Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 486
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Capítulo 486: Infeliz
A porta se fechou atrás de Sandro com um clique suave, mas poderia muito bem ter sido um trovão. O eco dele ressoou nos ouvidos de Atena muito tempo depois que ele se foi.
Por um momento longo e frágil, ela não se moveu. Seus dedos, ainda repousando na borda da mesa de reunião polida, tremiam levemente. O ar parecia pesado—demais—pressionando-a até que seu peito se apertasse.
Ela engoliu seco. O silêncio na sala de reuniões era ensurdecedor. O leve zumbido da cidade através das paredes de vidro, o som distante do tráfego, o baixo ruído do ar-condicionado—tudo se fundia em uma única nota monótona que preenchia o espaço vazio dentro dela.
Ela havia vencido. Era o que todos diriam. A diretoria havia votado a seu favor. Ela havia tomado o controle do império que Ewan construiu com seu sangue e suor. E, no entanto, estando ali, ela não sentiu triunfo algum. Apenas… vazio.
Solitude.
Inquietude.
Tristeza.
A tristeza veio quietamente, quase ternamente a princípio—depois mais forte, até abafar todo o resto. Era um tipo de luto que pesava em seu estômago, opaco e sufocante.
Ela havia lutado por espaço, não tinha? Por liberdade da sombra dele. Das pessoas que duvidaram dela. Da piedade. Então por que agora parecia tão insuportável que todos tivessem ido embora?
Sua garganta doía. Suas mãos fecharam-se em um punho. Não, ela pensou, eu não posso fazer isso. Eu não posso me desmanchar agora.
Porque tão rápido quanto a dor havia vindo, outra imagem surgiu—inesperada e cruel.
Ewan.
Encostado naquela mesa.
As mãos de Victoria na camisa dele.
Seus lábios—
A respiração de Atena se interrompeu. Seu pulso disparou.
A tristeza desapareceu, devorada pela queimação bruta e familiar da raiva.
“Droga!” ela sibilou, fechando sua bolsa com tanta força que o som reverberou nas paredes. Ela se amaldiçoou em voz baixa, reprimindo a emoção que ameaçava romper sua voz. Fraqueza era um luxo que ela não podia mais se permitir.
Ela juntou seus documentos com movimentos trêmulos, enfiando-os em sua bolsa, recusando-se a olhar para trás da cadeira onde Sandro estivera sentado. “Você não é fraca,” ela murmurou, endireitando a postura. “Você não é.”
Com o queixo erguido e o coração batendo forte, ela saiu da sala de reuniões.
O corredor parecia mais longo que o usual—cada eco de seus saltos um lembrete do que ela acabara de fazer. Repórteres ainda vagueavam além do saguão principal, mas os assistentes e funcionários que ela passava a cumprimentavam com sorrisos forçados, incertos se deveriam encontrar seus olhos.
Quando chegou ao escritório do CEO, a visão de Sandro lá—arrumando suas coisas na bolsa—fez com que ela parasse.
Os outros assistentes pairavam estranhamente ao redor, sussurrando em tons baixos. Papéis estavam espalhados pela mesa, os restos da vida diária de alguém sendo apagados em tempo real.
Atena parou na porta por um momento, então falou, seu tom era plano, mas cortante. “Então,” ela disse, “vocês todos estão planejando pedir demissão também? Como Sandro?”
Os assistentes congelaram. Seus olhos se voltaram para Sandro, depois de volta para ela. Ninguém respondeu.
Sandro não levantou os olhos de imediato. Ele fechou o bolso lateral da bolsa, exalou suavemente, então finalmente se virou para eles. “Fiquem,” ele disse aos assistentes, sua voz calma, mas cansada. “Fiquem e sejam leais ao novo chefe. Esta empresa ainda tem uma chance de crescer. Não joguem fora seus meios de subsistência por minha causa.”
As sobrancelhas de Atena se ergueram ligeiramente. “Que nobre,” ela disse baixinho, sarcasticamente.
Então, mais alto, para os assistentes, “Mas se algum de vocês sentir que não pode ser leal, não se preocupem—eu posso contratar pessoas que serão.”
A cabeça de Sandro se ergueu então, seu olhar afiado, mas ele não disse nada. Apenas ergueu a bolsa, a decepção em seu rosto cortando mais fundo do que qualquer insulto.
“Estarei de volta amanhã,” ele disse simplesmente. “Só para ter certeza de que meu espaço está devidamente limpo.”
Os lábios de Atena se abriram, uma resposta pairando na ponta da língua, mas ela não conseguiu expressá-la. A culpa a atingiu então—repentina e aguda—torcendo em seu peito.
