O Destino Cego da Alfa - Capítulo 351
- Home
- O Destino Cego da Alfa
- Capítulo 351 - 351 Transportado para uma Nova Vida (I) 351 Transportado para
351: Transportado para uma Nova Vida (I) 351: Transportado para uma Nova Vida (I) ZINA
O que se desenrolava diante de Zina era um sentimento ao qual ela já estava acostumada no mundo alternativo onde suas visões se revelavam diante dela.
Como fragmentos, a princípio, nada sobre suas visões fazia sentido. Tudo parecia desordenado, como uma imagem reduzida a milhões de peças de um quebra-cabeça.
Mas aquela sensação de desordem nem sempre durava muito. Depois que essa onda de confusão passava, o que geralmente vinha em seguida era um período de clareza. E, como em um passe de mágica, os quebra-cabeças eram ominosamente montados, e a imagem inteira tornava-se mais clara, como se projetada em um plano mais elevado.
Embora a fase inicial de confusão fosse algo que ela não apreciava, a clareza também vinha sempre acompanhada de uma revelação dura. Uma visão amaldiçoada.
Ela poderia reverter isso ou não? A visão se realizaria ou não? Essas eram as perguntas que geralmente vinham depois.
Então, ali mesmo, em seu quarto, apenas com Melwyn, ela pensou consigo mesma: poderia ela escapar do que estava por vir? Esta armadilha aparentemente cuidadosamente montada que, de alguma forma, havia passado despercebida tanto por ela quanto por Daemon.
Já podia se ver como uma mosca presa na teia de uma aranha. Como algo surreal, até mesmo irreal, ela não podia se mover sob o aperto de Melwyn.
Ela estava presa, e para coroar tudo isso, não havia maneira de escapar.
“Por que está perguntando sobre Freya Fergus? Como sabe sobre ela?” Zina perguntou com uma voz aterrorizada, sem se importar que, a cada palavra que saía de seus lábios, a expressão de Melwyn tornava-se ainda mais furiosa, até que seu rosto assumiu um tom azulado.
“Eu faço as perguntas, Zina.” A mulher rosnou. Já havia desaparecido há muito tempo a cortesia de chamá-la de alteza.
“Onde está o bastão?” Ela perguntou com uma voz que gelava ainda mais o ar frio no quarto de Zina.
Alguém poderia se perguntar por que Zina não estava gritando ou pedindo ajuda. Mas, por mais que tentasse, ela não conseguia reunir forças. Seja qual fosse o poder que fluía da mão de Melwyn para a dela, havia tirado sua capacidade de falar e também inutilizado o vínculo de matilha em sua mente.
Ela sequer podia sentir sua loba, e, se não estivesse enganada, a mulher estava injetando Erva-de-lobisomem diretamente em sua corrente sanguínea.
Mas Daemon certamente sentiria sua dor, certo? Não havia como ela simplesmente virar um vegetal assim.
“Tirei sua voz, mas ainda pode sussurrar a resposta,” Melwyn rosnou ainda mais impaciente. Era realmente esse o nome dela? “Ou melhor, me mostre onde está.” Ela grunhiu.
“Você…” Zina sussurrou numa voz que mal podia ouvir. Sua voz saía ainda mais baixa do que um murmúrio, e falar era difícil. Mas ela precisava saber, precisava saber disso, acima de tudo.
“Você é quem criou o portal que o Lobo Vermelho usou para escapar das fronteiras com Seraph?”
Melwyn não precisava responder. A resposta estava costurada em seu sorriso arrebatador e em seus olhos fulminantes.
Então ela puxou Zina, arrastando-a, enquanto começava a virar o quarto de cabeça para baixo em busca do bastão. Zina concluiu que qualquer feitiço que estivesse transformando seu cérebro numa vegetação não seria tão eficaz se Melwyn retirasse a mão.
Mas Zina não tinha forças para lutar contra a mulher. E como poderia lutar contra Erva-de-lobisomem e a dose de seja lá qual feitiço que Melwyn estava injetando nela?
Mesmo assim, Melwyn estava usando toda sua força para arrastá-la. A mulher estava frustrada. Virava o quarto de cabeça para baixo e rugia de raiva vez após vez a cada falha em encontrar uma pista do bastão.
