Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 491
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Capítulo 491: Apologias
“Ewan, Atena está aqui.”
Por um momento, Ewan pensou que tinha imaginado isso.
A voz de Sandro vinha da porta, mas sua mente mal registrou as palavras. Ele se sentou na beira da cama, um livro meio aberto na mão, olhos fixos em uma linha que ele já havia lido uma dezena de vezes sem absorver uma única palavra. As letras nadavam diante dele, um borrão que se recusava a se organizar em significado.
O rosto de Atena—sua expressão na última vez que ele a viu—continuava piscando diante de seus olhos. A acusação em sua voz, o cansaço em seus olhos. A dor. Assombrava-o toda vez que ele piscava.
Era estranho, ele pensou. Ele já tinha passado por piores—tinha visto sangue, traição, perda. No entanto, de alguma forma, o olhar quebrado daquela mulher tinha feito o que balas e facas não puderam: o dilacerou por completo.
Ele exalou bruscamente e fechou o livro, tentando afastar a memória, mas as palavras de Sandro ecoavam novamente. “A Atena está aqui.”
Ewan franziu a testa quando percebeu que seu amigo ainda estava parado na porta. Ele inclinou levemente a cabeça, sua mente lutando por uma razão. “O quê?”
“Você me ouviu,” Sandro disse, encostando-se no batente da porta, seu tom era neutro. Sua expressão não revelava nada—exceto talvez irritação.
Ewan zombou, balançando a cabeça. “Boa tentativa. Você não é engraçado.”
“Eu não estou brincando,” Sandro respondeu friamente. “Ela está na sala de estar.”
Aquilo fez Ewan levantar o olhar abruptamente. Seu coração bateu forte e rápido.
Ele estudou o rosto de seu amigo em busca de um sinal de humor—algum esboço de sorriso, um brilho nos olhos—mas o rosto de Sandro permaneceu imóvel, inabalável, e a descrença de Ewan lentamente se transformou em outra coisa.
Uma onda de energia percorreu seu corpo. Ele jogou o livro de lado descuidadamente, o som dele batendo no chão quebrou o pesado silêncio. “Você está falando sério?”
Sandro deu um pequeno aceno. “Ela entrou há uns cinco minutos. Disse que queria te ver.”
Ewan levantou-se abruptamente, suas pernas pareciam mais pesadas do que deveriam. Sua mente, enquanto isso, era um caos. Atena. Aqui. Por quê? O que ela poderia querer agora?
Ele esfregou a nuca, andando alguns passos. “O que você acha que ela veio fazer aqui?”
Sandro deu de ombros secamente. “Talvez ela queira levar sua mansão também.”
Isso arrancou uma risada oca de Ewan. “Certo. Porque nada diz mais vingança do que imóveis.”
Ele estava brincando, mas seu peito estava apertado demais para o humor funcionar adequadamente. Suas mãos tremiam levemente enquanto ele pegava um moletom, vestindo-o sobre a camiseta branca.
Ele já estava com shorts de algodão—não tinha planejado sair hoje. Seu reflexo no espelho parecia cansado, de algum modo mais velho.
Ele bagunçou o cabelo, tentando se arrumar e, ao mesmo tempo, não parecer ansioso demais, ignorando o grunhido de desagrado que Sandro emitiu atrás dele.
“Já terminou de se olhar?” Sandro murmurou.
Ewan lançou-lhe um olhar de lado. “Você faria o mesmo se uma tempestade chamada Chelsea aparecesse na sua porta.”
Aquilo calou Sandro por um momento.
Ewan respirou fundo uma última vez—lentamente e profundo—antes de sair do quarto.
A curta caminhada pelo corredor pareceu muito mais longa do que deveria. Sua mente estava em todos os lugares—imagens de Atena rindo sarcasticamente, chorando, com raiva, fria. Ele não sabia qual versão o aguardava agora, e parte dele não tinha certeza de que poderia lidar com qualquer uma delas.
Quando chegaram à sala de estar, ele parou abruptamente.
Ela estava realmente lá.
Atena estava andando de um lado para o outro na sala, seus braços envoltos em torno de si mesma, o movimento de seu vestido azul-marinho fluindo ligeiramente a cada movimento. Seus pés descalços apareciam sob a barra—suas unhas pintadas de um rosa suave que apertava dolorosamente seu peito.
