Reclamada pelo Rei Alfa - Capítulo 221
Capítulo 221: Capítulo 221
Kimberly segurou o volante, olhos fixos na estrada à frente enquanto o silêncio dentro do carro se tornava pesado.
A mulher ao seu lado, que alegava ser sua mãe, esteve quieta durante toda a viagem.
Kimberly estava perdida em seus próprios pensamentos.
*Tudo está acontecendo rápido demais… Derrick, Mona, Katherina, os ritos de fortificação… Será que haverá alguma pausa?*
De repente, a mão da mulher disparou e agarrou o painel.
“Pare o veículo agora!” ela disse com firmeza, sua voz apertada com urgência.
Kimberly piscou, assustada. “O quê?” ela engasgou, seu coração pulando.
Mas quando viu o terror nos olhos da mulher, ela não argumentou. Procurou um lugar seguro e rapidamente encostou na beira da estrada.
Quando o carro estava estacionado, Kimberly se virou para ela com confusão. “O que está acontecendo? Por que você me pediu para parar?”
A mulher não falou imediatamente. Ela olhou para frente, seu rosto pálido, e depois virou-se lentamente para Kimberly.
“Não me diga que você não ouviu nada enquanto estava dirigindo?” ela perguntou, seus olhos fixos em Kimberly.
“Ouvi algo?” Kimberly repetiu, franzindo o cenho.
“Não, eu não ouvi nada. Estive na minha cabeça o tempo todo. Apenas… pensando.”
A mulher soltou um suspiro cansado e balançou a cabeça em frustração. “Pobre criança. Você ainda não desbloqueou todos os seus dons.”
Kimberly sentiu um arrepio subir pela espinha. “O que você quer dizer?”
A mulher olhou ao redor, cautelosa, e então abaixou a voz.
“Eu estive ouvindo antigas invocações. Repetidas. Cantadas com propósito. E eu tenho certeza, elas são para você.
Alguém está convocando espíritos das trevas. Esta magia… é destinada a te alcançar. A te enfraquecer.”
O rosto de Kimberly congelou. “Mas como? Por que eu não consigo ouvir?”
“Porque você ainda não está totalmente desperta. Seus dons, sua herança, ainda estão escondidos sob confusão, dúvida, medo. Mas criança… esses poderes são seu direito de nascença.”
*Ela deve estar inventando isso. Certo?*
“Não, eu não estou pregando peças em você,” a mulher disse suavemente, seu olhar inabalável.
“Eu consigo ouvir seus pensamentos, lembra? Isso também é algo que você deveria ser capaz de fazer agora.”
Os olhos de Kimberly se arregalaram. Sua garganta apertou, e ela abriu a boca para falar, mas então—
Uma fumaça negra explodiu do chão do carro como uma bomba.
Ela serpenteou dos ventiladores de ar e debaixo dos assentos, sufocando o ar com um cheiro podre.
“O que…” Kimberly mal conseguiu dizer as palavras antes que a fumaça começasse a se torcer, formando figuras sombrias, parecidas com sombras.
Com forma humana, braços longos e mãos com garras, elas se esticavam em direção a elas.
Kimberly tentou se mover, mas as figuras de fumaça agarraram seus pulsos e ombros, prendendo-a contra o assento.
“Não… Não!” ela gritou, sua voz afogada na fumaça espessa.
Ela começou a recitar invocações, aquelas que ela havia aprendido na África, passadas para ela pelo sacerdote e Mohandria.
“*Faru menash… ek talvira…*”
Mas nada funcionou.
*Esta é uma magia negra muito forte… Não consigo nos livrar dela!*
A mulher ao seu lado também estava sendo puxada para trás, seu corpo ligeiramente convulsionando sob a pressão da fumaça.
Mas seus olhos estavam ardendo com determinação.
Então, numa voz tão profunda e antiga que quase não parecia humana, ela começou a cantar.
“*Ormeh za’kul… dashi’ta rein… Korlaih!*”
Quando as palavras saíram de seus lábios, uma explosão de fumaça branca apareceu, brilhando com uma luz estranha.
Ela se enrolou e torceu na forma de um ser humanoide. A figura soltou um grito silencioso, e as sombras negras começaram a recuar.
Uma por uma, as formas escuras foram engolidas pela fumaça branca brilhante, gritando silenciosamente enquanto se dissolviam.
Em questão de momentos, o carro estava limpo. O ar se tornou leve novamente. Kimberly arfou por ar, olhando ao redor em descrença.
*Ela é mais poderosa do que eu pensei,* Kimberly percebeu, seus olhos fixos na mulher.
Mas antes que ela pudesse falar, a cabeça da mulher se inclinou ligeiramente para o lado.
Seus lábios tornaram-se vermelhos, e o sangue começou a escorrer de sua boca.
“Você está bem? Você pode me ouvir?” Kimberly gritou, alcançando-a.
A mulher acenou debilmente, forçando um sorriso. “Sim… Estou bem. Mas… usei mais do que deveria.”
Mais sangue pingou de seus lábios.
O coração de Kimberly começou a disparar. “Preciso levar você ao hospital. Agora.”
Ela moveu-se para ligar o carro, mas a mulher agarrou sua mão, balançando a cabeça fracamente.
“Não… não ao hospital,” ela sussurrou. “Só me leve para casa… para meu quarto. Recuperarei minhas forças lá.”
Kimberly não perdeu mais um segundo. Ela ligou o carro e dirigiu o mais rápido que pôde, seu coração batendo como um tambor.
Dez minutos depois, ela parou na casa.
Enquanto ela corria para abrir a porta, Theo e Elijah estavam do lado de fora, conversando profundamente. Eles viram Kimberly lutando e correram para ela.
“O que está acontecendo?” Theo perguntou, alarmado.
“Por que você está trazendo ela aqui em vez do hospital?” Elijah acrescentou.
“Ela disse que vai melhorar uma vez que estiver lá dentro,” Kimberly respondeu rapidamente.
Juntos, eles carregaram a mulher gentilmente para dentro e subiram as escadas até seu quarto.
Ela estava ficando mais fraca, seu corpo pesado, mas sua respiração permaneceu estável.
Uma vez na cama, ela finalmente relaxou. Sua pele recuperou alguma cor. Sua respiração se acalmou.
Elijah estava ao lado da janela, observando os céus como se esperasse algo cair de cima. Theo olhou para Kimberly.
“O que aconteceu?” ele perguntou novamente, suavemente mas com firmeza.
Kimberly se sentou na beira da cama, suas mãos tremendo.
“É uma longa história,” ela sussurrou. “Vou contar tudo mais tarde. No momento… só quero me certificar de que ela está bem.”
Theo assentiu, mas seus olhos ainda estavam cheios de perguntas.
Alguns minutos se passaram. A mulher adormeceu tranquilamente. Seu peito subia e descia ritmicamente. Seu corpo não tremia mais.
Kimberly a observou por um momento, então se levantou e se virou para Theo. Seu rosto estava pálido. Seus lábios tremiam.
Theo viu o medo em seus olhos. “Kimberly…” ele disse suavemente.
Ela olhou para ele, sua voz baixa e séria.
“Temos uma força maior, mais sombria e mais perigosa vindo contra nós.”
O rosto de Theo tornou-se sombrio. Ele não falou. As palavras de Kimberly pairavam no ar como uma maldição.