Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 469
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Capítulo 469: Machucada, De Novo
Hoje era Segunda-feira. Outra segunda-feira longa e exaustiva que parecia mais pesada que a última.
O dia já havia passado do entardecer quando Atena saiu do laboratório, exaustão colando-se a ela como uma segunda pele.
Ela foi trabalhar naquela manhã como de costume, passou horas revisando dados e prontuários de pacientes, garantindo que o novo protocolo de cura estivesse se mantendo estável. Mas, em vez de ir para casa, para seus avós e filhos, ela voltou para a casa de Antonio porque precisava cumprir sua parte de um acordo.
Um acordo que provavelmente nunca deveria ter feito.
Ela sorriu levemente ao se lembrar daquela noite, uma noite após a noite de noivado—o suave zumbido do jazz, o sabor do vinho e o sorriso travesso de Antonio enquanto ele embaralhava um baralho de cartas. Ela havia perdido para ele em um jogo inofensivo, ou assim pensava, e sua “recompensa” foi que ela ficasse mais alguns dias do que o planejado.
Agora, arrumando suas malas para partir, ela sentia apenas um alívio silencioso e culpado.
Ela queria ir para casa. Para o calor familiar das conversas de seus filhos, para a comida de sua avó, para a estabilidade que sempre a manteve calma.
Antonio a encontrou na sala de estar, sua pequena bolsa de viagem fechada e esperando ao lado do sofá. Ele parecia recém-saído do banho, cabelo úmido, as mangas da camisa arregaçadas, olhos brilhantes mas sombreados por irritação.
“Qual é a pressa, realmente?” ele perguntou, encostando-se na parede, a voz baixa mas marcada por desagrado. “Ou você não gosta de ficar comigo?”
Atena arqueou uma sobrancelha, sem certeza de como responder a isso. “Um acordo é um acordo, Antonio,” ela disse calmamente. “Pelo menos respeite isso.”
Uma pausa. Uma risada.
“Kathleen já está perguntando por mim. Nathaniel também.”
Os lábios de Antonio se curvaram em um beicinho brincalhão. “Eles te têm o tempo todo,” ele murmurou. “Eles podem esperar só um pouco.”
Atena soltou um riso leve. “E você me terá por uma vida inteira, lembra? Então talvez você seja quem deve esperar.”
Ele cruzou a distância entre eles, sentando-se no braço do sofá, cruzando os braços. “Talvez,” ele admitiu, seu olhar percorrendo o rosto dela. “Mas você não sente isso, Atena? Essa necessidade de estar comigo o tempo todo?”
Ela não sentia.
Ela sorriu, tênue e enigmática, reclinando-se levemente em seu assento. As pessoas realmente sentiam isso? Essa necessidade avassaladora?
Ela tentou se recordar de como era quando estava com Ewan—antes do desgosto, antes do desastre—mas a memória se desfocava como fumaça.
Antes que pudesse responder, Antonio estava falando novamente.
“Eu te amo, Atena. Obsessivamente.”
A palavra a fez piscar. Obsessivamente.
Ela não gostou, não gostou de quão facilmente ele a disse, de quão orgulhoso ele parecia disso.
“Eu te amo tanto,” Antonio continuou, sua voz suavizando. “Eu penso em você a cada segundo do dia…”
Seu tom vacilou com sinceridade, e uma mão se estendeu para acariciar sua bochecha. “E dói-me que você não possa nem dizer isso de volta.”
Atena engoliu em seco. O ar entre eles ficou tenso, pesado. Esse tópico novamente. Ela não tinha certeza de como contorná-lo sem machucá-lo ainda mais.
Ela poderia mentir, dizer as palavras que ele queria ouvir, mas as sílabas eram como ferro em sua língua—pesadas demais para levantar, falsas demais para pronunciar.
Seu silêncio se prolongou demais. A mão de Antonio caiu.
“Você não vai dizer nada?” ele perguntou baixinho.
“Eu não tenho nada a dizer,” Atena murmurou. “Você já sabe dessas coisas, Antonio. Tudo o que quero dizer, você já sabe.”
Ele riu suavemente, a dor em seus olhos escurecendo em frustração. “O de sempre. ‘Dê-me tempo.’ Quanto tempo eu tenho que esperar?”
