Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 494
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Capítulo 494: Jantar Alegre
A luz do sol poente derramou-se pelas amplas janelas do restaurante italiano, envolvendo tudo em um suave calor âmbar. O cheiro de alho e ervas pairava no ar, misturando-se ao riso e ao leve zumbido das conversas dos outros clientes.
Era o início da noite, e a mesa junto à janela—aquela que lentamente se tornara a mesa deles—já estava posta com duas taças de vinho tinto e a familiar luz de velas tremeluzente que sempre acalmava o coração de Atena.
Ewan estava ligeiramente recostado em sua cadeira, sua expressão relaxada pela primeira vez em dias. Do outro lado, Atena girava seu copo de vinho pensativamente, as minúsculas reflexões dançando em seu rosto. Tinha sido um longo dia—mas um bom dia.
Ele a havia levado para fazer compras mais cedo, e pela primeira vez, não em nenhum dos shoppings reluzentes que ela costumava visitar para roupas de trabalho ou eventos de imprensa. Ele a levou, em vez disso, para uma esquina tranquila, onde um antigo café de livros estava encaixado entre lojas de flores. O lugar cheirava a papel envelhecido e grãos de café torrados, suas prateleiras recheadas de romances e coleções de poesia.
Eles passaram horas lá—conversando, rindo, perdendo a noção do tempo. Sobre tudo e nada. Sobre sonhos de infância, erros que eles não mudariam e futuros que não tinham mais medo de imaginar.
Atena se pegou mais ouvindo do que falando, observando Ewan se iluminar quando falava sobre música, os gêmeos ou os livros que o ajudaram nos seus anos difíceis.
E agora, sentada à sua frente, com o zumbido do restaurante ao redor deles, parecia que eles finalmente haviam encontrado a paz.
“O ministro,” ela disse após uma pausa silenciosa, colocando seu copo na mesa. “Ele foi levado para contenção.”
As sobrancelhas de Ewan se ergueram ligeiramente, interesse piscando em seus olhos. “Contenção? Não prisão?”
Ela assentiu. “Eu disse ao presidente que não acredito que ele seja o principal patrocinador. Ele sabe demais, sim, mas há outra pessoa puxando os fios. Alguém maior. Eles estão mantendo ele isolado para interrogatório.”
Ewan assentiu lentamente, seu olhar pensativo enquanto cortava sua massa. “Concordo. Não há como ele ter o tipo de poder ou rede para construir e financiar algo tão complexo quanto o Vírus Cinza sozinho. Se ele falar, podemos finalmente chegar ao cerne.”
Atena suspirou, recostando-se em seu assento. “É estranho, entretanto. Os hospitais têm estado mais silenciosos. Os pacientes do vírus diminuíram nos últimos dias, como se quem estivesse espalhando de repente… parasse.”
Ewan olhou para ela, o canto de sua boca se contraindo em um meio sorriso. “Talvez eles estejam com medo.”
“De quê?”
“De serem pegos,” ele disse simplesmente. “Eles podem sentir a rede se fechando.”
Havia algo na maneira como ele disse isso—firme, confiante—que fez o peito de Atena apertar com calor. Pela primeira vez, parecia realmente um final. O caos, o medo, as longas noites de dúvida—estavam chegando ao fim.
“Mas ainda acho que Kael e o restante daquela gangue estão escondidos juntos,” Ewan continuou, limpando a boca com um guardanapo. “Spider acha o mesmo. A maioria de seus antigos lugares já foi invadida—metade deles vazios, metade abandonados às pressas. Se Kael ainda estiver vivo, é onde ele estará.”
Atena franziu a testa, inclinando-se ligeiramente para a frente. “Você acha que Fiona está com eles?”
“Acho.” Seu tom era calmo, mas seus olhos endureceram. “E o fato de Spider ainda não ter dado o sinal verde me diz que ele está esperando por algo—talvez a confirmação de que eles estão todos em um só lugar.”
“Então é apenas uma questão de tempo,” ela disse suavemente.
Ele assentiu. “Exatamente.”
A conversa esmaeceu por um momento, substituída pelos sons suaves de pratos e música tranquila. Ewan estendeu a mão sobre a mesa e cobriu a mão dela com a dele. O gesto era leve, mas dava impressão de segurança.
