O Destino Cego da Alfa - Capítulo 199
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199: Eles o Chamam de O Vidente. 199: Eles o Chamam de O Vidente. ZINA
Zina só repassou a conversa que teve com sua mãe quando conseguiu escapar da Praça da Capital e agora estava nos confins do seu quarto. Sem perder muito tempo, ela convocou Ablanch, que não parava de se desculpar pelo acontecimento daquela manhã.
“Mesmo que você tenha que abrir caminho no castelo e virá-lo de ponta-cabeça, você deve encontrar meu cajado.” Zina ordenou a ele quando conseguiu acalmar o guerreiro.
Ablanch vestia uma expressão sombria e determinada enquanto acenava com a cabeça e partia para sua tarefa, mas algo lhe dizia que apenas Ablanch não seria suficiente. Com o aviso de sua mãe para esconder o cajado, um sentimento de urgência a tomava. Ela sempre soubera que havia algo a mais em seu indestrutível cajado. E agora que sua mãe o fazia parecer algo maligno, uma inquietação crescia em seu estômago com a ideia do cajado ter desaparecido naquela manhã.
Ela precisava de alguém com uma posição elevada, como Daemon, para ajudá-la. Com essa ajuda, ela conseguiria localizar quem quer que tenha entrado em seu quarto e levado seu cajado.
Mas Daemon estava sobrecarregado com suas novas funções, e Zina não queria sobrecarregá-lo com seus problemas, ainda mais considerando que pareceria algo trivial fazer tanto barulho por uma simples peça de madeira desaparecida. Mesmo essa justificativa não soava muito convincente em sua cabeça.
Uma ideia diferente lhe ocorreu, e ela saiu à procura de Marcus. Atualmente, Daemon estava reunido com a Matilha NorthSteed e, pelo que parecia, estranhos não eram permitidos na reunião.
Acontece que Marcus era um estranho, tanto quanto a Matilha NorthSteed estava preocupada. Já as Matilhas DireWolf e NorthSteed estavam trancadas em uma batalha silenciosa sobre qual Matilha era mais relevante para Daemon; embora Daemon tivesse certeza de que a batalha silenciosa não emergiria à luz do dia… ainda.
A implicação era que Marcus estava vagando livremente sem nada para fazer.
“Beta DireWolf.” Zina disse, agindo como se fosse coincidência ter encontrado Marcus e não que ela estivesse intencionalmente procurando pelo homem.
“Em breve, Theta Emérito.” disse Marcus em resposta, um brilho de entendimento em seus olhos.
“Certo. Eu estava mesmo te procurando. Preciso da sua ajuda com algo…” Zina admitiu, deixando suas palavras pairarem no ar.
“Audacioso da sua parte pensar que eu faria qualquer coisa por você.” Foi sua resposta enquanto ele levantava uma sobrancelha para ela.
Zina sorriu, “Mesmo que isso signifique que lhe deverei um favor. Especialmente considerando que eu sou a Theta e sempre continuarei sendo a Theta.”
Marcus cruzou os braços como se pensasse sobre o assunto. “Certo. Do que você precisa?”
Zina contou a ele sobre o cajado e o fato de ter sumido do seu quarto. Depois de contar uma triste história sobre como o cajado era a única conexão com seu passado e o quanto ele lhe era caro, Marcus concordou em investigar em troca de poder cobrar-lhe um favor.
Sua história pode não ter realmente o comovido, mas era muito melhor do que contar-lhe a verdade sobre por que ela estava procurando pelo cajado. Faltavam sete horas para o banquete, então Zina se juntou pessoalmente na busca pelo cajado.
Todas as criadas que possuíam passe para seus aposentos foram interrogadas, incluindo os vastos números de servos e escravos que trabalhavam só na ala dela, mas aparentemente, ninguém sabia nada sobre o cajado. Era quase como se o cajado tivesse adquirido asas próprias e voado para fora do seu quarto.
Ela e Seraph voltaram de mãos abanando e Ablanch, que estava buscando no castelo, mandava notícias a cada intervalo de uma hora que ele não conseguia encontrá-lo por lá. Não foi até duas horas antes do banquete que à noite ela teve uma visita, e a pessoa era ninguém menos que Fiona.
“Você se esqueceu de que se ofereceu para me ajudar?” A mulher disse assim que entrou no quarto de Zina, que tinha sido revirado de cabeça para baixo na busca.
Zina suspirou, soprou uma mecha de cabelo do rosto enquanto se levantava da quina do quarto onde estava procurando. “Claro que não. No entanto, eu não acredito que haja muito que eu possa fazer por você nesta primeira rodada.”
“Isso que é ajuda…” Fiona sibilou, “Não acho que você esteja tão disposta a ajudar como antes. Parece-me que você está ocupada tentando se salvar da sua própria situação precária.”
Zina ignorou a tentativa da mulher de provocar sua ira enquanto retomava a busca de onde parou. “Ter que competir pela minha própria posição está longe de ser precário, Fiona.”
“Só você diria isso…” Fiona respondeu com uma voz saudosa que fez Zina parar. Ela se levantou, batendo as mãos uma contra a outra enquanto observava a outra mulher.
“Ao contrário do que você pensa, eu já me informei sobre as pessoas na sua equipe.”
Os olhos de Fiona se arregalaram, mas fora isso, a mulher não mostrou expressão de curiosidade ou qualquer coisa que o valha. “Verdade?”
Zina acenou com a cabeça. Foi a primeira coisa que fez ao voltar da coroação. Ela tinha mandado uma carta para o Arauto do Sul para que fosse feito.
“Dos noventa e três times, eu diria que o seu realmente está em maus lençóis.”
A expressão de despreocupação de Fiona caiu, substituída por um olhar de… Raiva. “Você está dizendo que fui agrupada com os piores dentre os piores?”
“Como aconteceu com mais de cinquenta outros times.” Zina disse, revirando os olhos enquanto relembrava o conteúdo do relatório do Sul.
“Isso deveria me consolar?”
“Suponho que não, mas há uma pessoa no seu time que pode valer por cem homens capazes, dado a natureza do primeiro jogo”, Zina recitou as exatas palavras que o Sul tinha usado em seu relatório. Ela sorriu enigmaticamente enquanto Fiona escutava, uma sombra de curiosidade no rosto enquanto aguardava esperançosa pelas próximas palavras de Zina.
“Eles o chamam de Vidente.”