Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 809
Capítulo 809: Garoto Estranho
Enquanto o palácio fervilhava de atividade e tensão, com todos envolvidos em suas próprias crises e dramas, um certo pequeno mestiço chamado Milo viu uma oportunidade.
O tratador do estábulo tinha acabado de sair para uma breve pausa, deixando o estábulo desatendido. Milo, que sempre sonhara em montar um cavalo sozinho, decidiu que esse era seu momento.
Ele entrou no estábulo na ponta dos pés, com o coração pulsando de excitação. O rico aroma de feno e couro preenchia o ar, e os suaves relinchos dos cavalos o saudavam. Milo sempre adorou essas criaturas majestosas, seu poder e graça cativando sua jovem mente.
Mas até agora, ele nunca tinha sido permitido montar um sozinho. Enquanto estava no Lugar do Aldric, ele sempre era acompanhado por alguém mais velho, alguém para guiar e segurá-lo firme. Mas Milo queria provar que era forte e capaz, como qualquer Fae de sangue puro. Bem, mestiço, no seu próprio caso.
Ele se aproximou de um cavalo em uma das baias — uma grande égua castanha com um pelo brilhante e olhos gentis. O cavalo se erguia sobre ele, mas Milo não se deixou intimidar.
Ele acariciou o lado dela, sussurrando palavras suaves de segurança, e então agarrou a sela. Ele lutou por um momento, seu corpo pequeno não alcançando a altura necessária, mas conseguiu encontrar um apoio.
Assim que ele estava prestes a passar a perna sobre o dorso do cavalo, uma voz cortou o estábulo, assustando-o. “O que você está fazendo?”
Milo se sobressaltou de surpresa, perdendo a aderência na sela. Com um grito, ele caiu no chão, aterrissando com força nas costas. A queda tirou seu fôlego, e por um momento, tudo o que ele pôde fazer foi ficar ali deitado, arfando por ar, com a visão embaçada.
Enquanto piscava olhando para o teto do estábulo, tentando recuperar o fôlego, uma figura apareceu em sua visão de cabeça para baixo. Era uma garota, banhada pela suave luz dourada que filtrava pelas janelas do estábulo. De sua posição no chão, ela parecia brilhar como um anjo, seus traços delicados emoldurados por um halo de cabelos verdes.
“Que anjo,” Milo murmurou em transe, sua voz mal acima de um sussurro.
A garota, no entanto, não estava divertida. Ela olhou para o garoto com uma mistura de curiosidade e leve irritação. Este garoto tolo tinha invadido seu momento tranquilo, e agora ele estava ali deitado, resmungando bobagens.
O Fae não era outro senão Mira, neta da Rainha Nirvana e filha do Príncipe Teodoro. Mesmo para uma jovem Fae, ela era sagaz e se portava com uma graça além de seus anos. No entanto, ela tinha pouca paciência para a desajeitadice dos outros, especialmente de jovens tolos como o que a olhava agora como um idiota.
Mira cruzou os braços, batendo o pé impacientemente enquanto esperava Milo se recuperar da queda.
“Levante-se,” ela disse, em um tom cortante mas não desamigável. “Você está se fazendo de bobo.”
Milo, ainda deitado no chão, piscou rapidamente, tentando clarear a mente. A visão dela o deixou sem palavras, seu jovem coração pulsando não apenas por causa da queda, mas pela presença dessa garota impressionante. Lentamente, ele conseguiu se sentar, esfregando a cabeça onde bateu no chão.
“Quem… quem é você?” ele perguntou, sua voz ainda trêmula.
Mira levantou uma sobrancelha, claramente não impressionada com seu estado atordoado. “Não é da sua conta.”
No entanto, deve ser a dor que brilhou em seus olhos, ela respondeu simplesmente, “Sou Mira.”
“Mira,” Milo repetiu, provando o nome em sua língua. Soava como o nome de uma princesa, e em sua mente, combinava perfeitamente com ela.
“O que você está fazendo no estábulo?” Mira perguntou, olhando-o com suspeita. “E por que você estava tentando montar um cavalo? Você sequer sabe como?”
As bochechas de Milo coraram de constrangimento. “Eu não sei.”
“Você não?!”
“Eu teria aprendido no momento. Os animais falam comigo. Além disso, … eu queria provar que poderia fazer isso sozinho,” ele admitiu, sua voz pequena.
