O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 798
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798: Será feita justiça 798: Será feita justiça Edward soltou um longo e cansativo suspiro, seus olhos cor de avelã cheios de tensão silenciosa.
“Alice está certa. Não deveríamos falar sobre essas coisas aqui. Primeiro vamos tirar você daqui.”
Arthur acenou lentamente com a cabeça, sabendo que seu pai e Alice não falariam livremente enquanto estivessem dentro dessas paredes.
O quarto — apesar dos seus móveis luxuosos e equipamento médico de alta tecnologia — subitamente parecia sufocante, como se olhos e ouvidos invisíveis estivessem à espreita em cada sombra.
Mas antes que pudessem se mover, uma batida aguda ecoou contra a porta, fazendo todos eles se virarem instintivamente em direção a ela.
Arthur sentiu uma leve tensão nos ombros de Alice, e até a expressão normalmente composta de seu pai endureceu por uma fração de segundo.
A porta deslizou aberta, e uma figura alta e imponente entrou.
Derek.
Vestido em um elegante terno azul, o Presidente da WHA carregava-se com uma graça sem esforço, sua presença sempre comandante.
Seu cabelo azul estava cuidadosamente penteado para trás, seu agudo olho azul suavizava ao ver Arthur.
“Arthur, você finalmente acordou,” disse Derek, sua voz suave porém transbordando de calor.
Ele avançou, acenando para Edward e Alice, que ambos trocaram cumprimentos educados, “Estávamos todos preocupados.”
Arthur se forçou a permanecer imóvel, mantendo sua expressão neutra.
Ele sempre tinha admirado esse homem, respeitado ele, até pensado nele como uma figura paterna.
Mas agora, essa admiração havia sido infectada com dúvida — uma dúvida que roía as bordas de sua mente, instigando-o a ver além do calor no sorriso de Derek, a preocupação gentil em seu tom.
Esse homem poderia realmente ser capaz de maldade?
Se seu pai e Alice o temiam, se a Caçadora foi tão longe a ponto de alertá-lo, então…
Arthur enterrou suas suspeitas sob uma máscara de sinceridade, forçando um pequeno sorriso de desculpas nos lábios.
“Tio Derek, me desculpe se causei algum problema,” Arthur disse, baixando a cabeça em vergonha fingida, “Eu só queria capturar o Ceifador Trovejante, mas acabei quase morto por um cultista. Me sinto verdadeiramente envergonhado como um Caçador.”
Derek soltou uma risada baixa, dando um tapinha reconfortante no ombro de Arthur, “Não seja assim, filho. Se não fosse por você, não teríamos conseguido capturar o Ceifador Trovejante. Mas lamento. Você descobriu da maneira difícil quem ela era.”
Os dedos de Arthur se fecharam em punhos atrás das costas, mas seu rosto permaneceu composto.
Derek suspirou e balançou a cabeça, sua expressão tornando-se sombria.
“Não consigo acreditar que ela chegou tão perto de você enquanto escondia sua verdadeira identidade, nos iludindo por tanto tempo,” disse Derek, seu tom pesado com arrependimento. “Prometo que farei tudo o que puder para descobrir como ela fez isso, incluindo o demônio que se passou por seu mentor, o Trazedor do Inferno.”
Os olhos de Arthur se arregalaram, “M-Meu mentor? Um demônio? Tio Derek, do que você está falando? Como o rei dos demônios poderia estar se passando por meu mentor? Por quê…” Arthur estava verdadeiramente chocado, incapaz de acreditar que Ash era um demônio desde o início. Simplesmente não fazia sentido.
Derek disse com um olhar pesado, “Ele já não é mais o rei dos demônios, mas ainda é um demônio muito perigoso. Quanto ao motivo pelo qual ele se passou por seu mentor, ele deve ter planejado se aproximar de você, usar você para se aproximar da WHA e tentar nos arruinar por dentro. Felizmente, conseguimos descobrir quem ele era, e ele não aparecerá novamente.”
