Reclamada pelo Rei Alfa - Capítulo 237
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Capítulo 237: Chapter 237: Consumida pela Fúria
A alvorada chegou fria e silenciosa, mas nada parecia pacífico dentro da casa de segurança.
A notícia do desaparecimento de Theo se espalhou como fogo pelas alcateias. Cada guerreiro procurava dia e noite, mas ainda não havia sinal dele.
Kimberly sentou-se à janela, seus olhos fixos no horizonte distante. Ela não havia dormido, nem por um momento. Seus pensamentos eram pesados, seu coração se partindo sob o peso da incerteza.
Sua mãe entrou silenciosamente. “Você precisa comer, minha filha. Você não comeu nada desde ontem.”
A voz de Kimberly saiu fraca. “Como posso comer quando não consigo nem respirar sabendo que ele pode ter partido para sempre?”
Sua mãe sentou-se ao lado dela. “Theo é forte. Se ele foi levado, está lutando para voltar para você.”
Kimberly virou-se bruscamente. “Lutando contra o quê, mãe? Nós nem sabemos quem o levou! Não sabemos por onde começar!”
Sua mãe suspirou profundamente. “Você precisa acalmar seu espírito. Mohandria acabou de acordar e está pedindo por você.”
Os olhos de Kimberly se arregalaram. “Ela está acordada?”
Sua mãe assentiu suavemente. “Mas ela está fraca. Seja qual for o feitiço que ela usou, drenou a maior parte de sua força vital. Ela pode não ter muita força restante.”
Kimberly levantou-se imediatamente, seu coração batendo forte. Pela primeira vez desde que Theo desapareceu, ela sentiu uma centelha de esperança, talvez Mohandria lembrasse de algo, qualquer coisa que pudesse levá-los até ele.
Ela correu pelo corredor, seus pés descalços, sua mente desesperada por respostas.
Mohandria estava deitada na cama, seu rosto pálido, sua respiração fraca. O ar ao redor dela estava pesado com o cheiro de ervas antigas. Kimberly sentou-se ao seu lado, segurando sua mão gentilmente.
Mohandria abriu os olhos lentamente. “Kimberly…” ela sussurrou baixinho. “A escuridão… está se espalhando.”
Kimberly inclinou-se mais perto. “Por favor, me diga o que você viu. Você sabe onde Theo está?”
A sacerdotisa lutou para falar. “Eu o vi em correntes… um quarto feito de sombras… guardado por forças que não são deste mundo.”
Os olhos de Kimberly se encheram de lágrimas. “Então ele está vivo! Me diga onde ele está, por favor!”
Mohandria balançou a cabeça fracamente. “O caminho está oculto por magia de sangue. Quem o levou mascarou sua localização tanto do mundo espiritual quanto dos vivos. Nem mesmo a Lua pode encontrá-lo.”
A voz de Kimberly tremia. “Deve haver um jeito. Eu farei qualquer coisa para trazê-lo de volta.”
Mohandria olhou para ela com tristeza. “Você não deve agir com raiva. Katherina se alimenta de raiva e desespero. Ela quer que seu poder seja liberado antes do tempo.”
Kimberly franziu a testa. “Então isso é obra dela?”
“Sim,” Mohandria sussurrou. “Ela enviou o sonho. Ela quer que você acredite que Theo está morto. Essa crença alimenta seu controle.”
Os olhos de Kimberly escureceram. “Então eu a destruirei. Eu mesma acabarei com isso.”
O aperto de Mohandria apertou sua mão. “Não, Kim. Se você agir com fúria, se tornará seu receptáculo.”
A voz de Kimberly quebrou. “Então me diga o que fazer. Eu não posso ficar sentada aqui esperando enquanto ele sofre.”
O olhar de Mohandria mudou-se para a janela. “Há um jeito… mas vem com um preço.”
“Qual preço?” Kimberly perguntou, sua voz desesperada.
Os lábios de Mohandria tremeram. “Você deve entrar no reino entre luz e sombra, um lugar proibido onde o tempo para. Mas se entrar sem orientação, sua alma pode nunca mais retornar.”
Kimberly hesitou, seu coração batendo mais rápido. “Se é isso que é preciso para encontrá-lo, eu irei.”
Mohandria balançou a cabeça levemente. “Ainda não. Você deve primeiro fortalecer seu laço com a Lua. Só então você sobreviverá à travessia.”
Kimberly abaixou a cabeça, lágrimas escorrendo silenciosamente por suas bochechas. “Então me ajude, Mohandria. Ajude-me a trazê-lo de volta para casa.”
A sacerdotisa sorriu debilmente. “Quando a lua sangrar vermelha novamente, eu ajudarei. Até lá, você não deve sonhar sozinha.”
★★★
A milhas de distância, no fundo da floresta, os renegados se reuniam novamente. Seu líder mascarado estava ao lado de uma marca em chamas desenhada na terra. O ar cheirava a sangue e fumaça.
