Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 796
Capítulo 796: Perigo Para Todos
Príncipe Andre andava de um lado para o outro em seus aposentos privados, seu coração batendo de ansiedade. Ele sabia que estava em apuros no momento em que trouxe Islinda aqui em vez de buscar ajuda. Mas ele não tinha escolha; a situação era delicada demais. Seus instintos diziam que esse era o movimento certo, mas a dúvida o corroía mesmo assim.
Islinda estava imóvel na cama, sua pele pálida mas ainda quente. Os pensamentos de Andre corriam enquanto ele olhava para o ferimento aberto em seu peito. A última vez que ela havia sido ferida, ela se auto-curou — um segredo que apenas ele, Aldric e Theodore sabiam. Ninguém mais no palácio sabia que Islinda era meio-Fae, e no caos que havia irrompido, revelar essa informação seria perigoso.
O confronto na arena tinha sido bem sincronizado demais para ser uma coincidência. Alguém queria Islinda morta, e Andre não tinha dúvidas de que era a Rainha Maeve. O momento era perfeito — justo quando Aldric estava prestes a matar Valerie, o ataque ocorreu. A Rainha Maeve jamais deixaria sua investida em seu precioso filho ser desperdiçada.
Mas havia algo mais — algo mais sinistro que Andre suspeitava sobre Islinda. A revelação da bruxa ecoava em sua mente, fazendo-o questionar tudo. Se o que a bruxa mostrou a ele fosse verdade, Islinda não estava apenas em perigo, mas poderia também ser um perigo para todos.
No entanto, ela permanecia inconsciente, e já havia passado quase uma hora. Sua auto-cura nunca havia levado tanto tempo, e a preocupação de Andre crescia a cada minuto que passava. Seu coração não estava batendo, e apesar de seu corpo quente, ela estava tão sem vida quanto um cadáver.
Andre não aguentava mais. Ele se aproximou dela, seu olhar fixo na ferida que marcava sua pele de outro modo perfeita. O que ele iria fazer? Deveria chamar um curandeiro? O palácio estava em desordem, com todos os curandeiros enviados para tratar das Fadas feridas da arena. O único curandeiro que restava era o que estava atendendo seu pai, Rei Oberon. Mas envolver esse curandeiro seria arriscado demais; o curandeiro era leal ao rei, e Andre estava mantendo segredos demais de Oberon sobre Islinda.
Ele considerou seu irmão Theodore, que era um curandeiro decente. Mas Theodore não era conhecido por sua discrição, e se a Rainha Nirvana descobrisse, poderia levar a ainda mais problemas. Então havia Mira, sua sobrinha, cujos poderes de cura eram excepcionais. Mas Andre não poderia envolvê-la nesta confusão, não com uma responsabilidade tão pesada sobre seus ombros.
“Droga,” Andre murmurou, passando a mão pelos cabelos em frustração. Ele estava sem ideias, e a pressão estava aumentando. Olhou para Islinda mais uma vez, sua forma imóvel o assombrando. Se não fosse pela ferida em seu peito, ela poderia parecer estar apenas dormindo. E então um pensamento o atingiu — o que se ela estivesse?
Havia uma maneira de alcançá-la? Ela estava presa em algum lugar entre a vida e a morte, esperando que alguém a puxasse de volta?
Impulsionado por um impulso que não conseguia explicar, Andre se inclinou mais perto e sussurrou em seu ouvido, “Por favor, acorde, Islinda.”
Então, sem hesitação, ele pressionou seus lábios contra os dela.
Por um momento, nada aconteceu. O tempo parecia se esticar infinitamente enquanto ele aguardava algum sinal de vida. Bem quando estava prestes a se afastar, os braços de Islinda envolveram-no, segurando-o firmemente enquanto ela o beijava de volta.
A sensação dominou Andre. Ele frequentemente havia se perguntado como seria beijar Islinda, tê-la tão perto, e agora ele tinha sua resposta. Era exquisito, um prazer que enviou arrepios pela sua espinha e fez seu coração disparar.
Mas a euforia não durou. De repente, algo mudou. O prazer que havia percorrido por ele desapareceu, substituído por uma dor agonizante que rasgava sua própria alma. Os olhos de Andre se arregalaram em terror ao sentir sua força vital sendo drenada. Ele tentou se afastar, quebrar o beijo, mas o aperto de Islinda era forte demais, e ele estava impotente para detê-lo.
A cada segundo que passava, Andre sentia-se afundando mais na escuridão, sua energia sendo sugada até que estava quase mais nada além de uma casca vazia. Justo quando pensava que não poderia aguentar mais, Islinda o soltou, e ele desabou no chão, ofegando por ar.
Ele ficou deitado ali, o peito arfando enquanto tentava se recuperar da provação. Ele havia visto sua vida passar diante de seus olhos e estava certo de que iria morrer.
Ao mesmo tempo, o buraco aberto no peito de Islinda começou a se curar. A ferida se fechou, e cor retornou às suas bochechas. Ela despertou com um forte suspiro, seus olhos abriram-se como se tivesse acabado de ser ressuscitada.
Enquanto isso, Andre se afastou dela, o medo o dominando enquanto lutava para processar o que havia acabado de acontecer.
“Aqueles desgraçados!” Islinda — não, Azula — amaldiçoou, sua voz cheia de raiva enquanto cerrava os punhos. “Como ousam usar mercúrio em mim?!”
Seu olhar recaiu sobre Andre, que ainda tentava recuperar o fôlego. Ela acenou para ele despreocupadamente, como se nada tivesse acontecido. “Olá. Prazer em conhecê-lo, Príncipe Andre.”
O que em Faerie?
A mente de Andre estava girando. Essa não era Islinda — pelo menos não a Islinda que ele conhecia. Havia algo diferente em seus olhos, algo mais escuro e perigoso. Algo sinistro.
“Quem é você? Você não é Islinda.” Andre sussurrou, ainda tentando recuperar o fôlego.
“Claro que não sou. Não posso ser aquela perdedora. E estava certo em chamar você, senão estaria presa nesse estado por Deus sabe quanto tempo. Ao menos alguém é útil neste lugar.” ela respondeu com um sorriso, seu tom quase brincalhão. “Parabéns, príncipe Andre, você merece o privilégio de saber meu verdadeiro nome. Pode me chamar de Azula.”
“Azula…” Andre repetiu, o nome desconhecido em sua língua.
Azula se espreguiçou, girando os ombros como se estivesse se acostumando com a sensação de seu próprio corpo depois de estar trancada por Islinda. “Obrigada pelo beijo, aliás. Foi bastante… revigorante.”
Andre não sabia o que dizer. Seu coração estava disparado, tanto pela exaustão quanto pelo choque. Quem — não, o que — era essa entidade diante dele? E o que diabos Aldric planejava fazer com ela?