Vendida como Reprodutora do Rei Alfa - Capítulo 1417
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Capítulo 1417: Chapter 16: Fique Firme e Lute
Capítulo 16 – Permanecer e Lutar
*Rhys*
Eu fiquei ao lado de Conall, com a mandíbula cerrada. Eu odiava ver aquele olhar no rosto de Saoirse, e odiava ser quem o colocou lá. Mas sua segurança era mais importante do que sua felicidade. Aquela besta tinha chegado perto demais dela.
Ela tinha voado acima de nós, sua sombra vasta e imponente. A visão dela — escamas reluzindo sob o sol, asas estendidas em uma ameaça silenciosa — tinha me deixado paralisado no local. Um medo primitivo arranhou meu interior. Estava perto demais da visão nos meus pesadelos ganhando vida.
“Príncipe Rhys,” Conall latiu, sua voz afiada como pederneira, “concentre-se. Temos um monstro para matar.”
“Certo.” Minha voz saiu tensa. Olhei para o lado, não querendo que ele visse a inquietação que, sem dúvida, pintava meu rosto. A culpa corroía minha consciência. Estar ao lado dele e do Alpha Strider parecia uma traição a Saoirse, mas sua segurança eclipsava todas as outras preocupações, e era um risco que eu não podia suportar.
Os olhos do Alpha Strider varreram o horizonte. Ele tomou sua decisão, e seu comando era claro. “Conall, Rhys, vocês devem trabalhar juntos. Esta ameaça nos coloca todos em perigo. Vou alertar as alcateias vizinhas e Blackstone.”
Ele compartilhou um olhar significativo com Conall, mas suas palavras estavam pesadas com o peso da responsabilidade. Eu podia sentir sua urgência.
“Vamos avançar,” eu ordenei. Conall assentiu, sua arrogância abafada pela gravidade de nossa tarefa. Trocamos um olhar de entendimento sombrio antes de partir.
“Nossos guerreiros estão mais que prontos para enfrentar essa ameaça,” Conall disse após alguns passos, sua voz traindo um traço de orgulho.
“Esperemos que seja suficiente,” eu murmurei. A realidade era que estávamos caçando algo antigo que pertencia aos céus e mitos.
“Suficiente? Claro que é suficiente. Somos caçadores, Sua Alteza.”
“Até caçadores podem se tornar caçados,” eu respondi suavemente.
A floresta estremeceu sob o distúrbio de nossa passagem, as botas da equipe de busca esmagando um tapete de folhas e agulhas de pinheiro. Eu liderava o caminho, meus olhos percorrendo o chão em busca de sinais da besta, seguindo o rastro de destruição que ela deixara para trás. Galhos quebrados cobriam o caminho. As marcas de garras cravadas nos troncos das árvores falavam de imenso poder.
“Aqui,” eu chamei, parando na borda de uma clareira onde o estranho monte emergia da terra como um túmulo antigo. Era o mesmo que Saoirse tinha capturado com sua câmera.
Conall, sempre ansioso para afirmar seu poder, avançou, suas narinas dilatadas enquanto ele absorvia a visão. “Devemos queimá-lo,” ele declarou, gesticulando em direção ao monte com uma ferocidade que correspondia à sua natureza. “Destruir o lar do ninho antes que ele retorne.”
Eu levantei uma mão, silenciando-o. “Não. Subimos e olhamos dentro primeiro.” Minha voz era firme, não deixando espaço para discussão. Não era apenas sobre destruir. Era sobre entender.
Instruí alguns dos meus homens de confiança a subir e dar uma olhada antes que os desejos impulsivos de Conall pudessem envenenar os homens.
Os homens trocaram olhares inquietos, mas obedeceram, escalando os lados do monte com a agilidade dos lobos em que podiam se transformar. Conall permaneceu no chão, sua impaciência uma força palpável.
“Alguma coisa?” Gritei para os homens que tinham desaparecido sobre o topo do monte.
“Vapor,” veio uma resposta abafada. “Mas está vazio.”
Eu assenti, embora meu estômago se contorcesse com inquietação. O dragão sabia que seu ninho estava comprometido e vulnerável. Ele seguiu em frente, mas eu me perguntava para onde.
“Vazio, você diz?” Conall murmurou, com a testa franzida. “Uma besta esperta, não é?”
“Esperta demais para que uma rápida chama resolva nosso problema,” retruquei, olhando para a floresta ao redor. “Sabe que estamos aqui agora. Não vai voltar.”
