Reclamada pelo Rei Alfa - Capítulo 245
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Capítulo 245: Chapter 245: Consumida pela Fúria
Já fazia três noites desde que o campo de batalha silenciou.
O ar ao redor dos territórios de Alfa Theo e Derrick estava pesado de preocupação.
Sem mensagens, sem visões, nem mesmo um traço de seus cheiros. Era como se o próprio mundo os tivesse engolido.
Kimberly estava sentada em silêncio, olhando para o fogo que se apagava. Suas mãos tremiam enquanto segurava o colar de Theo contra o peito.
Zach a observava de longe, mas não dizia nada. Mohandria caminhava de um lado para o outro, com as sobrancelhas franzidas de frustração.
“Chamamos todos os feiticeiros das quatro regiões”, murmurou Mohandria. “E ainda assim… todos dão a mesma resposta.”
O tom de Zach era sombrio. “Todos dizem que Theo e Derrick estão vivos, mas presos além do mundo dos vivos.”
A voz de Kimberly quebrou o silêncio. “Presos onde?”
“Em um lugar que não responde a encantos nem orações”, disse Mohandria suavemente.
Os lábios de Kimberly tremeram. “Eu sinto a dor dele. Ela vem em ondas. Às vezes não consigo respirar. Às vezes parece que o coração dele é meu.”
“Isso é o seu vínculo”, disse Zach calmamente. “Isso significa que ele ainda está lutando.”
Kimberly virou o rosto na direção dele. “Então continuamos lutando também. Não podemos parar até trazê-lo de volta.”
A sala ficou quieta.
Naquele silêncio, um vento estranho se moveu pelas paredes, quase como um sussurro de outro mundo. Kimberly olhou para cima abruptamente, seu coração batendo acelerado.
“Você sentiu isso?” ela perguntou.
Mohandria assentiu lentamente. “É um sinal. Algo está acontecendo onde eles estão.”
E pela primeira vez desde que Theo desapareceu, uma esperança brilhou fracamente nos olhos de Kimberly.
Enquanto isso, no território do Derrick, a dor de Mona havia se transformado em fúria. Ela estava diante de seus guerreiros, seu rosto pálido por noites sem dormir.
“Ele não pode ter ido embora”, disse ela, sua voz trêmula. “Ele prometeu que voltaria.”
Os homens abaixaram a cabeça. Não tinham coragem de falar.
Mona se voltou para os anciãos. “Vocês disseram que poderiam alcançá-lo através das linhas espirituais. Disseram que poderiam encontrar sua alma.”
O mais velho deles deu um passo à frente. “Tentamos, minha senhora. Mas a escuridão que os envolve rejeita todos os feitiços. Eles estão além do nosso alcance.”
Seu peito subiu e desceu rapidamente. “Vocês são todos inúteis!” ela gritou.
O velho abaixou a cabeça. “A mesma visão veio para todos nós… Alfa Derrick está vivo, mas ligado ao seu maior inimigo. Suas vidas estão entrelaçadas pelo próprio destino.”
Os olhos de Mona se arregalaram. “Ligado… ao Theo?”
“Sim. Os espíritos disseram que se um perecer, ambos cairão.”
Ela se virou, a garganta apertada. “Então essa é a maldição dele”, sussurrou para si mesma. “O próprio homem que ele queria morto agora decidirá sua vida.”
Quando ela encarou a multidão novamente, suas lágrimas haviam desaparecido. “Então encontrem uma maneira de trazê-lo de volta”, ela ordenou.
“Porque eu juro, se Derrick morrer naquela escuridão, a Deusa da Lua não terá descanso por minha causa.”
Sua voz ecoou pelo salão como uma promessa nascida da raiva.
Mas mesmo enquanto sua fúria ardia, um frio percorreu seu coração, um sussurro que ela não podia silenciar. ‘E se o destino já tivesse decidido de outra forma?’
★★★
Naquela mesma noite, Zach e Mohandria se reuniram no antigo santuário fora da fronteira. O vento carregava um zumbido estranho, que não pertencia ao mundo dos homens.
“Tem certeza de que isso vai funcionar?” Zach perguntou.
