Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 485
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Capítulo 485: Escolha Condenatória III
Sandro sempre acreditou que já tinha visto todos os lados de Atena— a brilhante cientista, a parceira feroz, a amiga e amante leal que já amou Ewan o suficiente para compartilhar suas batalhas.
Mas enquanto ele estava sentado na outra extremidade da sala de reuniões agora, observando-a convencer calmamente o conselho a remover Ewan de sua própria empresa, ele percebeu que ainda havia partes dela que ele nunca entendeu.
Seu estômago apertou enquanto ouvia a voz dela— suave, autoritária, persuasiva. Cada palavra que ela falava era deliberada, tecida com lógica e autoridade, e ainda assim havia um veneno silencioso por trás, um frio que se infiltrava na sala.
Ele esfregou a têmpora, lutando para manter a compostura. Isso não pode estar acontecendo.
Quando ela tirou outro arquivo de sua bolsa de couro elegante, Sandro inclinou-se para frente automaticamente. Sua respiração ficou presa enquanto ela começava a listar as empresas que possuía— uma após a outra.
“Biotech. Pesquisa Genra. Aethra Med,” ela disse claramente, seu olhar varrendo a mesa. “Todas sob minha propriedade. Cada uma capaz de estabilizar esta empresa em setenta e duas horas se a fusão for aprovada.”
Sandro piscou, seu coração batendo forte. Ela as possui?
Ele pegou uma das fotocópias que ela havia circulado, seus dedos tremendo levemente enquanto ele examinava os cabeçalhos e assinaturas. Era verdade. Cada documento trazia sua marca. Cada empresa era um império por si só. E ela possuía todas elas?
Sua boca ficou seca. Ela vai vencer isso.
Suas mãos tremiam enquanto ele pegava seu telefone do colo e digitava uma mensagem para Ewan.
Ela está fazendo isso, Ewan. Ela está convencendo eles a votar para te tirar. Você precisa vir. Agora.
Ele hesitou, olhando para cima. Atena ainda estava falando, calma como o olho do furacão.
“Vocês têm que entender,” ela estava dizendo, “esta empresa não pode ficar sem rumo. A ausência de Ewan criou um vácuo. Eu posso preencher essa lacuna— de maneira eficiente e permanente. Eu tenho os recursos, a equipe e a capacidade financeira para reviver as operações. Tudo o que peço é que confiem em mim.”
Suas palavras deslizavam pelo ar como seda. Alguns membros do conselho já estavam acenando com a cabeça, impressionados com sua postura.
O maxilar de Sandro se contraiu. Ele digitou novamente.
Você recebeu minha última mensagem? Por favor, responda. Eles estão votando.
Nenhuma resposta.
Ele tentou novamente.
Não deixe ela fazer isso. Esta empresa é sua vida.
Os minutos se estenderam dolorosamente. Então, finalmente, seu telefone vibrou.
Ewan:Ok.
Sandro olhou para a palavra, a confusão franzindo sua testa. Ok?
Ok, ele entendeu?
Ok, ele estava vindo?
Ou… ok, ele estava desistindo?
Ele olhou para a única palavra na tela novamente, sentindo uma dor lenta subir em seu peito. Ewan não era um homem de muitas palavras, mas isso era diferente. Não havia luta naquela mensagem. Nenhuma urgência. Apenas resignação silenciosa.
Mesmo assim, ele não desistiria. Ele digitou outra pergunta.
E desta vez, Ewan foi rápido em sua resposta.
Deixe ela ter isso. Se isso vai ajudá-la a sofrer menos, deixe ela ter isso. Eu não preciso disso.
Sandro afundou de volta na cadeira, sentindo o peso frio da impotência se abater sobre ele.
Do outro lado da sala, Atena sorriu levemente enquanto continuava, “Se agirmos agora, podemos recuperar a confiança dos investidores. Minha proposta inclui uma auditoria operacional de um dia, seguida por um reinício completo dos sistemas sob minha supervisão. Em quarenta e oito horas, nossos parceiros estrangeiros verão progresso. Em setenta e duas, resultados.”
Os membros do conselho trocaram olhares. Um por um, seu ceticismo suavizou-se em consideração.
Então, ela disse algo que fez o estômago de Sandro revirar.