“Então vamos encontrar onde está se escondendo antes que ataque novamente,” Conall disse, seu olhar se endurecendo. Ele estava com medo, embora nunca admitisse isso. Talvez eu também estivesse com medo, mas o medo não guiaria minhas ações quando havia tanto que não entendíamos sobre a criatura cujo lar invadimos.
O cheiro de pinho e madeira queimada enchia o ar enquanto Conall, com o rosto determinado e sério, convencia seus homens a seguir com seu plano. “Queimem,” ele ordenou, gesticulando em direção ao monte com um movimento amplo de seu braço. “Vamos garantir que esta besta não tenha um lar para voltar.”
“Conall,” comecei, minha voz cheia de frustração, “isso não vai resolver–”
“Basta, Alteza,” Conall interrompeu, cortando meu argumento. O fogo em seus olhos me disse que ele estava além da razão. “Vamos fazer isso agora.”
Eu assisti, fervendo, enquanto eles pulavam para incendiar o ninho. Chamas lambiam o céu, enviando uma coluna de fumaça se erguendo no ar crispado. Foi um ato imprudente nascido do medo e ignorância. Em algum lugar escondido de nossa vista, o legado do dragão permanecia, e acabamos de anunciar nossa presença com um farol de fumaça.
“Vamos lá,” murmurei para mim mesmo, virando-me da ruína fumegante. Minhas habilidades de lobo se aguçaram enquanto eu seguia o rastro quase imperceptível deixado pelo dragão. Cada galho dobrado ou pedra deslocada falava comigo, contando a história de sua retirada apressada.
“Para onde você está indo?” Conall chamou atrás de mim, sua voz áspera como cascalho.
“Rastreando,” respondi sem olhar para trás. “Há mais em jogo aqui do que você imagina.”
“Príncipe Rhys, espere!” Seu apelo caiu em ouvidos surdos. Minha mente já corria à frente para as encostas rochosas onde perigo e descoberta aguardavam.
A subida era íngreme, e meus músculos queimavam com o esforço, mas havia uma sensação de exaltação no desafio, uma satisfação primal que vinha com a caça. Cada passo me aproximava da verdade e de entender a criatura que temíamos tão cegamente.
Enquanto eu escalava mais alto, o trilho ficava mais fresco. Galhos quebrados tinham seiva úmida, e marcas de garras marcavam a terra, ainda perturbada pela passagem do dragão. Os apoios se tornavam menos frequentes e mais distantes entre eles, e o ar se rarefazia, mas eu continuava, impulsionado por uma necessidade mais profunda do que o instinto.
“Sua Alteza, desacelere!” A voz de Conall ecoou de baixo, tingida de irritação. Mas eu não estava diminuindo a velocidade até encontrar o que estava procurando.
Finalmente, alcancei um platô. Parei para recuperar o fôlego. Lá embaixo, o mundo se estendia em tons de verde e marrom, pacífico e alheio ao tumulto que fervia dentro de mim. Um falcão de olhos afiados circulava acima, seu grito perfurando o silêncio.
“Você encontrou alguma coisa?” Conall arquejou ao se aproximar, sua testa cintilando de suor.
“Shh,” eu sibilei, levantando uma mão. Meu olhar se fixou em uma série de sulcos profundos que marcavam a face da rocha à frente. Havia um padrão no caos, um propósito na destruição. Era um caminho, talvez um caminho a ser seguido.
“Pelos deuses, o que é isso?” Conall sussurrou. Sua bravura falhou ao ver a intensidade em meus olhos.
“Logo saberemos,” eu respondi baixinho.
Juntos, avançamos, seguindo o chamado do dragão gravado nos próprios ossos da terra, sem saber se éramos caçadores ou os caçados. Eu sabia uma coisa com certeza. Nossas próximas escolhas definiriam nosso curso por algum tempo.
A escalada tinha sido extenuante. Ultrapassamos a subida final. Diante de nós estava a boca de uma caverna, meio escondida por filamentos de vapor sulfuroso. Minhas narinas se abriram com o cheiro acre, e meus sentidos de lobo se rebelaram contra o fedor, mas foi a visão dentro que me manteve cativo.
“O que é este lugar?” A voz de Conall vacilou, instável como um filhote em terreno incerto.
“Santuário,” murmurei, meu olhar fixo nos tesouros da caverna. Três ovos salpicados estavam banhados no brilho tênue que filtrava pelas rachaduras acima. Eles eram bonitos de ver e pareciam pulsar com poder.
