O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 724
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724: Não Dê a Eles Poder Sobre Você 724: Não Dê a Eles Poder Sobre Você Anna falou com um tom frio como gelo, mas havia algo estranhamente definitivo em suas palavras, “Eu nunca tive escolha. Mas você pode fazer uma agora. Venha comigo quietamente, e não precisarei machucar você.”
O olhar de Asher era firme enquanto ele a encarava, “E aqui pensei que o Ceifador Trovejante não se rebaixaria a fazer ameaças vazias.”
As mãos de Anna se fecharam em punhos, o mana ao seu redor se intensificando, “Eu disse que preferiria não te machucar. Mas se você me forçar, eu vou.”
A expressão de Asher endureceu, “Então você seguiria em frente com isso, mesmo sabendo as consequências?”
Anna balançou a cabeça devagar, o peso dos seus pensamentos pressionando-a como uma tempestade esmagadora. Sua voz, fria e distante, ecoou, “Eu não me importo com o que acontece comigo.”
Asher permaneceu parado, sua expressão indecifrável. Lentamente, quase relutante, ele assentiu. “Certo… Você só se importa com a vida dos seus amigos em Marte, certo?”
Recentemente, Asher havia recebido uma ligação de Rachel, contando tudo sobre o passado de Anna, as escolhas sombrias que ela havia feito, e o sombrio controle que Derek tinha sobre ela.
As peças estavam se encaixando. Asher finalmente entendeu por que Anna estava fazendo tudo o que Derek ordenava, e agora ele sabia o que tinha que fazer: convencê-la a parar de obedecê-lo.
A menção de seus amigos atingiu Anna como um golpe. Seu corpo ficou rígido, e ela se virou levemente, o choque visível em sua postura.
Sua voz tremeu de incredulidade enquanto murmurava, “Como… Como você sabe?”
Asher sorriu ironicamente, seu tom casual, “Vamos apenas dizer que tenho amigos em todos os lugares. Mas esse não é o ponto aqui.”
Seu corpo ainda estava tenso, suas mãos fechadas em punhos, mas ela não se moveu, “Então você sabe que eles têm a vida dos meus amigos nas mãos deles,” ela disse, sua voz tensa, mas determinada. “Eu não deixarei eles morrerem por minha causa. Eu não suportei tudo isso esses anos apenas para parar de protegê-los agora.”
Asher debochou, seus lábios curvando-se em um sorriso afiado, “Protegendo eles? Como você protegeu Mira?”
O ar pareceu congelar por um momento. O corpo de Anna se tornou rígido, seu peito arfando levemente, como se a simples menção do nome de Mira fosse um golpe físico.
Seu coração se apertou com uma dor insuportável, e os raios de relâmpago dançando ao redor de seu corpo, tremiam com fúria contida, “Não… diga o nome dela…”
“Por quê?” Asher retrucou, seus olhos duros e focados, “Te assombra que você falhou em salvar uma vida depois de matar milhares? Claro, eu não estou aqui para pregar sobre a moralidade por trás de suas ações, mas para te dizer o quão tolas elas são. Você está deixando eles te usarem para fazer o trabalho sujo deles, e você acha que eles vão poupar seus amigos quando tudo terminar? Se eles nem piscaram ao matar um de seus amigos por um pequeno erro, então eles podem matá-los todos quando bem entenderem. E eles vão.”
Os olhos de Anna piscaram, um pequeno traço de incerteza passando por seu rosto normalmente estoico. Seus punhos tremeram, e por um momento, sua resolução vacilou.
Ela havia tentado afastar essa verdade de sua mente, mas ouvi-la dele… atingiu muito perto, “Não importa,” ela disse, sua voz tensa, mas inabalável, “Eles são tudo o que eu tenho, e eu continuarei a protegê-los enquanto eu puder.”
O olhar de Asher estreitou, sua voz cortando o ar com uma borda silenciosa e brutal, “Quem disse que a única maneira de protegê-los é obedecendo a um monstro que nem mesmo se importa com seu próprio povo?”
Anna estremeceu, sua postura vacilando levemente. Asher podia ver—o momento em que ela começou a duvidar de tudo o que havia acreditado.
“Eu posso te ajudar se você deixar,” Asher disse, suas palavras como uma corda jogada para uma mulher afogando, “Se você realmente se importa com seus amigos—e Arthur—você saberia a coisa certa a fazer. Você acha que eles vão agradecer por você matar tantas pessoas que nada têm a ver com você ou seus amigos? Não…” A voz de Asher ficou mais baixa, mais intensa, “Você apenas vai fazer eles se sentirem mais miseráveis e culpados por sequer existirem. Você fez essas coisas por eles, e agora eles vão carregar esse fardo para sempre. Você acha que vale a pena? Ou você simplesmente não se importa com os sentimentos deles, mas somente com os seus?”
