Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 472
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Capítulo 472: Conforto II
“Como você está se sentindo?”
A voz de Atena era suave, mas recheada de alívio.
Aranha virou-se para ela da cama, um amplo sorriso dividindo seu rosto. Ele estava sentado ereto, ombros retos, olhos brilhantes—como se não tivesse quase escapado da morte apenas alguns dias atrás.
Seu colorido havia voltado, seus lábios não estavam mais pálidos, e havia um brilho, um que ela podia concluir que o fazia Aranha, isso e a familiaridade que ela não conseguia simplesmente entender.
“Sinto-me como um homem que ganhou uma segunda chance”, ele disse, sorrindo. “Graças a você.”
Atena sorriu de volta. “E a Ewan”, ela acrescentou, olhando brevemente para o homem a alguns pés de distância.
A presença de Ewan era estável, firme — e ainda assim, quando ele se aproximou, algo dentro dela tremulou.
A memória da noite anterior voltou antes que ela pudesse interrompê-la: seus lábios, quentes e insistentes contra os dela, os suspiros silenciosos entre eles, e a maneira como ele se afastou, pedindo desculpas como se o beijo tivesse sido errado quando parecia tão dolorosamente certo.
Ela ainda sentia aquele beijo — em seu pulso, em sua respiração, em cada olhar furtivo que ousava em sua direção. Ela ficou corada agora.
Aranha percebeu imediatamente. Sua sobrancelha levantou-se sutilmente enquanto seu olhar se movia entre eles, curiosidade cintilando em seus olhos. Tudo o que ele havia perdido enquanto recuperava-se claramente o intrigava.
“Tenho a sensação”, Aranha disse com um tom de brincadeira, “de que algo interessante aconteceu enquanto eu estava inconsciente.”
Atena riu nervosamente, colocando uma mecha solta de cabelo atrás da orelha. “Você não perdeu nada digno de mencionar, bem, além das atualizações recentes sobre o Vírus Grey…”, ela murmurou.
Mas sua mente traiu-a novamente.
Horas atrás, após aquele primeiro beijo ter deixado ambos sem fôlego; depois que Ewan se afastou, seus olhos ainda escuros e famintos, mas cheios de conflito; depois que ele sussurrou um pedido de desculpas, ela quase perguntou por quê — quase implorou para que ele continuasse, para apagar todos os traços da traição de Antonio de sua pele e memória.
Em vez disso, ela engoliu seu orgulho e mudou de assunto.
Acabaram sentados juntos no sofá, lado a lado, o ar ainda pesado com o que não havia sido dito. Ele empurrou a caixa de presente esquecida em direção a ela, e juntos abriram-na.
Dentro havia coisas que a fizeram esquecer a dor da noite:
Uma coleção de livros assinados de seu autor favorito, cada um cuidadosamente embrulhado em papel macio. Um lindo vestido Areso — seda delicada em azul crepuscular, bordado à mão com fios prateados que brilhavam como luar. Um conjunto de perfumes que ela admirara de passagem meses atrás. E escondido sob tudo, uma pulseira de prata gravada com suas iniciais.
Ele sempre se lembrava de tudo.
“Você acha que tudo é perfeito?”, ele perguntou então, observando sua expressão.
Ela apenas assentiu, sua língua subitamente pesada.
“Boa notícia”, ele disse suavemente, então inclinou-se para beijá-la novamente — este reverente, como uma promessa, em vez de uma pergunta.
Ela não confiou em sua voz depois; apenas levantou-se, ignorando a maneira como seus olhos a seguiam, abriu a porta e desejou-lhe boa noite, não confiando em si mesma.
Agora, ela empurrou essas lembranças para baixo, forçando um sorriso composto. “Fico feliz que esteja bem”, ela disse ao Aranha, ajustando o cobertor. “A família está esperando por você lá embaixo. Eles ficarão felizes em te ver de pé.”
Aranha gemeu brincalhão enquanto removia a agulha do braço. “Acho que já acordei a casa toda”, ele murmurou, olhando culpado para a porta.
Seu grito anterior, de fato, havia despertado a todos ao amanhecer. Ele havia acidentalmente enfiado a agulha do gotejamento em sua mão.
Atena riu. “Eles estão apenas felizes porque você está vivo.”
Ela praticamente correu para fora do quarto, inquieta sob o olhar de Ewan. E ainda assim, ele a seguiu até o corredor…
Ele a alcançou automaticamente, sua mão fechando-se gentilmente em torno de seu braço. “Atena”, ele murmurou, sua voz baixa, ainda rouca de sono.
