Roubada pelo Rei Rebelde - Capítulo 307
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307: Curiosamente Misteriosa Afinidade I 307: Curiosamente Misteriosa Afinidade I “Você já decidiu o que vai vestir para a sua coroação?” Blanche perguntou.
Ela balançava as pernas para frente e para trás na cadeira, enquanto olhava para a irmã mais velha. A menina mais nova enfiava um pedaço de bolo na boca com seu garfo, mastigando delicadamente. Porém, os olhos dela permaneciam fixos em Daphne, aguardando sua resposta.
“Seu pai e eu preparamos um vestido para ela,” respondeu a Rainha Anette. Ela deu um gole no seu chá, suspirou antes de colocar a xícara de volta no pires. “Daphne não precisa se preocupar com essas coisas.”
“Eu tenho meus próprios planos, mãe,” Daphne respondeu.
Ela fez uma careta, pensando no extravagante vestido branco e dourado que as empregadas haviam trazido para o seu quarto mais cedo, naquele mesmo dia. Elas disseram que foi encomendado especialmente pelo rei e pela rainha, e que gostariam que Daphne o usasse durante a coroação que aconteceria em poucos dias.
Era um belo vestido, é claro, e ela apreciava a intenção. No entanto, não era um vestido com o qual Daphne se sentia confortável, considerando quão extravagante e pesado parecia. Além disso, ela ainda não se acostumara com a repentina alteração de atitude de sua mãe e do seu pai em relação a ela.
Só porque agora eram gentis com ela, isso não significava que poderiam ser imediatamente perdoados pelos anos de negligência e abuso pelos quais a fizeram passar.
Quando a Rainha Anette sugeriu que tomassem chá juntas, ela e Blanche, Daphne pensou que havia alucinado com o convite. No entanto, menos de uma hora depois, estavam sentadas do lado de fora nos belos jardins, com chá e bolinhos diante delas.
Por sorte, não convidaram Leonora. Daphne não aguentava aquela irmã e ela não era tão insensível a ponto de acreditar que Leonora apreciava sua companhia também.
“Eu me pergunto…” Daphne começou, seus olhos vagando na direção do lago. Da onde estava sentada, não conseguia ver nada fora do comum. Ela não via Nereu há um tempo e se perguntou se ele ainda estava em Reaweth.
Nem mencionar, Daphne ainda tinha que confrontar devidamente seus pais a respeito de suas lembranças.
“Blanche, você pode nos deixar um pouco?” Daphne perguntou.
A menina mais nova, que acabara de terminar seu bolo, olhou surpresa. No entanto, apenas assentiu, se arrumando rapidamente antes de deixar a mesa, sem fazer perguntas. Ser curiosa era um monstro feio quando estava preso dentro das paredes do palácio. Blanche sabia que não era o momento para perguntar o que a irmã mais velha queria conversar tão secretamente com a mãe delas.
Uma vez que ela estava fora de vista, Daphne olhou para a sua mãe. Ela se endireitou e deu um Respiro fundo.
“Agora que Zephyr e Blanche não estão por perto, que tal me contar sobre o que aconteceu anos atrás, mãe?”
A Rainha Anette estremeceu. “A que você está se referindo?”
“Você sabe do que eu estou falando,” Daphne respondeu com a voz firme. “Outro dia, perto do lago, quando você me contou pela primeira vez sobre a decisão do Papai de me tornar a sua sucessora. Você disse que eu era muito velha para andar com histórias na cabeça.”
“Então isso não é tudo que precisa ser dito?” A Rainha Anette suspirou. “Daphne, você agora é a princesa herdeira de Reaweth. Além disso, está casada com um homem muito poderoso como sua rainha. Você não deveria ter a cabeça ainda presa nas nuvens―”
“Eu vi as lembranças,” disse Daphne. “E, sinceramente, você também deveria saber que, naquela noite, Drusila não era a escolhida para estar naquela cama com Duque Lanperouge.”
O falso sorriso da Rainha Anette finalmente desapareceu de seu rosto. Ela respirou profundamente, a expressão volto-se séria.
“Eu tinha minhas suspeitas,” admitiu a Rainha Anette. “Foi plano da Lady Josephine?”
“Duvido muito,” disse Daphne. “Minha aposta é Hazelle e Alistair.”
A Rainha Anette assentiu, embora não tenha dito muito para comentar. Um momento de silêncio passou entre elas antes da rainha abrir a boca novamente.
“Seria sábio aprender quando manter segredos, Daphne,” ela disse.
“Por quê?” Daphne arqueou uma sobrancelha. “Eu não deveria mais confiar na minha mãe agora?”
Ela não confiava nela. Daphne não confiava nem um pouco na mãe. Aquela mulher pode ter dado à luz a ela, mas ela sabia que, desde que havia sido rotulada como inútil, ela não se importava com ela como uma mãe deveria. No entanto, Daphne não tinha medo de a Rainha Anette a delatar.
De qualquer forma, para quem a Rainha Anette contaria? Mesmo que fosse ao Rei Cyrus ou mesmo ao próprio Alistair, qual seria o efeito? Alistair nunca admitiria suas próprias ações e o Rei Cyrus não se importaria – o que está feito, está feito e a conhecendo, ele seria muito provável escolher fazer a Drusilla pagar pelo erro, ao invés da filha que ele acabara de escolher como sua nova sucessora.
Se Daphne, a nova princesa herdeira, fosse envolvida em um escândalo, isso só refletiria mal nas escolhas do Rei Cyrus como governante. Drusilla seria apenas um cordeiro sacrificial.
A Rainha Anette provavelmente estava satisfeita por ter essa vantagem contra Lady Josephine também.
“E se você estiver se perguntando como Drusilla foi parar naquela situação ao invés de mim, você, por sua vez, terá que ser honesta comigo também,” Daphne continuou.
“Como?” Perguntou a Rainha Anette.
A Senhora Hazelle era astuta, sempre fora. Foi em parte por isso que ela foi escolhida para ser rainha de Alistair quando ele ainda era o príncipe herdeiro. Ela tinha capacidade para governar um reino bem ao seu lado. No entanto, agora que Alistair não era mais o príncipe herdeiro e ela não era mais a princesa herdeira, essa inteligência era uma ameaça.
Como Daphne conseguiu evitar aquela víbora foi, de fato, um mistério que perplexou a Rainha Anette.
“Eu me sinto cada dia mais forte”, Daphne admitiu.
Ela flexionou os dedos, admirando o anel cintilante que repousava em seu dedo anelar. As pequenas safiras capturaram a luz do sol, deslumbrando em uma exibição de luz.
“Você progrediu muito,” disse a Rainha Anette com cautela. “Seu pai estaria orgulhoso das suas habilidades de piromancia.”
“Ah, você está confundindo, mãe,” disse Daphne. “Não quero dizer que minha magia de fogo melhorou, apesar de que ela melhorou.”
Daphne casualmente sacudiu o dedo e as pedras de seu anel brilharam, fazendo com que o chá dentro da xícara da Rainha Anette respingasse, pousando delicadamente no pires sem derramar nem uma gota na toalha de mesa branca.
“Parece que eu adquiri uma misteriosa afinidade com a magia da água.” Os olhos de Daphne brilhavam, mas a luz em suas íris era mais mortal do que brincalhona. “Você vai me contar sobre isso agora, mãe?”