Reclamada pelo Rei Alfa - Capítulo 238
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Capítulo 238: Chapter 238: Consumida pela Fúria
A lua estava escondida atrás de nuvens espessas naquela noite, lançando um estranho silêncio sobre o acampamento.
A busca por Alfa Theo continuava há dias sem descanso. Todos os rastreadores, todos os guerreiros, todos os feiticeiros leais a ele haviam unido forças, mas os resultados eram os mesmos, nada além de trilhas quebradas e cheiros que desapareciam.
Elijah estava diante do fogo tremeluzente, suas roupas encharcadas de suor e poeira. Ele apertava o pingente que Theo um dia lhe dera antes de partir para o ritual de fortificação.
“Ele está vivo,” Elijah murmurou para si mesmo. “Eu ainda posso sentir isso.”
Lucian se aproximou por trás, seu rosto sombrio. “Os homens estão cansados. Alguns querem voltar. Eles acreditam que a floresta está amaldiçoada.”
Elijah virou-se bruscamente. “Você também acredita nisso?”
Lucian hesitou. “Eu acredito que há algo mais sombrio em ação. As matas mudaram… Eu ouvi sussurros no vento. Não eram os espíritos, era outra coisa.”
O maxilar de Elijah se apertou. “Então vamos lutar contra isso. Eu não me importo o que é. Até eu ver o corpo do alfa Theo, nunca vou acreditar que ele se foi.”
Lucian suspirou e abaixou a cabeça. “Você tem seu fogo, Elijah. Apenas certifique-se de que ele não o queime também.”
A noite se aprofundou. Um estranho grito ecoou de longe, nem humano nem besta. Ambos os homens congelaram, seus olhos se voltando para as sombras.
Elijah agarrou seu punhal, seu coração batendo forte. “Fique pronto,” ele sussurrou. “Algo está nos observando.”
Mas antes que Lucian pudesse responder, o grito desapareceu, deixando apenas silêncio e a sensação de que algo terrível estava se aproximando.
Enquanto isso, na mansão de Derrick, Mona sentou-se diante do espelho, escovando o cabelo lentamente. Seu reflexo parecia pálido, assombrado.
Ela não dormia há dias. Derrick estava em silêncio desde o dia em que ordenou que seus guerreiros se espalhassem pelos territórios em busca do rastro de Theo.
O silêncio estava devorando-a viva.
Ela se levantou e caminhou até a janela, olhando para as colinas distantes. “Onde você está, Derrick?” ela sussurrou. “Por que sinto que você está perdendo o controle?”
Seus pensamentos foram interrompidos quando um dos anciãos entrou apressadamente na sala. “Luna Mona, acabamos de receber uma notícia. Os homens do Alfa Derrick encontraram vestígios de sangue perto da fronteira oeste. Pode pertencer ao Alfa Theo.”
A mão de Mona apertou a cortina. “E meu marido?”
“Ninguém o viu desde a noite passada,” disse o ancião nervosamente.
Seu peito arfou. “Ele está fazendo algo tolo novamente…”
Ela andou pela sala, então de repente parou. “Convoque o curandeiro. Prepare a câmara ritual.
Se Theo estiver vivo e por perto, isso significa que Derrick não vai parar por nada. Preciso estar pronta para o que quer que ele traga de volta, vivo ou morto.”
O ancião fez uma reverência e saiu.
Mona virou-se novamente para o espelho. Por um momento, pensou ter visto uma sombra atrás de seu reflexo, um sorriso feminino tênue, frio e conhecedor.
Mona piscou, mas havia desaparecido. Seu pulso acelerou quando seu reflexo tremeluzia mais uma vez.
★★★
Dentro da câmara de cura escondida, Mohandria abriu lentamente os olhos. Sua respiração era superficial, seu corpo fraco e trêmulo. Kimberly sentou-se ao seu lado, segurando sua mão firmemente.
“Você esteve adormecida por três dias,” Kimberly disse suavemente, alívio em seu rosto. “Você nos assustou a todos.”
Mohandria lutou para se sentar, seus olhos turvos, mas ainda ferinos. “Onde… ele está?”
“Elijah e os outros ainda estão procurando,” Kimberly respondeu. “Ainda não o encontramos.”
O olhar de Mohandria se tornou distante. “Não… não encontrado, mas sentido. Sua alma não se foi.”
Kimberly franziu a testa. “Então, onde ele está? O que aconteceu durante o ritual?”
Mohandria fechou os olhos por um momento, murmurando palavras antigas embaixo de sua voz.