Os olhos de Anna baixaram para o chão, seus dedos lentamente se desenrolando, tremendo enquanto ela imaginava o que seus amigos, Cila e Arthur diriam se descobrissem o que ela tinha estado fazendo todo esse tempo.
O pensamento era sufocante, insuportável. Um lampejo de culpa roía seu coração, mas ela empurrou-o para longe, se apegando à única coisa que pensava poder ainda controlar—sua promessa de protegê-los.
Asher podia ver, porém. Ele podia ver as rachaduras se formando em sua resolução. Ele estava conseguindo. Só mais um pouco…
Mas então, algo mudou. Uma súbita vibração do fone de ouvido de Anna fez seu corpo tensar, e seus olhos se abriram arregalados com medo.
Ela se moveu como se estivesse por instinto, rapidamente atendendo a ligação. Asher franziu a testa, seus sentidos em alerta máximo. Havia algo errado. Ele podia sentir isso no fundo do estômago.
“AAHH!!”
O grito que ecoou pelo fone fez o coração de Anna congelar em seu peito, “Cila?!” ela gritou horrorizada, sua voz rachando enquanto pressionava desesperadamente o dispositivo contra sua orelha.
A carranca de Asher se aprofundou, sua mente acelerando. Ele já podia adivinhar o que estava acontecendo. Algo estava terrivelmente errado.
Mas ao invés da voz de Cila, um riso frio e malicioso ecoou do outro lado. “Você ouviu aquela rata chorando, certo? A Dr. Lila está aqui comigo, pronta para amputar as duas pernas dela só para encaixar um par de pernas metálicas enferrujadas para combinar bem com seus braços.”
O sangue de Anna congelou ao reconhecer a voz de Max Schmidt, o que ela conhecia como Mestre, e sua mão tremeu violentamente enquanto ela ofegava, “NÃO! Por favor, não, mestre!”
Seu coração batia em seu peito, cada batida um lembrete retumbante de sua impotência. A voz do outro lado zombava de sua dor, saboreando seu medo, “Você sabe do que nós somos capazes, Anna. Você sabe o que acontece se você não ouvir. Você não tem controle aqui. Nós podemos manchar este laboratório limpo com o sangue sujo de demônio dela tanto quanto quisermos, hahaha.”
O ar frio pairou pesado, espesso com tensão, enquanto Anna desabava de joelhos, seu peito arfando em desespero. O fone ainda crepitava com estática, a voz malevolente do outro lado persistindo em seus ouvidos como um veneno. “Por favor, mestre… Eu não fiz nada de errado…” Sua voz quebrou, tremendo sob o peso de sua própria culpa. As palavras, implorando, eram tão frágeis quanto os laços que a mantinham unida.
Ela podia sentir o próprio mundo desmoronando sob ela, enquanto seus pensamentos se descontrolavam. O rosto de Cila piscou diante dela—vulnerável, aterrorizada—e naquele momento, Anna sentiu o peso total do que estava prestes a perder.
Sua mente girava enquanto voltava ao pior momento de sua vida: o peso sem vida do corpo de Mira aconchegado em seus braços. Ela não podia deixar isso acontecer com Cila. Ela não podia. Não de novo. A ideia era insuportável. E ainda assim, por mais que ela odiasse admitir, o medo de falhar com Cila a estava forçando a tomar passos que ela sabia que não deveria.
A voz cruel e zombeteira do outro lado da linha cortava seus pensamentos com precisão mortal. “Você quer dizer ainda não. Nós sabemos onde você está agora e que o alvo está bem na sua frente. Mas você ainda não o trouxe pra gente. Cada minuto que você desperdiça, mais sua companheira demônio rata perderá sua carne. Então é melhor você usar sua velocidade para acelerar as coisas… kekeke.” A voz se arrastou em uma risada maníaca, e a ligação subitamente cortou.
“Espera!” Anna ofegou, mas não houve resposta, apenas o silêncio do vazio. A realidade de sua situação a atingiu com uma força esmagadora. Ela estava sendo manipulada, forçada a um jogo onde as regras eram escritas por alguém mais, e se ela não agisse, Cila sofreria.
Asher não precisou ouvir mais para saber o que havia acontecido. Seus olhos estavam fixos em Anna, e ele podia ver—a desesperança, a impotência nela.
