sua calma. “Você—”
Ela sorriu, uma curva mortal de seus lábios. “Veja bem, querido primo, eu sabia que você viria. E eu sabia que você perderia a paciência. Por isso…” ela interrompeu, batendo levemente sua unha bem feita sob a mesa. “Eu liguei o gravador antes mesmo de você entrar.”
Seu rosto empalideceu.
“Cada palavra,” ela sussurrou, “está agora gravada. Inclusive aquela última sobre meus pais.”
Ele cambaleou um passo para trás, a realização começando, a raiva distorcendo suas feições. “Você vai se arrepender disso,” ele cuspiu.
Os olhos de Atena brilhavam. “Você já garantiu que eu não vou.”
Cedric virou-se bruscamente e saiu furioso, a porta batendo atrás dele tão forte que um dos seus certificados emoldurados chacoalhou contra a parede.
Por um momento, o escritório ficou silencioso novamente.
Atena exalou lentamente, então alcançou sob a mesa, desligando o pequeno gravador colado embaixo dela. A luz vermelha diminuiu.
Ela pegou o telefone e, sem hesitar, discou o número de seu contato na polícia. Sua voz estava calma, quase serena quando ela falou.
“Detetive? Sim. Estou te enviando algo agora. Uma gravação, junto com as evidências financeiras que mencionei anteriormente.”
Ela anexou os arquivos, pressionou enviar, e se recostou na cadeira mais uma vez, fechando os olhos por um segundo.
O plano estava se concretizando. Finalmente.