“Algo deu errado. A energia do rito foi perturbada. Ele ficou preso entre os planos espiritual e mortal. É por isso que você não pode senti-lo completamente.”
Os olhos de Kimberly se encheram de preocupação. “Existe alguma maneira de trazê-lo de volta?”
Mohandria olhou para ela atentamente. “Apenas um ser tem o poder de fazer a ponte entre esse reino agora… sua mãe.”
Kimberly congelou. “Minha mãe?”
“Sim,” Mohandria disse, debilmente. “Ela carrega o vínculo de sacrifício. Se ela agir, a barreira pode romper, mas o custo será pesado.”
O coração de Kimberly disparou. “Então vamos encontrá-la. O que for preciso, eu vou salvá-lo.”
Mohandria estendeu a mão, segurando a mão de Kimberly. “Cuidado com o que deseja, Deusa da Lua. O universo sempre exige equilíbrio.”
Dois dias depois, o ar ao redor da mansão estava pesado e imóvel. Kimberly se sentava em seu quarto ao lado de Mohandria, o silêncio quebrado apenas pelo som distante do vento. Mohandria ainda parecia fraca, mas estava recuperando forças lentamente.
Kimberly olhava para a pequena tigela de água cintilante diante dela.
A visão que ela tinha visto dias atrás continuava se repetindo em sua mente, a imagem de Theo, preso na escuridão, chamando seu nome.
“Não consigo parar de pensar no que vi,” Kimberly disse suavemente. “Ele parecia tão quebrado… tão perdido.”
Mohandria levantou seus olhos cansados. “Aquilo não foi um acidente, Kimberly. As forças sombrias usaram essa visão para provocar suas emoções, para torná-la imprudente.
Era uma armadilha destinada a atraí-la para a raiva. Mas você se manteve calma, e isso a manteve protegida.”
Kimberly acenou lentamente, embora seu coração ainda doesse. “Então ele ainda está vivo… em algum lugar por aí?”
“Sim,” Mohandria disse. “Ele vive. E porque ele vive, ainda podemos trazê-lo de volta. O vínculo entre vocês dois está intacto.”
De repente, um ruído alto irrompeu do lado de fora, como o estalo de um raio, seguido por gritos e suspiros. Ambas as mulheres congelaram.
Mohandria esforçou-se para ficar de pé. “Algo está acontecendo.”
Elas apressaram-se para fora do quarto, correndo pelo corredor. O som aumentava, vozes chamando, passos apressados. Quando chegaram ao pátio, Kimberly parou abruptamente.
Seu coração quase parou.
Alfa Theo estava caminhando em direção a elas, seus passos instáveis, suas roupas rasgadas e manchadas de sangue. Seu rosto estava pálido, seus olhos opacos, mas ele estava vivo.
Atrás dele caminhava a mãe de Kimberly, calma, sorrindo levemente, embora sua pele parecesse fantasmagoricamente pálida.
Kimberly ofegou. “Mãe?”
Os olhos de Mohandria se arregalaram. “Ela o libertou… mas a que custo?” ela sussurrou, as palavras mal saindo de seus lábios, mas altas o suficiente para Kimberly ouvir.
Kimberly correu para Theo, segurando-o antes que ele caísse. Ele tremia, fraco, sua respiração superficial.
Ela o abraçou apertadamente, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. “Theo, você está vivo… você voltou para mim.”
Ele tentou falar, mas não vieram palavras, apenas um som suave e quebrado.
Kimberly se virou para sua mãe. “Como você o tirou? O que você fez?”
Sua mãe sorriu levemente, seus olhos brilhando com dor. Ela abriu a boca para falar, mas antes que pudesse, sangue escorreu de seus lábios. Ela desabou no chão.
“Mãe!” Kimberly gritou, caindo ao lado dela.
O rosto de Mohandria ficou pálido. “Não… não… ela trocou sua alma pela liberação dele!” ela gritou.
O ar ficou frio. O céu escureceu sobre elas. O corpo da mãe de Kimberly tremia, sua respiração desaparecendo. Theo caiu ao lado dela, inconsciente mais uma vez.
Mohandria ajoelhou-se rapidamente, recitando palavras antigas, mas suas mãos tremiam. “O equilíbrio foi quebrado,” ela sussurrou. “E a escuridão virá buscar o que é devido.”
Kimberly segurou a mão inerte de Theo, suas lágrimas caindo sobre sua pele machucada.
À medida que a última centelha de luz da lua enfraquecia, as tochas ao redor delas apagavam uma por uma, deixando apenas o silêncio e o eco das palavras finais de Mohandria.
“Suas almas estão ligadas agora… e apenas uma se levantará novamente.”