Ele não era apenas um funcionário. Ele tinha sido um amigo. Amigo de Ewan. Seu amigo, uma vez. E ela acabara de deixá-lo sem emprego.
Ela mordeu o lábio inferior, sentindo o gosto do sangue. “Certifique-se de que tudo esteja em ordem,” ela disse finalmente, forçando sua voz a permanecer estável.
Sandro acenou com a cabeça brevemente e saiu, não lançando mais um olhar para ela.
Assim que a porta se fechou, Atena exalou tremulamente, passando a mão trêmula pelos cabelos. Os assistentes ainda estavam ali, desconfortáveis e inseguros.
“Mantenham-me informada,” ela murmurou, virando-se antes que pudessem ver o tremor em seus dedos.
Ela correu pelo corredor até o escritório principal—o escritório dele—e fechou a porta atrás de si com um suave baque. O silêncio ali era pior.
Suas mãos estavam tremendo agora. Ela as pressionou contra a mesa, forçando-se a respirar. “Calma,” sussurrou para si mesma. “Ele é apenas uma baixa. Só isso. Uma baixa.”
Seus olhos se voltaram para a mesa. Aquela mesma maldita mesa.
A onde aconteceu.
A que ela nunca poderia esquecer.
Seu peito apertou novamente. “Vou me livrar dela,” murmurou. “Não me importa se é de carvalho ou ouro. Vou queimá-la se for preciso.”
Atena se afastou bruscamente, piscando forte, empurrando os pensamentos para baixo—bem fundo, onde eles não pudessem mais alcançá-la.
Enquanto isso, em um hospital, a quilômetros de distância, a chuva batia suavemente nas janelas do quarto de hospital de Ewan, um ritmo suave que acompanhava o bip lento e constante do monitor cardíaco ao lado de sua cama. Ele estava sentado agora, sua pele pálida, mas seus olhos alertas.
Sandro estava parado próximo ao pé da cama, braços cruzados, mandíbula tensa. “Você não pode estar falando sério,” disse ele secamente. “Está me pedindo para não sair?”
Ewan assentiu, sua expressão calma. “Isso mesmo.”
Sandro piscou. “Ewan, ela acabou de tomar sua empresa. Ela te humilhou na frente de todo o conselho. E agora você quer que eu fique e trabalhe para ela?”
Ewan suspirou, recostando a cabeça no travesseiro. “Eu sei como isso soa.”
“Como isso soa?” Sandro exclamou, elevando a voz. “Parece insano! Você não pode esperar que eu fique naquele prédio e finja que está tudo bem enquanto ela—”
“Sandro.”
A voz de Ewan estava quieta, mas firme. O tipo de silêncio que exigia atenção.
Sandro calou-se, olhando para ele.
Ewan voltou seu olhar para a janela manchada de chuva, o mais leve indício de um sorriso cansado em seus lábios. “Ela tem todo o direito de me odiar,” disse suavemente. “Você viu o que ela viu.”
Sandro hesitou. “Você ainda está se apegando a isso? Não foi nem—”
“Eu sei,” Ewan interrompeu gentilmente. “Mas na mente dela, foi o suficiente. E talvez seja carma.”
A expressão de Sandro se fechou ainda mais. “Carma?”
Os olhos de Ewan se abaixaram. “Você se lembra? Eu tirei muito dela, Sandro. A confiança dela, então. A paz. Talvez agora seja a vez dela de tirar algo de mim.”
As palavras pairaram no ar, pesadas e silenciosas.
“Ela pode ficar com a empresa,” Ewan murmurou após um momento. “Ela pode ficar com tudo, se isso a fizer feliz de novo.”
Sandro olhou para ele incredulamente. “Ewan—”
“Se isso a fizer me ver como humano novamente,” Ewan continuou, sua voz quase um sussurro, “então vale a pena. Se isso significar que ela vai me deixar ver as crianças.”
Algo quebrou em Sandro então. Sua raiva se dissolveu em impotência. Ele passou a mão pelo rosto, exalando forte. “Você é inacreditável,” murmurou. “Absolutamente inacreditável.”
Ewan sorriu levemente, embora não chegasse aos seus olhos. “Você sempre dizia isso.”
Sandro balançou a cabeça, andando uma vez antes de se virar novamente. “Tudo bem. Eu vou ficar. Mas não por ela.”
“Eu sei, e tá tudo bem.”
“Pela empresa,” Sandro acrescentou. “E por você. Porque alguém tem que garantir que ela não destrua tudo por vingança.”
Ewan riu, seu olhar suavizando. “Obrigado.”
“Não me agradeça,” Sandro respondeu, suspirando. “Apenas… melhore. Você está com uma cara horrível.”