Parceiro Cativo - Capítulo 428
Capítulo 428: +Capítulo 428+
O tempero parecia ter despertado Lake, pois o Ômega insistia em ficar na varanda em vez de ir direto para a cama como queria mais cedo.
Eles haviam se mudado para uma rede ao lado do conjunto de cadeiras e mesa. Era feita do mesmo material de vime que as cadeiras, com almofadas acolchoando o interior do grande cesto suspenso acima do chão.
Davian não podia reclamar desse resultado, não quando estava aconchegante com seu parceiro nos braços, observando o oceano distante, a brisa fresca o suficiente para dissipar o calor das temperaturas elevadas.
Eles nem precisavam falar, contentes em apenas compartilhar o momento juntos, a luz da varanda mal alcançando as palmeiras atrás da vila.
Lake apoiava a cabeça nos ombros de Davian, sua língua ainda estava dormente do jantar, mas ele estava impaciente para dirigir até a vila depois que se ajeitassem para conseguir mais.
Davian tinha uma mão gentil no estômago dele, o calor da palma do Alfa era reconfortante, o aroma familiar de chocolate amargo se mesclando com o cheiro salgado do oceano e o cheiro de areia molhada.
Lake levantou a cabeça para olhar para Davian, percebendo que o Alfa o estava olhando o tempo todo, em vez da vista à frente deles. Sem palavras, ele inclinou a cabeça para cima, fechando os olhos enquanto Davian baixava a cabeça para diminuir a distância.
Ele podia ouvir o som do mar enquanto o gosto de seu parceiro preenchia seus lábios, acalmando a ardência do tempero. Era apenas a primeira noite, mas as férias já eram tudo o que ele esperava, e mais.
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Na manhã seguinte, Lake acordou cedo e alegre, seus olhos cor de mel derramando calor enquanto ele saía da cama feliz. Ainda estava descalço, seus cabelos bagunçados em torno das orelhas, o robe que usara para dormir mal se segurando em sua silhueta esguia.
Davian estava um pouco atordoado naquela manhã, ainda sofrendo os efeitos do jet lag enquanto Lake parecia estar completamente recuperado.
Ao contrário de Haines, onde tinham quartos separados, apesar de compartilharem a mesma cama, aqui eles simplesmente escolheram um dos quartos principais com a melhor vista e ficaram juntos nele.
Mover suas bagagens da van que Davian havia alugado especificamente pelo espaço foi a parte fácil, a difícil era desfazer as malas.
“Não precisamos desfazer tudo de uma vez,” Lake disse as palavras que ele esperava ouvir, “Quer tomar banho comigo?”
Davian não perdeu o brilho nos olhos de seu parceiro, “Somos só nós dois, vamos tomar café da manhã e talvez descer até a praia primeiro.”
Lake ficou instantaneamente energizado, esquecendo momentaneamente de encurralar seu Alfa no banheiro. “Podemos nadar no mar?”
Davian direcionou o Ômega tagarela para a cozinha aberta, havia janelas por toda parte, e o mobiliário simples, mas resistente, de vime branco como os da suíte, fazia a cozinha parecer arejada e descomplicada.
“Vai esquentar logo, então deveríamos conseguir,” Ele disse todas as coisas certas, indo preparar o café da manhã.
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Nikolai notou sua rotina diária mudando com a presença de Angelo. O assassino só havia estado em seu apartamento penthouse por algumas noites, mas sua agenda parecia girar em torno dele.
Ele chegou ao quarto de Angelo naquela manhã com uma camisa branca e um sobretudo preto de couro, o cheiro de seu charuto aromático o precedendo.
Angelo já havia tomado banho naquela manhã, já era bem depois do amanhecer, com o sol invadindo o quarto. O Beta levantou a cabeça quando ele entrou sem bater, seus olhos verde-pálidos capturando um raio de sol.
Nikolai não pode deixar de pensar em um pedaço de vidro de mar à vista, soprando uma nuvem de fumaça para distorcer a imagem. “Levante-se, vamos sair.”
Angelo se levantou sem fazer perguntas, enfiando as mãos nos bolsos do moletom enquanto caminhava atrás do Rei da Máfia.
Ele havia se acostumado com o cheiro da fumaça do charuto, então sabia que Nikolai estava chegando antes da porta se abrir.
Ele diminuiu o passo quando chegaram às escadas dele, um redemoinho em seus olhos verde-pálidos que quase parecia as trilhas da fumaça do charuto de Nikolai.
Nikolai parou e olhou para ele esperando, se Angelo reclamasse mesmo que levemente, ele deixaria o assassino pegar o elevador, mas nada disso aconteceu.
Angelo apenas baixou os olhos para o chão e começou a descer as escadas silenciosamente, seu cabelo solto ao redor dos ombros.
Nikolai quase esmagou seu charuto entre os dedos, não era que começasse a se entediar do assassino sendo tão complacente, porque via a luta que Angelo enfrentava toda vez que obedientemente fazia o que achava que era esperado dele.
Mas toda vez que Angelo se forçava, ele era lembrado da voz suplicante do assassino pedindo para não ser colocado de volta na sala de segurança e sentia como se tivesse sido atingido à queima-roupa no peito cada vez.
Nikolai soltou um suspiro e seguiu atrás de Angelo, o assassino não o havia torturado o suficiente? Ele realmente tinha que se desculpar para parar de ser lembrado do que tinha feito?
Angelo entrou no carro de Nikolai e olhou pela janela do seu lado como de costume, só para dar um pulo de surpresa quando as janelas se abaixaram para que ele pudesse realmente ver através delas.
Ele não pôde deixar de olhar para o Rei da Máfia Nikolai, apenas para encontrar o Alfa expressivamente tocando no laptop em suas pernas.
Angelo decidiu não apontar, olhando para fora da janela. À medida que saíam, ele vislumbrou uma jovem Ômega apressando seus filhos pequenos para o banco traseiro de seu carro com pressa, claramente atrasada para algo.
Quase desejou que as janelas estivessem sido deixadas fechadas, aquela imagem o atingiu dolorosamente, mas ele foi incapaz de desviar o olhar, encarando até que o carro se afastasse.
Ele não fazia ideia de para onde estavam indo naquela manhã, mas Nikolai não se deu ao trabalho de pedir para ele trocar de roupa, então talvez fosse apenas o cassino do Rei da Máfia.