Vingança Sombria de uma Esposa Indesejada: Os Gêmeos Não São Seus! - Capítulo 364
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Capítulo 364: Apaixonada? II
As formalidades foram trocadas com a exata polidez esperada em jantares formais.
Jonathan e Marianne — os pais de Cedric — avançaram com sorrisos forçados, mas os olhos diziam algo completamente diferente.
Atena podia senti-los examinando-a audaciosamente da cabeça aos pés, os olhos deslizando sobre seu vestido, sua maquiagem, a maneira como se sentava. Não era admiração. Era uma auditoria.
— Então, — começou a Sra. Thorne, com um sorriso tão apertado que mal tocava os olhos. — Ainda praticando medicina, querida?
Atena assentiu uma vez, não traindo nem um centímetro de emoção. — Sim. Ainda atendo pacientes durante a semana.
Jonathan interveio, ajustando a borda do punho de seda enquanto um garçom colocava um prato diante dele. — E você planeja continuar fazendo isso… enquanto lida com os negócios? — Seu tom fazia soar ridículo, como perguntar se ela planejaria jogar facas e resolver equações de álgebra ao mesmo tempo.
— Eu acredito que posso fazer ambos, — Atena respondeu, levantando seu copo para um gole lento. — Mas, em última análise, depende do avô. Se ele me deixar o legado, eu o assumirei.
A mesa congelou por um segundo. O momento tinha o peso de uma profecia.
Um coro ensaiado de parabéns se seguiu, mas a monotonia de suas vozes os denunciava. O pai de Cedric piscou lentamente, respirando de forma controlada. Sua mente estava em outro lugar — ela podia sentir isso.
Se dependesse de mim, ela ainda estaria na rua, esquecida como um erro de escritório.
Ela fala sobre comandar um império como se estivesse agendando uma manicure.
Nem sabe os sacrifícios que Cedric fez. Ou como o moldamos para isso…
Os pensamentos da Sra. Thorne não eram melhores.
Ela arruinará tudo. Uma estranha, desfilando como se pertencesse…
O que ela sabe sobre política empresarial? Sobre legado? Sobre receber dignitários estrangeiros?
Ela é… capaz, talvez, mas não é uma de nós.
— Adoraríamos que você nos visitasse, — acrescentou a Sra. Thorne, com a voz gotejando veneno doce. — Durante a semana, antes da festa, para acertarmos tudo direitinho. Seria bom.
— Vou pensar a respeito, — Atena disse com um sorriso tão calmo que cortava.
O silêncio deles, carregado de desaprovação, não a intimidou. Ela continuou comendo com perfeita pose enquanto outro garçom surgia com vinho e pão fresco.
Então vieram as histórias — a infância de Cedric, como o velho Sr. Thorne o levava para reuniões do conselho quando menino, como ele fez seu primeiro discurso aos dezesseis. Jonathan falava com humildade forçada, mas havia um brilho apontado em seus olhos toda vez que dizia “preparado para a liderança” ou “naturalmente talentoso”.
Atena sorria em intervalos. Calma, passiva. Como uma leoa tomando sol, observando macacos tagarelando.
Antonio mantinha-se educado, quieto, sua mão ocasionalmente roçando a dela debaixo da mesa em um encorajamento silencioso. Mas Atena não precisava de encorajamento. Ela precisava de contenção. Cada um de seus sorrisos era calculado.
Então veio a punhalada.
A Sra. Thorne se inclinou para frente, o tom leve como creme batido. — E seus anos de faculdade? Eu me lembro das notícias que circularam nas redes sociais há alguns meses. Você foi chamada de… — Ela deu uma risadinha suave e piedosa. — Uma garota de rua analfabeta, não foi?
O garfo de Antonio parou no ar.
Atena não piscou. — A senhora é um pouco velha demais, madame, para acreditar em boatos.
A pausa após suas palavras foi gélida. O sorriso da Sra. Thorne vacilou apenas ligeiramente — não o suficiente para um escândalo, mas o suficiente para marcar a ferida.
A conversa gaguejou a partir de então. Antonio tentou reanimá-la, lançando comentários sobre inflação, mercados globais, as recentes conversas de fusão na Ásia. Nada funcionou.
