Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 794
- Home
- Unidos ao Príncipe Cruel
- Capítulo 794 - Capítulo 794: O Remorso Veio Tarde Demais
Capítulo 794: O Remorso Veio Tarde Demais
Astária estava encharcada de tristeza. O ar, outrora cheio de antecipação e empolgação pelo encontro real entre os príncipes, agora carregava o peso do desespero.
A arena que tinha sido um grande espetáculo era agora um campo de batalha repleto de resquícios de violência. Pela primeira vez desde a guerra com as Cortes Noturnas, várias cortes Fae haviam colidido tão violentamente, e ninguém havia previsto a tragédia que se desenrolaria.
Crianças Fae choravam inconsolavelmente, algumas delas separadas de seus pais no caos. Suas pequenas vozes trêmulas clamavam com medo, seus olhos brilhantes procurando rostos familiares em meio aos destroços. Pais, igualmente frenéticos, procuravam por seus pequenos perdidos, seus corações pulsando de medo. Gritos de nomes enchiam o ar, desesperados e cheios de ansiedade, enquanto as famílias tentavam se reunir em meio à destruição.
Curandeiros corriam pelas multidões, suas mãos brilhando com magia enquanto tentavam curar os feridos. Alguns estavam além de qualquer salvação, seus ferimentos muito graves, seus corpos já frios e sem vida.
Outros se agarravam à vida, seus entes queridos ao lado, sussurrando orações frenéticas por sua sobrevivência. Gritos de angústia ecoavam pela arena enquanto aqueles que haviam perdido alguém finalmente percebiam seu destino. A tristeza se espalhava como fogo, consumindo o reino.
Fadas ficavam em grupos, seus rostos marcados pela incredulidade e raiva. Muitos delas amaldiçoavam o dia em que escolheram vir à arena, lamentando amargamente sua decisão de assistir ao que deveria ser uma competição amigável. Em vez de uma celebração de habilidade e força, viram seu mundo desmoronar diante de seus olhos.
“Isso não era para acontecer,” uma Fae da Corte de Verão murmurou, sua voz tremendo ao olhar para os corpos espalhados pelo chão da arena. “Viemos aqui para apoiar nosso príncipe. Como isso se transformou nisso?”
O clima no reino estava sombrio. O sol, outrora brilhante, agora parecia apagado, lançando longas e sombrias sombras sobre a terra. Nuvens escuras se reuniam no horizonte, reflexo da tristeza que envolvia Astária como um manto. O próprio ar parecia pesado, como se o reino estivesse de luto com seu povo.
Algumas das Fadas começaram a sair lentamente da arena, seus passos lentos e sombrios. O que havia começado como um dia de celebração havia se transformado em um dos dias mais sombrios da história de Astária. Não havia mais alegria a ser encontrada ali, nem triunfo ou orgulho no que ocorreu. Apenas lágrimas, arrependimento e a dolorosa picada da perda.
O séquito real voltou ao palácio sem incidentes, seus rostos pálidos com o peso do que havia ocorrido na arena. A tensão era densa, e os olhos do Rei Oberon estavam escuros de fúria. Assim que estavam em segurança lá dentro, o rei virou-se para Lennox, seu conselheiro e guarda mais confiável.
“Lennox,” Oberon disse, sua voz fria e medida, “convoque uma reunião imediatamente. Todos os membros do gabinete. Quero-os na sala do trono dentro de uma hora.”
Lennox fez uma reverência e saiu rapidamente para cumprir a ordem, deixando um ar de urgência.
A Rainha Maeve, seu rosto tenso de preocupação, deu um passo à frente, pretendendo falar. “Oberon, eu—”
Mas o olhar que ele lhe deu, afiado e inflexível, a cortou no meio da frase. Seus olhos continham um aviso impossível de ignorar. Os lábios de Maeve se comprimiram em uma linha fina, seu rosto avermelhando de raiva, mas ela sabia que era melhor não pressioná-lo naquele momento. Sem dizer mais nada, ela deu meia-volta e saiu da sala, sua raiva fervendo logo abaixo da superfície.
Enquanto isso, em outra ala do palácio, a Rainha Vitória era uma tempestade de emoções—culpa corroendo suas entranhas enquanto a raiva fervia por baixo da superfície. Incapaz de se conter por mais tempo, ela avançou em direção aos aposentos da Rainha Nirvana, seus passos ecoando pelos corredores silenciosos.
Quando ela chegou à porta de Nirvana, a criada de plantão imediatamente se moveu para bloquear seu caminho. “Vossa Alteza, a Rainha Nirvana está—”
“Saia!” Rainha Vitória esbravejou, sua voz pontuada de fúria. A criada estremeceu, mas não ousou desobedecer. Victoria a empurrou e irrompeu no quarto, seus olhos reluzindo.
Lá dentro, as criadas atendiam a Rainha Nirvana, ajudando-a a sair de sua vestimenta formal. Ela estava meio vestida, envergando apenas uma fina e delicada combinação que se agarrava a sua figura. Apesar de seu estado de desarranjo, a Rainha Nirvana não parecia minimamente perturbada pela súbita invasão da Rainha Vitória. Com um gesto, ela dispensou as criadas, que correram para fora da sala, lançando olhares ansiosos por cima dos ombros.
A Rainha Nirvana se aproximou de Victoria com uma calma e graça régia, como se a estivesse esperando. “Qual o significado disso?” A voz da Rainha Vitória tremia com raiva mal contida. “Era para atingirmos apenas Islinda, não causar tamanha destruição em grande escala!”
Os lábios de Nirvana se curvaram em um sorriso, seus olhos reluzindo com um frio cálculo. “Não seja tola, Victoria,” ela respondeu suavemente. “Esta foi a melhor maneira de garantir o sucesso do nosso plano. Se somente Islinda tivesse sido atacada, o Rei Oberon saberia que foi obra nossa. Mas ao orquestrar um confronto entre as Cortes de Verão e de Inverno, obscurecemos nossas verdadeiras intenções. Ninguém poderá rastrear isso até nós.”
A Rainha Vitória ficou ali, sua boca seca, sem palavras. Ela havia concordado com o plano, mas não antecipou esse nível de destruição. Ela podia ver a lógica na explicação da Rainha Nirvana, mas isso pouco fazia para acalmar sua consciência. A imagem dos Fae em luto, os gritos de crianças separadas de seus pais, assombravam seus pensamentos.
Finalmente, a Rainha Vitória se virou, incapaz de enfrentar o olhar da Rainha Nirvana por mais tempo. Ela não tinha réplica, nenhuma indignação justa para reunir. Ela tinha sido cúmplice nesse desastre, e ela sabia disso. Ao sair da sala, seu coração pesado de arrependimento, ela percebeu que as consequências de suas ações estavam muito além do que havia antecipado.
Ela nunca deveria ter concordado com isso.