Sistema da Liga Principal - Capítulo 1086
Capítulo 1086: Chapter 2: Vida
Aconteceu que ninguém foi permitido entrar no campo após o jogo, pelo menos não até a cerimônia terminar. Não querendo causar uma cena, Ken e os outros decidiram deixar pra lá e esperar pacientemente o evento finalizar.
Os resultados foram anunciados e Kenji acabou ganhando o prêmio de MVP, algo que seu pai havia feito quase 20 anos antes. Vendo seu filho erguer o troféu, Ken sentiu uma onda de orgulho.
“Ele fez bem…” Ken murmurou.
“Claro, ele é trabalhador como o pai.” Uma voz suave respondeu antes de Ken sentir um par de braços envolvendo-o.
Ouvindo a voz de sua esposa, Ken não pôde deixar de sorrir, levantando o braço e puxando-a para perto.
“Papai! Quando você chegou?”
Ken se virou e viu uma versão em miniatura de sua esposa agora agarrada à sua perna.
“Hehe, Papai estava aqui o tempo todo, mas você não me guardou um assento, Chiharu-chan~.” Ken disse, pegando a garotinha e dando um beijo em sua bochecha.
A garotinha deu risada antes de envolver seus braços em volta do pescoço dele, abraçando-o apertado.
“Onde está sua irmã?” ele perguntou, olhando ao redor.
“Ela está sendo chata…” Chiharu disse, apontando para uma das cadeiras próximas.
Ken se virou e viu sua filha mais velha ocupada no celular, sem prestar atenção à cerimônia. Um sorriso irônico surgiu em seu rosto, mas ele decidiu não incomodá-la, para não enfrentar a ira de sua filha adolescente.
“Ainda não entendo por que ela odeia beisebol…” Ken murmurou, balançando a cabeça com decepção.
Uma vez que a cerimônia acabou, as crianças deixaram o campo e finalmente os adultos puderam comemorar com eles.
“Parabéns para vocês dois, foi um ótimo jogo.” Ken disse com um sorriso, bagunçando o cabelo do filho. O garoto usava um sorriso radiante, claramente apreciando o elogio do pai.
Tatsuya, por outro lado, foi pego por Daichi e lançado no ar, surpreendendo todos os presentes.
“Esse é meu garoto!” Ele gritou, soltando uma gargalhada profunda.
A cena era comovente.
Então, mais e mais rostos familiares começaram a aparecer nas proximidades.
“Você está atrasado, quase perdeu o jogo do meu neto.” O tom crítico de Yuki entrou nos ouvidos de Ken, fazendo-o se sentir um pouco envergonhado.
“Desculpe, meu voo atrasou…” Ele respondeu, sentindo-se um pouco mal.
“Não seja tão duro com ele, Yuki, ele fez o melhor que pôde.” Um idoso frágil com uma bengala chegou sorridente.
Era seu avô, Mark Williams. O homem agora tinha bem mais de 80 anos e não era mais tão ágil quanto costumava ser. Sua coluna outrora alta e reta estava ligeiramente curvada, fazendo-o parecer menor.
“Vovô…” Ken sorriu para ele, apreciando.
Por trás de seu avô, outras figuras apareceram.
Naomi e Santiago estavam olhando com um sorriso, enquanto a feição chorona de Tetsu apareceram novamente.
“Estou tão orgulhoso de você, Kenji…” ele disse, dando um tapinha no ombro do garoto.
O cara parecia essencialmente o mesmo de 15 anos atrás, mas agora havia algumas rugas adicionais e alguns fios grisalhos em seu cabelo.
“Vovô, você está me envergonhando…” Kenji parecia um pouco desconfortável, mas ainda assim sorriu para o homem.
Quando Ken estava prestes a sugerir a saída da área, uma adolescente de cabelo loiro longo apareceu, seus olhos focados em Kenji que segurava o troféu de MVP.
“V—Você foi realmente incrível lá fora, Kenji…” A garota disse, inquieta.
Os olhos de Ken brilharam ao reconhecer a adolescente. Ele se virou, vendo Steve e Tara não muito longe. Esta última estava com um sorriso brilhante, enquanto o primeiro parecia extremamente sombrio.
