Primeiro Dragão Demônico - Capítulo 692
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692: A Coisa Sobre o Vácuo… 692: A Coisa Sobre o Vácuo… -1 Minuto antes de Gaia ameaçar Kanami…
Bekka estava tendo uma experiência muito transformadora.
Era como um evento extracorpóreo, só que diferente dos que ela experimentava após o sexo, ou ao comer algo cozido com gordura de bacon.
Ela sentia que era mais ela mesma, e ao mesmo tempo, não era.
Estava perfeitamente entrelaçada no meio. Um ser de existência e inexistência.
Em sua imaginação, ela pensou que assim deveria se sentir um primordial. Isso desafiava a descrição mortal.
E para melhorar ainda mais as coisas, quanto mais do mundo ela devorava, melhor se sentia.
Era como se suas células estivessem sendo supercarregadas com energia. No meio dessa experiência, ela estava se tornando cada vez menos focada no seu entorno.
Importava onde ela estava?
Importava o que quer que ela estivesse fazendo??
Agora, o que importava era encher o estômago!
Como tal, ela sequer registrou o método dissimulado de Gaia para separá-la de Abaddon.
Com a boca ainda aberta e a fome longe de ser saciada, Bekka era como um vácuo sem fim que continuava a drenar a textura e a cor do reino.
Mas agora, Gaia tinha Bekka exatamente onde queria.
Já que a deusa transformada não parecia estar muito ciente de seu entorno no momento, Gaia teve a oportunidade de atacar impunemente.
“Que expressão miserável meu novo amante fará quando ver que me livrei da sua velha brincadeira cansada??” Ela zombou.
Mas Bekka não respondeu.
Conjuntos múltiplos dos corpos de Gaia se lançaram em direção a Bekka enquanto ela estava indefesa.
E imediatamente se arrependeram.
Um grito horripilante escapou das bocas de todas as cópias em uníssono.
Elas imediatamente recuaram para se protegerem mais e tentar avaliar o que havia sido feito.
Ao inspecionarem seus corpos, elas descobriram que um sangue de aparência doentia e consistência de óleo estava escorrendo dos seus narizes.
Apesar dos sinais que poderiam sugerir o contrário, Gaia não tinha danos físicos em seu corpo.
O motivo pelo qual ela estava com dor era por causa do momento em que entrou no domínio branco de Bekka, ela sentiu ‘algo’ beliscar sua própria alma.
“O que é issoo…? É tão maravilhoso..”
Horrificada, Gaia olhou para Bekka que finalmente mostrava sinais de agitação.
A curiosidade estava claramente estampada em seu rosto mutante enquanto ela lambia os lábios empolgadamente.
Gaia sentiu como se pudesse fisicamente sentir o olhar de Bekka pousar sobre ela, e isso a preencheu com o mais estranho senso de medo que ela nunca conheceu desde… Sempre.
“Tão deliciosamente nutritivo e doce… ainda que um pouco passado.” Bekka murmurava embriagadamente. “Você está um pouco doente, hein? Sua população cresceu um pouco rápido demais nos últimos anos?”
Gaia cerrava seus vários conjuntos de dentes.
“Não se preocupe, não se preocupe. Eu posso sentir, sabe. Seu desejo por um descanso tranquilo e sereno como o que você desfrutava nos primeiros dias do homem… ”
Gaia ficou atordoada. “C-Como você sabe di-”
“Acabei de dizer, seu desejo grita para mim, velha garota. Mas eu posso conceder o seu desejo. Tudo o que você precisa fazer é ENCHER MEU ESTÔMAGO E TORNAR-SE NADA!”
As poderosas novas pernas de Bekka a carregaram por mais de cem metros num único salto.
O rugido de sua presença permitiu que ela drenasse toda a cor do céu azul acima de sua cabeça.
Como se isso não fosse aterrorizante o suficiente, uma onda de poder vermelho rugia desde o horizonte sul.
Gaia sentiu-se encurralada.
Mas esse era para ser o seu dia de triunfo!
Absolutamente nada estava indo como deveria!
Essa era a primeira vez que ela se sentia tão completamente impotente dentro de seu próprio reino divino.
Gaia era uma deusa quase puramente maternal. Ela não lutava contra seres poderosos, ela os dava à luz.
Contra dois seres como Abaddon e Bekka, ela esperava que seu controle sobre este espaço a permitisse fechar a lacuna de poder e experiência entre eles.
Mas se ela estava perdendo sua vantagem no campo de casa, então não havia mais ponto em continuar esse debacle.
Talvez fosse hora de partir..?
Assim que Gaia formou o pensamento, ela soltou outro grito desolador.
Outra mordida foi dada nela, tanto no sentido físico quanto no espiritual.
Bekka havia crescido para ser quase o dobro do tamanho da Gaia-montanha em apenas alguns momentos. Isso lhe permitiu prender facilmente a gigante deusa e comer à vontade.
Gaia periodicamente abandonava seu corpo atual em favor de outro que não estivesse preso sob uma mulher monstro gigante.
No entanto, Bekka não era do tipo que deixava sua comida escapar ou esfriar. (A menos que fosse para ser assim desde o início.)
No exato momento em que ela sentiu Gaia mover sua alma para um novo corpo, ela perdeu o interesse em qual estivesse atacando pela metade e procurou por outro.
Claro, Gaia manipulou outros corpos para manter algum espaço necessário entre ela e a segunda imperatriz.
Mas Bekka ou os destruía completamente, ou simplesmente teletransportava ao redor deles.
Ela não seria negada sua refeição sob nenhuma circunstância.
‘C-Chega de brincadeira..’
