O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 760
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760: Um Reino Quebrado 760: Um Reino Quebrado A voz de Seron tremia quando ele deu um passo inseguro à frente, “F-Filho?”
Silvan virou-se lentamente, seus movimentos deliberados, sua expressão calma e desapegada. Ainda assim, havia algo perturbador no sorriso amargo e fraco que curvava seus lábios enquanto ele fixava os olhos em seu pai.
O vislumbre de calor no olhar de seu filho ainda estava lá, mas também havia um vazio arrepiante que ele nunca tinha visto antes.
“Pai,” disse Silvan suavemente, sua voz calma, mas com uma corrente subjacente que enviava um arrepio pelo ambiente, “eu realmente desejei que não nos víssemos assim. Mas eu suponho que era inevitável.”
Seron sentiu uma pontada aguda no peito, uma inquietação o esfaqueando como lâminas frias. Ele ergueu a mão levemente, sua voz tremendo quando disse, “Filho… por favor me diga que isso não é o que estou pensando.”
Silvan soltou um suspiro baixo e cansado. Sua cabeça inclinou levemente como se lamentando uma verdade que ele não podia mudar, “Lamento, Pai,” disse ele, seu tom pesado. “É o que é.”
Os olhos de Seron arregalaram, seu fôlego preso enquanto suas mãos começaram a tremer.
Ele avançou, sua voz rachando sob o peso de sua descrença, “P-Por quê? Por que você cometeria tamanha traição, Silvan? Como você pôde nos trair quando você é um príncipe deste reino? Eu…a rainha… todos confiaram em você para proteger nosso reino! Não para ajudar a destruí-lo!”
Seu maxilar se apertou, e uma tempestade de raiva, dor e traição irrompeu dentro dele, “Você deveria ser o nosso futuro! Como você pôde nos apunhalar pelas costas assim?”
“Um príncipe?” Silvan interrompeu com uma risada seca que não tinha qualquer calor.
Seu sorriso torceu-se em algo vazio, “Tem certeza que posso realmente ser chamado assim?”
O peito de Seron apertou com as palavras, e sua expressão endureceu, o peso delas penetrando mais fundo em sua alma.
A voz de Silvan suavizou, tingida de amargura e resignação, “Eu sei o quão raivoso e desapontado você está se sentindo agora, Pai. Mas você já parou para pensar como venho me sentindo todos esses anos? Você teve coragem o suficiente para confrontar seus próprios sentimentos, aqueles que você enterrou pelo bem deste reino quebrado?”
As sobrancelhas de Seron franziram, sua voz vacilante, “O que… O que você está dizendo?”
“Está na hora de você parar de fingir como se nunca tivesse acontecido,” disse Silvan, balançando a cabeça devagar, sua expressão se suavizando em uma de tranquila angústia, “Porque estou cansado de fingir que minha mãe nunca existiu… minha mãe de sangue, que nunca teve sangue real correndo por suas veias.”
Os olhos de Seron tremeram, sua voz mal acima de um sussurro, “Você…Você se lembra do que aconteceu?”
“Eu sei que você tentou apagar minhas memórias dela quando eu era criança,” Silvan disse, sua voz firme, mas havia um tremor de dor por baixo, “Você seguiu as ordens do rei, é claro. Mas graças a alguém… eu lembrei delas. E quando eu lembrei, a dor foi diferente de tudo que eu já tinha conhecido.”
Ele desviou o olhar brevemente, seu maxilar apertando, “Você se apaixonou por uma criada. Uma mulher de ‘sangue inferior’, como os nobres zombariam. Eu entendo por que você tentou fazer com que ela… se livrasse de mim. Mas ela me manteve, Pai. Ela me amou antes mesmo de eu nascer, mesmo sabendo que custaria tudo para ela.”
Os lábios de Seron se entreabriram, mas não sairam palavras. O peso das revelações de seu filho era como um torniquete em volta de seu coração.
“E mesmo depois que nasci,” Silvan continuou, sua voz caindo para um murmúrio baixo, “ela nem podia me dizer que era minha mãe. Quando eu brincava com ela quando criança, eu não sabia… mas eu sentia. Aquele calor, aquele amor—algo que nunca senti daquela mulher louca com quem você teve que se casar, que a tratava como lixo.”
A expressão de Silvan endureceu, sua voz agora mais fria, “Não só ela, mas todos a tratavam como lixo. Exceto você. Mas mesmo você… você nunca realmente a ajudou, não é? Você me protegeu, sim. Mas ela? Não.”
Seron deu um passo vacilante à frente, sua garganta apertando, “Silvan, eu—”
“No dia em que soube que ela era minha mãe,” Silvan cortou-o, sua voz aguçada como vidro, “foi o dia em que ela foi executada. Nós nem mesmo chegamos a dizer nossas últimas palavras um ao outro. Alguém expôs ela e seu segredo ao rei, e ela pagou o preço. Porque neste reino, uma plebeia que ousa ter o filho de um nobre merece a morte, não é? Essa é a regra. A lei. Uma lei tão distorcida, que desafia a razão.”
Seus olhos brilharam brevemente, mas sua voz permaneceu firme, “Eu nunca entendi isso antes. Eu me perguntava vez após vez—por quê? Por que os de baixa patente são punidos simplesmente por existir, enquanto os poderosos fazem o que querem sem consequências? Por que este reino é tão quebrado como o mundo em que existe? Por que este mundo é tão injusto com os fracos?”
Ele fez uma pausa, seus olhos vermelho-escuros encontrando os de Seron com uma intensidade penetrante, “E então eu encontrei minha resposta. Este reino está podre desde as raízes. É uma carcaça fingindo estar viva. Foi quando tomei minha decisão.”
A voz de Seron rachou, seu corpo tremendo, “Qual decisão?”
