O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 684
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684: Obrigado a Sacrificar 684: Obrigado a Sacrificar Cecília finalmente conseguiu se recompor, empurrando o turbilhão de emoções para o fundo da mente e forçando-se a focar no monte de papéis à sua frente.
Ela precisava se concentrar—este projeto era crucial. Mas justo quando começava a fazer progresso, uma batida repentina na porta ecoou pelo seu escritório.
Sem olhar para cima, ela disse casualmente, “Sim?”
A porta se abriu com um clique, e uma voz suave e encantadora alcançou seus ouvidos. “Como vai, Cecília?”
Seu coração deu um pulo enquanto seus olhos se direcionavam à porta. Lá estava ele—um homem diabolicamente atraente, alto e autoconfiante, vestindo uma camisa branca de mangas curtas que se ajustava perfeitamente ao seu corpo musculoso, e jeans pretos que lhe conferiam um ar charmoso e descomplicado. Em uma das mãos, ele segurava uma caixa retangular grande e azul-escuro.
“A-Ash?” Cecília gaguejou, seu rosto corando levemente enquanto ela se levantava rapidamente, “O que você está fazendo aqui?”
Asher riu, seu sorriso brincalhão, mas com um toque de algo mais profundo, “Por que tão surpresa? Estou aqui para trabalhar para você, claro. Ou você esqueceu que ainda sou seu consultor de segurança para as Torres de Conexão?”
Cecília se retorceu internamente. Como poderia esquecer? Ela estava planejando liberá-lo da posição—ele já tinha um emprego na WHA, e ela não queria arriscar provocar algo entre eles.
Mas este projeto era importante demais. Com Derek envolvido e a segurança da Torre de Conexão em jogo, ela não podia se permitir outro desastre. Não com Ash sendo um dos melhores.
Limpando a garganta, ela se compôs, “Aprecio que você tenha chegado no horário, mas não há necessidade de você vir até aqui. De agora em diante, você pode consultar minha secretária se tiver algo a discutir a respeito do trabalho. Tenho alguns assuntos importantes para resolver,” ela acrescentou, sua voz firme enquanto se sentava novamente, fingindo focar nos documentos à sua frente.
O sorriso de Asher desapareceu levemente, substituído por uma expressão de mágoa fingida. Ele se aproximou da mesa, seu olhar fixo no dela. “Então, você está me afastando agora, hein? Depois de me usar? Eu realmente não significo nada para você? É por eu ser apenas um coitado aleijado?”
O coração de Cecília se afundou com as palavras dele. Ela olhou para cima, os olhos arregalados de incredulidade, “O quê? Não, Ash. Eu nunca te usei, e certamente nunca pensei menos de você por causa do que aconteceu. Definitivamente não é isso. Mas você tem idade suficiente para entender que sou uma mulher casada. Não podemos continuar tendo essas… interações impróprias.”
Asher riu baixinho, o som baixo e quente, mas com uma ponta de amargura, “Interações impróprias? Desde quando é impróprio para dois adultos desfrutarem da companhia um do outro? Você pode não se importar comigo, mas eu me importo com você. Consigo ver o quanto você está sofrendo, mesmo que ninguém mais veja. Isso… isso que me perturba. Eu só quero te ver feliz.”
Cecília sentiu uma pontada no peito, suas emoções uma confusão embaralhada. Ela suspirou, passando a mão pelos cabelos, “Ash, por favor. Não faça isso. Você ainda tem um futuro brilhante pela frente. É charmoso, gentil e mais do que capaz de encontrar alguém perfeito para você. Não perca seu tempo com alguém como eu. Sou velha, casada… isso não terminará bem para nós dois.”
Asher deu um passo mais perto, sua presença se tornando repentinamente avassaladora. Ela involuntariamente se afastou na cadeira, a respiração suspensa enquanto a voz dele baixava, “Uma mulher perfeita? Não preciso de mais ninguém. Mesmo que você pense que está cheia de defeitos, você é a única que eu quero. Meu coração… ele bate apenas por você, Cecília. Se você se considera velha, então todas as mulheres jovens deste planeta devem se considerar velhas.”
Os cílios de Cecília tremeram com as palavras dele, e ela pôde sentir o calor subindo pelas suas bochechas. Ela desviou o olhar, sua voz trêmula enquanto murmurava, “Você deveria guardar esses elogios para mulheres jovens.”
Asher sorriu, sua voz firme mas suave, “Você é jovem aos meus olhos, Cecília. É por isso que guardei essas palavras para você. E quanto a ser casada… não é isso que está te causando tanta dor? Não é isso que está impedindo você de ser feliz? Aos meus olhos, a única coisa que não vai terminar bem é se você continuar se punindo assim.”
Cecília sentiu seu coração torcer, as palavras dele tocando um ponto profundo dentro dela.
Ela vinha lutando, presa entre o dever e seus próprios desejos, mas ouvir Ash falar tão aberta e sinceramente era como sal numa ferida aberta.
“Por favor, Ash…” ela sussurrou, sua voz trincando levemente. Ela não sabia se estava implorando para ele parar ou continuar, mas de qualquer forma, as linhas que ela havia traçado para se proteger estavam se borrando.