A expressão de Mira suavizou um pouco com as palavras de Milo, mas tão rapidamente, ela balançou a cabeça. “Não sei se você é tolo ou corajoso,” ela disse, seus olhos se estreitando ao observar sua forma suja de terra. “E olha, você se machucou.”
Mira apontou para um local no braço de Milo onde havia se formado um arranhão, provavelmente devido à sua queda. Milo piscou surpreso e levantou o cotovelo para inspecionar o ferimento. Um pequeno corte irregular se estendia pelo seu antebraço, provavelmente de quando ele caiu do cavalo. Não era muito profundo, mas a visão do sangue fez seu estômago revirar um pouco.
“Deixe-me ver,” Mira disse, seu tom suavizando enquanto dava um passo mais perto.
Milo hesitou por um momento antes de estender o braço para ela. Mira colocou a palma da mão sobre o ferimento, seu toque quente e reconfortante. Uma luz suave emanou de sua mão e, em poucos segundos, o ferimento desapareceu, deixando em seu lugar uma pele lisa e impecável.
Os olhos de Milo se arregalaram em espanto, sua respiração prendendo na garganta. Naquele momento, Mira era tudo o que ele havia imaginado que um anjo seria. Ele a olhou, maravilhado, sua mente jovem lutando para compreender a magia que ela acabara de realizar.
Antes que qualquer um deles pudesse dizer outra palavra, uma voz rouca ecoou pelo estábulo. “Quem está aí?” Era o tratador do estábulo, seu tom carregado de suspeita enquanto voltava de sua pausa.
Pânico atravessou o rosto de Milo. Sem aviso, ele agarrou a mão de Mira e a puxou, forçando-a a correr. Mira, surpresa, tropeçou por um momento antes de igualar seu ritmo. Eles correram para fora do estábulo, o som de seus passos abafado pela terra macia, enquanto fugiam do tratador que se aproximava.
Eles não pararam de correr até estarem bem fora de vista, escondidos atrás de um denso grupo de árvores perto da borda dos terrenos do palácio. Milo finalmente soltou a mão de Mira, seu pequeno peito arfando enquanto recuperava o fôlego.
“Obrigado,” Milo ofegou, olhando para Mira com gratidão brilhando em seus olhos. “Por me curar.”
Mira, ainda um pouco sem fôlego da corrida súbita, acenou com a mão de forma displicente. “Não foi nada,” ela disse, embora uma leve cor rosada cobrisse suas bochechas. Magia de cura vinha naturalmente para ela, mas ela não estava acostumada a agradecimentos tão sinceros.
Eles ficaram ali por um momento, um silêncio constrangedor se instalando entre eles. Mira olhou ao redor, sem saber o que dizer em seguida. Milo, enquanto isso, a encarava com uma intensidade que a fez se mexer desconfortavelmente.
Finalmente, Mira quebrou o silêncio. “Você deveria ir,” ela disse, sua voz agora mais firme. “Você não quer se meter em mais problemas, quer?”
A expressão de Milo caiu, um pequeno franzido puxando seus lábios. “Vou te ver de novo?” ele perguntou, sua voz tingida de tristeza.
Mira hesitou, seu coração suavizando à visão de seus olhos esperançosos. “Talvez,” ela respondeu, seu tom não comprometido.
O rosto de Milo se iluminou, e antes que Mira pudesse reagir, ele avançou rapidamente, plantando um beijo rápido em sua bochecha. Os olhos de Mira se arregalaram de choque, e ela ficou congelada, completamente surpresa pelo gesto repentino.
Quando ela se recuperou, Milo já havia disparado, correndo com um sorriso travesso estampado em seu rosto. Ele olhou para trás uma vez, acenando para ela de longe. “Eu vou te encontrar!” ele gritou, sua voz carregada com a promessa de travessuras futuras.
O impulso inicial de Mira foi ficar irritada, correr atrás dele e dar uma boa bronca. Mas enquanto ela permanecia ali, sozinha no bosque quieto, ela se viu sorrindo apesar de si mesma. Que garoto estranho, ela pensou, balançando a cabeça em descrença.
Inconscientemente, seus dedos traçaram o local na bochecha onde Milo a beijou, o calor do beijo inocente persistindo mais tempo do que ela esperava. Era uma coisa tão pequena, mas deixou uma sensação estranha e desconhecida em seu peito.