O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 789
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789: Segredos em Todo Lado 789: Segredos em Todo Lado No dia seguinte, no Castelo Nightshade,
O grande salão fora da sala de recuperação estava banhado em um brilho sombrio, o suave cintilar de lanternas encantadas projetando sombras nas paredes. O ar estava carregado com tensão e exaustão, um silêncio que nem Sabina nem Silvia conseguiam quebrar.
Por mais de um dia, elas haviam permanecido esperando, com os nervos à flor da pele, suas mentes repetindo sem parar os eventos que as levaram até ali.
A espera era agonizante.
Rowena e Isola estavam ambas inconscientes lá dentro, lutando contra as consequências de uma guerra que tinha despedaçado o seu mundo.
Vários médicos, alguns dos melhores que o Reino Nightshade tinha a oferecer, estavam lá dentro — trabalhando incansavelmente para tratar os ferimentos delas.
Mas já havia passado tanto tempo, e nenhuma delas havia acordado ainda.
Sabina cruzou os braços, tamborilando os dedos impacientemente contra seu bíceps enquanto se apoiava na fria parede de pedra.
Silvia, por outro lado, permanecia rígida, com as mãos entrelaçadas como se em oração silenciosa, seus olhos vermelho-rubi transbordando de preocupação.
A porta para a sala de recuperação finalmente rangeu ao abrir, e ambas as mulheres se enrijeceram.
Do interior da câmara crepuscular, o Rei Lakhur emergiu.
Sua expressão era solene, sua postura carregando o peso de palavras não ditas.
Silvia e Sabina prenderam a respiração, trocando um breve olhar antes de fixarem seus olhares nele.
Lakhur suspirou, esfregando a ponte do nariz antes de falar, “Vocês duas devem finalmente descansar. A rainha está em condição estável, mas as lesões da Consorte Isola são… mais severas,” ele admitiu.
No instante em que as palavras deixaram seus lábios, os olhos de Silvia se arregalaram, seu fôlego preso.
“Não… Por favor diga para Silvia que ela vai ficar bem, Tio Lakhur. Ela é como uma irmã para nós — nós não podemos perdê-la,” Silvia suplicou, sua voz trêmula.
Sabina também lentamente acenou com uma expressão complicada. Mesmo se estivesse de mal com Isola por não contar por que Asher havia partido, ela não podia negar as palavras de Silvia.
Lakhur soltou um suspiro lento antes de encontrar os olhares delas.
“Estamos fazendo tudo o que podemos,” ele assegurou. “Mas suas lesões foram profundas — alguns dos seus órgãos quase romperam. Vai levar tempo antes que possamos dizer com certeza se ela vai se recuperar completamente. O ataque de proteção que ela recebeu pela rainha era destinado a um Devorador de Almas de pico, e não a uma Devoradora de Almas de nível médio como ela… e ela o recebeu enquanto estava completamente sem mana.”
Um silêncio pesado se estabeleceu sobre eles.
Silvia mordeu o lábio, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas.
Os dedos de Sabina se fecharam em punhos, sua mandíbula cerrada.
Elas ambas sabiam que o que ele disse era verdade. Elas tinham ouvido falar.
Do jeito que Isola se lançou na frente de Rowena, protegendo-a sem hesitação, apesar de saber que não tinha mana restante para se defender.
Foi um sacrifício que nenhuma das duas poderia reembolsar.
Mas então, o tom de Lakhur mudou, seu olhar se tornando mais contemplativo, “Mas seu ato valente salvou algo mais… algo igualmente precioso.”
Ambas Silvia e Sabina fixaram seus olhares nele, suas expressões refletindo a mesma confusão.
Sabina estreitou os olhos, “O que você quer dizer? Salvou o quê exatamente?”
Lakhur as estudou por um momento antes de seus olhos suavizarem ligeiramente, “O filho ainda não nascido de sua rainha e do seu rei.”
A respiração de Silvia ficou presa em sua garganta, seu coração pulando uma batida.
“G-Grávida?” ela gaguejou, sua voz mal ultrapassando um sussurro.
Sabina, normalmente ousada, estava com o queixo caído, piscando rapidamente em silêncio atordoado.
