O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 736
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736: Os Diabos Sorriram 736: Os Diabos Sorriram O ar na Dimensão dos Condenados era escaldante, a própria atmosfera opressiva e sufocante.
O céu — se é que poderia ser chamado assim — era um espelho rachado de escuridão, os estilhaços refletindo nada além do desespero.
Pedaços quebrados pairavam acima como vidro estilhaçado e afiado, cada um deles refletindo um mundo há muito perdido.
Lava verde escura jorrava de vulcões, espesso magma rochoso fluindo como sangue de uma ferida aberta, desaguando na terra enegrecida abaixo. O próprio solo era um terreno retorcido, em constante mudança, de magma, pedras afiadas e sombras mutantes.
No meio dessa paisagem desolada e infernal, Asher estava sozinho, carregando o corpo sem vida de Emiko em seus braços. Seus passos eram silenciosos contra o pano de fundo infernal, mas cada passo que ele dava parecia ecoar com o peso de sua escolha.
Ele não tinha certeza se era a coisa certa a fazer, trazendo-a até aqui, para este lugar onde o próprio ar parecia gritar tormento. Mas uma coisa era certa: nesta dimensão abandonada, seu corpo estaria seguro. Aqui, em um reino de sofrimento eterno, não havia mais nada que pudesse machucá-la.
Asher fez uma pausa no meio da terra, suas chamas verde-escuras cintilando fracamente ao redor de sua forma, sua mão esquelética segurando firmemente o corpo ainda de Emiko. Ele olhou para baixo, para o rosto sereno dela, embora soubesse que ela estava além de seu alcance agora.
Seu coração se contorceu enquanto ele sussurrava, “Que você encontre paz.” As palavras pareciam tão vazias em tal lugar — um desejo irônico quando ele estava a deitando para descansar em um lugar de danação eterna.
Ele balançou a cabeça, o peso da situação pressionando sobre ele, mas havia uma parte dele que se agarrava à crença de que sua alma, pelo menos, estaria em um lugar melhor. Ela havia sido uma boa pessoa. Ela merecia isso.
Subitamente, o solo diante dele rachou aberto. Era como se a própria terra se separasse para abrir espaço para seu lugar de descanso. As rochas se moveram e deslizaram para longe, revelando uma cavidade apenas grande o suficiente para acomodá-la. Sem hesitar, Asher abaixou suavemente o corpo de Emiko no espaço esculpido, observando enquanto a terra rochosa lentamente se fechava sobre ela, enterrando-a profundamente no solo desolado.
Seu coração estava pesado enquanto o terreno voltava ao lugar, selando-a neste túmulo abandonado. Por um momento, Asher ficou ali, encarando o lugar onde ela agora jazia. Seus olhos estavam calmos, mas sombrios, sua mão ainda pressionada contra a terra como se oferecesse um último pouco de conforto. ‘Você foi uma das poucas que valeu a pena proteger,’ ele pensou, sua voz perdida nos ventos que uivavam ao redor dele. Ele respirou fundo, então se virou, desaparecendo da Dimensão dos Condenados com o mesmo silêncio assustador com que chegara, deixando apenas a terra torturada para trás.
—
O sol da manhã nascia lentamente sobre o reino, a luz carmesim lançando uma tonalidade escura pelo horizonte.
Rowena estava sentada em sua escrivaninha, seu olhar fixado nos documentos à sua frente, o peso de suas responsabilidades a puxando como uma pesada corrente. Ao seu lado, Ceti organizava alguns papéis, seus olhos aguçados vasculhando o quarto antes de finalmente pousar em Rowena.
Seu rosto estava tenso como se algo a estivesse roendo por dentro.
“Nosso Exército Carmesim possui apenas 55.000 fortes, mesmo depois de tentarmos treinar o maior número possível de soldados no último ano,” Rowena disse, sua voz firme, mas preenchida com preocupação. “Mesmo se reuníssemos todos os soldados que as nobres Casas têm a oferecer, seria, na melhor das hipóteses, cerca de 40 a 45.000. Não seria o suficiente para enfrentar o exército de 250.000 fortes da Praga Draconiana, o mais forte exército do Reino Draconis, pessoalmente criado pelo próprio Drakar. E isso sem sequer considerar os soldados que ele pode reunir do resto das famílias nobres de seu reino e seus vassalos, o que poderia chegar a esse número ou mais.”