Ele entendeu exatamente o que ela estava enfrentando. “Anna, eu sei o que eles estão tentando fazer, mas não ceda a eles,” ele disse, sua voz carregada de urgência. “Eles nunca vão parar se você der poder sobre você para eles.”
Anna não respondeu imediatamente. Seus ombros caíram, seus movimentos lentos e deliberados enquanto ela lentamente se levantava, o peso de suas escolhas a esmagando ainda mais.
Ela olhou para Ash, seus olhos vazios de dor, e neles, ele viu o medo cru de uma mulher que foi forçada a viver sob dor e tormento por tempo demais.
“Você não entende, não é?” A voz de Anna era rouca, impregnada de amargura, “Desde o momento em que nasci, eu nunca tive poder sobre meu destino. Eles sempre tiveram poder sobre mim. E agora tudo o que eu sei é que não posso deixar minha única irmã restante se machucar por minha causa.”
A mandíbula de Asher se apertou, a frustração construindo em seu peito, “Maldita seja, Anna!” Sua voz rachou com uma mistura de raiva e frustração, mas antes que ele pudesse dizer mais, Anna se desfez diante dele, uma fagulha de relâmpago amarelado escuro, mais rápida do que seus olhos podiam acompanhar.
Ela estava indo para ele. Em um piscar de olhos, a mão de Anna disparou, mirando diretamente a nuca dele. Um golpe destinado a nocautear, para rapidamente levá-lo e entregá-lo aos seus mestres para salvar Cila antes que eles a machucassem mais.
Mas no momento em que sua mão se aproximou do alvo, uma violenta e explosiva onda de energia verde escura irrompeu de Asher.
Foi instantâneo—cegante em seu poder—como se o próprio ar ao redor dele tivesse se transformado em uma tempestade.
*BOOOM!*
A explosão jogou Anna para trás, seu corpo sendo arremessado pelo ar, batendo no chão com um som ensurdecedor.
Anna gemeu, desorientada, seus membros doendo da explosão. Mas não era a dor ou a sensação de sua força parcialmente drenada que mais a atingia—era o choque avassalador.
Lentamente, ela se levantou, seus olhos arregalados com incredulidade. Ela virou, seu olhar se fixando na fonte da explosão, e o que ela viu tirou o fôlego de seus pulmões.
Diante dela estava uma figura esquelética, envolvida nas sombras mais profundas da noite. Chamas verdes escuras lambiam as bordas de sua forma, lançando um brilho sinistro contra o manto de tinta que cobria seu corpo.
O seu crânio estava fixo em um olhar permanente e inexpressivo, seu olhar cortando a luz fraca como um espectro infernal.
“Você… Você é o Trazedor do Inferno?” A voz de Anna tremia quando ela falou o nome, um nome que a enchia de choque e confusão. Ela nunca esperou alguém como ele, treinando Arthur, dentre todos. Isso não fazia sentido.
O crânio do Trazedor do Inferno se moveu muito sutilmente enquanto ele falou, sua voz um eco oco, “Eu estou decepcionado, Anna,” ele disse, seu tom frio, mas estranhamente lamentoso, “Eu pensei que você faria a escolha certa, mas agora você é quem nos deixa sem escolha.”
Das sombras, figuras começaram a emergir—entrando na luz fraca, revelando-se enquanto cercavam Anna.
Os olhos de Rebecca se estreitaram com desdém enquanto ela avançava, sua voz pingando de desprezo, “Eu sabia. Essa vadia dos Invisíveis estava tentando tramá um plano para emboscar você, hmph!”
Em seguida veio Grace, sua jaqueta de couro vermelha colada ao seu corpo, seu capuz vermelho lançando uma sombra sinistra sobre seu rosto.
Ela se apoiava em um cajado com um ar de quieto poder, seus olhos vasculhando os arredores com foco calculado. Atrás dela estavam Yui e Emiko, suas expressões cheias de ansiedade, mas determinadas a ajudar sua mestra.
Graças a Rebecca, eles conseguiram responder a tempo de ajudá-lo.
O olhar de Anna oscilou entre eles, seu coração martelando enquanto ela reconhecia cada um. A Caçadora. A Mestra Gélida Sanguínea. As duas curandeiras que sempre andavam ao lado da Caçadora. Todas estavam lá, todas contra ela, e naquele momento, Anna percebeu que talvez não saísse viva dali.
A voz de Asher cortou o silêncio espesso, atravessando seus pensamentos como uma lâmina, “Agora, você vai se render ou morrer tentando?”
As palavras pairaram no ar, pesadas e definitivas.
Era isso. Não havia volta.