Lakhur deu um pequeno aceno, “Então você realmente não sabia…”
A expressão de Sabina se torceu em emoções conflitantes antes dela soltar um escárnio frustrado.
“Como ela pôde… Como pôde esconder isso de nós?” Ela respirou fundo antes de adicionar, “Eu duvido que nosso marido sequer saiba. Caso contrário, ele jamais deixaria o lado dela mesmo se o mundo estivesse acabando amanhã.”
Lakhur suspirou e disse, “Ela deve ter tido suas razões. Talvez ela só tenha descoberto logo antes da guerra começar e não queria preocupar ninguém. De acordo com meus médicos, ela concebeu recentemente. Ela provavelmente não queria sobrecarregar ninguém com esse conhecimento.”
Silvia enxugou os olhos, seus lábios partindo em um sorriso suave e trêmulo.
“Está tudo bem, Sabina… Algo bom finalmente aconteceu.” Sua voz oscilava com emoção, “Nosso marido e a nossa rainha vão ter um filho. Nós vamos ser tias.”
Sabina exalou bruscamente, esfregando a testa como se processando tudo.
Vendo o sorriso lacrimoso, mas genuíno de Silvia, sua própria raiva e frustração começaram a diminuir.
“Sua tola…” Sabina murmurou, mas a ternura em seu tom denunciava seu afeto.
Mesmo em meio a toda essa dor e ruína, isso era algo digno de celebração. Era a única coisa que podia proporcionar algum alívio e felicidade para seu povo.
Mas antes que pudessem digerir completamente a notícia, uma voz cansada de repente falou por trás.
“A rainha está grávida?”
Elas se viraram rapidamente para ver Seron, sua usual compostura composta substituída por uma expressão pálida e exausta.
Os olhos de Sabina escureceram, suas mãos imediatamente repousando em seus quadris.
“Bem, bem… Veja quem finalmente aparece,” ela zombou, inclinando a cabeça.
“Conselheiro Seron, pensamos que você estava morto. E agora você finalmente faz uma aparição — depois que a nossa rainha e Isola já estiveram inconscientes por um dia? Era para você estar aqui conosco, cuidando delas e nos dizendo o que fazer a seguir.”
Seron suspirou pesadamente, passando uma mão pelo seu cabelo desgrenhado, sua usual impecável compostura agora completamente desgastada.
“Eu não queria estar ausente,” ele murmurou, seu tom grave.
“Então o que te manteve?” Sabina desafiou, cruzando os braços. Sua expressão brevemente amoleceu enquanto perguntava, “Silvan está bem?” Sabina se perguntou se Seron havia retornado tarde porque algo aconteceu a Silvan.
“Ele está… bem…” Seron apertou os dentes enquanto a face de Silvan brilhava em sua mente como um espectro atormentador.
Ele se sentia como um traidor.
Não só para sua rainha, mas para seu povo, para tudo que ele jurou proteger.
Seu próprio filho… aquele que ele criou, no qual acreditava, havia participado da queda de seu reino.
Ele nunca viu isso chegando.
O peso de seu fracasso pressionava pesadamente em seus ombros, como correntes envolvendo sua própria alma.
Parte dele queria partir, caçar Silvan e fazê-lo responder pelo que tinha feito.
Mas por onde ele deveria começar?
Silvan tinha desaparecido, sem deixar rastros.
E por mais que ele quisesse persegui-lo, ele sabia — no fundo — que seu lugar era aqui.
Mesmo que sua rainha escolhesse puni-lo por falhar em ver o que seu filho estava tramando, ele merecia.
Ele tomou uma respiração funda e estabilizadora, repelindo a tempestade de emoções, apenas para sentir outro olhar penetrante sobre ele.
Sabina.
Seus olhos vermelhos espetrados o encaravam, cheios de suspeita e frustração, como se tentassem arrancar seu silêncio com pura força de vontade.
Ele não podia contá-las.
Ainda não.
Sua rainha merecia ouvir primeiro.
E então, forçando sua expressão a permanecer neutra, ele finalmente falou.