Os olhos de Mohandria estavam fixos no altar escuro. “Não se trata de funcionar”, ela disse. “É sobre ouvir.”
Eles começaram a cantar, suas vozes se mesclando em ritmo. O ar se espessou. O fogo diante deles explodiu em azul.
Uma visão se formou dentro das chamas, duas figuras acorrentadas na escuridão, cercadas por fumaça vermelha.
A voz de Zach tremia. “São eles.”
Os olhos de Mohandria se arregalaram. “Sim… Theo e Derrick.”
Kimberly correu para frente. “Theo!” ela gritou, mas sua voz desapareceu na visão.
As chamas tremeluziram, e a risada de uma velha preencheu o santuário. “Não os procure,” a voz disse. “A provação deles começou. Se você interferir, condenará ambos.”
“Quem é você?” Mohandria exigiu saber.
A risada ficou mais alta, depois se transformou em sussurros.
“Aquela que testa os condenados,” a voz ecoou fracamente.
O fogo diminuiu e morreu, deixando apenas o silêncio.
Kimberly caiu de joelhos. “Que provação?”
Mohandria sussurrou, “Uma provação pelo fogo… o julgamento do submundo.”
Zach cerrou os punhos. “Então eles estão lutando por suas vidas agora.”
Os olhos de Kimberly se encheram de lágrimas. “E só podemos assistir?”
“Não,” Mohandria disse, seu tom baixo, mas feroz. “Só podemos esperar que o vínculo deles seja mais forte que a morte.”
“Vínculo entre Theo e Derrick? Eles só têm ódio um pelo outro!” Kimberly gritou em agonia e frustração.
★★★
No fundo do submundo, onde até o tempo não tinha voz, Theo e Derrick foram arrastados de suas correntes pela mesma velha que os havia zombado antes. Seu sorriso era torcido, seus olhos frios.
“É hora,” ela disse, sua voz cortando o silêncio. “Vocês enfrentarão a besta de fogo. Apenas os dignos sairão vivos.”
Theo tentou permanecer ereto apesar do cansaço. “Por que nós?”
“Porque ambos carregam sangue e ódio que desafiaram os deuses,” ela sibilou. “E agora, vocês devem provar se valeu a pena.”
O chão tremeu sob eles. As paredes ao redor da câmara explodiram em chamas.
Do centro do fogo surgiu uma criatura massiva, seu corpo inteiramente feito de chamas, seus olhos queimando de ódio. Ela rugiu, e o som abalou o ar.
Derrick deu um passo para trás, respirando com dificuldade. “Você espera que eu lute ao lado dele?”
Theo olhou para ele friamente. “Se não lutar, morrerá.”
A risada da velha ecoou. “Não apenas morrerá. Vocês ambos queimarão, juntos. Pois seus destinos estão ligados.”
A besta se moveu, suas garras flamejantes atingindo o chão. Faíscas voaram por toda parte.
Theo cerrou os punhos. “Não podemos matá-la sozinhos.”
A mandíbula de Derrick se apertou. “Então o que você sugere?”
“Que lutemos juntos,” Theo disse. “Pela primeira vez.”
Derrick o encarou por um longo momento. “Você acha que confio em você?”
Theo sustentou seu olhar. “Você não precisa confiar em mim. Apenas não morra.”
A besta rugiu novamente, seu corpo se expandindo. O calor encheu a câmara, queimando sua pele.
Pela primeira vez em suas vidas, Derrick e Theo ficaram lado a lado.
O ódio entre eles ainda estava lá, mas por baixo dele, algo mais tremeluzia. Compreensão.
Theo falou baixinho, seus olhos fixos no fogo. “Nossas vidas estão ligadas. Se um de nós cair, o outro queima. Essa é a regra.”
Derrick deu uma risada seca. “Então acho que estou preso a você, Theo.”
Ambos enfrentaram a criatura enquanto ela dava outro passo em direção a eles, o fogo rodopiando como uma tempestade.
A voz da velha levantou novamente, fria e alegre. “Lutem… e deixem que o fogo decida seu destino.”
A besta rugiu, chamas preenchendo a câmara, e ambos os Alfas avançaram, lado a lado, e quando suas mãos tocaram o fogo, o mundo ao redor deles se despedaçou em luz.