Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 804
Capítulo 804: Amante Ciumento
“O que…?” Islinda finalmente conseguiu dizer após o que pareceu uma eternidade de silêncio. Sua voz tremia de descrença, como se a palavra em si fosse estrangeira em sua língua.
“Vamos nos casar,” Andre repetiu, seu tom calmo, como se estivesse sugerindo algo tão comum quanto um passeio no jardim. A casualidade disso apenas aumentava o absurdo da situação.
O quarto parecia inclinar-se em seu eixo, e Islinda piscou rapidamente, certa de que tinha entendido errado. Mas não, ele tinha acabado de dizer isso—duas vezes. As palavras pairavam no ar como um sonho impossível, e por um momento, Islinda sentiu como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões.
Então, antes que pudesse se conter, Islinda desatou a rir. Era um som selvagem e desenfreado, que ecoava pelas paredes do quarto. Ela ria e ria até que lágrimas rolassem por seu rosto. “Ai,” murmurou quando sua mão acidentalmente roçou no ferimento em seu peito, e as lágrimas de alegria se transformaram em lágrimas de dor.
O rosto de Andre escureceu, uma sombra caindo sobre suas feições enquanto ele assistia Islinda rir. “O que tem de tão engraçado?” ele perguntou friamente, seu tom um contraste acentuado com o calor que sempre coloriu suas palavras ao falar com ela.
Islinda não percebeu a mudança em seu comportamento; ela estava muito presa em sua descrença. “Eu não sabia que você tinha esse senso de humor, Andre,” ela disse, sua voz carregada de diversão.
Mas a expressão de Andre permaneceu pétrea, e num piscar de olhos, ele estava ao lado dela. Antes que Islinda pudesse reagir, ele a agarrou pelo pescoço e a beijou, com força. A repentina ação a deixou paralisada, sua mente lutando para acompanhar o que estava acontecendo. Ela tinha sentido nos últimos dias que Andre poderia ter sentimentos por ela, mas isso? Isso era exagerado, chocante e profundamente perturbador.
Era errado.
Os instintos de Islinda afloraram, e ela tentou empurrá-lo, mas o aperto de Andre era de ferro. Ele prendeu suas mãos com uma das suas, enquanto a outra segurava seu rosto, aprofundando o beijo. Fúria inflamou-se dentro de Islinda, e ela mordeu forte sua língua, sentindo o gosto metálico do sangue. Andre estremeceu, finalmente se afastando quando percebeu que ela não ia parar até causar um dano real.
Eles se separaram, ambos respirando pesadamente. Islinda se sentiu violada, sua pele em alerta com os resquícios do que acabara de acontecer. Ela levantou a mão, com a intenção de estapeá-lo, mas Andre foi mais rápido. Ele agarrou seu pulso no ar, seu aperto inflexível.
“Você acha que estou brincando agora?” Sua voz era baixa e perigosa, um tom que Islinda nunca havia ouvido dele antes.
Ela estava atônita. Essa era a primeira vez que via esse lado de Andre—frio, impiedoso e completamente desconhecido. Era isso o que ele realmente era, escondido sob a máscara do bom príncipe? Ou algo havia se retorcido dentro dele, algo escuro e malévolo? Seus pensamentos se voltaram para Azula, e a sensação inquietante de que isso de alguma forma era obra dela surgiu em sua mente.
“O que ela fez com você?” Islinda exigiu, sua voz trêmula de raiva e medo. “Por que você está de repente assim, Andre?”
“Ela não fez nada,” ele retrucou, seus olhos brilhando com uma intensidade selvagem. “Se algo, ela abriu meus olhos. Eu sempre gostei de você, Islinda. Não vou mais reprimir meus sentimentos.”
Islinda olhou para ele em descrença. Isso não era o que ela esperava, de jeito nenhum. Sua mente girava enquanto tentava processar suas palavras. Mas então sua expressão endureceu, e ela balançou a cabeça, decidida.
“Não,” ela disse firmemente.
Os olhos de Andre se estreitaram. “O quê?”
“Não, eu não vou me casar com você,” Islinda repetiu, sua voz ganhando força à medida que falava. “Isso é muito repentino. Cheira à influência de Azula. E mesmo que não fosse, eu não poderia me casar com você, Andre. Você é meu amigo—nada mais. Depois do que você acabou de fazer, eu nem sei se posso considerá-lo isso mais.”
O rosto de Andre se contorceu em algo sombrio, algo quase cruel. Então, para seu horror, ele sorriu—um sorriso lento e gelado que fez Islinda sentir calafrios. “Eu pensei que você pudesse dizer isso, e é por isso que estou cobrando o favor que me deve.”
O sangue fugiu do rosto de Islinda. “Não,” ela sussurrou, balançando a cabeça em negação. “Esse favor deveria ser algo que não me prejudicaria ou me colocasse em uma situação difícil.”
“Este casamento não vai te prejudicar,” Andre disse suavemente, sua voz perigosamente calma. “Se alguma coisa, eu pretendo tratá-la bem pelo resto da sua vida. E também não está te colocando em uma situação difícil—afinal, estou guardando seu segredo, não estou?”
Islinda abriu a boca para argumentar, mas o feitiço vinculativo do acordo que haviam feito a calou, sufocando as palavras antes que elas pudessem se formar. Ela estava presa, enredada por sua própria promessa.
“Por favor, Andre,” ela implorou, sua voz se quebrando. “Não faça isso. Não destrua o que tínhamos.”
Os olhos de Andre suavizaram por apenas um momento, mas a resolução neles não vacilou. “Isso é definitivo, Islinda. Nós vamos nos casar.”
Quando ele falou, a porta da câmara se abriu com força, e o Príncipe Teodoro entrou. Ele absorveu a cena tensa diante dele, seus olhos se estreitando em preocupação.
“O que você está fazendo aqui, Theodore?” Andre perguntou, sua voz carregada de irritação. Ele não apreciava ninguém interrompendo seu momento tranquilo com Islinda. Não quando estava tão perto de conseguir o que queria.
O olhar de Theodore se deslocou entre eles, percebendo as correntes ocultas de tensão. Ele teve a sensação de que acabara de interromper algo — algo de que não queria fazer parte.
“A Mãe me enviou para verificar Islinda,” ele disse, seu tom cauteloso.
Um sorriso ciumento distorceu os lábios de Andre. “Não há necessidade disso. Eu cuidarei da minha noiva de agora em diante.”
Os olhos de Theodore se arregalaram de choque, e o coração de Islinda afundou ainda mais. Ela podia ver a confusão e a descrença na expressão de Theodore, espelhando a dela própria.