Reclamada pelo Rei Alfa - Capítulo 217
Capítulo 217: Capítulo 217
A noite mal havia se acomodado quando os olhos de Derrick se abriram de repente.
Seu peito arfava, e o suor frio empapava sua pele. O quarto estava quieto, mas ele podia sentir a presença dela, sua presença assombrosa.
“Você ainda pensa que pode controlar tudo?” veio uma voz como veludo ensopado em veneno.
Ele se virou bruscamente, mas o quarto estava vazio. Seu coração disparava. Ele cerrava os punhos.
“Este é o meu momento!” Derrick rosnou, mas a voz riu zombeteiramente.
“Idiota… Você pode reunir suas armas, fazer seus pactos sombrios, mas você se esquece, eu sou Katherina.
Eu não peço. Eu tomo.” A voz dela ecoava pelos cantos da mente dele.
Então ela apareceu, brilhando, seus olhos ardendo em vermelho. O ar ficou mais denso, e sombras dançavam selvagemente pelas paredes.
“Você não será nada além de uma sombra sob meu reinado,” ela sibilou.
Derrick balançou a cabeça e se levantou. “Eu nunca me curvei para ninguém antes, e não vou começar agora.”
Katherina deu um passo à frente. “Você não é forte o suficiente sozinho. Até seus feiticeiros te trairão. O trono é meu.”
“Não enquanto eu ainda respirar,” Derrick cuspiu, fogo em seu tom.
Katherina deu um sorriso gelado. “Veremos, Derrick. Veremos.”
Ela desapareceu em meio ao nevoeiro. O quarto voltou ao silêncio, mas Derrick sentou na beirada da cama, punhos cerrados, mandíbula tensa.
*Nem mesmo pesadelos me assustarão. Cheguei longe demais.* pensou Derrick, enquanto encarava a parede de seu quarto.
De manhã, Lucian encontrava-se diante de Elijah no corredor oriental da residência de Alfa Theo.
Elijah cruzou os braços, olhos fixos em uma direção diferente, como se sua mente estivesse em outro lugar.
“Você está partindo agora?” Elijah perguntou.
Lucian assentiu. “O Alfa deu a instrução antes de partir. Devo monitorar as casas seguras e mover o velho vidente se o perigo voltar.”
Elijah se aproximou. “Há murmúrios. Derrick está ficando desesperado. Não confie em ninguém fora do círculo interno.”
“Eu entendo. Mas e quanto ao supremo sacerdote chefe? Ainda nenhuma notícia?” perguntou Lucian.
As sobrancelhas de Elijah se franziram. “Nada. É como se ele tivesse desaparecido.”
*Não posso contar a ninguém que ele está sob minha custódia… Tenho que seguir exatamente como o alfa ordenou,* pensou Elijah.
Lucian assentiu sombriamente. “Então serei cuidadoso.”
Elijah lhe deu um firme tapa no ombro. “Alfa Theo confiou em você por uma razão. Não o decepcione.”
“Não o farei.” disse Lucian, enquanto se afastava de onde ele e Elijah estavam.
★★★
Enquanto isso, no quarto escuro de Derrick, o fogo crepitava em sua lareira, mas não aquecia o frio em seu peito.
Ele se recostou, a voz de Katherina ainda pairando em seus pensamentos.
Então, as palavras dela se sobrepuseram à memória da mulher, a suposta mãe de Kimberly, que o havia encarado diretamente nos olhos e o desafiado.
*”Deixe Theo e Kimberly em paz… para o seu próprio bem.”*
O tom dela tinha sido calmo. Mas a mensagem, isso o abalou mais do que ele admitia.
*Ela sabia de algo. Algo que eu não sei.*
Ele se levantou, andando de um lado para o outro.
“Chega de jogos,” ele murmurou. “Se eles não se curvarem, então quebram.”
Ele pegou o telefone e discou.
“Murillo,” Derrick disse quando a chamada conectou.
“Alfa Derrick, meu caro amigo,” veio a resposta.
“Murillo, preciso que você mobilize o primeiro esquadrão.
Quero que aqueles anciãos que se levantaram contra mim desapareçam. Sem barulho. Sem bagunça. Apenas silêncio.”
“Como desejar,” respondeu Murillo com uma calma sombria.
Derrick encerrou a ligação.
*Eles acham que podem me trair e sair impunes? Vou lembrá-los de quem carrega o chicote.* pensou Derrick com um olhar furioso.
Tarde daquela noite, três membros do conselho dos anciãos se reuniram secretamente em uma das casas de fronteira, discutindo os eventos recentes.
O Ancião Ethan foi o primeiro a falar.
“Não ouvi nada dos outros. Nem mesmo do sacerdote chefe.”
“Devíamos ter ficado neutros,” murmurou um dos outros.
“Não. Ficar em silêncio nos torna culpados,” respondeu o Ancião Ethan. “Mas se Derrick nos encontrar…”
Justamente então, um som do lado de fora. Alto. Passos. Então silêncio.