Bekka percebeu que as próprias paredes do reino divino de Gaia estavam começando a cair.
Ela estava tentando fugir.
‘Não!’
Bekka estendeu a mão e uma pequena bola se formou na ponta de sua garras média.
Ela disparou o pequeno projétil em direção a um aglomerado bastante apertado de clones.
No momento exato em que chegou a uma distância adequada, Bekka o detonou ela mesma, e aproximadamente 300 Quilômetros de distância foram completamente apagados; deixando apenas uma tapeçaria branca pura para trás.
E no centro do vazio, havia apenas uma alma verde brilhante que se debatia para escapar.
Ao ver sua presa vulnerável, os instintos de caça de Bekka se incendiaram e ela foi para o ataque.
‘Minha..!’
–
Abaddon reapareceu no espaço, logo acima da órbita terrestre.
Ele segurava sua irmã com segurança em um dos braços apesar do persistente rubor de constrangimento dela.
“Acredito que você pode me colocar no chão agora, irmão. Já estamos um pouco velhos para que as pessoas continuem nos vendo assim.”
Kanami olhou para o resto dos seus homens que flutuavam atrás deles.
Não era perceptível na superfície, mas ela sentia como se literalmente pudesse vê-los rindo dela em suas mentes.
‘Bastardos, eu vou chutar a bunda de todos vocês..!’
“Você tem certeza de que está bem, irmã?” Abaddon perguntou. “Só quero ter certeza de que Gaia não fez nada estranho com você.”
“E-Eu estou bem, então, por favor, me coloque no chão!”
“É assim que agradeço por ser um bom irmão..?”
Abaddon relutantemente colocou sua irmã no chão apesar das suas preocupações persistentes.
“O que aconteceu? Como voltamos para cá de repente e onde está aquela deusa antiga?”
Abaddon não respondeu, pois seus olhos já haviam avistado algo extremamente preocupante.
“…Verifique se seus homens estão bem. Eu volto já.” Com isso, ele bateu as asas e deixou sua irmã para trás.
O foco de Abaddon estava na mulher de aparência frágil que estava encolhida em forma de bola no meio do espaço.
Mesmo antes de alcançá-la completamente, ele já podia sentir uma imensa quantidade de desconforto e dor vindo dela.
“..não é suficiente… não é suficiente…”
“Bekka?”
Quando Abaddon chamou por sua esposa, ela olhou para cima com lágrimas nos olhos enquanto segurava o estômago.
“Querido… Me ajuda..!”
“Claro que vou..” Abaddon falou calmamente para sua esposa apesar do seu próprio coração ameaçar entrar em pânico. “Me diga o que você precisa.”
“E-Eu acabei de comer, mas… A-Ainda estou com tanta fome… Meu estômago parece que vai começar a se autodigerir.”
Abaddon estava parcialmente confuso. “Você acabou de comer..?”
“N-Não parece delicioso..?”
Abaddon seguiu o olhar de Bekka.
Para seu horror, ele a encontrou olhando para o planeta Marte de longe.
“E-Eu acho que vou me sentir melhor se experimentar aquilo. Só um gostinho talvez..” Bekka salivava.
Abaddon segurou sua esposa pelos ombros antes que ela pudesse dizimar a população marciana local.
“Calma, meu amor. Eu preciso que você respire fundo, certo..?”
Bekka parecia que iria desmoronar em lágrimas. “Por que você está tentando me impedir?? Acabei de te dizer que estou com dor e preciso comer alguma coisa!”
“Eu sei disso, meu amor, e eu quero ajudar você o mais rápido possível. Mas não assim.”
Bekka finalmente chorou e Abaddon sentiu seu coração se despedaçar.
“Eu pensei que você disse que me amava e que faria qualquer coisa por mim! Por que não me deixa ir?!”
“Porque algo está errado com você, Bekka! Você não está agindo como sempre e precisamos descobrir como te trazer de volta ao normal!”
“Então me deixe COMER alguma coisa!! Qualquer coisa!!”
“Não!”
“Você não pode me tratar assim!! Eu te odeio!!”
Abaddon ficou devastado.
‘Tatamet.’
O que quer que estivesse acontecendo tinha que ser sério, pois Yesh em pessoa saiu da árvore para intervir. E ele nem sequer estava usando sua persona habitualmente alegre.
“O que está errado com ela??”
‘Leve-a para casa. Agora. Ela não vai conseguir se controlar aqui fora.’
Abaddon não precisou ouvir mais nada.
Ele pegou Bekka em seus braços apesar dos esforços dela para resistir, e os dois fizeram o caminho de volta para Tehom.
–
Yesh apareceu no quarto de Abaddon depois de dar a eles um momento para se acalmarem.
Mas talvez ele devesse ter dado mais tempo…
Ele encontrou o casal no chão do quarto, agarrados um ao outro enquanto choravam.
Uma única lágrima dourada escorria pela bochecha esquerda de Abaddon, enquanto monções gêmeas corriam dos olhos de Bekka.
Até Yesh mal conseguia entender o que ela dizia no auge de seu choro.
Bekka não podia acreditar nas coisas que ela tinha dito ao marido.
Qualquer ‘briga’ que eles normalmente tinham não passava de discussões infantis que geralmente acabavam em menos de um dia.
Ela nunca tinha sido tão cruel com ele antes. E suas próprias ações quase a destruíram.
“…O que estava errado com ela?” Abaddon finalmente perguntou.
Yesh sentiu a mesma tristeza que sentira quando Abaddon perdeu a razão pela primeira vez há éons atrás.
Ver sua esposa em tal condição terrível tinha quebrado Abaddon igualmente.
‘…O preço do poder, Tathamet. O preço do poder.’