Unidos ao Príncipe Cruel - Capítulo 768
Capítulo 768: O Glamour
“Não, espera!” Islinda interveio, sua voz afiada com urgência.
Aldric e Lilith se viraram para ela, ambos parecendo surpresos. Aldric piscou para ela, curioso para saber o que ela estava prestes a dizer.
“O que exatamente ela quer de você, Aldric?” Islinda exigiu, fixando-o com um olhar severo. “Certamente, você não prometeu a ela…” Islinda engoliu em seco, “Seu corpo?”
Se esse fosse o caso, então Islinda estava fora desse acordo. Ela preferiria morrer a assistir Aldric entregar seu corpo para aquela maldita bruxa!
Os olhos de Aldric se arregalaram de choque com a acusação, enquanto Lilith soltou uma pequena risada divertida. Islinda sentiu suas bochechas corarem de embaraço, de repente incerta se tinha interpretado mal toda a situação.
“Você pensa que eu me trocaria assim?” Aldric respondeu, seu tom incrédulo. “Não, Islinda, o pagamento era o acesso ao reino dos fadas. Bruxas não são permitidas no reino dos fadas sem estarem em missão oficial ou terem permissão. Aqueles que o fazem ilegalmente são severamente punidos se pegos. Mas eu posso conseguir para ela o acesso que precisa.”
Islinda sentiu uma onda de alívio lavando sobre ela, rapidamente substituída por um rubor embaraçoso. Ela havia tirado conclusões precipitadas e se tornado uma tola. Suas bochechas ardiam de humilhação.
Como se para adicionar insulto à injúria, Lilith disse com arrogância,
“Se eu quisesse Aldric na minha cama novamente, não precisaria fazer um acordo com ele. Aldric não poderia possivelmente resistir a um corpo como o meu.” Ela tentou enfatizar seu ponto alcançando para tocar Aldric.
Duas coisas aconteceram simultaneamente.
Algo dentro de Islinda quebrou, e antes que ela percebesse, ela já havia se movido. Suas unhas se transformaram em garras, e ela estava a segundos de cortar a mão de Lilith. Aldric, sentindo seu movimento repentino, agarrou seu pulso a tempo, evitando o ataque.
Ao mesmo tempo, Azrael entrou em ação, sua mão firmemente agarrando o ombro de Lilith e puxando-a para longe. Seus movimentos foram tão rápidos e precisos que Lilith foi puxada para trás a tempo de evitar as garras de Islinda.
Um silêncio tenso caiu sobre a sala enquanto todos tentavam digerir o que havia acabado de acontecer. Lilith, que estava a segundos de ser atingida, parecia tanto chocada quanto furiosa.
“Talvez agora você aprenda a manter suas mãos para si mesma,” Azrael a repreendeu, sua voz fria e inflexível. Ele finalmente soltou os ombros dela, recuando.
O coração de Islinda batia forte em seu peito, a adrenalina ainda correndo pelas suas veias. Ela não havia percebido o quão profundamente seus sentimentos por Aldric eram até aquele momento. A ideia de qualquer outra pessoa tocá-lo a levou à beira da violência. Ela jurou que poderia ter matado Lilith.
E falando de Lilith, a bruxa não parecia tão satisfeita com o que aconteceu. Ela disse para Aldric, sua expressão endurecendo. “Você deveria controlar seu bichinho de estimação,” ela sibilou.
Islinda avançou agressivamente, “Talvez, eu devesse mostrar a você o que este bichinho de estimação pode fazer,” Seus olhos ficaram completamente negros.
Lilith, ofendida pelo comentário, acendeu sua mão com magia verde.
“Chega!” Aldric interferiu antes que as coisas saíssem do controle.
Ele puxou Islinda para perto dele, seu aperto em seu pulso gentil mas firme. “Ouça-me Lilith, Islinda não é um bichinho de estimação. Ela é minha parceira, e você a tratará com respeito.” ele a comandou.
“Mas Aldric -” Lilith tentou protestar.
“Temos um acordo ou não?!” O rosto de Aldric escureceu, as sombras o cercando e lembrando a todos, especialmente a bruxa, por que ele não deveria ser desafiado.
Lilith respirou fundo e endireitou-se, alisando seu vestido enquanto recuperava sua compostura. “Bem,” ela disse secamente. “Temos um acordo, Aldric. Eu criarei seu glamour, e você me dará acesso ao reino dos fadas.”
Aldric assentiu, sua expressão séria. “Concordado. Mas entenda isso, Lilith. Se você nos trair ou algo acontecer a Islinda, você desejaria nunca ter me conhecido.”
“Eu não sou estúpida,” Lilith disse entre dentes, seu orgulho ferido pela insinuação dele.
“Eu sei,” Aldric respondeu, seu tom frio. “Estou apenas me certificando disso.”
Ele havia namorado Lilith no passado e conhecia muito bem suas tendências ciumentas. A bruxa tinha um complexo de inferioridade que a levava a aprimorar suas características com os feitiços mais complexos e caros, mantendo-se jovem e perfeita para sempre. Mas mesmo isso não era suficiente para satisfazê-la.
Ela havia nutrido um ódio profundo por Maxi, supondo erroneamente que Aldric estava em um relacionamento com ela. Lilith havia exigido que Aldric se livrasse de Maxi para que ela pudesse permanecer a única mulher em sua vida. Infelizmente para ela, Aldric não era do tipo que se comprometia com qualquer mulher. Quando percebeu o quão controladora ela era, ele terminou o arranjo.