“O tempo se aproxima,” um dos renegados disse. “A matilha do Alfa Derrick está se preparando para a guerra. Se atacarmos durante o caos, ninguém nos deterá.”
O homem mascarado assentiu. “O mundo finalmente se lembrará de nós, os esquecidos. As alcateias se destruirão e tomaremos tudo o que deixarem para trás.”
Uma renegada deu um passo à frente. “E quanto à Deusa da Lua? Sua ira poderia destruir tudo, inclusive nós.”
O homem mascarado virou-se lentamente para ela. “É por isso que devemos servi-la antes que ela desperte completamente. Se ela nos vir como inimigos, nenhum de nós sobreviverá.”
Outro renegado sussurrou, “E quanto a Katherina? Dizem que ela caminha novamente entre as sombras.”
Os olhos do líder brilharam sob a máscara. “Se ela se levantar, trará ruína para todos. Mas até lá, usamos o caos dela como cobertura. Quando a batalha entre os Alfas começar, atacamos ambos os lados. Sem misericórdia.”
Os renegados rosnaram em concordância.
Então, da escuridão atrás deles, uma figura surgiu. Era alta, encapuzada, com olhos brilhantes prateados.
Os renegados se enrijeceram.
O líder mascarado avançou. “Quem ousa entrar no meu acampamento sem ser convidado?”
A voz do estranho era calma e profunda. “Alguém que sabe onde Alfa Theo está guardado.”
O tom do líder mudou instantaneamente. “E o que você quer em troca dessa informação?”
O estranho sorriu de leve. “Quando a hora chegar, você saberá. Mas cuidado, se a Deusa da Lua despertar antes do momento certo, sua rebelião queimará antes de começar.”
Antes que alguém pudesse falar novamente, a figura desapareceu no ar, deixando apenas um sussurro no vento.
O líder encarou o ar vazio onde o estranho esteve. “Descubra quem era,” ele ordenou friamente. “Ninguém entra no meu acampamento e desaparece assim.”
★★★
A lua estava cheia novamente naquela noite, e o ar ao redor da casa segura carregava uma estranha quietude. Kimberly estava sentada do lado de fora, junto ao lago, sua reflexão tremendo na superfície da água.
Sua mãe se aproximou devagar, envolvendo um xale ao redor dos ombros. “Você deveria entrar. O ar da noite não é bom para você.”
Kimberly não se moveu. “Mãe… você acredita que ele ainda está vivo?”
Sua mãe hesitou, seu coração doendo com a dor na voz de Kimberly. “Sim. Eu tenho que acreditar que ele está.”
Kimberly olhou para a lua. “Então por que sinto algo me afastando dele? É como se o vínculo que compartilhamos estivesse desaparecendo.”
Sua mãe sentou-se ao seu lado. “Porque alguém está se alimentando da sua conexão. Alguém quer quebrá-la completamente.”
Kimberly se virou. “Katherina.”
Sua mãe assentiu. “Se Mohandria está certa, então ela já está dentro dos seus sonhos. Você não deve dormir sem proteção esta noite.”
Kimberly olhou de volta para a água, sua reflexão ondulando com a passagem do vento. “Não a temo, mãe. Temo o que posso me tornar se Theo não voltar.”
Os olhos da sua mãe brilhavam. “Então segure-se em quem você é. Não importa o que aconteça.”
Enquanto se sentavam em silêncio, o ar mudou de repente. A água à sua frente ondulou de forma anormal, e um leve sussurro ecoou, uma voz masculina, baixa e distante.
“Kimberly…”
Kimberly congelou. Sua mãe olhou em volta, confusa.
“Você ouviu isso?” Kimberly sussurrou.
“Sim,” sua mãe respondeu, tremendo. “Soava como…”
“Como Theo,” Kimberly disse, levantando-se abruptamente. “É ele. Ele está me chamando.”
Mas antes que ela pudesse se mover mais perto, a reflexão no lago escureceu. Uma sombra se espalhou pela superfície, engolindo a luz da lua.
Kimberly arfou enquanto a sombra se formava em uma forma tênue, a figura de Theo, acorrentado e sangrando, estendendo-se para ela.
“Kimberly… não confie… em ninguém…” a voz dele se quebrou, ecoando no silêncio.
Sua mãe gritou seu nome enquanto Kimberly caía de joelhos, segurando o peito. O ar ficou mais frio, e por um breve momento, a lua em si escureceu.
Então, tão repentinamente como começou, a visão desapareceu. O lago voltou à quietude, mas a marca de sangue permaneceu na superfície da água, brilhando levemente sob o luar.
Kimberly olhou para ela, o coração disparado. “Ele está vivo,” ela sussurrou. “Mas ele está em perigo.”
Sua mãe a segurou firmemente. “Nós o encontraremos, eu prometo.”
Mas nenhuma delas notou o par de olhos vermelhos observando da borda da floresta, olhos cheios de fome, vingança e loucura.
A sombra moveu-se silenciosamente, sua voz um sussurro de morte… “Começa esta noite.”