Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 365
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Capítulo 365: Terapia
Cordialidades foram trocadas com a exata polidez esperada em jantares formais.
Jonathan e Marianne — os pais de Cedric — avançaram com sorrisos forçados, mas seus olhos diziam outra coisa completamente diferente.
Atena podia sentir que a escaneavam audaciosamente dos pés à cabeça, os olhos passando por seu vestido, sua maquiagem, a forma como ela estava sentada. Não era admiração. Era uma avaliação.
“Então,” começou a Sra. Thorne, o sorriso tão apertado que mal tocava seus olhos. “Ainda praticando medicina, querida?”
Atena assentiu uma vez, sem trair um centímetro de emoção. “Sim. Ainda atendo pacientes durante a semana.”
Jonathan interveio, ajustando a borda de seu punho de seda enquanto um garçom colocava um prato diante dele. “E você planeja continuar fazendo isso… enquanto lida com os negócios?” Seu tom tornava isso ridículo, como perguntar se ela planejava malabarismos com facas e resolver equações de álgebra ao mesmo tempo.
“Acredito que posso fazer ambos,” respondeu Atena, levantando seu copo para um gole lento. “Mas, ao final, cabe ao Avô. Se ele me deixar a herança, eu conduzirei.”
A mesa congelou por um segundo. O momento tinha o peso de uma profecia.
Um coro ensaiado de parabéns se seguiu, mas a monotonia de suas vozes os denunciou. O pai de Cedric piscou lentamente, tomando uma inspiração controlada. Sua mente estava em outro lugar — ela podia sentir isso.
Se dependesse de mim, ela ainda estaria na rua, esquecida como um erro de clerical.
Ela fala sobre comandar um império como se fosse marcar uma manicure.
Nem mesmo conhece os sacrifícios que Cedric fez. Ou a maneira como o moldamos para isso…
Os pensamentos da Sra. Thorne não eram melhores.
Ela vai arruinar tudo. Uma estranha, desfilando como se pertencesse…
O que ela sabe sobre política de empresa? Sobre legado? Sobre receber dignitários estrangeiros?
Ela é… capaz, talvez, mas não é uma de nós.
“Adoraríamos que você nos visitasse,” adicionou a Sra. Thorne, a voz gotejando veneno doce. “Durante a semana, antes da festa, para ser exata. Só para nos atualizarmos propriamente. Seria bom.”
“Vou pensar a respeito,” disse Atena com um sorriso tão calmo que cortava.
O silêncio deles, denso de desaprovação, não a intimidou. Ela continuou comendo com perfeita compostura enquanto outro garçom surgia com vinho e pão fresco.
Então vieram as histórias — a infância de Cedric, como o velho Sr. Thorne o levava a reuniões do conselho quando ele era menino, como fez seu primeiro discurso aos dezesseis. Jonathan falava com humildade forçada, mas havia um brilho pontiagudo em seus olhos toda vez que dizia “preparado para liderança” ou “naturalmente talentoso”.
Atena sorria em intervalos. Calma, passiva. Como uma leoa tomando sol, observando macacos balbuciar.
Antonio permanecia educado, quieto, sua mão ocasionalmente roçando a dela sob a mesa em encorajamento silencioso. Mas Atena não precisava de encorajamento. Ela precisava de contenção. Cada sorriso dela era medido.
Então veio a adaga.
A Sra. Thorne se inclinou para frente, o tom leve como creme batido. “E seus anos de faculdade? Eu me lembro das notícias que circularam nas redes sociais há alguns meses. Você foi chamada de…” Ela deu uma risada suave e piedosa. “Uma garota de rua analfabeta, não foi?”
O garfo de Antonio parou no ar.
Atena não piscou. “Você está um pouco velha demais, madame, para acreditar em rumores.”
A pausa após suas palavras foi gélida. O sorriso da Sra. Thorne vacilou apenas ligeiramente — não o suficiente para um escândalo, mas o suficiente para marcar a ferida.
A conversa tropeçou a partir daí. Antonio tentou reanimá-la, lançando comentários sobre inflação, mercados globais, as recentes conversas de fusão na Ásia. Nada funcionou.
Atena voltou para sua sobremesa, ignorando a ameaça densa no ar. Ela se concentrou na crosta de açúcar se quebrando sob sua colher, o sabor disso em sua língua. Ela não cedeu. Nunca cedia.
Eventualmente, o pai de Cedric clareou a garganta. “Temos que ir,” ele disse rigidamente. “Dia cedo amanhã.”
Todos se levantaram. Atena sorriu — mostrando todos os dentes. “Foi tão bom ver você.”
Eles saíram com acenos rígidos e olhares cuidadosos sobre os ombros.
Antonio não estava contente.
Ele se virou para ela quando ficaram a sós, voz baixa, mas firme. “Você não precisava ser tão direta.”
“Eu não fui direta,” Atena respondeu, levantando-se e alisando seu vestido. “Fui educada.”
“Você poderia ter fingido estar feliz em vê-los,” ele disse, observando-a. “Você vai trabalhar com eles. Eles não são estranhos.”
“Eles já são inimigos,” Atena respondeu simplesmente, pegando sua bolsa. “Fingir teria sido um desperdício de minha energia. Estou indo para casa.”
Antonio suspirou, esfregando a testa. “Atena—”
Ela parou, esperando.
Ele deixou seu orgulho de lado, só um pouco. “Sinto muito. Você estava certa. Eles passaram dos limites. Eu só… não quero que isso seja mais difícil do que precisa ser.”
Ela se virou, estudando-o por um momento. Então, lentamente, acenou com a cabeça. “Tudo bem.”
Ele os dirigiu para casa em silêncio, mas não era hostil. Apenas cheio. Cansado.