“Eu não sei.” Ela se levantou, seu tom final, embora seu pulso estivesse instável. “Eu preciso ir para casa. Meus filhos estão esperando.”
“Eles também são meus,” Antonio disse de repente.
Atena congelou, mas não disse nada. Ele estava certo, praticamente.
Quando ele alcançou para tocá-la, talvez para beijá-la ou convencê-la a ficar, seu estômago se contorceu violentamente. Náusea surgiu sem aviso. Ela colocou uma mão sobre a boca, murmurou uma desculpa e correu para o banheiro.
Antonio a seguiu, preocupação nublando sua expressão.
“O que há de errado?” ele perguntou enquanto ela enxaguava a boca e respirava fundo na pia.
“Talvez eu tenha comido algo estragado?” ela conseguiu dizer, enxugando a boca com uma toalha.
“Ou talvez,” Antonio disse levemente, “você esteja grávida.”
As palavras caíram como uma pedra na água parada. Atena parou no meio do movimento. “O que você disse?”
Ele deu de ombros, embora uma ponta de sorriso puxasse seus lábios. “Notei que você está cansada ultimamente. Indo mais vezes ao banheiro do que de costume… mudanças de humor também.”
Atena quis rir, mas o tom dele—aquele tom sério, quase triunfante—fez com que ela parasse. “Isso não significa que estou grávida, Antonio,” ela disse suavemente, balançando a cabeça. “Pode ser um vírus estomacal. Ou estresse.”
Ele bufou. “Você finalmente está grávida, e quer esconder isso de mim?”
O humor desapareceu do rosto dela. Ela olhou para ele com cuidado—para seus olhos brilhando com algo que não era alívio ou amor, mas um estranho, zombeteiro deleite. Isso piscou lá apenas por um momento antes que ele mascarasse.
“Antonio…” a voz dela saiu baixa, cautelosa. “O que você está dizendo?”
“Eu só pensei,” ele disse gentilmente, “que engravidar você solidificaria as coisas. Você sabe—nosso futuro, o casamento, estar livre daquele idiota de uma vez por todas.” Ele sorriu, envergonhado, mas orgulhoso. “Você não vê? O destino está do nosso lado nessa.”
Atena o encarou, a descrença esvaziando seu peito. “Do que você está falando? Você usou camisinha todas as vezes que estivemos juntos.”
Ela parou quando viu o rosto dele—a ponta de algo frio em seu olhar, o sorriso presunçoso de seus lábios que desapareceu muito rapidamente.
“Antonio…” Sua voz tremeu. “O que está acontecendo?”
Ele não respondeu.
E então ela soube. O zumbido em sua cabeça se transformou em um rugido. O ar parecia se rarefazer ao seu redor.
Ele tinha mentido.
Ele tinha planejado isso.
“Você—” ela não conseguia respirar. Seu pulso batia forte em seus ouvidos, a visão embaçada nas bordas. Sua mão agarrou sua coxa para se equilibrar.
Quando ele se aproximou, ela se afastou bruscamente. “Não me toque.”
Sua voz saiu como aço. A nitidez nela o assustou até ele.
Lágrimas picaram seus olhos, mas ela se recusou a deixá-las cair. Ela havia prometido seis anos atrás nunca chorar por causa de um homem. Mas então, ela não esperava ser magoada por Antonio dessa maneira?
Lágrimas ameaçaram suas pálpebras novamente. Era de coração partido? Raiva? Ou a exaustão de perceber que havia sido enganada novamente—enganada por alguém em quem ousara confiar?
Ele havia escolhido manipulá-la, roubar-lhe a escolha.
“Você não vê, Atena?” ele implorou, se aproximando. “Isso é por nós. Vai impedir que todos questionem a gente, que questionem você. É para nosso próprio bem.”
Atena inspirou profundamente. Uma vez. Duas vezes. Lutando contra a onda de pânico que arranhava seu peito. A casa parecia menor, mais escura, como se as paredes estivessem se fechando.
Então, sem mais uma palavra, ela retirou o anel de noivado do dedo. O delicado diamante piscou brevemente sob a luz antes que ela o colocasse sobre a mesa à sua frente.
Antonio congelou, olhos arregalados. “Atena…”
Ele realmente achou que ela aceitaria esse engano de braços abertos?
“Eu preciso pensar,” ela disse calmamente. Mas em seu coração, ela já sabia. Não havia mais nada em que pensar.