Asher inclinou-se levemente, sua expressão suavizando enquanto ele adicionava, “Não estou pedindo nada mais do que sua felicidade. Isso é tudo o que eu sempre quis para você. Você realmente pode olhar para mim e dizer que está feliz com o jeito que as coisas estão?”
Sua respiração parou, e por um breve momento, ela não pôde falar. Ela não podia mentir, não para ele. Mas ao mesmo tempo, ela não pode deixar que isso continue, a menos que acabe em uma situação perigosa novamente.
Asher colocou cuidadosamente a caixa azul-escuro retangular na mesa de Cecília, sua presença quase sinistra na tensão silenciosa do ambiente. Sua voz, no entanto, continuava gentil. “Você não precisa me responder. Mas antes quero te presentear com algo… Por que você não a abre?”
Cecília piscou, surpresa com as palavras dele. Seu olhar se deslocou para a caixa, a curiosidade aguçada apesar dos alarmes soando em sua mente.
Que tipo de presente ele teria trazido? O que isso deveria significar?
Com dedos hesitantes, ela desfez o fecho da caixa, sentindo uma mistura estranha de entusiasmo e apreensão. Quando a tampa se levantou, ela prendeu a respiração.
Dentro, descansando sobre veludo macio, havia um lírio branco—suas pétalas cintilavam como se fossem tecidas de poeira estelar, brilhando suavemente com uma luz etérea.
A flor parecia zumbir com mana, uma energia radiante e calmante enchendo o ar ao seu redor. Era impossível desviar o olhar.
“Isto… Isto é—” Cecília murmurou, sua voz tremendo de incredulidade.
O sorriso de Asher era sutil, mas caloroso, “Sim. É a Flor de Luz Estelar, famosa por emitir uma fragrância radiante e calmante que pode curar feridas, acalmar o coração e ajudar a lembrar de memórias felizes.”
Seu olhar permaneceu fixo na flor, mas sua mente estava distante—puxada para memórias há muito enterradas. Ela se viu como uma menina pequena, correndo por prados iluminados pelo sol, a risada de seu pai ecoando no ar enquanto eles brincavam.
Seu coração se apertou, e seus olhos brilharam com lágrimas não derramadas. Aquelas memórias tinham sido forçosamente suprimidas por sua família, junto com todo vestígio de seu pai. Ela nem sequer pôde comparecer ao funeral dele. Ela não pôde sequer se lembrar dele quando importava.
Por ameaçar a honra de sua família, até mesmo adquirir esta flor lhe foi negado.
E então, de repente, outro fragmento de memória piscou em sua mente. Ela estava rindo e conversando com Cédric enquanto escutava atentamente. Quando essa memória foi suprimida?
Mas se lembrar do rosto dele fez seus olhos tremerem enquanto ela de alguma forma emergia de seus pensamentos.
“Como… Como você sabia que esta era minha flor favorita?” Cecília perguntou, a voz embargada enquanto seus olhos azuis radiantes brilhavam com lágrimas. O peso do passado, da perda, pesava em seu coração.
O olhar de Asher se suavizou, sua voz calma mas firme, “Eu não sabia. Só queria te dar algo que te lembrasse como é sentir-se feliz.”
Mas na verdade, Asher sabia. Cecília havia lhe dito uma vez, quando ele era Cédric, que a única flor no mundo que ela gostava era a Flor de Luz Estelar.
Ele nunca imaginou que tal fato confidenciado a ele serviria para algo agora.
O queixo de Cecília tremeu enquanto ela segurava o caule da flor firmemente, como se temesse que soltá-la apagasse a frágil conexão com seu passado.
As memórias fluíam, agridoces, avassaladoras. Seu coração estava pesado, mas pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu algo mais—algo próximo de calor.
Sem pensar, Asher estendeu a mão, segurando o rosto dela suavemente. Seu toque era quente, firme, contudo terno enquanto ele inclinava a cabeça dela para cima, guiando-a a encontrar seus olhos.
Sua voz era um sussurro, mas carregava o peso de sua saudade, “Agora você percebe o quanto foi forçada a sacrificar? Por que você não permite que eu torne as coisas de modo que você não tenha que sacrificar nada mais?”
E antes que Cecília pudesse responder, antes que sua mente pudesse alcançar suas emoções, Asher se inclinou, seus lábios roçando os dela com uma lentidão deliberada, o calor de seu beijo envolvendo-a como uma onda.
Os cílios de Cecília tremeram, seu corpo inicialmente tenso, mas conforme o calor de seus lábios se fundiam aos dela, uma parte sepultada de seu coração parecia agitar-se. Ela sentiu uma estranha paz, um lenitivo para a dor que guardara trancada por tanto tempo.
Sua mão tremeu, o aperto na Flor de Luz Estelar se intensificando.
Seus dedos lentamente se enrolaram no tecido da camisa de Ash, seu coração batendo no peito como se acordasse após anos adormecido.
A aura da flor a banhava, sua mana agitando suas emoções, fazendo-a sentir como se sua própria alma se fundisse ao calor dele.
Seus muros estavam caindo, e ela não sabia se teria a força para reconstruí-los novamente.
Antes que percebesse, seus lábios começaram a se mover contra os dele, como se buscassem o consolo que apenas seu beijo poderia oferecer. Sua mão agarrava sua camisa com mais força, atraindo-o para mais perto enquanto se entregava à tempestade silenciosa que crescia em seu coração.