O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 788
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788: Um Motivo Para Continuar Vivendo 788: Um Motivo Para Continuar Vivendo O ar vulcânico se contorceu e distorceu, preenchido com o pesado odor de rocha derretida e carne chamuscada.
O corpo de Rhygar se tensionou, seus instintos gritando para ele correr, fugir, se afastar o máximo possível daquela coisa.
Mas seu orgulho não permitiria que mostrasse fraqueza diante daquele cão alienígena. Ele rangeu os dentes, ignorando o arrepio aterrorizante que rastejava por sua espinha.
Ao invés disso, ele se virou em direção ao Cavaleiro Sangue de Dragão ao seu lado, sua voz se quebrando em um latido frenético, “O que está olhando?! Mate—”
“Hurgh!”
Um grunhido gutural o interrompeu.
Seus olhos se arregalaram conforme o som de carne sendo rasgada preencheu o ar.
O corpo armado do Cavaleiro Sangue de Dragão se sacudiu violentamente, um antebraço ósseo em chamas irrompendo por seu peito.
Chamas esverdeadas vorazmente lambiam a ferida aberta, e na mão esquelética da morte estava o seu coração ainda pulsante, as veias ainda tremendo.
A boca do cavaleiro se abriu em um grito silencioso, seu corpo tremendo em choque.
Então—
Crunch.
O coração implodiu, se desfazendo em cinzas entre os dedos ardentes de Asher.
O Cavaleiro Sangue de Dragão desmoronou, sua vida extinta em um instante.
Rhygar soltou um gás horrorizado, sua respiração vindo em rajadas curtas e apavoradas.
Ele tropeçou para trás, suas pernas tremendo incontrolavelmente, enquanto o cadáver se inclinava para trás e caía no abismo fundido abaixo.
Seu corpo inteiro se travou enquanto o Trazedor do Inferno se posicionava à sua frente, seu esqueleto envolto em chamas esverdeadas, suas órbitas vazias resplandecendo com uma fome escura e anormal.
Então, em uma voz que era mais um sussurro de morte do que um discurso, Asher falou—
“Corra.”
O fôlego de Rhygar se prendeu em sua garganta.
E ele correu.
Ele virou imediatamente, suas asas coriáceas se abrindo amplas, preparadas para decolar no céu e nunca olhar para trás.
Mas antes que pudesse ascender—
Um som agudo, zunindo cortou o ar.
Rhygar mal teve tempo para registrar a lâmina anelar em chamas cortando o osso de sua asa esquerda, separando-a limpa de suas costas.
Uma borrifada de sangue espesso e escuro jorrou, seus nervos gritando de dor enquanto seu equilíbrio vacilava.
“AHHHHHHH!” Seu grito de dor rasgou o ermo.
Mas ele não teve tempo nem para processar a dor antes de—
A lâmina anelar voltar, cortando sua asa direita com a mesma precisão brutal.
Seu corpo se inclinou para frente, suas asas cortadas caindo no abismo fundido, sua carne chiancado ao contato com a lava.
Ele colapsou de joelhos, seus gritos preenchidos com dor crua e excruciante.
“P-Por favor—!”
Suas palavras foram interrompidas enquanto Asher agarrava a parte de trás de sua cabeça, esmagando seu rosto contra a rocha escaldante abaixo deles.
Seu crânio rachou, sua visão girando.
Então, o sussurro da morte veio novamente—
“Você ousou olhar para ela.”
Asher levantou a cabeça dele, forçando Rhygar a olhar para ele, “N-Não…Não!”
O fogo fundido nos órbitas vazias de Asher girava violentamente, um abismo de vingança.
“Você até ousou tocá-la.”
Os polegares de Asher pressionaram para a frente, suas mãos esqueléticas em chamas envolvendo o rosto de Rhygar, “NÃO!!! POR FAVOR, NÃO!!!”
Chamas esverdeadas infiltraram suas órbitas oculares.
Então—
Ele pressionou para dentro.
“YAAARGHHHH!!!”
Os gritos de Rhygar romperam pelo ar, ecoando pelo deserto vulcânico.
O som terrível de carne derretendo e globos oculares estourando preencheu o silêncio.
Seu corpo inteiro convulsionou, seus braços se debatendo fracamente enquanto sua visão se transformava em uma eternidade de escuridão.
O cheiro de carne queimando preencheu suas narinas, e seus gritos se tornaram roucos, sua respiração vindo em engasgos sufocados.
Mas Asher não havia terminado.
Seus dedos esqueléticos deslizaram para baixo, envolvendo a boca de Rhygar.
“Sua súplica me enoja.”
Então—
Com um único puxão impiedoso, Asher arrancou a língua de Rhygar.
Um pedaço sangrento de músculo se balançava de seus dedos antes que ele o jogasse de lado como lixo.
“GRGHH!” Rhygar engasgou, sangue se acumulando em sua garganta, seu corpo tremendo violentamente enquanto ele engasgava em seu próprio sangue vital.