“O que foi isso?” sussurrou um dos anciãos, coração acelerado.
Antes que pudessem reagir, a porta explodiu. Homens vestidos de preto entraram, mascarados, segurando armas.
“Não se movam!” latiu o líder.
Os anciãos congelaram.
“Somos apenas conselheiros! Vocês não—”
Um único tiro foi disparado. Um dos anciãos caiu.
O Ancião Ethan ergueu as mãos. “Espere! Você não precisa…”
Outro tiro.
O terceiro ancião caiu de joelhos. “Por favor”
Mas os homens se viraram, desaparecendo na noite tão rapidamente quanto haviam vindo.
De volta à residência de Derrick, ele se serviu de uma bebida.
Alvin entrou momentos depois.
“Está feito,” Alvin disse baixinho.
Derrick deu um gole, olhando para as chamas. “Que isso sirva de lição para os demais.”
“Mas e quanto ao supremo sacerdote chefe? Ainda nenhuma notícia.”
Derrick se virou, a frustração apertando seu maxilar.
“Não me importa quanto tempo leve. Encontrem-no. Ele não pode continuar se escondendo para sempre.”
Alvin assentiu. “E se ele não for encontrado?”
Os olhos de Derrick se estreitaram. “Então arrastamos todos os sacerdotes de seus buracos e queimamos seus livros até ele aparecer.”
Alvin se curvou e deixou o quarto.
Derrick se recostou, as sombras se aprofundando.
*Eu avisei a todos eles. Agora eles aprenderão.*
★★África★★
Enquanto isso, longe na África, Kimberly sentava-se silenciosamente, olhos fechados, enquanto o fogo do círculo ritual ainda tremeluzia dos ritos anteriores.
Theo estava ao lado dela, segurando sua mão.
Mohandria sentava-se à frente deles, sussurrando para um dos anciãos africanos.
“Ainda não terminamos,” disse de repente o ancião, levantando-se. “Há mais perigo à frente.”
Theo olhou para cima. “Que perigo?”
O ancião fez uma pausa. “Um poder mais sombrio do que o de Derrick. Algo antigo. Algo que quer Kimberly mais do que quer poder.”
Mohandria franziu a testa. “É sua linhagem.”
Theo se virou bruscamente para Kimberly.
“Do que ele está falando?”
O coração de Kimberly disparou.
“Eu… não sei,” ela sussurrou, mas sua voz tremia.
Theo cerrou a mandíbula.
“Há algo que você não está me contando,” ele disse baixinho.
Kimberly desviou o olhar.
O ancião se aproximou. “O vínculo só durará se não houver sombra entre vocês.”
Theo olhou profundamente em seus olhos. “Kimberly, seja o que for, enfrentaremos juntos.”
As mãos dela tremeram nas dele.
“Eu preciso de tempo,” ela sussurrou.
Theo assentiu, mas sua mente corria.
*O que mais eu não sei?* pensou Theo, parecendo muito preocupado e curioso.
De volta à casa de Derrick, a noite caiu pesada. Ele estava sozinho em seu quarto privado, olhos vermelhos, mente inquieta.
Ele acendeu uma vela preta e ficou olhando para a chama.
“Katherina… Você acha que governará?”
A chama tremeluzqueou violentamente.
“Eu vou esculpir meu trono com sangue se for necessário.”
De repente, a chama ficou azul.
Derrick deu um passo para trás.
Um sussurro ecoou pelo quarto. Fraco. Antigo. Sombrio.
“Derrick…”
Ele rangeu os dentes.
“Você não me assusta.”
A voz riu.
“Deveria.”
E então o silêncio, enquanto todo o quarto subitamente caiu na escuridão e Derrick pôde ouvir passos de centenas de pessoas se aproximando dele.
Em outro lugar, ainda escondido na mansão de alfa Theo, o supremo sacerdote chefe estava sentado em uma caverna tranquila, cercado por pergaminhos antigos e velas.
Ele parecia cansado, mas seus olhos queimavam com determinação.
“Eles fizeram o movimento deles. Agora devemos fazer o nosso,” ele disse suavemente para si mesmo.
Lá fora, o vento uivava. Uma tempestade estava se aproximando.
E todos os lados estavam se preparando para a guerra que abalaria tudo.
★★O Último Julgamento★★
O fogo no centro do círculo rugia mais alto do que nunca, suas chamas dançando loucamente enquanto cânticos antigos ecoavam dos feiticeiros ao redor de Theo e Kimberly.
Ambos estavam parados, mãos fortemente entrelaçadas, seus olhos fixos na fumaça azul que espiralava ao redor deles.
Zack deu um passo à frente. “Este é o rito final,” ele disse, com voz profunda e firme.
“Vocês dois enfrentarão aquilo que mais temem. Apenas conquistando-o, o ritual estará completo.”