“Lindo…” eu respirei, minha mão pairando ainda sem ousar tocar.
“Monstruoso,” Conall cuspiu, seus olhos brilhando com um esplendor perigoso. “Esta é nossa chance. Se esmagarmos estes agora, nenhuma besta mais escurecerá nossas terras.”
Eu me virei para encará-lo, meu corpo se posicionando instintivamente entre Conall e os ovos. “Não,” eu disse firmemente, a palavra como uma pedra lançada em águas calmas. “Há algo nesses ovos… um senso de propósito. Não sabemos o que chocá-los pode trazer.”
“Ameaças futuras,” a voz de Conall subiu, afiada como uma lâmina. “Vimos o que uma besta pode fazer. Imagine três.”
“E se estivermos errados?” retruquei, firme apesar do tumulto que fervia dentro. “E se destruí-los trouxer um destino pior sobre nós?”
“Sentimento não protegerá nosso povo,” Conall rosnou, aproximando-se, suas mãos se curvando em punhos.
“Nem a destruição cega,” rebati, meus músculos se contraindo, prontos para defender os indefesos. “Não posso permitir que faça isso, Conall.”
Ele olhou, seus dentes expostos em desafio. No meu coração, eu sabia que manteria minha posição por razões que não conseguia compreender totalmente. Havia uma conexão que me ligava a essas vidas silenciosas e ainda não nascidas.
“Então você se levanta contra mim,” declarou Conall, sua voz ecoando nas paredes da caverna, cheia do trovão de um conflito iminente.
“Contra a matança desnecessária, sempre,” respondi, minha determinação se fortalecendo. “Esses ovos não serão danificados enquanto eu tiver fôlego.”
Parecia que Conall poderia tomar aquilo como um desafio ao invés de uma ameaça, mas fomos interrompidos.
A caverna tremeu com a fúria de uma tempestade enfurecida enquanto ela descia sobre nós. Era a mãe dragão, escamas reluzindo como escudos polidos na luz tênue. Seu rugido trovejou através dos meus ossos, uma declaração primal de sua intenção letal.
Permaneci firme, o calor de sua respiração chamuscando o ar ao meu redor e queimando minhas narinas com o cheiro pungente de enxofre e cinzas. Meu coração batia contra meu peito. Cada batida era um tambor soando a marcha para um destino incerto.
“Sua Alteza, mova-se!” O grito urgente de Conall perfurou a cacofonia, mas eu era uma força imovível enraizada na pedra sob meus pés.
“Nunca,” eu respirei, minha voz mal audível sobre o rosnado feroz do dragão. O peso da responsabilidade pressionava sobre mim com o conhecimento de que esses ovos, essas vidas ainda não nascidas, dependiam da minha proteção.
A imensa cabeça do dragão se aproximou, mandíbulas abertas, revelando fileiras de dentes semelhantes a adagas. Seus olhos, orbes de ouro derretido, se fixaram nos meus com uma inteligência que transcendia o selvagem.
“Conall, não podemos fazer isso,” eu disse, virando levemente a cabeça sem perder o contato visual com a besta. “Olhe para ela. Ela não é apenas uma criatura sem mente. Ela é uma mãe, protegendo seus filhos.”
“Maldição. Este não é o momento para sentimentalismo,” Conall cuspiu, sua voz entrelaçada com frustração e medo.
“Sentimento?” desafiei, meu olhar ainda preso aos olhos do dragão. “Não. É compreensão, Conall. Existe uma diferença.”
O rosnado do dragão suavizou para um murmúrio. Por um momento, apenas um batimento no tempo, parecia que ela percebeu minha intenção de proteger sua prole do mal.
“Recuem, Conall,” eu comandei, meu tom não admitindo nenhum argumento. “Não seremos os monstros aqui.”
“Sua Alteza…” Conall começou a protestar, mas eu observei a mudança relutante em sua postura, o ranger do couro ao dar um passo atrás.
O impasse estendeu uma linha tensionada entre a vida e a morte, entre a destruição e a possibilidade de algo maior, talvez algo além da nossa compreensão.
“Por favor,” eu sussurrei ao dragão, uma palavra destinada a ela e ao homem atrás de mim. “Confie em mim.”
“Pelos deuses,” Conall exalou atrás de mim, a descrença colorindo seu tom. “Você nos condenou a todos.”