A seriedade de suas palavras fez eco.
A expressão de Ceti ficou sombria ao ouvir as palavras que ela temia. Ela podia sentir a pesada aura de incerteza que cercava Rowena enquanto ela falava, e apertou a mão de Rowena em apoio.
“Não se preocupe, Sua Majestade,” Ceti disse suavemente, sua voz cheia de garantia, “Nós conseguimos treinar milhares de homens para nosso Exército Carmesim em tão pouco tempo, e isso já é uma grande conquista por si só. Normalmente, teria levado pelo menos uma década. Fizemos tudo o que podíamos, e tenho certeza que Asher e Lysandra darão conta do recado. Eles garantirão que não teremos que nos preocupar com Drakar ou seus exércitos. Não é essa uma das razões pelas quais ele está sempre lá fora?”
Os olhos de Rowena suavizaram ligeiramente com as palavras de Ceti, sua expressão se aliviando um pouco.
Ela assentiu e soltou um pequeno suspiro de alívio, “Eu sei, mas ainda assim temos que estar preparados e fazer o nosso dever. Mas como você disse, é uma grande conquista termos treinado tantos soldados em tão pouco tempo, e o crédito é principalmente seu. Sem você ter criado o plano de treinamento perfeito, isso não teria sido possível. Pelo menos estamos consideravelmente mais fortes do que estávamos no ano passado.”
Ceti deu um sorriso caloroso, seus olhos cheios de orgulho, “Todos nós tínhamos nossos papéis a desempenhar, Sua Majestade. E eu—”
“Unn…” Rowena subitamente fez uma careta, colocando a mão em seu estômago enquanto soltava um arquejo. Seu rosto torceu com desconforto, uma fina camada de suor formando-se em sua testa.
Ceti imediatamente olhou para cima alarmada, sua preocupação enchendo suas feições, “Sua Majestade, a senhora está bem?”
Os olhos carmesins de Rowena piscaram confusos, sua testa franzindo, “Eu… Eu não me sinto bem por algum motivo,” ela murmurou, sua voz baixa, forçada.
“Talvez algo que você comeu ou bebeu estava estragado,” Ceti sugeriu, sua voz entrelaçada com preocupação e um toque de raiva invadia seu tom enquanto adicionava, “Vou investigar e ver quem foi descuidado o suficiente para não verificar direito.”
Rowena balançou a cabeça fracamente, ainda segurando o estômago enquanto seu desconforto aumentava, “Não… não pode ser isso. Eu sempre inspeciono tudo pessoalmente, e não estavam ruins,” ela murmurou enquanto se levantava lentamente, fazendo uma careta.
A preocupação de Ceti aprofundou, e ela imediatamente se levantou de sua cadeira, correndo para o lado de Rowena, “Eu vou chamar o Senhor Igrid!” ela disse, sem perder tempo. O médico real era o único capaz de entender o que estava acontecendo, e Ceti sabia que não podiam se dar ao luxo de demorar mais.
“Não… Vamos para o meu quarto primeiro,” Rowena disse fracamente, seu corpo balançando levemente enquanto ela se levantava. Ela alcançou a mão de Ceti, agarrando-a firmemente enquanto fazia careta de desconforto, “Vou ficar bem. Eu só preciso deitar por um momento.”
Ceti não tinha certeza disso, mas assentiu, seu rosto ainda preenchido com preocupação. E no momento seguinte, as figuras de ambas desapareceram do salão.
–
As pesadas portas de madeira dos aposentos da rainha clicaram suavemente, o som abafado de uma batida respeitosa precedendo a chegada do médico real.
Ao as portas se abrirem gentilmente, Igrid ficou na entrada, sua reverência profunda carregando o peso do respeito que ele tinha por sua rainha. Seu tom era calmo, mas preenchido com urgência enquanto ele se dirigia à rainha.
“Eu vim o mais rápido que pude, Sua Majestade. Posso?” Igrid perguntou, sua voz cheia de propriedade, seus olhos escaneando o quarto antes de pousar em Rowena, que estava apoiada contra o encosto da cama.