O maxilar de Theo se apertou. O aperto de Kimberly em sua mão ficou mais firme.
“Estamos prontos,” Theo disse sem hesitação.
“Fechem os olhos,” instruíu Zack.
No momento em que seus olhos se fecharam, o chão tremeu levemente.
O ar ficou pesado, e um zumbido profundo encheu seus ouvidos. Em um instante, tudo ao redor deles desapareceu.
A escuridão os engoliu por completo.
Theo piscou. Ele não estava mais no círculo.
Ele estava nas ruínas de sua casa de infância, o cheiro de fumaça espesso no ar.
Gritos ecoavam de todos os cantos. Fogo ardia ao redor.
Ele se virou e lá estava ela.
Sua mãe.
Sangrando. Chorando. Estendendo a mão para ele.
“Theo… por que você não me salvou?” sua voz tremia.
“Não, não. Eu tentei! Eu era apenas um garoto!” Theo gritou, recuando.
“Você me viu queimar,” ela sussurrou.
“Eu não sabia o que fazer!” Theo gritou, caindo de joelhos.
De repente, o rosto dela se transformou, queimado, vazio, assombroso.
“Eu morri porque você era fraco,” ela rosnou.
Theo gritou. Mas naquele grito, algo mudou.
“Não…” ele disse entre dentes cerrados. “Eu era uma criança. Mas não sou mais.”
Ele se levantou, punhos cerrados. “E nunca mais fugirei de nada. Nem mesmo da minha culpa.”
As chamas morreram instantaneamente. A visão se despedaçou como vidro.
Enquanto isso, Kimberly estava sozinha em uma floresta enevoada. As árvores sussurravam seu nome, seus galhos se torcendo como garras.
Das sombras, uma figura apareceu.
Katherina.
Sorrindo. Fria. Poderosa.
“Você nunca estará livre de mim, Kimberly,” disse Katherina, circulando-a.
Kimberly ficou paralisada.
“Você é apenas uma garota fraca com uma linhagem amaldiçoada,” Katherina sibilou.
“Você destruirá tudo o que ama.”
“Não…” Kimberly sussurrou, olhos arregalados.
Katherina se aproximou. “Theo vai se voltar contra você… assim como sua mãe fez. Você não pertence a lugar nenhum.”
Kimberly sentiu seus joelhos fraquejarem. Lágrimas encheram seus olhos.
Mas então ela se lembrou das palavras de Theo.
“Enfrentamos isso juntos.”
Kimberly olhou para cima, força retornando lentamente.
“Eu não tenho mais medo de você,” ela disse suavemente.
Os olhos de Katherina se estreitaram.
“Você não tem poder aqui,” continuou Kimberly. “Eu decido quem sou. Não você.”
Um flash de luz explodiu do peito de Kimberly. Katherina gritou enquanto se dissolvia em fumaça.
A floresta se clareou. A luz retornou.
De volta ao círculo, tanto Theo quanto Kimberly engasgaram quando seus olhos se abriram.
O suor corria por seus rostos, mas havia paz em suas expressões.
Zack deu um passo à frente com um sorriso orgulhoso.
“Vocês passaram,” ele disse.
O feiticeiro mais velho levantou ambas as mãos. “O vínculo está completo. A lua os abençoou. Nenhuma sombra pode quebrar o que vocês acabaram de selar.”
Theo virou-se para Kimberly. “Você está bem?”
Ela assentiu, ainda recuperando o fôlego. “Eu a vi… Katherina. Mas eu a expulsei.”
Theo exalou. “Eu vi minha mãe. Achei que nunca pararia de me culpar.”
Zack colocou uma mão firme no ombro de Theo. “O medo perde poder quando você para de correr dele.”
Outro feiticeiro se aproximou, segurando uma tigela de água cristalina. “Bebam isso. Isso sela o ritual e restaura o equilíbrio.”
Cada um tomou um gole. O ar cintilou, depois se acalmou.
Pela primeira vez em dias, parecia que havia paz.
Zack os encarou, seu tom agora sério. “Vocês estão prontos.”
Kimberly franziu a testa. “Para o quê?”
“Para voltar para casa,” disse Zack. “Vocês não estão mais vinculados a esta terra.”
Theo ergueu uma sobrancelha. “Então a magia está completa?”
“Sim,” disse um dos feiticeiros. “Vocês agora podem enfrentar qualquer coisa que Derrick lance contra vocês.
Seus poderes sombrios vão tremer quando encontrarem seu vínculo.”
Kimberly olhou para Theo, com a voz baixa. “Conseguimos.”
Theo assentiu lentamente, mas seus olhos estavam fixos na chama oscilante.
*Então por que ainda sinto que o pior está por vir?* pensou Theo.
Zack limpou a garganta. “Preparem-se. Vocês partem ao amanhecer, têm muitos trabalhos e batalhas esperando por vocês.”