Roubada pelo Rei Rebelde - Capítulo 193
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- Capítulo 193 - 193 Capa amp; Adaga I 193 Capa amp; Adaga I Jonah meus olhos
193: Capa & Adaga I 193: Capa & Adaga I “Jonah, meus olhos estão me enganando ou está chovendo?”
Atticus franziu a testa, levantando um pouco as mãos. As pequenas gotas de água caíam em sua palma aberta, frescas contra o calor de sua pele. Ele se conectou ao uso de sua pedra-sol, ativando o cristal para se manter seco. A maioria das gotas de água simplesmente evaporaria antes mesmo de ter a chance de tocar um fio de cabelo de Atticus.
“Isso é estranho,” comentou Jonah, com as sobrancelhas fortemente juntas enquanto examinava os céus. As nuvens, adornadas em tons de prata e cinza, pendiam baixas como se estivessem acariciando o mundo abaixo com dedos embaçados. “Não deveria chover hoje. Isso não estava na previsão.”
Suas palavras apenas aprofundaram a carranca no rosto de Atticus. O clima era estranho, muito fora do comum. Enquanto os meteorologistas às vezes teriam acertos e erros em suas previsões para os meses de verão, raramente isso era o caso para as outras estações. O clima de Vramid sempre foi estável e era apenas uma vez na lua azul que as previsões estavam erradas.
Algo inquietante agitava-se no coração de Atticus, fazendo seu peito se apertar um pouco desconfortavelmente.
“Você designou membros da guarda real para ficar com Daphne durante o desfile, certo?” Atticus perguntou, voltando-se para olhar para Jonah.
Isso fez o homem revirar os olhos. “Sim, Vossa Majestade. Pela centésima vez, Sua Alteza está bem protegida.”
Apesar da confirmação de Jonah, Atticus ainda se sentia inquieto. Havia um zumbido sutil de magia que podia ser sentido através da água da chuva. Pessoas comuns não conseguiriam distinguir a diferença, mas para algumas como Atticus, era basicamente como levar um tapa bem na cara.
Alguém — ou algo — estava fazendo chover quando não deveria. O relatório que Jonah e Daphne trouxeram sobre a aparição do kelpie em Vramid fez o cabelo de Atticus ficar em pé. Seus punhos se cerraram a seu lado.
“O que houve?” Jonah perguntou, erguendo uma sobrancelha em sinal de interrogação. Ele cruzou os braços sobre o peito. “Eu sei que você está preocupado com sua esposa, mas pare de se preocupar por um segundo. Daphne está perfeitamente bem e ela pode se cuidar. É só um pouco de chuva. Não é o fim do mundo.”
“Não é uma chuva normal,” murmurou Atticus. Ele lançou um olhar para Jonah e este entendeu imediatamente.
“Ah,” disse Jonah. “Certo. Kelpie”. Ele coçou a parte de trás do pescoço. “Embora, para ser franco, Atticus, eu não acho que Nereu pretenda―”
“Nereu?” Atticus interrompeu, fazendo Jonah parar no meio da frase. “Até você está chamando-o pelo nome agora?”
“Você não conheceu o kelpie pessoalmente,” respondeu Jonah com um balançar de cabeça. “É definitivamente senciente. Ele conseguiu cultivar uma forma humana para si e pode assumir a forma de um homem. Ele até pode falar frases coerentes e manter uma conversação.”
Então, Jonah fez uma pausa, pensativo.
“Bom,” ele se corrigiu, “pelo menos com Daphne. Ele não parece ligar muito para outras pessoas.”
“Ou pelo menos foi o que ouvi.” Atticus resmungou. “Aquele maldito príncipe veio todo o caminho de Raxuvia para Vramid e, no entanto, ele não percebeu que o kelpie estava aqui o tempo todo. Sem mencionar aquele caso com Jean Nott…”
“Príncipe Nathaniel forneceu informações valiosas sobre o contrabando de gemas,” lembrou Jonah.