Seus lamentáveis murmúrios abafados eram nada mais do que ruídos embaralhados, a dor tomando seu ser por inteiro.
Asher ficou acima dele, assistindo-o se contorcer como um inseto moribundo, antes de inclinar ligeiramente a cabeça.
“Patético.”
Então—Asher levantou sua lâmina anelar, as chamas esverdeadas se intensificando, queimando com um julgamento mais antigo que o próprio tempo.
“Eu vou te dar um novo par de asas que te cabe.”
A lâmina anelar chicoteou, fatiando o tórax de Rhygar.
Ossos estalaram e se partiram enquanto Asher rasgava seu peito aberto, descascando sua caixa torácica aparte como as asas de uma besta abatida.
A carne vermelha exposta tremia, o calor das chamas cauterizando as feridas, mas fazendo-o sentir cada segundo disso.
A boca de Rhygar se abriu em um grito silencioso, sua voz já lhe havia sido roubada, seus olhos há muito derretidos na escuridão.
Seu corpo se debatia violentamente, mas ele não tinha mais forças para lutar.
Asher o observou por mais alguns segundos, suas chamas crepitando com fome, antes de finalmente—
Ele soltar.
O corpo mutilado de Rhygar colapsou para a frente, sua cavidade torácica ainda aberta, sangue se acumulando ao redor.
Sua vida desapareceu enquanto Asher apagava as malditas chamas que estavam prestes a consumir seu cadáver.
Ele nem deu outra olhada em seu cadáver antes de se afastar.
O ar permanecia pesado com o odor de carne carbonizada e rocha derretida, os ecos dos gritos agonizantes de Rhygar prolongando-se como um pesadelo que desvanece.
Lysandra sentou-se no chão chamuscado, seu corpo não tremendo de choque, mas de algo mais—um alívio silencioso e perturbador.
Ela assistiu cada segundo da execução impiedosa de Rhygar por Asher.
A maneira como ele o abriu, a maneira como arrancou suas asas, a maneira como o deixou sofrer, pedaço por pedaço…
Era não diferente de como Drakar e Rhygar despedaçaram Droco, o homem que ela um dia chamou de pai.
Os lábios dela se entreabriram levemente, um suspiro escapando enquanto uma estranha sensação de paz se acomodava sobre ela.
O bastardo imundo do Drakar estava morto.
Ele nunca mais respiraria. Nunca mais mancharia os céus com sua presença. Nunca mais ela teria que tolerar seu repulsivo ser.
E, pela primeira vez em décadas, o peso insuportável em sua alma parecia um pouco mais leve.
Ela exalou, lentamente, profundamente enquanto se levantava.
Então, ela o viu.
Asher tinha se voltado para ela, as chamas escuras de sua forma de Trazedor do Inferno recuando, sua carne e pele rapidamente se reconstituindo sobre seu esqueleto até que ele estava diante dela, inteiro novamente.
Seus olhos se suavizaram enquanto ele a encarava, alívio inundando seu rosto.
Lysandra, porém, desviou o olhar, virando a cabeça enquanto falava com uma voz fria e baixa—
“Por que você me seguiu? Eu disse para você não vir.”
Asher deu um passo à frente, suas botas esmagando contra a pedra chamuscada abaixo deles, sua expressão carregada de tristeza e convicção.
“A última vez que alguém que eu amo me disse para ir embora”, ele disse, sua voz espessa de emoção, “eu perdi o meu reino e muitos do meu povo. Não vou cometer esse erro novamente. E agora… estou aliviado e feliz por não ter feito.”
Lysandra apertou a mandíbula, as emoções que tentava tão arduamente suprimir ameaçavam transbordar.
Seus dedos se fecharam em punhos antes de se obrigar a encontrar o olhar dele novamente, seus olhos cheios de um frio, mas apenas contido, dor.
“Isso não muda nada”, ela disse amargamente. “Você não realmente salvou minha vida quando não há nada para salvar.”
A expressão de Asher ficou mais tensa, seus olhos faiscantes com algo profundo e implacável.
Ele deu outro passo à frente, sua presença dominando-a, e sem aviso, sua mão alcançou a dela, dedos envolvendo seu pulso.
Ela imediatamente se tensionou, tentando se soltar.
“Não… me deixe ir”, ela sussurrou, embora sua voz carecesse da força que já teve.
Mas Asher não a soltou.
Em vez disso, ele apertou seu agarre, puxando-a para mais perto.
Seus olhos ardiam nos dela, cheios de algo cru, algo frágil, algo dolorosamente real.
“Sei que você perdeu a vontade de viver”, ele murmurou, sua voz quebrando levemente, “mas eu quero que você entenda… desde que você se tornou parte do meu coração, saber o que eu tinha feito a você e esconder de você estava me matando por dentro.”