‘É disso que ele estava falando antes?’ Ken pensou, ainda tentando entender a situação.
“Obrigado Sophie…” Kenji respondeu, seu rosto ficando vermelho brilhante.
Os dois adolescentes estavam de frente um para o outro de forma desajeitada, fazendo até alguns adultos se sentirem desconfortáveis. Era claro até para Ken que seu filho e a filha de Steve pareciam gostar um do outro.
Ken pigarreou, cortando a atmosfera constrangedora, “Ahem, quem está com fome?”
“EU!”
“EU!”
Tatsuya e Chiharu gritaram, levantando as mãos no ar com entusiasmo.
“O que vocês querem comer?”
“PIZZA!” os dois responderam em uníssono, como se tivessem ensaiado antes.
“Haha, tá bom, tá bom. Kenji, vá dizer aos seus colegas de time que vamos levá-los para comer pizza. Traga seu Vovô enquanto estiver lá.” Ken instruiu com um sorriso.
Logo depois, a família Takagi ampliada e o time de beisebol Detroit Elite deixaram o Campo East Cobb e chegaram a um dos restaurantes de pizza próximos.
Como já eram quase 16h, o local estava, felizmente, vazio. Isso permitiu que eles formassem uma longa mesa que ocupava o comprimento do restaurante, dando lugares mais do que suficientes para todos.
Ken sentou-se à cabeceira da mesa, Chiharu em seu colo enquanto comia uma fatia de pizza de queijo. Seus olhos passearam por seus amigos e familiares sentados à mesa, um senso de contentamento se estabelecendo profundamente dentro de sua alma.
Os últimos 15 anos pareciam ter voado, mas essas pessoas sempre estiveram presentes em sua vida. Pela primeira vez desde que ela o deixou, Ken sentiu que entendia plenamente as palavras de Mika naquela época.
‘A vida é mais preciosa quando é passada com aqueles que amamos.’
Ken de repente pensou em sua vida anterior. Depois de sua lesão, ele afastou todos, retirando-se para sua concha. Ele viveu uma existência miserável, semelhante a um isolamento auto-imposto.
Se não fosse por Daichi ou por seus pais, ele talvez não tivesse sobrado ninguém.
Mas agora, enquanto ele se sentava neste restaurante com sua filha mais nova no colo e seus amigos e familiares por perto, Ken sentia verdadeiramente que entendia o que Mika estava tentando lhe dizer.
Seu segundo chance não era para realizar seu sonho de jogar beisebol profissional…
Era uma segunda chance para experimentar uma vida passada com seus entes queridos.
Com essa realização, Ken sentiu sua visão ficar embaçada. Antes que percebesse, uma lágrima escapou de seu olho, correndo lentamente por sua bochecha.
“O que foi, Papai?” A doce voz de Chiharu chamou sua atenção, surpreendendo-o. Só agora ele percebeu que estava começando a se emocionar.
“Nada, querida, Papai está apenas muito feliz no momento.” Ele disse suavemente, sua voz falhando.
O rostinho fofo de Chiharu se contraiu em uma carranca, “Você deve sorrir quando está feliz, Papai, não chorar.” Ela disse, repreendendo-o.
Ken riu, sua voz rouca pela emoção que pesava sobre ele.
Ele limpou a lágrima, não querendo atrair atenção para si. A última coisa que ele precisava era que seus amigos e familiares o vissem chorar em uma ocasião tão feliz.
Enquanto ele se ajustava, o bater das asas chamou sua atenção. Ele se virou para a janela, apenas para seus olhos se arregalarem como pires. No entanto, poucos momentos depois, um sorriso radiante apareceu em seu rosto.
Uma pomba branca pura estava pousada no peitoril da janela, o sol da tarde brilhando sobre suas penas, conferindo-lhe um brilho etéreo. Em seu bico, encontrava-se um ramo de oliveira.
Eles estavam na Geórgia, não fazia sentido tal pomba aparecer aqui, muito menos segurando um ramo de oliveira. Embora pudesse ter sido mera coincidência, Ken escolheu acreditar que era um sinal especificamente para ele.
‘Obrigado, Mika… Por me dar esta segunda chance.’
-Fim