O Renascimento da Ômega - Capítulo 156
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156: Mal Interior (Cap.156) 156: Mal Interior (Cap.156) Um rosnado baixo escapou de Xenon contra sua própria vontade enquanto ele cambaleava para dentro de sua caverna, com passos inseguros,
Ele apoiou a mão na parede para se estabilizar enquanto uma dor aguda rasgava seu crânio e um som de zumbido alto ecoava em seus ouvidos.
Os olhos de Xenon estavam arregalados e atordoados, e suas pupilas se moviam para cá e para lá, incapazes de se concentrar em algo em particular, e sua respiração era pesada, ecoando pela caverna.
Lá estava de novo… aquela loucura que o atingia nos momentos mais inesperados, aquela raiva descontrolada e sede de sangue que possuíam sua mente.
Essa maldita maldição que o afligia por décadas, colocada nele pela única pessoa que deveria prezar por ele acima de tudo.
Havia bastado apenas uma lembrança… apenas um lembrete dela para desencadear a escuridão, o mal que se escondia dentro dele… o mal do qual ele nunca poderia escapar.
Como um vírus, no momento em que foi desencadeado, ele se espalhou… lento e excruciante, mas firme e certeiro e Xenon podia senti-lo em seus ossos.
A névoa selvagem estava chegando… Xenon podia senti-la, podia perceber na forma como sua garganta coçava, uma sensação seca e áspera acompanhada por uma sede crescente,
Xenon podia sentir suas escamas crescendo de sua pele, cobrindo um lado de seu pescoço e até o queixo.
Suas gengivas doíam terrivelmente conforme seus caninos alongavam, muito maiores e afiados do que seria possível na forma humana,
Eles perfuravam seu lábio inferior, desenhando sangue que escorria pelas laterais de seus lábios.
Xenon podia ouvir o som de suas garras arranhando a parede onde sustentava seu peso,
Seus ouvidos tremiam, os sons mais insignificantes como o vento soprando e os distantes gritos dos animais que se escondiam nas montanhas de Edar ecoavam dolorosamente em seus ouvidos sensíveis.
Uma respiração… duas respirações, e então três…
Xenon respirou profundamente, segurando a respiração antes de exalar lentamente, numa tentativa desesperada de se acalmar e dominar a névoa selvagem.
Para impedi-la antes que tomasse conta dele completamente, mas quando seus esforços alguma vez foram bem-sucedidos?
À medida que seus sentidos se aguçavam, a mente e os pensamentos de Xenon tornavam-se turvos e completamente confusos.
Xenon não conseguia pensar claramente, só conseguia pensar em sua desesperança de escapar do que estava por vir.
Xenon cambaleou para frente, indo mais fundo em sua caverna com passos trôpegos até chegar na caverna interna.
Enquanto se movia, ele se encontrou indo em uma direção que nunca teria seguido em sua mente sã, tirando um pergaminho que deveria ter sido descartado e esquecido há muito tempo.
Décadas se passaram, mas mesmo após sua morte, Xenon não conseguia se livrar completamente do efeito que ela havia deixado nele.
Ela o havia transformado nisso… em um monstro que em seu estado de loucura reconheceria apenas uma existência… a dela.
Outro rosnado baixo soou de Xenon enquanto ele jogava o pergaminho de lado, resistindo à vontade de abri-lo… um vislumbre só pioraria as coisas.
Xenon nunca estaria disposto a deixá-la controlá-lo novamente, ele lutaria, não importa o quão doloroso fosse.
Deixando para trás sua caverna interna, Xenon aventurou-se pelas montanhas de trás, cambaleando para dentro da floresta… o selvagem onde um monstro como ele verdadeiramente pertencia.
Era uma tarefa árdua colocar um pé na frente do outro, mas Xenon avançava até chegar à clareira… ao único lugar onde ele podia ter certeza de que não machucaria ninguém.
Todo mundo no reduto do dragão sabia melhor do que vir aqui, além disso, Xenon sabia que seus irmãos não estavam cientes de que sua névoa estava retornando.
Xenon desabou de joelhos, apoiando a mão em uma rocha para suporte enquanto ofegava,
Uma respiração… duas respirações, e então três…
Xenon contou sua respiração novamente, dificilmente havia esperança de que isso ajudasse, mas quando era tudo que se podia fazer, Xenon ainda tinha que tentar.
Havia outro remédio… um remédio que Xenon havia descoberto recentemente, mas ainda não tinha confirmado, porém neste momento, ele não ousava testá-lo.
Ainda que Xenon soubesse que pensamentos da princesa de cabelos dourados traziam uma calma que dispensava toda sua turbulência,
Em sua mente naquele momento, a imagem da princesa de cabelos dourados e da mulher de cabelos negros se entrelaçavam, pensar em uma era arriscar pensar na outra.
Não havia semelhança facial… isso era verdade, Xenon nem mesmo conseguia entender por que ele comparava uma com a outra quando nunca havia sido assim antes.
Mas Xenon nunca podia controlar os mecanismos de sua própria mente… qual era a semelhança?… O quê?
E então, quando os pensamentos de Xenon desapareceram enquanto a loucura reivindicava sua mente, Xenon ouviu uma voz familiar chamando por ele.
“Xenon?” A voz soava de certa distância, além da floresta, ainda assim era perfeitamente clara para os ouvidos sensíveis de Xenon.
Nesse momento, em algum lugar além dos pensamentos embaralhados na mente de Xenon, um sentimento de terror surgiu.
Não por ele mesmo, mas pela pessoa que vinha até ele, completamente alheia a seu estado atual e o que a névoa selvagem de Xenon realmente significava.
Alheia ao fato de que o que chegou primeiro aos ouvidos de Xenon antes de sua voz e seus passos era o som do bater de seu coração… o ritmo pulsante que servia de prova de vida.
E então o som do sangue correndo por suas veias, bombeado por aquele mesmo órgão que decidiria a vida e a morte de qualquer criatura viva… mortal ou sobrenatural da mesma forma.
“Saia…” Xenon tentou dizer, mas tudo o que saiu foi um rosnado baixo.
…Ninguém deveria estar aqui… ela especialmente não deveria estar aqui, ela poderia estar em qualquer outro lugar neste momento, mas o único lugar onde não deveria estar era aqui… onde Xenon se escondia.
Um Xenon que logo desapareceria e em seu lugar estaria o demônio negro.
Mas ela estava aqui e caminhava em sua direção, sem ter ideia de que se a última réstia de controle que Xenon segurava tão desesperadamente escorregasse… ela não sairia viva.