Lysandra parou, sua luta cessando enquanto ela fitava o olhar dele—um preenchido apenas com dor e arrependimento.
Asher continuou, sua expressão amolecendo, seu polegar gentilmente esfregando em seu pulso.
“Eu só queria proteger você da dor”, ele admitiu, “mas você também estava certa. Eu estava tentando aliviar minha culpa. Ainda assim… isso não muda o fato de que eu também estava com medo de perder você. Eu gostaria de poder mudar o passado, mas não posso. Você não tem que me perdoar… mas se houver alguma chance de redenção, até para mim, quero lutar por ela. Quero lutar por você, Lysandra, mesmo que você escolha me odiar pelo resto da sua vida.”
O peito de Lysandra apertou, seus dedos tremiam em seu aperto.
Uma guerra se enfurecia dentro dela.
A raiva, o ressentimento—eles ainda arranhavam seu coração.
Mas também algo mais.
Algo quente, algo aterrorizante, algo que ela não queria sentir.
Asher deu um sorriso triste e cansado, sua voz agora mais suave, doendo de emoção,
“Pelo menos assim, você tem um motivo para continuar vivendo. Não me importo de ser esse motivo, então por favor… não jogue sua vida fora por pessoas patéticas como eu que te machucaram.”
Ela engasgou.
O peito doeu.
E apesar de tudo—apesar da dor, da traição, da perda, do ódio que deveria tê-la consumido—seus dedos apertaram em vez de empurrá-lo para longe.
Seus olhos se encheram de lágrimas, seus lábios tremeram enquanto ela finalmente deixava as paredes ao redor de seu coração racharem.
“Por quê…” ela sussurrou, sua voz quebrando.
Ela baixou a cabeça, como se tentasse se proteger dele, mas as lágrimas já começaram a encher seus olhos.
“Por que você continua me fazendo sentir assim…”
O aperto de Asher permaneceu firme, inabalável.
Então, com o sorriso mais gentil, ele sussurrou de volta—
“Porque eu amo você.”
O mundo inteiro de Lysandra se inclinou.
Ela lentamente ergueu a cabeça, seu olhar encontrando o dele, e o que ela viu em seus olhos não era apenas afeição.
Era devoção.
Era uma promessa, um voto silencioso de que ele nunca a deixaria ir, não importa quão quebrada ela se sentisse.
Seu fôlego se estremeceu, seu corpo balançando levemente como se sua própria alma estivesse sufocando com o peso de seu amor.
E Asher, vendo a vulnerabilidade em seus olhos, fez a única coisa que parecia certa.
Ele se inclinou.
O coração de Lysandra se contraiu.
Ela queria empurrá-lo para longe. Ela deveria estar amaldiçoando ele, para machucá-lo tanto quanto estava machucada por dentro. E ainda assim ela se viu olhando em seus olhos cheios de calor sem fim, fazendo-a sentir algo dentro dela derreter, algo que ela tinha tentado congelar.
Seus lábios pairaram logo acima dos dela, esperando—oferecendo, não tomando.
E naquele momento, ela se entregou.
Ela diminuiu a distância, seus lábios pressionando contra os dele, uma rendição silenciosa.
Os braços de Asher a envolveram, segurando-a como se ela fosse algo frágil, mas precioso. Lysandra tremia em seu aperto, seus dedos se enrolando em suas costas. E enquanto suas lágrimas caíam, elas não eram apenas de dor—mas de saudade.
O calor de seus lábios se infiltrou em sua alma, derretendo o gelo que ameaçava engoli-la por inteiro.
Mas justo quando Asher pensou que ela finalmente o havia escolhido novamente, ela subitamente se afastou.
Sua respiração estava ofegante, suas mãos tremendo enquanto ela recuava.
“Eu… Eu não posso”, ela sussurrou, balançando a cabeça enquanto dava um passo para trás, lágrimas brilhando em seus olhos.
As sobrancelhas de Asher se franzeram, “Lysandra…”
“Eu não posso aceitar o que você fez… Ainda não”, ela murmurou, engolindo em seco.
Uma tempestade rugia em seu coração, sua mente capturada no caos. Ela não sabia se poderia perdoá-lo, mas sabia de uma coisa—ela não estava pronta.
Ela virou as costas para ele, abrindo suas asas prateadas escuras.
“Lysandra…” Asher a chamou suavemente, mas não a impediu.
Ela hesitou por um momento. Apenas um momento. Mas ela não olhou para trás.
E conforme suas asas batiam e ela subia para o ar, ela apenas deixava para trás um sussurro:
“Agora tenho um motivo para continuar vivendo.”
E com isso, ela se foi.
Asher ficou lá, assistindo-a desaparecer no horizonte.
Seu coração se contraiu com angústia, mas também com esperança e alívio.
Porque desta vez, ela não o mandou parar de lutar.
Ela não disse que nunca voltaria.
E isso era suficiente.
Por enquanto.