Atena voltou para sua sobremesa, ignorando a ameaça densa no ar. Ela se concentrou na crosta de açúcar se quebrando sob sua colher, no sabor disso em sua língua. Ela não se quebrou. Nunca se quebrou.
Eventualmente, o pai de Cedric pigarreou. “Precisamos ir,” ele disse rigidamente. “Amanhã será um dia cedo.”
Todos se levantaram. Atena sorriu — mostrando todos os dentes. “Foi tão bom te ver.”
Eles saíram com acenos rígidos e olhares cuidadosos por cima dos ombros.
Antonio não estava satisfeito.
Ele se virou para ela assim que ficaram sozinhos, voz baixa, mas firme. “Você não precisava ser tão direta.”
“Eu não fui direta,” Atena respondeu, levantando-se e alisando seu vestido. “Fui educada.”
“Você poderia ter fingido estar feliz em vê-los,” ele disse, observando-a. “Você vai trabalhar com eles. Eles não são estranhos.”
“Eles já são inimigos,” Atena respondeu simplesmente, pegando sua bolsa. “Fingir seria um desperdício da minha energia. Estou indo para casa.”
Antonio suspirou, esfregando a testa. “Atena—”
Ela parou, esperando.
Ele deixou um pouco de seu orgulho ir. “Desculpa. Você estava certa. Eles foram inconvenientes. Eu só… não quero que isso seja mais difícil do que precisa ser.”
Ela se virou, estudando-o por um momento. Então, lentamente, ela assentiu. “Tudo bem.”
Ele os dirigiu para casa em silêncio, mas não era hostil. Apenas cheio. Cansado.
Quando chegaram, Antonio mal esperou que a porta se fechasse antes de começar a beijá-la — suave no início, depois mais profundo. Suas mãos na cintura dela, sua boca perto do ouvido dela.
Mas a mente de Atena estava em outro lugar. As crianças. Seu estômago se revirava de saudade.
Ela se afastou gentilmente, respiração entrecortada. “Preciso ligar para Nathaniel.”
Antonio exalou, frustrado, mas não protestou. “Vou me trocar.”
Ela se refugiou no segundo quarto e sentou-se na cama, pegando seu telefone. Ela não deveria estar ligando tão tarde – ela havia dito a Nathaniel para sempre estar na cama antes da meia-noite. Mas ela não conseguia evitar.
O telefone tocou duas vezes.
Nathaniel atendeu, olhos sonolentos mas sorrindo. “Ei, Mamãe. Você está ligando tarde…”
“Desculpa, querido. Só precisava ouvir sua voz. Onde está Kathleen? Ela está dormindo?”
Ele trocou a câmera. “Mais ou menos.”
Sua respiração parou. Kate estava deitada enrolada como um gatinho; seu pequeno braço jogado sobre a grande figura ao lado dela. Ewan.
Ele estava profundamente adormecido, camisa meio abotoada, os cachos escuros de sua filha em seu peito.
O coração de Atena se contorceu. Ele passou a noite? A imagem a congelou. Ewan, adormecido com sua filha em seu peito, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
“Quem é esse?” ela sussurrou, embora soubesse. Ela reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar, até mesmo em seus sonhos.
Nathaniel inclinou o telefone gentilmente. “É o Papai, Mamãe. Kate não dormia até ele ler uma história para ela. Eu não planejei isso, mas… achei que estava tudo bem.”
Atena não conseguiu falar por um segundo.
“Mamãe, quer que eu o mande para casa?”
“Não,” Atena disse baixinho. “Está bem.” Uma pausa. “Vá para a cama, Nate. Eu te verei amanhã, bem cedo.”
“Certo Mamãe, boa noite. Envie minhas lembranças ao padrinho.”
“Eu vou.” E ela mandou um beijo no ar para ele.
A ligação terminou.
Ela encarou a tela escura. Seu coração — puxado em duas direções novamente. Ela podia sentir a tensão entre suas costelas, a dor da culpa, saudade, confusão.
Ela se levantou lentamente, caminhou de volta para o quarto principal.
Antonio saiu do banheiro, uma toalha enrolada na cintura. “Finalmente,” ele murmurou, caminhando em direção a ela.
Mas o momento havia passado.