Essa informação foi o que os trouxe até aqui em primeiro lugar — no meio dos arredores de Vramid, perto das Favelas do Sul que Daphne havia explodido um buraco alguns meses atrás. Atticus não pensou que retornaria tão cedo. Só que desta vez, ele estava aqui para prender um suspeito, não para salvar sua amada.
Entre as informações que Jonah havia reunido e os pedaços de informações que o Príncipe Nathaniel havia fornecido, parecia que Jean Nott estava levando gemas para dentro e para fora de Vramid para vendê-las no mercado negro.
Vramid estava sendo usada como uma espécie de sede, provavelmente porque Jean tinha terras registradas legalmente em seu nome, Eugene Attonson. Ele era, afinal, um visconde. Isso tornava mais fácil ficar fora dos olhos das autoridades locais e evitar ser detectado. Se ele não tivesse se complicado se envolvendo demais com Daphne, talvez Atticus ainda precisasse de muito mais tempo antes de poder resolver o caso desde sua descoberta original durante o Festival do Yuletido.
“Dez peças de ouro que Jean Nott não vai aparecer hoje,” Jonah disse repentinamente. Ele bateu no bolso onde normalmente guardava seu dinheiro, dando a Atticus um sorriso insolente.
“O que te faz ter tanta certeza?” perguntou Atticus.
Eles se movimentaram por linhas e mais linhas de casas dilapidadas, seus narizes ardendo do cheiro familiar das águas de esgoto. Misturado com a chuva, esse cheiro trazia lembranças de sua infância.
Jonah riu. “Você pode ter conquistado uma reputação formidável no campo de batalha, mas não se esqueça de quem é o responsável por todo o planejamento e trabalho de base para você.”
“Hmm…” Atticus murmurou. Depois, deu um sorriso brincalhão. “Sirona?”
“A única coisa que ela estará planejando é o seu funeral se você continuar assim!”
Atticus deu uma gargalhada. “Faça vinte e você tem um acordo.”
“Feito”, Jonah concordou imediatamente.
Esse seria o dinheiro mais fácil que ele teria tirado de Atticus quando terminassem essa missão. Ele já conseguia sentir o sabor das canecas de cerveja que poderia comprar com essa quantia de dinheiro. Para Atticus, não passava de troco. Para as pessoas comuns, essas vinte peças de ouro poderiam sustentar sua subsistência por meses!
Seus passos finalmente pararam quando chegaram ao local onde seria o ponto de encontro previsto, de acordo com o Príncipe Nathaniel.
Atticus tirou um pequeno pedaço de quartzo claro, erguendo-o no ar. Todos esses negócios obscuros definitivamente usariam algum tipo de magia para encobrir suas atividades. O quartzo claro, com suas habilidades de amplificação, seria capaz de detectar até mesmo os menores vestígios de magia. Isso os ajudaria a localizar onde os infratores poderiam estar.
Não demorou mais do que alguns segundos para que o cristal começasse a zumbir nas mãos de Atticus. A dupla se moveu na direção em que a magia era mais forte, tomando cuidado para se manter escondida.
Atticus foi o primeiro a notar a fonte de magia.
A realidade parecia se curvar e distorcer ao redor de uma das casas menores e inconspícuas a uma curta distância, tremulando como se fosse manipulada por uma mão invisível. Ondulações suaves dançavam sobre o chão, desfocando as bordas dos objetos e lançando uma qualidade onírica sobre a paisagem.
“Achei,” murmurou em voz baixa, seus olhos não deixaram a distorção nem uma vez, com medo de que ela desaparecesse se o fizesse. Atticus enfiou a mão no bolso, puxando um pequeno pedaço de selenita que não era maior do que o tamanho da unha do dedo mindinho.
Com um movimento preciso, ele lançou o bloco de selenita no ar. Ele pareceu atingir uma parede invisível, uma ondulação formando-se onde a selenita fez contato com o campo de força que estava ao redor do prédio. Então, começou a se desfazer, revelando um buraco que permitia a Atticus olhar para dentro do prédio real, em vez de através de um véu falso.
Ele rapidamente configurou sua própria camada de magia para que eles não fossem descobertos muito facilmente. Depois, deram uma espiada.