O Destino Cego da Alfa - Capítulo 314
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314: A Verdade (II) 314: A Verdade (II) ZINA
“O que ela viu em você não importa,” Daemon respondeu, batendo com os punhos na parede atrás dela.
Ficou claro para Zina que só o mero pensamento da conversa os deixava Daemon desconfortável, e isso só serviu para convencê-la de que em algum momento, algo havia dado terrivelmente errado. E a coisa em questão era exatamente a mesma coisa que seu lobo tinha sentido quando disse a ela, ‘há algo em você.’
Algo que até mesmo Daemon, homem forte e corajoso que era, tinha medo de enfrentar.
“Isso importa,” Zina respondeu lentamente, “se não para você, importa para mim. Por favor, a oportunidade surgiu para eu ter as respostas pelas quais ansiei todos esses anos. Não me tire isso.”
“E se eu lhe disser o que você quer ouvir, e então?
“Então, descobriremos a partir daí,” Zina respondeu com um sorriso que exala uma confiança que ela certamente não possuía.
Até mesmo Daemon viu através da pretensão de seu sorriso, mas isso não o impediu de responder. “Tudo bem. É verdade, Melwyn viu traços em você. Traços que são bastante peculiares aos do mesmo Defromed que temos rastreado desde aquele ataque. Achei que ela estava enganada, e quando você estava dormindo, pedi que ela confirmasse novamente.”
Zina não piscou por um momento sequer. Após basicamente ser avisada de que ela era o produto do monstro que assassinou a mãe de Daemon, ela descobriu que não conseguia dizer nada.
Mas Daemon não parecia se incomodar nem um pouco com isso. Em vez disso, ele estava preocupado com ela.
“Você me disse que descobriríamos isso, então o que é esse olhar vazio?” Daemon disse, sacudindo seu corpo como se quisesse despertá-la da enxurrada de seus pensamentos.
Zina sorriu, “Então eu sou um experimento. Um terrível experimento.”
“Zina,” Daemon grunhiu como se quisesse dizer pare por aí.
“Deve ter uma conexão com meu cajado,” Zina continuou, ignorando o aviso em sua voz.
Daemon apertou seu queixo até que tudo que seus olhos extremamente azul-claros conseguiam fazer era encarar seus olhos escuros e tempestuosos. “Nós. Vamos. Descobrir. Isso.” Ele rosnou palavra por palavra com uma voz que quase a convenceu.
“Você não deveria estar tão perto de mim,” Zina fungou, percebendo então que estava chorando. Ela ainda não tinha processado totalmente o peso daquela informação, mas naquele momento, tudo que conseguia lembrar era a visão de si mesma matando Daemon.
Daemon bufou em resposta, “Tenho dois lobos supremos em mim, Zina. Eu acharia muito insultante você pensar que eu não conseguiria segurá-la.”
“Isso não é engraçado, Daemon,”
“Estou rindo?”
Zina suspirou, confusa enquanto enxugava as lágrimas com força. “O que você está fazendo aqui, aliás? Yaren logo vai lutar e aqui está você cuidando das minhas emoções que não deveriam ser sua preocupação em primeiro lugar!” Zina estalou, sem saber mais o que fazer com sua língua e sem saber como encarar Daemon.
O pesadelo que mais temia poderia acontecer—ela seria abandonada novamente.
Então, naturalmente, seus medos emergiram, proferindo palavras que ela normalmente não teria ouvido dizer.
Os olhos de Daemon se estreitaram em fendas, “E por que eu iria querer assistir à luta dele?” Ele disse, com aquela expressão muito séria que dizia claramente que não gostava daquela parte dela que estava se manifestando.
“Porque ele é seu irmão.” Zina continuou divagando, suas lágrimas fluindo ainda mais até que tudo o que ela conseguia provar era sal na língua. “É exatamente por isso que ele não gosta de mim. Mesmo em um dos momentos mais importantes da vida dele, mais uma vez roubei seu irmão de testemunhar seu brilho.”
Daemon a sacudiu vigorosamente, preocupação tingindo seus olhos. “Estou começando a ficar preocupado com você, Zina, o que exatamente está errado com você?”
E foi então que seus olhos se fixaram em seus dedos, que tremiam como se um terremoto súbito os envolvesse. Zina também viu isso, e seus dentes começaram a bater enquanto o suor frio se misturava com suas lágrimas.
Ela viu passar diante de seus olhos… a vida horrível que viveu, tudo um experimento para treiná-la e criá-la como algo imperdoável e não associável.
Mas ao longo do caminho, a deusa tinha pregado uma peça cruel nas pessoas que uma vez controlaram seu nascimento ao dar-lhe um par. E atualmente, esse par estava irritado com o quão ela começava a duvidar de tudo que havia começado a aprender a amar e apreciar.
…Tudo o que não a fazia mais se sentir como uma abandonada.
A raiva nos olhos de Daemon se acalmou, e ele a trouxe para um abraço que disparou direto em seu coração e acalmou seu corpo trêmulo.
“Nós vamos nos casar amanhã, Zina.” Ele sussurrou em seu ouvido, “então suas dúvidas não são mais válidas como agora. Você se tornará a Luna da Matilha NorthSteed e de todo o Norte Ártico. Eu, por outro lado, gostaria de ver quem ousaria reivindicá-la quando eu já fiz isso.”
Zina fungou, abraçando-o com mais força enquanto seu conforto a envolvia como um bálsamo curativo que ela procurara por toda a vida.
“Você sabe que é minha, não é?” Ele perguntou com uma voz que continha toda a confiança que havia escapado dela.
Ela assentiu vigorosamente em resposta, incapaz de juntar uma palavra de resposta.
“E você sabe também que eu sou seu, não é?” Ele perguntou enquanto se desentreia ligeiramente do abraço. O suficiente para Zina ver a sinceridade costurada em seus olhos.
Sua garganta estava entupida de emoções, e ainda assim, ela acenou em silêncio enquanto suas lágrimas fluíam livremente. Ela podia imaginar que parecia uma bagunça chorosa, mas isso não impediu Daemon de pressionar seus lábios contra os dela enquanto se dissolviam em beijos desajeitados que falavam de amor inquebrável e companheirismo mesmo diante da adversidade.
Havia muitas verdades no mundo, de fato. E uma dessas verdades, felizmente para ela, era que ela estava tão apaixonada por este homem que preferiria se matar antes de causar-lhe qualquer dano.
Alvorada estava certa; a coisa mais aterrorizante não é a visão, mas o Vidente.