“Estou cansada,” Atena disse suavemente. “Dor de cabeça.”
O rosto dele caiu, a energia se esvaindo. “Sério?”
Ela não respondeu. Apenas foi para a cama, deslizou sob os lençóis, de costas para ele.
Antonio ficou parado por um momento, depois suspirou e deixou a toalha cair.
Ele não a pressionou. Mas o ar entre eles — tenso de decepção — pairou até que as luzes se apagaram.
E ainda assim, mesmo na escuridão, Atena podia ver a imagem queimada em sua mente: a forma adormecida de Ewan, e Kate respirando em seu peito.
*****
Vieram buscá-lo quando ele menos esperava.
A porta de sua cela rangeu ao abrir, deixando entrar um feixe de luz fraca e trêmula. Alfonso piscou contra ela, protegendo os olhos com dedos trêmulos. Fazia tanto tempo que não via nada além de escuridão.
O guarda que entrou usava uma máscara — em branco, inescrutável — e não disse nada.
“Para onde… para onde estão me levando?” Alfonso arrastou. Sua voz soava estranha, quebradiça pelo desuso.
Nenhuma resposta. Apenas um gesto.
Ele cambaleou para se levantar, ossos doloridos pelo desuso, e seguiu. Os corredores eram um borrão de concreto e tubos gotejantes. Seus pés descalços batiam no chão frio e úmido. Ele não fazia ideia de quantos dias — ou semanas — estava ali. O tempo parou de existir após o terceiro dia sem luz do sol. Após o quarto banho frio que queimava mais do que limpava.
Empurraram-no para dentro de uma sala.
E lá estava ela.
Fiona.
Sua filha.
Mas não a garota que ele lembrava.
Ela estava sentada desleixada em uma cadeira sob uma lâmpada amarela doente, pulsos enfaixados, um olho inchado e meio fechado. Sua respiração vinha em sibilos superficiais. Mas seu rosto… era inconfundivelmente dela. Ainda era sua filha, mesmo através dos destroços.
“Fiona.” O nome rasgou sua garganta. Ele correu em frente, braços estendidos — mas parou quando ela se encolheu.
Suas mãos pairavam no ar. “O que… o que fizeram com você?”
Os olhos dela piscaram em direção a ele. “Ewan.”
O nome caiu como um tapa.
“Ewan?” ele ecoou. “Mas… ele não se lembra. Ele não poderia—”
“Ele se lembra agora.”
Alfonso caiu de joelhos em frente a ela, perplexo. “Mas por que você está aqui?”
Ela olhou para ele então, realmente olhou para ele. Havia algo frio em seu olhar. “Porque eu toquei no que não pertence a mim. Assim como você fez.”
Ele engoliu seco. “Eu estava tentando nos salvar.”
“Não,” ela sussurrou. “Você estava tentando destruí-la. E agora… veja onde estamos. Você também não me impediu.”
Sua voz era quebradiça, cortante. Não era julgamento — era algo pior. Piedade.
Alfonso recuou como se queimado. “Ela… ela o envenenou completamente,” ele murmurou. “Virou ele contra nós.”
“Ou talvez,” Fiona murmurou, “ele finalmente viu as coisas claramente. Não havia muita escolha, com toda a evidência apresentada.”
Uma pausa. “Nós somos escória, pai. Estamos colhendo os frutos do nosso trabalho. Na verdade, sou grata a ela. Você não entenderia, entretanto.”
Ele a olhou novamente, atônito. “Você não pode acreditar nisso,” ele sussurrou. “Não depois de tudo que ela fez.”
Mas Fiona apenas fechou os olhos, recostando-se na cadeira, sua figura castigada muito cansada para argumentar.
O guarda voltou sem uma palavra, agarrando Alfonso pela gola e puxando-o para se levantar. Enquanto era arrastado, ele olhou para trás uma vez, mas Fiona não se mexeu.
De volta à sua cela, a escuridão o engoliu novamente.
Ele pressionou as costas na parede, respirando com dificuldade, tremendo.
Ele não queria liberdade.
Ele não queria paz.
Ele só queria que Atena pagasse.
Ele rangeu os dentes, depois desabou em lágrimas por causa de sua impotência.