Quando chegaram, Antonio mal esperou a porta se fechar antes de começar a beijá-la — suave a princípio, então mais profundo. Suas mãos na cintura dela, sua boca perto do ouvido dela.
Mas a mente de Atena estava em outro lugar. As crianças. Seu estômago se torcia de saudade.
Ela se afastou gentilmente, prendendo a respiração. “Preciso ligar para Nathaniel.”
Antonio exalou, frustrado, mas não protestou. “Vou me trocar.”
Ela se retirou para o segundo quarto e sentou-se na cama, pegando o telefone. Ela não deveria estar ligando tão tarde — ela tinha dito a Nathaniel para sempre estar na cama antes da meia-noite. Mas ela não podia evitar.
O telefone tocou duas vezes.
Nathaniel atendeu, sonolento, mas sorrindo. “Oi, Mamãe. Você está ligando mais tarde…”
“Sinto muito, querida. Só precisava ouvir sua voz. Onde está Kathleen? Ela está dormindo?”
Ele mudou a câmera. “Mais ou menos.”
O fôlego dela falhou. Kate estava deitada enrolada como um gatinho; seu pequeno braço jogado sobre a grande figura ao lado dela. Ewan.
Ele estava dormindo profundamente, a camisa meio desabotoada, os cachinhos escuros da filha sobre seu peito.
O coração de Atena se retorceu. Ele passou a noite? A imagem a congelou. Ewan, dormindo com sua filha sobre o peito, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
“Quem é esse?” ela sussurrou, embora já soubesse. Ela conheceria aquela forma de corpo em qualquer lugar, até mesmo em seus sonhos.
Nathaniel inclinou o telefone suavemente. “É o Papai, Mamãe. Kate não dormiria até ele ler uma história para ela. Eu não planejei, mas… achei que não haveria problema.”
Atena não conseguiu falar por um segundo.
“Mamãe, você quer que eu o envie para casa?”
“Não,” Atena disse calmamente. “Está tudo bem.” Uma pausa. “Vá dormir, Nate. Eu te verei amanhã, bem cedo.”
“Tá bom, Mamãe, boa noite. Envie minhas lembranças para o padrinho.”
“Eu vou.” E ela soprou um beijo para ele.
A chamada terminou.
Ela ficou olhando para a tela escura. Seu coração — puxado em duas direções de novo. Ela podia sentir a tensão entre suas costelas, a dor da culpa, desejo, confusão.
Ela se levantou lentamente, caminhou de volta para o quarto principal.
Antonio saiu do banheiro, uma toalha enrolada na cintura. “Finalmente,” ele murmurou, caminhando em direção a ela.
Mas o momento havia passado.
“Estou cansada,” Atena disse suavemente. “Dor de cabeça.”
O rosto dele caiu, a energia esvaiu-se dele. “Sério?”
Ela não respondeu. Apenas foi para a cama, deslizou sob os lençóis, deu-lhe as costas.
Antonio ficou parado por um momento, então suspirou e deixou a toalha cair.
Ele não a pressionou. Mas o ar entre eles — apertado com decepção — pairou até as luzes se apagarem.
E ainda, mesmo na escuridão, Atena podia ver a imagem queimada atrás de seus olhos: a forma adormecida de Ewan e Kate respirando sobre seu peito.
*****
Vieram para ele quando menos esperava.
A porta de sua cela rangeu ao abrir, deixando entrar um feixe de luz fraca e tremeluzente. Alfonso piscou contra ela, protegendo os olhos com dedos trêmulos. Fazia tanto tempo desde que havia visto algo além de escuridão.
O guarda que entrou usava uma máscara — vazia, ilegível — e não disse nada.
“Para onde… para onde estão me levando?” Alfonso falou rouco. Sua voz soou estrangeira, quebradiça pelo desuso.
Nenhuma resposta. Apenas um gesto.
Ele se levantou cambaleante, ossos doloridos pelo desuso, e seguiu. Os corredores eram um borrão de concreto e canos gotejantes. Seus pés descalços batiam contra os pisos frios e úmidos. Ele não fazia ideia de quantos dias — ou semanas — havia estado ali. O tempo havia deixado de existir após o terceiro dia sem sol. Após o quarto banho frio que queimava mais do que limpava.
Empurraram-no para dentro de uma sala.
E lá estava ela.
Fiona.
Sua filha.
Mas não a garota que ele lembrava.
Ela estava caída em uma cadeira sob uma lâmpada amarela doentia, pulsos enfaixados, um olho inchado quase fechado. Sua respiração vinha em arfares rasos. Mas seu rosto… era inconfundivelmente dela. Ainda sua filha, mesmo através da devastação.
“Fiona.” O nome rasgou sua garganta. Ele correu para frente, braços estendidos — mas parou quando ela recuou.
Suas mãos pairaram no ar. “O que… o que fizeram com você?”
Os olhos dela piscaram em direção a ele. “Ewan.”
O nome caiu como um tapa.
“Ewan?” ele repetiu. “Mas… ele não se lembra. Ele não poderia—”
“Ele se lembra agora.”
Alfonso afundou de joelhos na frente dela, perplexo. “Mas por que você está aqui?”
Ela olhou para ele então, realmente olhou para ele. Havia algo frio em seu olhar. “Porque eu toquei no que não me pertencia. Assim como você fez.”
Ele engoliu em seco. “Eu estava tentando nos salvar.”
“Não,” ela sussurrou. “Você estava tentando destruí-la. E agora… veja onde estamos. Você não me impediu também.”
A voz dela era quebradiça, afiada. Não era julgamento — era algo pior. Piedade.
Alfonso recuou como se queimado. “Ela… ela o envenenou completamente,” ele murmurou. “