“Além disso,” Atena acrescentou, com um tom casual mas letal, “se eu combinar minha autoridade no mundo dos negócios com a do meu avô, você pode ver que já está tudo resolvido. Você não terá uma oferta melhor.”
Foi o suficiente. Os sussurros pararam. Cada rosto se virou para ela como se ela fosse uma espécie de salvadora.
E então ela selou o acordo.
“Como herdeira do Império Thorne,” ela continuou suavemente, “posso garantir que esta empresa não apenas sobreviverá a esta tempestade, mas prosperará além dela. Você tem a minha palavra.”
O coração de Sandro afundou ainda mais. Ela estava usando tudo—seu nome, sua linhagem, sua riqueza—para garantir a vitória. E estava funcionando.
A votação foi rápida. Algumas mãos hesitantes. Depois mais. Depois quase todas.
Quando o resultado final foi lido, Sandro se sentiu anestesiado. Ele e Madame Ruby votaram contra, mas a maioria já havia decidido. Athena Thorn era agora a CEO da empresa.
Ele observou os membros do conselho se levantarem de seus assentos, apertando a mão dela, parabenizando-a como se ela tivesse acabado de salvar a empresa em vez de tomá-la. O som de aplausos educados encheu o ar.
Ele não conseguiu se mover. Tudo parecia surreal—como assistir a um filme se desenrolar debaixo d’água.
Madame Ruby se aproximou dele silenciosamente. Seu rosto enrugado estava pálido, seus olhos arregalados de incredulidade. “Sandro,” ela sussurrou, “o que está acontecendo? Ela disse que está assumindo—mas e Ewan? Eu pensei que ele fosse—”
Sandro exalou lentamente, esfregando a ponte do nariz. “Eu também pensei,” ele disse cansado. “Mas parece que Athena não veio aqui para salvá-lo. Ela veio para enterrá-lo.”
Ruby franziu a testa. “Você acha que ela vai destruir a empresa?”
Ele balançou a cabeça. “Não. Ela vai melhorá-la. É isso que torna tudo pior.”
Madame Ruby suspirou e se afastou, ainda abalada. O resto da sala lentamente se esvaziou, as vozes desaparecendo pelo corredor.
Sandro permaneceu onde estava até Atena ficar sozinha, de pé junto à janela. Suas costas estavam retas, seu reflexo nítido contra o vidro. Ela parecia intocável—e ainda assim havia uma tristeza passageira em seus olhos, que desapareceu quase tão rápido quanto ele a viu.
Ele se aproximou por trás dela, as mãos nos bolsos. “Feliz agora?” ele perguntou calmamente.
Ela se virou de lado, surpresa por apenas um momento. “Desculpe?”
Ele encontrou seu olhar firmemente. “Você está feliz agora, Atena? Depois de trair seus amigos?”
Algo vacilou em seu rosto—choque, talvez culpa—antes de ela suavizar com um sorriso. “Amigos?”
As palavras doeram mais do que ele esperava. Ele acenou lentamente. “Então, parabéns.”
Sua expressão vacilou. Por uma fração de segundo, seus lábios se abriram, como se ela quisesse dizer algo—um pedido de desculpas, talvez. Mas ela não o fez.
“Sim,” ela disse em vez disso, sua voz firme novamente. “Estou feliz.”
“Bom para você,” ele respondeu, a amargura em seu tom mal disfarçada. “Porque eu terminei.”
Ela piscou. “O que você quer dizer?”
“Quero dizer que estarei oferecendo minha demissão,” Sandro disse, tirando seu crachá do casaco e jogando-o na mesa. “Com efeito imediato.”
Suas sobrancelhas se franziram. “Você não precisa fazer isso.”
“Oh, eu preciso,” ele disse calmamente. “Porque eu não posso ficar aqui e fingir que não sei no que você se tornou.”
Ele se virou para sair. Mas assim que chegou à porta, a voz dela o parou.
“Leve Victoria com você,” Athena disse, seu tom seco. “Ela está demitida.”
Sandro parou. Por um segundo, a incredulidade o congelou. Então ele riu—baixo e sem humor.
“Ela foi demitida,” ele disse sem se virar, “no momento em que você viu o que quer que tenha visto naquele dia.”