O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 791
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791: Liberado, Mas A Que Custo? 791: Liberado, Mas A Que Custo? O ar estava espesso com o calor, o rio derretido abaixo borbulhando e agitando-se, enviando vapores cruentos e densos para o ar, embrulhando as duas figuras como um abraço sufocante.
A encosta do penhasco tremia sob o peso dos ventos escaldantes, mas nem Asher nem Rebecca se mexiam – travados em uma guerra silenciosa de vontades.
Os olhos amarelos escuros de Asher ardiam no olhar de Rebecca, sua expressão indecifrável enquanto ele se aproximava lentamente, seus movimentos vagarosos porém deliberados.
Rebecca cerrava os punhos, sua respiração superficial, mas ela se recusava a desviar o olhar, mesmo enquanto seu corpo se enrijecia.
“Você sabe quem ela é e escondeu isso de mim todo esse tempo?” A voz de Asher era fria, controlada – mas por baixo disso, havia uma borda, um peso que acelerava o pulso de Rebecca.
Ela engoliu em seco, mas não permitiria que ele a visse vacilar. Em vez disso, ela ergueu os ombros, levantando o queixo em desafio.
“Eu nunca disse que sabia com certeza”, ela retrucou, sua voz afiada, “Eu disse que só tinha uma suposição. E por que eu entregaria o meu único cristal de barganha para você? Desde que você me forçou a me tornar sua escrava, eu estive esperando por um momento como este – onde você estaria desesperado para saber o que eu sei em troca da minha liberdade. É exatamente por isso que eu nunca deixei você tomar controle das minhas memórias.”
Os punhos de Asher se apertaram, sua mandíbula tensionada enquanto seus olhos piscavam com uma luz perigosa. Ele odiava que ela tivesse jogado um jogo tão longo, superando-o à sua maneira. Ele sabia que não podia obrigá-la a contar, já que o controle que ele tinha sobre ela não se estendia às suas memórias.
“Uma escrava como você tentando barganhar comigo?” Sua voz era gelada, baixa, letal.
Ele deu mais um passo para a frente, fazendo Rebecca recuar inconscientemente, embora ela rapidamente se enrijecesse, mantendo uma fachada corajosa.
“Não é óbvio por quê?” ela disse, seu tom embebido de irritação enquanto tentava ignorar o jeito que seu corpo reagia à intensidade dele, “Não vejo a hora de me afastar de você, astuto e pervertido.”
Os lábios de Asher se curvaram em um sorriso, mas estava desprovido de diversão.
Com um movimento de sua mão, ele pressionou o dedo indicador contra o peito dela, bem próximo ao vale macio de seu decote profundo, fazendo Rebecca se enrijecer.
O frio toque dele, combinado com o calor escaldante ao redor deles, enviou arrepios por sua pele, fazendo seus nervos formigarem.
Mas então ele a empurrou para a frente, fazendo-a cambalear para trás.
A respiração dela engasgou ao perceber o que ele estava fazendo – empurrando-a em direção à beira do penhasco.
“Eu duvido que seja isso”, Asher especulou, sua voz zombando, cruel, enquanto dava outro passo calculado para frente. “Eu lembro como você gostava de gemer sob mim, especialmente quando eu a punia por sua desobediência.”
O rosto de Rebecca queimou enquanto uma onda de emoções fluía por seu peito. Raiva. Vergonha. Embaraço. Algo mais que ela não queria nomear.
Ela apertou os dentes, mas sua posição estava falhando, suas botas quase tocando a beira desmoronada onde os vapores escaldantes giravam famintos.
“V-Você não pode estar falando sério em me matar, está?” ela gaguejou, sua respiração desigual, embora odiasse o quão incerta sua própria voz soava.
Asher apenas inclinou a cabeça, sua expressão serena, mas seus olhos escuros.
“Por que não?” ele murmurou, se aproximando ainda mais, seu corpo roçando o dela, o calor de sua respiração esfregando contra a pele aquecida dela.
O pulso de Rebecca martelava violentamente enquanto ela sentia a beira do penhasco sob seus calcanhares, o ar ao redor deles denso com tensão.
“Por que eu precisaria de uma escrava que quer fugir de mim?” ele continuou, sua voz mortalmente calma. “Uma morte como esta para uma escrava como você seria um luxo. Não acha?”
O peito de Rebecca subia e descia rapidamente, suor escorrendo por suas costas – não pelo calor da magma abaixo, mas pela inquietante sensação de impotência que ela sentia neste momento.
“Deve ser bom ter o poder do gelo correndo por suas veias”, Asher especulou, seu olhar desviando para o corpo dela que tremia, “Qualquer outro vampiro teria sucumbido a esse calor. Mas me pergunto se seus poderes vão te ajudar uma vez que estiver se afogando naquele rio quente lá embaixo.”