Zina notou que a luz que ligava as mãos das duas começava a enfraquecer, até apagar completamente. Então Melwyn a empurrou contra uma mesa, fazendo a espinha de Zina bater na madeira de carvalho, até que ela escorregasse para o chão, gemendo de dor.
Ninguém ouvia a comoção? Mas o que ela esperava? Para todos, um aliado estava em seu quarto. E não apenas um aliado, mas alguém que Zina havia pessoalmente convocado.
Enquanto o começo de um destino cruel começava a se desenrolar diante dela, Zina apenas curvou seu corpo para dentro, num instinto de proteger seu filho. Sibilando de dor, ela conseguiu erguer o olhar para Melwyn, que pairava sobre ela como Yama, o deus da morte… apenas o suficiente para ela murmurar num baixo sussurro.
“Você nunca vai encontrá-lo.”
Melwyn apertou seu maxilar, então golpeou seu rosto com a palma da mão. “Sua mulher tola! Um caminho foi traçado para você, o caminho para liderar um legado. E o que você faz? Está ocupada se apaixonando e assumindo um papel muito inferior ao que nasceu para desempenhar. Nunca vi uma mulher tão tola como você!”
Zina riu, o ato apenas intensificando suas dores. Cada parte de seu corpo doía, como se estivesse morrendo. Mas ela não conseguiu conter seu divertimento, porque o que Melwyn dizia era mesmo engraçado.
“Antes de você vir ao castelo pela primeira vez, eu a vi.” Zina disse, então observou a mulher congelar lentamente.
Durante muito tempo, ultimamente, parecia que ela não tinha mais nenhuma visão. Mas isso não era verdade. De alguma forma, sentia que havia se preparado grandiosamente para aquele exato dia.
O dia em que tudo mudaria.
Ela sabia que fugir disso não a ajudaria a evitar, e se esconder também não seria útil. Era um destino amaldiçoado; um que precisava enfrentar de frente.
“O que quer dizer com ‘eu a vi’?” Melwyn provocou, mas Zina pôde ouvir a leve tremor em sua voz. Ela tinha ouvido aquele tremor muitas vezes antes; o sinal que sempre dizia que homens tremiam e temiam seus poderes.
Zina sorriu lentamente, “Eu não a vi exatamente,” continuou num sussurro baixo, “Eu vi seus olhos. Lindos como são agora, peculiarmente pálidos. Mas adivinhe? Eles eram olhos mortos. Sem raiva ou desprezo. Sem diversão ou alegria. Apenas olhos mortos.”
Zina não estava mentindo. A visão havia vindo separadamente, mas ela assumiu que fazia parte da visão em que viu Daemon morrer, e por isso não se aprofundou.
Melwyn bufou. “Quer me assustar? Eles podem cantar sobre você como uma grande vidente, mas, no que me diz respeito, você é apenas uma loba que pavimentará o caminho para o lobo que governará todos.”
Zina não comprou sua digressão. “Como você me vê não importa. O que importa é que você morrerá em breve. Descartada pelo seu mestre, como tenho certeza que ele já descartou muitos no passado.”
O corpo inteiro de Melwyn tremeu e ela levantou a mão para dar outro tapa em Zina, mas se conteve.
“Tanto faz.” Disse descuidadamente, “Com ou sem o bastão, Mestre tem uma maneira de lidar com você. Agora diga adeus, eu vou portal você para sua nova vida, como a conhece agora e conhecerá para todo o sempre.”
Mais e mais, Zina tentou se comunicar com Daemon. Mas era como caminhar em um deserto sem uma gota de água, ela não conseguia sentir sua loba nem o vínculo da matilha.
Lágrimas apareceram em seus olhos devido à impotência, mas ela se recusou a chorar. Em vez disso, atrás de si, raspou seu dedo no chão, fora da vista de Melwyn, até sangue escorrer dele. E então conseguiu rabiscar os mesmos caracteres que estavam gravados em seu bastão e o nome Sybril, sem que Melwyn notasse.
Um raio de luz negra cegante emanou da mão de Melwyn, e diante dela abriu-se um portal giratório. A outra mulher simplesmente a puxou e jogou no caminho escuro.
E juntas, elas caíram em um pesadelo que Zina havia esperado por toda a vida. E apenas uma coisa a mantinha firme— o pensamento de que talvez, apenas talvez, ela veria sua mãe e Seraph.