Agora, vendo a ameaça de morte no rosto de Aldric, Lilith respeitou a si mesma. Ela disse a eles. “Sigam-me.”
Enquanto se moviam mais fundo em sua casa, Islinda não pôde evitar roubar olhares para Aldric. A visão dele a defendendo mais cedo fez seu coração saltar uma batida.
“O que você está olhando?” Ele a pegou.
“Nada.” Islinda mentiu para esconder seu constrangimento. Parece que ser meio Fae salvou de receber a maldição de sempre dizer a verdade. Não que os Fae fossem algo verdadeiro. Criaturas tão astutas.
Aldric ignorou sua óbvia mentira e continuou andando, segurando-a firme. Entraram na câmara interna de Lilith, onde ela realizaria o processo.
A sala estava mal iluminada, as paredes alinhadas com prateleiras cheias de diversos artefatos mágicos e poções. O ar estava espesso com o aroma de incenso e ervas, criando uma atmosfera quase sufocante. Os sentidos de Islinda estavam em alerta máximo, cada fibra de seu ser precavida da poderosa magia que os cercava. Então, ela ficou perto de Aldric, sua mão segurando fortemente a dele.
Ela se moveu para uma prateleira próxima, seus dedos dançando sobre vários frascos e garrafas. Lilith se ocupava com os preparativos, juntando os ingredientes enquanto Aldric a observava de perto, seus olhos nunca se afastando dela por um momento.
“Vai demorar muito?” Azrael perguntou, sua impaciência evidente.
Lilith lançou-lhe um olhar fulminante. “Magia leva tempo, especialmente algo tão delicado e complexo como um glamor. Se você quer que seja feito direito, vai precisar ser paciente.” Ela levantou uma sobrancelha, “Ou você pode procurar outra pessoa para ajudar vocês?”
Azrael bufou, mas permaneceu em silêncio. Ele entendia a importância do glamor, mas não gostava de estar na presença de Lilith mais tempo do que o necessário.
Lilith começou a cantar baixinho, suas mãos se movendo graciosamente enquanto misturava os ingredientes. A sala parecia vibrar com energia, o ar crescendo denso com poder. Islinda assistia, fascinada apesar de si mesma. Ela nunca tinha visto magia desempenhada nesse nível antes.
“Islinda, venha aqui,” chamou Lilith quando terminou, sua voz rompendo os pensamentos de Islinda.
Islinda olhou para Aldric em busca de confirmação e quando ele acenou com a cabeça, ela avançou. “Sim?”
Lilith entregou-lhe um pequeno frasco cheio de um líquido cintilante. “Beba isso.”
“Por quê? O que é isso?” Islinda perguntou com desconfiança, ela não confiava nem um pouco na bruxa.
Lilith bufou, mas explicou, “Eu precisaria retornar você ao que parecia antes disso….” Ela gesticulou para as marcas em seu rosto, “Isso ajudará o glamor a se fixar mais efetivamente em você quando chegar a hora.”
“Como isso é possível?”
“Você está questionando minha capacidade?”
Islinda suspirou, então pegou o frasco, olhando para Aldric e Azrael em busca de segurança. Aldric acenou com a cabeça, sua expressão séria. “Vá em frente.”
Ela abriu o frasco e bebeu o líquido de um gole só. Tinha um gosto doce, quase enjoativo, e deixou uma sensação quente em sua garganta. Ela devolveu o frasco vazio para Lilith, que a observou com um interesse aguçado.
“Bom. Agora, vá se deitar no sofá,” Lilith instruiu.
Respirando fundo, Islinda se dirigiu ao sofá e se deitou, seu coração batendo com antecipação.
Lilith ficou sobre ela, um sorriso leve surgindo em seus lábios. “Você vai precisar se preparar,” ela disse, seu tom quase alegre.
“O que você quer dizer?” Islinda perguntou, desconfiança em suas palavras.
“Este estágio vai doer um pouco,” Lilith respondeu, sua alegria inconfundível.
Islinda estreitou os olhos, sem saber se a bruxa estava brincando ou não. Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Lilith começou a cantar em uma linguagem antiga e estranha. As palavras eram estrangeiras e perturbadoras, ressoando na sala.
Quase imediatamente, Islinda sentiu uma estranha sensação de formigamento se espalhar por seu corpo. Era como se fios invisíveis estivessem se entrelaçando ao redor dela, puxando e puxando sua pele, mudando sua aparência. A sensação era estranha e desconfortável, mas suportável.
E então a dor veio.
Foi súbita e intensa, queimando através de seu corpo como fogo. Islinda gritou, o som rasgando de sua garganta com uma agonia crua e primal que ela nunca tinha experimentado antes. Sua visão ficou turva com lágrimas, e ela se contorceu no sofá, incapaz de escapar do tormento.
Através da névoa da dor, Islinda viu o rosto de Lilith, uma máscara de satisfação fria. Era como se a bruxa estivesse desfrutando de seu sofrimento, curtindo cada momento dele. A constatação cortou Islinda como uma faca, adicionando uma camada de traição à sua angústia.
“Pare! Por favor, pare!” Islinda gritou, sua voz se quebrando.
Mas Lilith continuou, sua cantilena crescendo mais alta e mais intensa. A dor atingiu um crescendo, e os gritos de Islinda ficaram roucos. Ela podia sentir sua consciência escapando, a escuridão se arrastando nas bordas de sua visão.
Quando ela pensou que não poderia suportar mais, o canto cessou. A dor desapareceu, deixando Islinda tremendo e ofegante. Ela ficou imóvel, seu corpo dolorido, sua mente girando com a provação.