“Não consigo acreditar…” Arthur murmurou com um olhar de incredulidade, dor e decepção, já que confiava tanto em Ash e o respeitava. Mas descobrir que ele era um demônio o tempo todo o esmagou.
Mas se Asher Drake, o demônio mal que todos conheciam como Trazedor do Inferno o treinou e até o ensinou a usar seus poderes, o que ele estava tentando alcançar fazendo tudo isso? Ele não precisava tentar tanto desde o início. Por que ir tão longe para ajudar e mentoreá-lo?
Ash nunca lhe pareceu mal, demônio ou não. Ele tinha um pressentimento de que havia mais nisso do que Derek queria que ele soubesse.
“Obrigado, tio Derek… por me contar isso…” Arthur disse com um sorriso fraco, “Eu só… preciso de algum encerramento agora. Mas acho que deveria voltar para a Terra.”
Um breve e tenso silêncio seguiu suas palavras.
Alice e Edward trocaram um olhar preocupado, sua inquietação quase palpável.
As sobrancelhas de Derek levantaram levemente, como se em leve surpresa, “Terra?” Sua voz permaneceu calma, mas Arthur notou uma leve mudança em sua expressão, um lampejo de algo calculista em seu olho azul, “Sei que você pode querer retomar suas funções como Caçador, mas enquanto você esteve ausente, as coisas mudaram muito em pouco tempo.”
Derek deu um passo em direção à janela do chão ao teto, olhando para a cidade banhada na luz marciana fraca. Sua voz estava cheia de orgulho enquanto continuava.
“Já transferimos mais de um milhão de Caçadores para este novo mundo. Isso significa que mais demônios estão vindo para cá, conforme planejamos. Essa é outra razão pela qual te trouxe aqui, em vez de para a Terra, Arthur.” Ele se virou, seu sorriso tranquilizador. “As pessoas aqui precisam de sua proteção contra os demônios.”
Arthur sentiu seu coração bater.
Mais de um milhão de Caçadores? Em tão pouco tempo?
Derek estava se movendo mais rápido do que ele previa — transferindo mais forças para Marte, garantindo a dependência da Terra neste novo mundo, expandindo seu controle.
Arthur hesitou por um momento antes de contrapor, “Mas os demônios ainda estão atacando a Terra, certo? O Coven dos Malditos ainda está à espreita em nosso mundo natal. Não posso deixá-los sair impunes.”
Essa era a desculpa de que ele precisava.
Se ele pudesse retornar à Terra, poderia encontrar a Caçadora novamente, aprender a verdade completa e montar o que Derek estava realmente planejando.
Mas —
Derek sacudiu a cabeça. “Você não precisa ir atrás deles. Eu já tenho alguns dos melhores Caçadores caçando-os. Nós já destruímos seu esconderijo do culto, e agora eles estão fugindo. Não vai demorar muito até que os capturemos.”
Arthur sentiu uma mistura de frustração e inquietação em seu estômago.
Derek estava decidido a mantê-lo aqui.
Foi então que Edward finalmente falou.
“Derek, eu sei que você tem boas intenções, mas você deveria entender o que meu filho deve estar sentindo agora.” Edward suspirou, balançando a cabeça. “Ele quase morreu nas mãos da Caçadora. Você não acha que é justo que lhe demos uma chance de capturá-la e ao resto dos cultistas por si mesmo? Caso contrário, isso apenas pesaria em seu coração.”
Arthur quase exalou aliviado ao ver o olhar de Derek se voltar para seu pai.
Por um longo momento, Derek permaneceu em silêncio, observando Edward.
Alice e Arthur rezaram para que ele concordasse.
Finalmente—
Derek suspirou, “Ok… você está certo,” Seu olhar encontrou o de Arthur, agudo, mas caloroso,
“Mas eu só posso te dar uma semana antes de precisarmos de você de volta aqui.”
Arthur escondeu sua satisfação, forçando um aceno agradecido.
“Obrigado, Tio Derek. Claro, eu voltarei se não conseguir capturá-los.”