Os olhos de Rebecca se arregalaram, seu estômago torcendo tanto de medo quanto de frustração.
Então – seu calcanhar escorregou.
“NÃO!” ela ofegou, pânico relampejando em seus olhos enquanto seu corpo inclinava para trás – até que um braço forte a envolveu pela cintura, segurando-a no ar.
Rebecca ofegou, agarrando o peito largo de Asher, seu coração martelando contra suas costelas.
Asher a segurou ali, seu aperto firme, sua expressão imóvel.
“Então você tem medo da morte”, ele murmurou, seu olhar escuro, penetrante. “Então você deveria saber o que fazer para evitá-la.”
Os dedos de Rebecca tremiam, mas então ela cerrava os punhos, reprimindo seu medo.
Sua mandíbula se apertou, seu orgulho disputando com seus instintos de sobrevivência.
Com uma respiração profunda, ela ergueu o queixo e encarou diretamente seu olhar frio.
“F-Faça o que você deve”, ela forçou, sua voz tremendo mas resoluta. “Mas eu não direi nada até que você me liberte!”
Então, ela fechou os olhos como se se preparando, apostando tudo em uma única e desesperada chance, sem saber se ele realmente a deixaria morrer. Mas em algum lugar no fundo de seu coração ela mantinha a esperança de que sua vida tivesse alguma significância para ele pelo menos se importar com a vida e morte dela.
Asher a observou em silêncio, seu aperto ainda firme, sentindo o corpo dela tremer sob seu domínio.
Ele podia sentir o medo dela, mas por que ela estava sendo tão teimosa?
Ele estava furioso com ela por esconder informações tão importantes dele, e por que ele hesitava em forçar essa informação para fora dela?
Por um longo momento, nenhum dos dois se moveu.
Então –
“Você venceu, Rebecca.”
Os olhos de Rebecca se abriram de repente, piscando incrédulos.
Antes que ela pudesse sequer processar suas palavras, Asher a puxou bruscamente para trás, soltando-a.
Ela cambaleou um pouco, mas se recuperou, sua respiração ofegante, sua mente girando.
Ele… a deixou ir?
Ele tinha cedido assim tão facilmente?
O olhar dela se voltou para as costas largas dele, agora de costas para ela, de frente para o horizonte fumegante.
Seu coração se contorceu, conflitado por emoções que ela não queria reconhecer.
Ele… realmente se importava?
Ele realmente não queria machucá-la afinal?
Ela esperava que ele tentasse torturá-la pela informação, mas ele não fez nada disso.
Mas Asher simplesmente soltou um longo suspiro cansado, sua voz cortando o ar quente.
“Eu te libertei. Você não é mais minha escrava”, ele disse, virando-se de volta para ela, seus olhos brilhando com finalidade.
Rebecca tinha os lábios entreabertos de surpresa enquanto ela recém percebia que ele realmente a libertou!
Ela já não sentia mais as correntes dele ao redor de seu corpo ou mente. No entanto, por que ela se sentia com um vazio no coração no momento em que não podia mais sentir a presença dele dentro dela?
Por que ela estava se sentindo assim quando deveria estar comemorando isso?
Era irritante!
“Agora, eu quero que você me diga tudo o que sabe.”
O olhar dele escureceu, severo, implacável.
“Se você mentir para mim”, sua voz baixou, arrepiante, “ou esconder alguma coisa… você pagará o preço.”
Rebecca exalou abruptamente, suas unhas se cravando em suas palmas.
Ela tinha vencido… mas a que custo?
Ela finalmente tinha sua liberdade, mas ela não podia ignorar a sensação de peso em seu estômago.
Porque agora – ela devia a verdade a ele. Ele iria odiá-la e matar a mensageira?
Não… isso deve ser para melhor. Ele deveria saber!
Rebecca cruzou os braços e soltou um rispido harrumph antes de dizer com desdém, “Hmph, você se lembra de ter me perguntado quem matou a mãe da Rowena e me humilhar na frente de todos aqueles pervertidos sujos e baixos só porque você não podia acreditar que eu não a tinha matado?”
O maxilar de Asher se apertou, mas ele permaneceu impassível enquanto murmurava, “Eu entendi. Não foi você. Apenas me diga o que eu preciso saber.”
Os lábios de Rebecca se curvaram em um pequeno sorriso amargo. Ela inclinou a cabeça levemente, olhando-o com diversão antes de continuar, “Aquela missão que todos nós fizemos naquele dia? Ela era apenas uma fachada para esconder nosso verdadeiro propósito dos outros. Não era sobre tesouro ou honra. Era para explorar algum tipo de ruínas – embora eu não tenha explorado muito delas.”
