O Destino Cego da Alfa - Capítulo 353
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353: A Loucura no Silêncio (I) 353: A Loucura no Silêncio (I) POV DE FIONA
Fiona estava convencida de que havia escapado do inferno ingrato que eram as Irmãs Vermelhas. Inferno, prova disso era o fato de que ela estava em um novo solo com uma posição estável.
Mas, atualmente, esse solo estava quente como o inferno, e ela sentia o ardor até sua alma… o que era irônico, porque antes daquele momento, ela estava verdadeiramente convencida de que não tinha alma.
Mas as últimas duas horas haviam mudado tudo. Estava na raiva não declarada, na surpresa confusa diante do que tinha acontecido, e na falta de entendimento sobre como as coisas haviam saído tão errado.
Não havia absolutamente nenhum aviso. Claro, houveram as cartas, o sequestro de Seraph — uma criada cujo nome havia se tornado tão popular que cada pessoa que habitava o castelo agora sabia quem ela era, mas reagiram adequadamente a esses sinais e fizeram o máximo para proteger o que deviam.
Mas o inimigo mais difícil de enfrentar sempre fora o inimigo interno, e todos estavam pagando por isso.
Pesados flocos de neve escolheram aquele momento para começar a cair, como se prenunciassem o tormento e o desânimo que se seguiriam.
Afinal, não era apenas uma criada que havia desaparecido. Era a Rainha Luna, esposa do Alfa Rei, exaltada como a Grande Vidente do Norte Ártico.
A mulher, que até 24 horas atrás era a Teta do Bando de NorthSteed e de todo o Norte Ártico combinado.
E o que restava na esteira de sua ausência era pura loucura. Era como se toda a cidade tivesse sido paralisada pelo mero fato de que o terror que o Lobo Ártico de Daemon NorthSteed emanava se espalhava pelas terras.
Nem mesmo um som de alfinete caindo podia ser ouvido — até mesmo o grupo de Epsilons patrulhando a cidade carregava uma certa aura sombria que era mais grave do que o próprio silêncio.
O silêncio no castelo era exatamente o mesmo. E enquanto Fiona caminhava para dentro da Sala do Trono, que ela havia ouvido dizer que o Alfa Rei nunca se deu ao trabalho de usar, a única coisa que podia ouvir eram seus passos.
Finalmente, ela tinha sido convocada para responder por seus crimes. O crime de negligência de seus deveres.
Esperando por ela estavam as evidências vivas de seus predecessores que haviam entrado na sala antes dela. Ainda não havia sangue, mas a pele de Alfa Kairos estava branca como papel, Yaren NorthSteed imóvel como pedra, o Vidente, ou Kelkov, como agora era conhecido, tão inerte quanto uma montanha.
E todos eles estavam diante do trono do Norte Ártico, que era um assento vazio até onde Fiona podia ver.
Aliás, onde estava ele? O homem que os havia convocado?
Através do vínculo da matilha, ela podia senti-lo. Na verdade, era quase como se ele estivesse à espreita nas sombras, respirando sobre seu pescoço. Ela sentia sua aura em todo lugar, mas não ousou olhar ao redor.
Ela apenas caminhou até estar diante do trono, e então curvou-se diante do assento vazio.
“Eu, Fiona, saúdo Sua Majestade.” Ela anunciou, então esperou cerca de cinco segundos antes de ficar de pé.
Ela queria perguntar o que estava acontecendo, mas não ousou falar. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde, algo aconteceria.
E aconteceu naquele exato momento…
Um estrondo alto. Como trovão em uma tempestade. Era de longe o som mais alto no castelo desde que fizeram a chocante descoberta de sua ausência.
E então um corpo caía dos altos tetos, se chocando contra o chão e espalhando sangue como se estivesse anunciando sua presença desagradável.
Fiona apenas assimilou o homem desafortunado… e era alguém que ela havia conhecido há pouco tempo.
O Capitão da guarda da cidade.
Um baixo rosnado soou atrás dela, e lentamente ela se virou apenas para se deparar com a visão de um lobo branco avançando em sua direção.
Mas aquilo não era apenas um lobo, não com aquela altura bestial. Era certamente o maior shifter que ela já havia visto. E de longe, o mais gracioso.
Cada passo que ele dava era como o de uma pantera, o brilho em seus olhos era como o de uma cobra aguardando para atacar. Suas presas estavam expostas, veneno escorrendo entre elas.
O Lobo Ártico do Norte — o mais supremo de sua espécie.
Fiona soube instantaneamente que eram as mandíbulas daquele lobo que haviam trazido sozinho o homem à sua morte. A criatura provavelmente o havia jogado tão alto no teto como se fosse uma bola de brincadeira.
Havia um certo rumor que circulava pelo castelo. Rumores sobre como o Alfa Rei detestava se transformar. Fiona entendia o porquê — para um homem que viveu uma boa parte de sua vida perseguindo a elegância em sua forma mais elevada, apenas para ser lançado em uma guerra onde teve que viver como nada mais do que uma besta por seis anos, sempre em sua forma de lobo.
Seria esperado que, em busca de uma mudança de cenário, ele abandonasse algumas formas desagradáveis. Afinal, o papel do Alfa Rei no Norte era muito mais elegante e refinado do que o papel dos Alfas comuns que tinham que liderar apenas uma matilha.
Mas Fiona não estava tão certa sobre os rumores. Não quando o lobo que avançava em sua direção exercia tal ameaça dominante que ela sentiu sua perna começar a tremer sem sua permissão.
Aquele tipo de poder…
‘Ajoelhe-se’
O comando veio como um rosnado em sua mente, e ela se viu obedecendo ao comando mesmo antes de seu cérebro processá-lo completamente.
Ela caiu de joelhos, um suspiro escapando dela. Antes de entrar na sala, o único medo que ela havia abrigado era se Zina voltaria em uma peça única, caso a encontrassem.
Fiona nunca teve medo por sua própria vida. Mas agora, a aura dominante que emanava do Lobo Branco parecia estar intencionalmente empurrando-a para as profundezas do medo em si.
Mas não era apenas ela; ela ouviu os joelhos de todos baterem contra o chão também. Incluindo Alfa Kairos.