“Consorte Sabina, eu quero mesmo lhe contar. Mas temo que a rainha precise ouvir isso de mim primeiro.”
Sabina zombou, seu rabo chicoteando atrás dela em pura incredulidade, “Você está falando sério? Por que diabos todo mundo está mantendo segredos de nós?! Isso é ridículo!” ela estourou.
Silvia, parada ao lado dela, gentilmente bateu no pulso de Sabina, tentando acalmá-la.
Ela entendia a frustração, realmente.
Mas Seron não era qualquer um — ele era um dos seus conselheiros mais confiáveis, e depois de tudo que tinha acontecido, ela duvidava que ele esconderia algo sem uma razão.
Lakhur, que vinha observando silenciosamente a troca, finalmente pigarreou, “Conselheiro Seron, receio que você não poderá falar com sua rainha agora.”
Sua voz era firme mas calma, “Mas assim que ela acordar, eu o informarei. Todos vocês devem descansar agora. Só então serão capazes de apoiar sua rainha quando ela acordar. Eu agora voltarei aos meus deveres.”
Com isso, ele lhes deu um breve aceno antes de virar nos calcanhares e se afastar.
Os outros, apesar de suas emoções, se curvaram ligeiramente em respeito enquanto ele se afastava.
Seron hesitou por um momento antes de suspirar.
“Eu… Eu voltarei quando ela acordar,” ele finalmente disse, sua voz pesada, como se cada palavra o estivesse arrastando para baixo.
Então, sem esperar por uma resposta, ele também seguiu seu caminho, seus ombros pesados de culpa.
Sabina observou ele se afastar, seus dedos se fechando em punhos apertados.
“Eu juro que vou desenterrar quaisquer segredos que todos estão escondendo de nós,” ela murmurou em tom sombrio.
Mas antes que Silvia pudesse responder, outra voz cortou.
“Silvia, posso falar com você?”
Silvia se virou, suas sobrancelhas se levantando ao ver Kayla a poucos metros de distância, sua expressão séria.
“Kayla? O que foi?” Silvia perguntou, a preocupação infiltrando-se em sua voz.
Kayla uniu os lábios, seus dedos esfregando nervosamente um contra o outro antes de ela falar.
“É algo importante que eu preciso que você ouça primeiro. Eu me lembrei de algo sobre o que aconteceu naquele ‘dia’.”
O fôlego de Silvia se prendeu levemente.
Aquele dia.
O dia em que Kayla quase perdeu a sanidade.
O dia em que ela quase perdeu tudo.
Sabina revirou os olhos, claramente irritada, “Ótimo. Mais um segredo que ninguém quer que eu saiba.”
Kayla se voltou para Sabina, seus olhos pedindo desculpas, “Me desculpe. Mas só seria correto se Silvia soubesse disso primeiro.”
Sabina soltou um suspiro dramático antes de acenar com a mão desdenhosamente, “Tudo bem, tudo bem. Vá e ouça o que for.”
Então, sem sutileza, ela empurrou Silvia para a frente, ganhando um olhar severo da mesma. Sabina estava confiante que poderia arrancar seja lá qual fosse o segredo de Silvia mais tarde.
Kayla deu um pequeno e grato sorriso antes de liderar Silvia para o extremo distante do salão.
Uma vez que estavam longe o suficiente, Silvia se virou para Kayla, seus nervos já se tensionando.
“Kayla, você está fazendo Silvia se preocupar. O que foi que você se lembrou?”
Kayla hesitou.
Seus olhos escuros brilhavam com insegurança, sua postura rígida.
Então, ela finalmente falou.
“Eu me lembrei de quem era aquela mulher… a que incapacitou minha mente.”
Silvia sentiu um frio percorrer sua espinha.
Seu coração batia forte, seu fôlego preso.
“Quem era…?” ela perguntou, sua voz mal ultrapassando um sussurro.
Kayla respirou fundo, suas mãos tremendo levemente enquanto ela finalmente pronunciava o nome.
No momento em que as palavras deixaram seus lábios, os olhos de Silvia se arregalaram em puro horror.
Seu corpo congelou, sua mente atordoada.
‘Não… Não pode ser…’