“Você lidou bem com este assunto,” ele disse baixinho. “Com o presidente. Com o público. Você lidou com tudo isso melhor do que qualquer um poderia ter feito.”
Ela sorriu de leve, passando o polegar sobre seus dedos. “Eu aprendi com você.”
Ewan riu. “Elogios não vão te dar sobremesa.”
“Eu não estava tentando conseguir sobremesa,” ela provocou, mas suas bochechas já estavam quentes.
Antes que ela pudesse dizer mais, seu telefone vibrou suavemente na mesa. A tela iluminou-se com um nome que a fez sorrir.
“Avô,” ela murmurou, atendendo. “Olá, Vovô.”
“Atena! Você tem assistido às notícias?” a voz alegre dele ressoou pelo alto-falante.
“Sim,” ela disse, rindo. “Eu vi o ministro sendo escoltado para fora. Posso praticamente ouvir sua celebração daqui.”
“Você deveria! Já era hora de a justiça começar a agir. Onde você está, minha querida?”
“Em um restaurante italiano,” ela respondeu, olhando para cima para Ewan, que levantou uma sobrancelha divertida. “Jantando com Ewan.”
“Ah! Jantar, você diz?” Seu avô riu com conhecimento. “Convide a família, por favor? Todos nós estávamos nos perguntando para onde vocês dois tinham desaparecido!”
Atena cobriu a boca, rindo. “Tudo bem, Vovô. Você venceu. O jantar é por nossa conta então.”
Ewan se inclinou mais perto do telefone. “Diga a eles para se apressarem, senhor, antes que ela coma todo o tiramisu.”
O riso do avô dela foi tão alto que metade do restaurante deve ter ouvido. “Vocês ouviram, todos estão vindo!”
Atena encerrou a ligação, ainda rindo, e fez sinal para um dos garçons. “Estamos esperando convidados,” ela disse calorosamente.
O garçom piscou, os olhos se arregalaram ligeiramente quando o reconhecimento surgiu. “Claro, Dra. Atena. Sr. Ewan. Imediatamente!” Ele praticamente correu para informar seu gerente, sussurrando algo animadamente sobre “convidados importantes” e “publicidade.”
Ewan sorriu. “Você acabou de fazer a semana daquele homem.”
“Bom,” ela disse com um sorriso. “Ele parece merecer.”
Momentos depois, as portas do restaurante se abriram, e entrou a família dela—Avô liderando o caminho, seguido por sua esposa, seus filhos, seus amigos, Aiden e Susan, Zane e Sandro vindo atrás. O ar mudou imediatamente, risadas e conversas preenchendo o ambiente como a luz do sol inundando uma janela.
“Vocês dois!” Aiden exclamou, balançando a cabeça enquanto alcançava a mesa. “Estávamos nos perguntando para onde vocês desapareceram!”
“Aparentemente em um encontro,” Sandro murmurou, deslizando para o assento ao lado de Zane. “Enquanto estávamos em casa esperando.”
Ewan levantou uma sobrancelha. “Eu chamo isso de estratégia.”
Isso fez todos rirem, até mesmo o avô de Atena, que já estava ocupado pedindo seu vinho favorito. O jantar que se seguiu foi barulhento, alegre e cheio de vida. Pela primeira vez em muito tempo, não havia tensão na mesa—sem mágoas ocultas, sem silêncios cuidadosos. Apenas alegria por um caso resolvido.
Atena se viu rindo mais do que comendo. Cada piada, cada tilintar de taças parecia uma pequena vitória sobre a dor que antes os havia sombrado.
Mas então—
Quando ela levantou o copo, algo chamou sua atenção. Um movimento rápido perto da janela do restaurante. Uma sombra, um contorno familiar—alto, de ombros largos. A respiração dela travou.
Ela piscou, o coração acelerado, e se virou deliberadamente para olhar.
Nada.
Apenas o fraco reflexo da luz de velas e pessoas passando do lado de fora. A parte racional de sua mente sussurrou que ela estava sendo paranóica, que os longos dias e as noites sem dormir estavam finalmente pregando peças.
Ainda assim, o frio que deslizava pela espinha dizia o contrário.
Talvez fosse sua imaginação. Ou talvez Antonio estivesse observando.
Antes que ela pudesse ponderar sobre isso, seu telefone vibrou novamente.
Fiona.