Derek sorriu, sua mão pousando no ombro de Arthur, “Bom. Agora descanse bem antes de partir. Não posso deixar você morrer em mim.”
Com isso, Derek virou-se em direção à porta.
Mas Arthur hesitou.
Ele tinha que perguntar.
“Tio Derek, só mais uma coisa.” A voz de Arthur estava cuidadosamente neutra. “Como o Ceifador Trovejante será punido? Será feita justiça?”
Derek pausou, sua mão pairando sobre os controles da porta.
Por um breve segundo, Arthur pensou ter visto algo piscar na expressão de Derek.
Então, ele virou de volta, seu olho azul calmo, “A justiça terá que ser feita depois que descobrirmos tudo o que precisamos dela. Mas o Juiz decidirá. Não eu.”
Com essas palavras ominosas, Derek deixou a sala.
No momento em que a porta deslizou e fechou-se atrás dele, Alice e Edward visivelmente relaxaram, como se estivessem segurando a respiração o tempo todo.
Edward virou-se para Arthur, sua voz urgente, “Vamos voltar para Terra. Rapidamente.”
—
Nas profundezas mais sombrias da Torre do Infinito,
A sala em que estavam parecia ser esculpida da própria essência da escuridão. Cada canto, cada fenda era um vazio profundo, como se as paredes em si fossem famintas, sugando a luz e engolindo tudo que entrava.
A única iluminação vinha do brilho doentio e branco que banhava a câmara de vidro no centro da sala.
Seu brilho era chocante contra a escuridão, quase antinatural em sua luminosidade, como se estivesse zombando das sombras ao seu redor.
A luz parecia errada, e ainda assim, era a única coisa em que eles podiam se concentrar—como iluminava os lasers vermelhos retorcidos que cruzavam a câmara como os olhos vigilantes de predadores, silenciosamente esperando por um erro.
Dentro da gaiola de vidro, três figuras estavam sentadas. Uma, a mulher frágil no canto, era um espectro de seu eu anterior. Seu corpo, quase invisível sob uma cascata de cabelos branco-prateados, encolhido em uma bola, sua pele fina e frágil, mal conseguindo se agarrar à vida.
Um tubo estava conectado às suas veias do lado de fora.
Sua presença era arrepiante, o ar espesso com o peso de seu desespero e exaustão.
Ela parecia algo perdido, algo há muito esquecido pelo mundo.
Sua forma frágil mal fazia um som enquanto se movia, como se até o ar ao seu redor pudesse estilhaçá-la em mil pedaços.
Do outro lado do vidro, Rachel e Cecília estavam sentadas, suas expressões cansadas, rostos abatidos com o conhecimento de que o tempo aqui não tinha significado.
Dias, ou talvez semanas, haviam passado. Eles não sabiam. Parecia uma eternidade num lugar frio e sinistro como esse, a atmosfera sufocante pesando sobre elas. Elas não falavam há horas, talvez mais.
O que havia para dizer? Cada momento se fundia ao próximo, um fluxo constante de tormento, tanto físico quanto emocional.
“Mãe…” A voz de Rachel estava tensa, seus olhos azuis anteriormente radiantes agora vazios enquanto olhava para a mulher frágil dentro da câmara, “Devemos de algum modo fazê-la falar. Talvez ela saiba de algo. Não podemos simplesmente ficar sentadas assim e não fazer nada.”
Cecília suspirou profundamente, sua própria exaustão evidente enquanto ela se recostava na parede fria de pedra. “Já tentamos isso, mas ela sequer levantou a cabeça uma vez,” ela respondeu suavemente, seu tom carregado tanto de cansaço quanto de empatia.
“Ela não quer falar conosco. Como você planeja fazer alguém como ela falar? Derek até teve que usar um tubo para mantê-la viva à força,” Ela pausou por um momento, seus olhos baixando para o chão, como se o peso da situação fosse demais para suportar, “A pobrezinha deve ter sofrido mais do que podemos imaginar nas mãos daquele monstro.”