Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 803
Capítulo 803: Vamos Nos Casar
Islinda acordou com um suspiro assustado, seu coração batendo aceleradamente como se ela tivesse acabado de escapar de um pesadelo. O quarto ao seu redor parecia estranhamente familiar, banhado pela suave luz do amanhecer. Ela se empurrou para uma posição sentada, apenas para um choque de dor atravessar seu peito.
Ela gemeu, sua mão instintivamente pressionando contra a fonte da dor. Seus dedos encontraram o lugar onde o ferimento estava, onde ela havia sentido o frio da lâmina. A memória da lâmina penetrando em sua carne estava vívida em sua mente, e o sangue desapareceu de seu rosto enquanto os eventos que a levaram até ali voltavam correndo.
Azula. Ah não.
Ela podia ver tudo tão claramente agora. O duelo mortal na arena, os rugidos da multidão, o jeito que Andre tinha agarrado seu braço e tentado levá-la para longe da cena caótica. E então, num piscar de olhos, alguém a havia atacado.
Ela já havia sido esfaqueada antes, mas isso… isso foi diferente. Foi quase como se a adaga houvesse interrompido algo dentro dela — embotado sua conexão com sua alma ou algo assim.
Islinda se lembrou da escuridão que se seguiu, a sensação de ser puxada para um vazio, como se estivesse se afogando em águas profundas e escuras. E então, o mundo ficou negro enquanto Azula tomava conta.
O que aconteceu depois disso, Islinda não fazia ideia. Azula sempre gostou de mantê-la no escuro, curtindo o poder que tinha sobre sua existência compartilhada. Mas Islinda sabia uma coisa com certeza: nada de bom poderia vir dos planos de Azula.
Naqueles breves momentos que Azula permitiu que ela emergisse, Islinda viu o rosto de Andre, estava marcado com algo próximo ao horror. Ela só podia esperar que ele não tivesse caído no jogo distorcido que Azula havia colocado em movimento.
Mas a esperança parecia uma coisa frágil agora, escapando por seus dedos como areia. Havia uma sensação pesada e ominosa no fundo de seu estômago, uma sensação de que algo estava terrivelmente errado.
Diziam que gêmeos compartilhavam uma conexão psíquica, e embora ela e Azula não fossem verdadeiros gêmeos, elas compartilhavam algo, um corpo, uma mente. Mesmo que Azula não fosse nada mais do que um espírito malévolo habitando seu corpo, Islinda podia sentir a estranheza dentro dela.
Azula estava quieta demais, parada demais, como se tivesse voluntariamente recuado de volta ao vazio, deixando Islinda no controle. Não era nada parecido com ela. Azula sempre lutou pela sua liberdade, então por que ela desistiu tão facilmente? Era bom demais para ser verdade.
Islinda tentou se levantar da cama, ignorando o protesto de seu corpo dolorido. Ela tinha que encontrar Andre. Ela tinha que saber o que Azula tinha feito. Mas à medida que se movia, a dor aumentava novamente, aguda e implacável, forçando-a para baixo.
Os deuses a ajudem, o que estava acontecendo? Ela já deveria ter se curado. Sua cura acelerada sempre foi uma das poucas coisas em que podia confiar, mas agora estava falhando. Uma parte dela estava agradecida — significava que ninguém descobriria sua verdadeira natureza — mas a outra parte estava aterrorizada. Se sua cura não estava funcionando, o que mais estava errado?
Seus pensamentos frenéticos foram interrompidos pelo suave rangido da porta se abrindo. Um rosto familiar apareceu — uma jovem Fae de olhos arregalados que cresceram ainda mais quando viu Islinda lutando para se levantar.
“Não, minha dama, você não deveria se levantar,” Ailee disse, se apressando para o lado dela. Ela gentilmente empurrou Islinda de volta na cama, seu toque firme, mas cuidadoso.
Islinda resistiu, balançando a cabeça. “Não, você não entende. Eu preciso encontrar Andre. Eu preciso—” As palavras foram cortadas por um suspiro agudo quando outra onda de dor rasgou através dela, forçando-a de volta para a cama.
A expressão de Ailee estava severa enquanto ajudava Islinda a se acomodar novamente nos travesseiros. “Você não está em condições de se mover, minha dama. Você quase morreu. Você precisa descansar.”
A mão de Islinda foi para o peito novamente, onde a dor pulsava implacavelmente. Ela podia sentir o pânico subindo dentro dela, mas lutou para mantê-lo afastado. “O que está acontecendo comigo?” ela sussurrou.
A expressão de Ailee suavizou, mas havia uma tensão em seus olhos que Islinda não deixou de notar. “Foi um ferimento grave, minha dama. Vai levar tempo.” Ela hesitou por um momento antes de adicionar, “Todos estávamos tão preocupados. Achamos que tínhamos te perdido.”
Islinda franziu o cenho, sua mente correndo. Algo não estava batendo. Ela olhou ao redor do quarto, finalmente o reconhecendo. Era a câmara de Andre. A realização apenas aumentou sua sensação de desconforto. “Ailee, o que você está fazendo aqui? A última vez que te vi, estávamos na Corte de Inverno.”
“O Príncipe Andre me trouxe aqui. Ele achou que você poderia se sentir mais confortável comigo e os outros cuidando de você. Ginger, Milo e seu gato também estão aqui,” ela adicionou, intencionalmente omitindo qualquer menção a Gabbi, que Islinda esperaria que estivesse lá também.
O cenho de Islinda se aprofundou. “Por quê? Vou retornar ao castelo do Aldric em breve.”
A menção de Aldric fez o sorriso de Ailee vacilar. “Isso pode ser difícil por agora, minha dama. O Príncipe Aldric… ele está preso.”
O sangue drenou do rosto de Islinda. “Preso? Do que você está falando?”
Ailee respirou fundo, claramente relutante em compartilhar as notícias. “Houve outra luta na arena após o confronto. O Príncipe Aldric… ele matou em legítima defesa. Mas as pessoas… estão protestando contra ele. Sempre tiveram um problema com a existência dele, e agora estão usando isso como desculpa para exigir sua execução.”
O coração de Islinda batia forte no peito, medo e preocupação torcendo em seu estômago. Ela mal conseguia processar o que Ailee estava lhe dizendo. Aldric, preso? Não fazia sentido. Não podia ser verdade. Seus pensamentos estavam girando fora de controle quando a porta se abriu novamente, e o tão esperado Andre entrou.
Ailee rapidamente se desculpou, deixando os dois sozinhos, fechando a porta atrás dela.
A tensão na sala era densa o suficiente para ser cortada com uma faca, e o coração de Islinda começou a bater forte no peito. Ela podia ver nos olhos de Andre—ele sabia. Ele sabia o que ela era, e ela esperava que ele desse sua sentença ali mesmo. Todo Fae sombrio ao ser descoberto era executado sem misericórdia.
Ela abriu a boca para falar, para defender seu caso, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Andre falou primeiro.
“Vamos nos casar,”