O coração de Atena tropeçou. Ela se virou para ele, fingindo compostura, mas seu corpo a traiu. Ela cedeu à sua proximidade sem querer — o formato dele encaixando-se contra ela como sempre fazia, familiar e perigoso ao mesmo tempo.
“Dormiu bem?” ele perguntou, olhos procurando os dela.
Ela assentiu. “Sim.”
“Pensou nele?”
Seu fôlego parou.
Ele não disse o nome de Antonio, mas não precisava. A maneira como sua voz caiu, carregada de algo possessivo, fez seu coração tropeçar.
Ela deveria ter dito sim — que tinha pensado em Antonio, que ele ainda permanecia em sua mente. Mas isso seria uma mentira. Ela não tinha pensado em Antonio de forma alguma.
O silêncio preencheu o espaço entre eles. Sua respiração se aprofundou. Seu pulso tremulou na base de sua garganta.
Antes que qualquer coisa pudesse acontecer, uma voz aguda cortou o silêncio.
“O que está acontecendo aqui?”
Gianna.
Ela estava parada no fim do corredor, sobrancelhas erguidas até a linha do cabelo, olhos alternando entre eles. Sua expressão gritava suspeita e um toque de divertimento.
Ewan murmurou algo inaudível e deu um passo rápido para trás, passando por Atena antes de desaparecer no quarto de Aranha.
Os lábios de Gianna se curvaram em um sorriso sábio. “Bem,” ela disse, cruzando os braços. “Isso parecia aconchegante.”
Atena suspirou. “Não é o que você está pensando.”
“Oh, nunca é,” Gianna provocou. “Exceto quando é exatamente isso.”
Atena lançou um olhar de aviso, mas suas bochechas já a haviam traído, corando com calor.
O sorriso de Gianna se aprofundou. “Atena, você está noiva de Antonio—”
“Não mais.”
A firmeza no tom de Atena silenciou sua amiga.
“O quê?” Gianna piscou, confusa.
Atena levantou sua mão esquerda. O dedo sem aliança dizia tudo.
Os olhos de Gianna se arregalaram. “Você rompeu?”
Antes que Atena pudesse responder, Chelsea e Areso juntaram-se a elas, atraídos pelo barulho no corredor.
“Terminou o quê?” Chelsea perguntou, os olhos piscando entre elas.
“Meu noivado,” Atena disse simplesmente, abaixando a mão.
Demorou alguns segundos para as palavras fazerem efeito. Então veio a explosão.
“O quê?” Chelsea engasgou.
“Você está brincando,” Areso disse.
Atena exalou e contou-lhes tudo — o confronto com Antonio, a manipulação, a revelação de que ele tinha tentado prendê-la. Cada palavra era amarga, mas ela contou tudo, desde a traição até a sensação de perceber até onde ele tinha ido.
Quando terminou, as três mulheres ficaram em silêncio. Então o silêncio se desfez em fúria.
Os olhos de Gianna escureceram. “Eu vou matá-lo.”
Chelsea cruzou os braços. “Não, eu vou matá-lo. Você pode segurá-lo para mim.”
Areso, sempre a mais composta, disse entre dentes cerrados, “Ele tem sorte de eu não estar lá.”
Suas palavras as acompanharam escada abaixo enquanto caminhavam em direção à sala, a raiva transbordando em ondas.
Florence estava lá quando entraram, sentada graciosamente no sofá com uma xícara de chá, mas seus olhos afiados perceberam imediatamente seus rostos tempestuosos.
“O que está acontecendo?” ela perguntou, colocando a xícara de lado.
Antes que Atena pudesse responder, Gianna disparou, “Antonio é uma cobra.”
Florence piscou, surpresa.
Atena suspirou, beliscando a ponte do nariz. “Gianna—”
“Ela está dizendo a verdade,” Chelsea interveio. “O homem a enganou, Florence. Tentou engravidá-la de propósito, sem o conhecimento dela… Quem faz isso?”
A expressão da matriarca ficou furiosa. “Ele o quê?”
O velho Sr. Thorne estava igualmente sem palavras. E furioso.
A sala ficou cheia de insultos e ameaças depois disso, até o som de pés pequenos e risadas preencher o ambiente, abafando tudo.
Nathaniel veio primeiro, carregado orgulhosamente por seu pai, com Kathleen agarrada ao seu pescoço, rindo. Enquanto Aranha os seguia, parecendo saudável e divertido, embora ainda pálido pela recuperação.