Uma careta sutil estava marcada em seu rosto, suas feições desenhadas com desconforto, enquanto Ceti se sentava ao seu lado, uma expressão de grande preocupação marcando sua usualmente calma aparência.
Rowena assentiu com uma expressão cansada, embora tentasse mascarar sua inquietação, “Entre, Igrid,” ela murmurou, sua voz suave, mas com uma ponta de calma forçada.
Enquanto Igrid fechava as portas atrás dele, ele caminhou até o lado da rainha, mantendo ainda uma distância respeitosa. Ele observou Rowena, notando seu esgotamento.
“Não era necessário vir. Eu ficarei bem logo,” Rowena disse, sua expressão composta apesar do cansaço em seus olhos.
Ela tentou permanecer calma, mas o desconforto era aparente, e o olhar preocupado de Ceti nunca a deixou.
“Isso não é o suficiente, Sua Majestade,” Ceti de repente disse com um tom firme, mas que carregava preocupação. “Em momentos como este, não podemos correr riscos com seu bem-estar. Eu teria chamado Isola e as outras consortes, mas sei que você insistiu em não perturbá-las.”
Rowena suspirou suavemente, mas deu um leve aceno de concordância, “Eu sei, Ceti. Mas eu apenas… não queria incomodá-las. Estou bem.”
A expressão de Igrid suavizou com compaixão enquanto ele assentia para ela, “Eu sei que você não queria incomodar ninguém, Sua Majestade. Mas agora, por favor, deixe-me verificar sua condição.”
Rowena, muito exausta para protestar mais, assentiu, “Muito bem, Igrid.”
Igrid se aproximou, seu comportamento calmo inabalável. Ele pairou sua mão logo acima do abdômen de Rowena, seus dedos brilhando levemente com uma luz azul escura, que emanava como uma névoa suave, envolvendo o estômago dela com um brilho quase de outro mundo.
Mas então, os olhos calmos de Igrid se arregalaram ligeiramente. Suas sobrancelhas se franziram, e por um breve momento, um lampejo de descrença passou por seu rosto. Tanto Rowena quanto Ceti viram isso, e a tensão na sala cresceu à medida que ambas olhavam para ele preocupadas.
“Há algo errado?” ambas perguntaram em uníssono, suas vozes tingidas de preocupação. A pergunta simultânea fez com que se olhassem, compartilhando um medo não dito.
A expressão de Igrid suavizou, sua mão baixando lentamente do abdômen de Rowena. Ele encontrou o olhar dela, sua voz agora um pouco mais cautelosa, mas com uma calorosidade que apenas crescia, “Sua Majestade… a senhora vomitou ou se sentiu muito enjoada recentemente?”
Rowena, ainda contemplativa, deu um aceno lento, embora não entendesse completamente para onde ia essa linha de questionamento, “Sim, tenho me sentido bastante mal nos últimos dias… náusea, fadiga… mas eu pensei que era apenas estresse. Eu… não dei muita importância até que piorou hoje.”
A testa de Ceti se franziu enquanto sua ansiedade aumentava. Ela nunca tinha visto Igrid reagir assim — seu comportamento usualmente composto havia mudado, e ela sentiu um nó desconfortável no estômago enquanto esperava ansiosamente por suas próximas palavras.
Igrid abaixou a mão, seu olhar suavizando, e ele deu a ela um sorriso tranquilizador, “Os diabos sorriram para o seu ventre, Sua Majestade.”
Houve uma longa pausa enquanto Rowena e Ceti olhavam para ele, inicialmente não entendendo completamente. E então, à medida que suas palavras se encaixaram, os olhos de ambas se arregalaram com choque e incredulidade.
“Você está agora… grávida, Sua Majestade,” Igrid disse calorosamente, embora suas palavras estivessem carregadas de gravidade.
O quarto ficou em silêncio por um momento. O peso de sua declaração atingiu Rowena como um raio, sua mão instintivamente pressionando contra o estômago enquanto ela tentava processar o que acabara de ouvir. Grávida? Ela? Não fazia sentido.