As sobrancelhas de Asher se franziram, “Ruínas?”
A palavra atingiu-o, enviando uma onda de realização arrepiante por sua mente. Ela poderia estar falando sobre as mesmas ruínas em que ele e Lori haviam ficado presos antes?
Rebecca deu um aceno curtido, “Sim. Agora não me pergunte mais sobre isso porque Zane não me contou muito – exceto talvez sua esposa. Mas isso não é importante aqui.” Ela tomou uma respiração profunda antes que seus olhos queimassem com raiva fria, “O que é importante é que uma certa vadia descobriu um dos meus segredos e me chantageou para fazer um acordo com ela. Ela disse que eu deveria seguir as instruções dela…senão ela vazaria meu segredo para todos.”
A expressão de Asher escureceu enquanto ele dava um pequeno passo à frente, “Que tipo de segredo faria você se curvar desse jeito?” Asher sabia que alguém como Rebecca era difícil de quebrar, a menos que fosse algo que a afetasse profundamente, como seu filho.
Ombros de Rebecca se enrijeceram, seus dedos tremendo levemente antes dela cerrar os punhos. Houve uma breve hesitação, uma rachadura em sua postura normalmente inabalável.
“Eu-Eu não posso dizer isso”, ela finalmente murmurou, seu tom baixo mas carregado de frustração. “Isso nem mesmo importa para você ou o que estou prestes a dizer.”
O olhar de Asher se aguçou, sua voz constante, implacável. “Não. Eu quero saber. Só então acreditarei que o resto da sua história não é mentira. Eu preciso saber se realmente havia uma boa razão para você ser chantageada.”
Rebecca soltou um pequeno rosnado frustrado, seus lábios se curvando para trás levemente antes de virar a cabeça para o lado, seus longos cabelos prateados caindo sobre seu ombro.
Ela sabia que não podia pressioná-lo demais – não quando ele já estava em seu ponto de ruptura.
Finalmente, com um suspiro resignado, ela murmurou, “F-Fino! Se você quer saber tanto assim…”
Houve outra hesitação antes dela finalmente falar, sua voz mais baixa, resguardada, como se revelar essa verdade fosse de alguma forma pior do que qualquer outra coisa.
“Ela de alguma forma descobriu que meu casamento com Seron era apenas uma fachada para proteger nossos filhos.”
As sobrancelhas de Asher sutilmente se levantaram, mas ele não parecia muito surpreso.
Rebecca soltou uma risada seca, sacudindo a cabeça, “Silvan não é meu filho. Seron fez esse maldito bastardo ao copular com uma criada baixa que pagou por seu crime logo depois.”
Os olhos de Asher brilharam com a realização, “Isso faz sentido o motivo pelo qual você era virgem mesmo depois de todo esse tempo.”
O rosto de Rebecca corou brevemente enquanto ela atirava um olhar fulminante para ele, lembrando-se do maldito dia em que ele roubou sua virgindade. Ela ainda não conseguia desvencilhar-se dessas lembranças ou o que ele a fez sentir naquele dia.
Enquanto isso, Asher já estava juntando as peças.
Sua expressão mudou, sua voz agora carregada de curiosidade, “Mas Oberon… como ele é seu filho, então? Ou você simplesmente roubou o filho de outra pessoa da sua Casa?”
O rosto de Rebecca escureceu, seu olhar flamando com uma genuína ofensa, “Não! Ele é meu filho e tem meu sangue correndo em suas veias!”
Houve um momento de emoção crua em seu tom – algo raro, algo frágil.
Ela deixou sair um respiração lenta e trêmula antes de se firmar, sua voz resfriando em algo mais composto.
“Mas ele não nasceu de maneira convencional.”
O olhar de Asher se estreitou, “O que você quer dizer?”
Os lábios de Rebecca se juntaram, seu olhar carmesim escurecendo, “Eu não conseguia começar a imaginar copular com alguém tão patético quanto Seron ou alguém abaixo de mim, nesse sentido. Mas ao mesmo tempo, eu queria ter meu próprio filho… alguém de minha própria carne e sangue. Alguém para chamar de meu.”
Sua voz suavizou, mas não era por afeição – era por algo completamente diferente. Um anseio, um desespero.
Asher ouviu calmamente enquanto os olhos de Rebecca se vidraram brevemente, como se recordando algo do passado distante, antes de ela dizer com um tom calmamente arrepiante, “Então eu usei uma arte proibida para concebê-lo em meu ventre… e rasguei minha própria barriga para dar à luz a ele.”