Os olhos de Silvan queimaram com uma determinação gélida enquanto ele disse, “De derrubar tudo isso antes de construir algo melhor desde a base. De dar tudo que tenho para consertar o que você e aqueles antes de você se recusaram a enfrentar.”
O saguão ficou silencioso, o peso cru das palavras de Silvan pressionando contra o peito de Seron. Ele só podia olhar para seu filho, o menino que ele outrora protegeu, agora de pé como o arquiteto de uma traição que cortava mais fundo do que qualquer lâmina.
A voz de Seron tremeu quando finalmente falou, suas palavras tremendo com incredulidade, “Então você está disposto a deixar nosso povo morrer? Incluindo os fracos que você afirma proteger?”
Os olhos de Silvan suavizaram brevemente, um lampejo de tristeza atravessando sua calma fachada, “Eu já evacuei aqueles que desejavam viver em um lugar melhor,” disse ele calmamente, “Os cansados de lutar e morrer por um reino que nunca se importou com eles. Quanto aos demais…” Ele hesitou, seu olhar caindo por um momento fugaz, “Eu não posso salvar a todos. Mas o sacrifício deles não será em vão.”
Seron deu um passo à frente, suas mãos tremendo ao seu lado, “Você ouve a si mesmo? Qual é o ponto de tudo isso? Você acha que os draconianos perversos com quem você se aliou não irão se voltar contra você e aqueles que se juntaram a você no momento que sua utilidade para eles acabar?”
Silvan inclinou sua cabeça levemente, sua expressão permanecendo calma, “Você entendeu mal, Pai. Eu não me juntei aos draconianos. Eu simplesmente estou usando eles para servir aos meus propósitos.” Seu tom era factual.
A voz de Seron se elevou, tingida de desespero, “Não… você não poderia ter feito isso sozinho. Alguém ajudou você. Quem foi?”
Os olhos de Silvan se estreitaram brevemente, uma sombra de pensamento passando por seu rosto antes dele responder, “Você está certo. Eu não agi sozinho. A que mais me ajudou, quem possibilitou os portais de teletransporte para trazer os draconianos aqui, foi Kira. Ela quer que todos neste reino saibam que a mão dela trouxe a destruição dele.”
O coração de Seron pulou uma batida, seus olhos arregalando em incredulidade, “Kira? A última Caleumbra?” ele sussurrou, balançando a cabeça, “Isso não pode ser. Você nunca foi ao bordel dela—Eu nunca vi vocês dois juntos.”
Silvan deu uma risada seca, sua voz tingida de amargura, “Claro que não. Um bordel não é onde alianças são forjadas, Pai. Kira me procurou anos atrás, em segredo, assim como fez com outros que foram prejudicados por este reino. Eu era apenas uma criança então, mas mesmo assim eu pude ver a verdade nas palavras dela.”
A mandíbula de Seron se apertou enquanto ele ouvia, sua pulsação batendo em seus ouvidos.
“O Reino Eclipsion foi uma vez um lugar de beleza e paz,” Silvan continuou, sua voz crescendo mais dura, “Até o seu reino destruí-lo por ganância. Este reino, os nobres senhores — eles nunca hesitaram em extinguir vidas de inocentes por poder e terras. Ela nos fez ver a verdade de quão podre tudo em nosso reino era. Foi quando decidi que nunca faria parte de tal reino e que tentaria acertar as coisas.”
Os dentes de Seron se cerraram enquanto ele balançava a cabeça veementemente, “Silvan, como você pôde deixar um inimigo te persuadir assim? Aquela mulher não se importa com você ou o que é certo. Ela está usando você e todos os outros para fazer sua vontade.”
“Não me importo se ela se importa com minha causa ou o que é certo,” disse Silvan agudamente, sua voz inabalável, “Tudo que importa é a verdade que ela revelou. Eu fiz essa escolha, e nossos objetivos acabaram se alinhando. Isso é tudo.”
O rosto de Seron se contorceu de angústia, sua voz falhando enquanto ele dava um passo incerto mais perto, “Silvan… por favor, pare com essa loucura. Ainda não é tarde demais. Volte comigo. Peço desculpas… eu falhei em não ver sua dor todos esses anos, mas me dê uma chance para corrigir isso. Me perdoe desta vez, e deixe-me fazer o certo por você.”
Ele estendeu a mão, tremendo mas esperançoso, um apelo silencioso gravado em seus olhos.
A expressão de Silvan suavizou-se enquanto olhava para seu pai. Um sorriso triste e leve tocou seus lábios.
“Pai,” ele começou, sua voz mais baixa, “Eu não odeio você. Eu não estou com raiva de você. Não mais. Você foi o melhor pai que eu poderia ter pedido em um mundo assim. Eu sei que você foi forçado. Mas é tarde demais. Mesmo que os portais sejam fechados agora, não importa. Este reino já está condenado.”
Ele estendeu sua própria mão, como se oferecendo uma salvação, “Venha comigo. Deixaremos este reino quebrado para trás e construiremos algo melhor. Este reino não merece sua lealdade.”
Os olhos de Seron cintilaram com lágrimas não derramadas, seu corpo tremendo com o peso das palavras de seu filho. Por um momento, sua determinação vacilou. Mas então, lentamente, ele abaixou a mão estendida. Um cajado negro materializou-se em sua mão, sua esfera vermelho-escura brilhando ominosamente na ponta, lançando uma luz sinistra por seu rosto.
“Eu também lamento,” disse Seron, sua voz firme apesar da umidade brilhando em seus olhos. “Eu não posso trair meu reino ou minha terra natal. Sou muitas coisas, mas não um traidor que deseja ver a queda de seu reino. Se você realmente acredita que nosso reino está além de salvação, então terá que me enfrentar antes de derrubá-lo.”