Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 801
Capítulo 801: Use Islinda
Em meio ao caos que se espalhou pelo seu reino, Rainha Nirvana sentava-se calmamente, saboreando seu chá como se o mundo além de suas paredes não existisse. O suave e melodioso dedilhar de um instrumento de cordas preenchia o ar, acompanhado pela voz angelical da artista que ela havia contratado. A música, uma canção de ninar reconfortante, transportava a rainha para um reino distante, tecido pelas histórias cantadas pelo artista.
Mas a frágil tranquilidade foi despedaçada quando uma serviçal correu para dentro do quarto, seu rosto avermelhado pela urgência. Ela hesitou à porta, seu olhar fixo na expressão serena da Rainha. A empregada estava em conflito, dividida entre sua obrigação de entregar uma notícia urgente e o medo de perturbar a paz da Rainha. Ela sabia que a ira da Rainha seria rápida e severa se ela ocultasse tal informação importante, mas interromper este momento de tranquilidade era igualmente aterrorizante.
Sem outra opção, a empregada aproximou-se cautelosamente, preparando-se enquanto os olhos de Rainha Nirvana se abriram, percebendo sua presença. O olhar da Rainha era frio como a geada do inverno, mas ela fez um leve aceno, autorizando a empregada a falar. Inclinando-se, a empregada sussurrou a notícia no ouvido da Rainha, sua voz trêmula.
No momento em que as palavras saíram dos lábios da empregada, uma mudança palpável ocorreu na sala. Cada folha verde a dez pés de Rainha Nirvana murchou e morreu instantaneamente, sua cor vibrante esvaindo-se como se a própria vida tivesse fugido. A atmosfera tornou-se gélida, e a música reconfortante vacilou.
A artista, perturbada, tocou uma nota dissonante, o som agudo cortando o ar como uma faca afiada.
O olhar de Rainha Nirvana era afiado e implacável, e a artista, percebendo seu grave erro, começou a balbuciar um pedido de desculpas. “Eu sinto muito, Sua Majestade…”
“Saiam,” a voz da Rainha era fria, desprovida da cordialidade que havia mostrado momentos atrás.
A cantora não hesitou. Ela reuniu seu instrumento e fugiu da sala tão rápido quanto seus pés podiam carregar, não ousando olhar para trás.
“Quero dizer todos vocês. Saiam!” A voz de Rainha Nirvana cortou o ar como uma faca.
Imediatamente, todas as serviçais na sala saíram apressadas, incluindo a que havia entregado a notícia. A sala esvaziou-se em segundos, deixando a Rainha sozinha com seus pensamentos e os restos murchos das plantas outrora exuberantes que a cercavam.
Rainha Nirvana levantou-se de seu assento e moveu-se para a janela onde um incensário estava. Ela acendeu o incenso e gentilmente soprou a fumaça no ar, observando enquanto ela se enrolava e dançava antes de se dispersar. O cheiro das ervas queimando preencheu a sala, uma fragrância tranquilizante que mal tocava na tempestade que se formava dentro dela.
Ela voltou para seu assento, seus dedos batendo impacientemente na mesa. Embora parecesse composta, o toque rítmico traía sua turbulência interior. Ela não gostava de esperar, especialmente em momentos como este, quando sua mente estava inundada de fúria e frustração.
Momentos depois, uma figura vestida inteiramente de preto entrou na sala, movendo-se com a graça silenciosa de uma sombra. Mesmo de costas, Rainha Nirvana reconheceu sua presença imediatamente. Ela não se deu ao trabalho de virar quando falou.
“Islinda está viva,” ela disse, sua voz calma, mas carregada com uma nuance mortal. Quando finalmente se virou para encarar o assassino que ela havia enviado atrás de Islinda, seus olhos eram frios e implacáveis. “Eu te disse que ela não deveria sair viva. Minhas instruções não foram específicas?”
O assassino inclinou a cabeça, sua postura de submissão e remorso. “Sua Majestade, eu fui minucioso. Eu revesti a adaga com vários elementos para matar qualquer natureza que Islinda fosse. Segui suas ordens à risca.”
O olhar desdenhoso de Rainha Nirvana era um sorriso distorcido que não alcançou seus olhos. “No entanto, aqui estamos. Ela ainda está viva. Sua minuciosidade foi, ao que parece, insuficiente.”
A cabeça do assassino abaixou-se ainda mais em vergonha. “Peço desculpas, Vossa Majestade. Se você permitir, irei atrás dela e terminarei o trabalho.”
Mas a Rainha Nirvana balançou a cabeça, sua expressão escurecendo. “Não, seria tolice persegui-la agora. A segurança estará firme ao redor dela. Uma segunda tentativa seria arriscada demais. Mas saiba disto,” ela pausou, seu olhar endurecendo, “um segundo erro não será tolerado.”
Ela acenou com a mão de forma displicente, e o assassino derreteu-se de volta nas sombras, desaparecendo como se nunca estivesse estado lá.
Com o assassino fora, a Rainha Nirvana começou a andar pela sala, sua mente acelerada. Suas unhas cuidadosamente manicuradas encontraram o caminho até seus lábios, e ela mordeu nervosamente, um hábito que há muito havia superado, mas que ressurgia em momentos de reflexão profunda e ansiedade.
Ela havia mantido a compostura na frente dos outros, mas agora, na privacidade de seus aposentos, sua obsessão por Islinda consumia seus pensamentos.
Desde aquele dia no palácio, quando Islinda havia sido assassinada apenas para ressuscitar milagrosamente, a Rainha Nirvana tinha ficado obcecada por ela. Havia algo em Islinda—algo poderoso, algo que fazia a pele da Rainha arrepiar com tanto medo quanto intrigada.
“O que você é, Islinda?” A Rainha Nirvana murmurou para si mesma enquanto andava.
Ela havia originalmente ordenado a morte de Islinda por despeito, vendo-a apenas como um simples obstáculo em seus planos. Mas agora, a situação havia mudado. Islinda não era mais apenas um incômodo; ela era um mistério, um que a Rainha Nirvana estava determinada a desvendar. O pensamento de que Islinda pudesse possuir poderes além de sua compreensão a corroía, enchendo-a de tanto temor quanto um estranho e retorcido desejo.
Um novo plano começou a se formar na mente da rainha, um que envolvia não matar Islinda, mas capturar seu poder para si. E qual a melhor maneira de fazer isso senão através do casamento?
Se Islinda fosse realmente especial, então ela poderia ser um trunfo valioso para seus planos. Seu filho, Theodore, era forte mas carecia de ambição e impiedade. Mas juntos com ela, eles poderiam controlar Islinda, aproveitando qualquer poder que ela possuísse e usando-o para solidificar seu reinado.
Sim, essa poderia ser a resposta. Se o poder de Islinda pudesse ser aproveitado, se ela pudesse ser controlada, então Theodore poderia elevar-se acima do resto de seus irmãos, poderia tornar-se mais do que apenas um dos príncipes — ele poderia ser uma força, um poder inigualável em Astária.
O pensamento trouxe um sorriso distorcido aos lábios da Rainha Nirvana. Ela encontraria uma maneira de descobrir os segredos de Islinda. E quando o fizesse, Islinda não seria uma inimiga. Não, ela seria uma aliada, uma ferramenta, uma arma em seu arsenal.
A Rainha Nirvana parou de andar, sua mente decidida. Ela não descansaria até conseguir o que queria. Islinda seria dela, de um jeito ou de outro.
E se Islinda resistisse? O sorriso da Rainha Nirvana se alargou, seus dentes cintilando.
Bem, ela tinha outras maneiras de conseguir o que queria.