Ela tinha tirado os saltos? Ela sempre fazia isso quando estava nervosa.
Ela estava linda. Frágil, mas ainda linda.
A garganta de Ewan secou. Por um instante, o resto do mundo se turvou.
Quando ela se virou e o viu, sua caminhada parou. Seus olhares se encontraram—e naquele instante, toda parede que ele havia construído para talvez seguir em frente começou a tremer.
Havia incerteza na expressão dela, algo quase assustado, e foi assim que ele soube: ela não estava ali para tomar a mansão.
O que então? Por que ela parecia assustada? Aconteceu algo com…?
“Relaxe, Ewan…” Atena disse suavemente quando percebeu o pânico passar pelo rosto dele. “Não estou aqui para começar outra guerra. Estou bem também.”
Ele piscou, tentando respirar normalmente, tentando não dar a entender que seu coração estava um caos. Ela estava brincando, meio que, mas sua risada nervosa traiu a tensão subjacente.
Sandro cruzou os braços, seu olhar alternando entre eles. “Estarei na cozinha,” ele murmurou, mas Atena o deteve.
“Não—espera.” Ela se virou para ele, os ombros erguendo-se ligeiramente. “Eu… queria me desculpar com você primeiro.”
Isso pegou Sandro de surpresa. Suas sobrancelhas se franziram, sua boca abrindo e fechando como se incerto sobre o que dizer.
“Por ter te demitido no começo,” Atena continuou, a voz tremendo ligeiramente. “Não foi justo. Você não merecia isso.”
Por um segundo, o silêncio pairou na sala. Então a expressão de Sandro suavizou, sua irritação se transformando em uma diversão relutante. Ele suspirou, aproximando-se dela. “Você me deu um susto, sabia?”
Os lábios de Atena se curvaram em um pequeno sorriso.
Sandro deu um abraço de lado nela. “Não faça disso um hábito,” ele disse e então, lançando um olhar significativo para Ewan, acrescentou, “Vou dar um pouco de espaço para vocês dois.”
Enquanto ele saía, Ewan percebeu o leve sorriso no rosto do amigo. Típico.
Os olhos de Atena seguiram Sandro até a porta se fechar. Então, em silêncio, ela o xingou por ter saído.
Ela se mexeu nos pés, a cabeça baixa, seus dedos roçando a bainha de seu vestido.
O silêncio que se seguiu era denso.
Ewan pigarreou, mas antes que ele pudesse falar, ela o fez. “Sinto muito.”
Sua voz era baixa, quase frágil.
Ele congelou. Isso era real?
“Eu deveria ter deixado você explicar,” ela continuou, suas palavras saindo mais rápido agora, como se ela as estivesse segurando por muito tempo. “Eu deveria ter confiado em você. Em vez disso, agi com raiva—com medo. E eu te machuquei. Machuquei nós dois.”
Ele não respondeu imediatamente. Não conseguiu. Ele ficou lá, observando-a, ouvindo o tremor na voz dela, o arrependimento em cada sílaba.
E seu silêncio a deixou nervosa. Suas mãos se entrelaçaram. “Ewan, por favor, diga algo.”
Mas Ewan ainda estava tomado pela descrença. Aquilo e puro alívio.
Ele tinha passado os últimos dias se convencendo de que a tinha perdido—que sua punição por seus pecados passados era vê-la ir embora, levando as crianças e a luz com ela. E agora ela estava ali, se desculpando. Se desculpando.
Seus lábios se abriram ligeiramente. Mas nenhuma palavra saiu.
Atena lambeu o lábio inferior. “Sinto muito, Ewan. De verdade.” Uma pausa. “Por tudo. Pela empresa. Por não acreditar em você sobre Victoria. Por pensar o pior de você.” Sua voz falhou então, apenas um pouco. “Você não merecia isso.”
Ela engoliu em seco, encontrou o olhar dele, quando ele não falava, quando sua expressão não mudava.
“Eu…” Ela começou a repetir o pedido de desculpas, qualquer coisa para preencher o silêncio sufocante, mas as palavras nunca vieram.
Porque Ewan fechou a distância entre eles e a beijou.