O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 663
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663: Apenas Uma Chance 663: Apenas Uma Chance Asher voltou ao seu mundo, seu rosto marcado pelo cansaço de seus deveres, embora a única coisa que ele esperasse era o seu casamento com Silvia amanhã.
A iminente guerra lançara uma sombra sobre o que deveria ser uma ocasião alegre—a união de sua Casa com a Casa Valentine.
Ainda assim, o casamento com Silvia era mais do que um evento cerimonial; era um símbolo de esperança, um farol destinado a elevar os espíritos de seu povo nestes tempos sombrios.
Surgindo de seu caixão com a luz da manhã lançando longas sombras pelo quarto, Asher foi recebido por Merina, cuja presença era um contraste caloroso com o frio de seus pensamentos. Ela se curvou respeitosamente, seu sorriso um bálsamo gentil para o seu cansaço.
“Bem-vindo de volta, Mestre,” ela disse, oferecendo-lhe uma bebida revigorante, “Tudo correu bem? Você parece um pouco cansado. Talvez devesse descansar um pouco.”
Asher aceitou o copo com um aceno de cabeça grato e envolveu o braço ao redor da cintura aveludada dela, atraindo-a para perto, “Até agora, tudo bem. Mas…” Seu sorriso desaparecia enquanto seu olhar se endurecia com determinação, “Ainda não posso me dar ao luxo de descansar. Nosso povo e nosso mundo ainda estão em perigo.”
A expressão de Merina suavizou-se com preocupação enquanto ela olhava para ele, “Existe alguma maneira de eu poder ajudar, Mestre? Por favor, não hesite em me utilizar como desejar.”
Asher balançou a cabeça gentilmente, seu tom caloroso apesar da gravidade de suas palavras, “Não sinta como se não estivesse me ajudando. Você é uma das razões pelas quais consigo continuar sem desistir. Só de estar aqui comigo, você está oferecendo mais apoio do que sabe.” Ele a puxou mais para perto, seus lábios encontrando os dela em um beijo terno enquanto deixava sua mão passear por suas curvas suaves.
Merina fechou os olhos, saboreando seu calor e seu cheiro. Seu toque nunca falhou em derreter sua alma.
No entanto, quando Asher se afastou, um vislumbre de hesitação passou pelo rosto dela, “Mestre, tem algo que eu queria lhe dizer.”
“O que é?” Asher perguntou, terminando sua bebida e soltando um suspiro satisfeito.
“Oberon quer falar com você… em particular. Ele parecia bastante desesperado e inquieto,” Merina disse, com a testa franzida de preocupação.
O olhar de Asher estreitou-se levemente enquanto seu rosto se fechava em uma carranca, “Ele não causou nenhum problema, causou?”
Merina balançou a cabeça rapidamente, “Não. Ele estava surpreendentemente implorando para vê-lo. Fiquei um pouco surpresa com a urgência dele e me perguntei se era algo importante.”
Um sorriso frio tocou os lábios de Asher, “Finalmente. Já era hora de ele voltar à razão. Diga a ele para me encontrar no meu quarto.” Ele sempre se perguntou quanto tempo levaria para Oberon quebrar. Mas parecia que levou menos tempo do que esperava.
Minutos mais tarde, Asher descansava em seu quarto escuro, mas elegante, com a luz vermelha do sol nascente lançando um brilho quente sobre sua pele cinza pomba impecável. Ele relaxou em um sofá macio, à espera de alguém em particular.
Uma batida frágil ecoou suavemente na porta, quebrando o silêncio, “Entre,” Asher disse casualmente, seu tom uma mistura de expectativa e impaciência.
A porta rangeu ao abrir, e Oberon apareceu, seu rosto pálido emoldurado por cabelos prateados longos e desalinhados. Seus olhos vermelhos escuros moviam-se nervosamente pelo quarto antes de se fixarem em Asher.
“Oberon… Eu estava imaginando quando você estaria disposto a conversar comigo,” Asher disse, sua voz carregando um toque de diversão. Ele achava bastante satisfatório ver que o jovem senhor outrora orgulhoso e arrogante já não existia mais e só uma casca de seu antigo eu restava.
Oberon entrou no quarto, a porta fechou com um clique trêmulo. Ele ficou lá, paralisado pelo peso de suas memórias, o mesmo quarto onde seu próprio declínio começou—um lugar que parecia zombar dele agora com sua calma quietude.
Dúvidas e perguntas giravam em sua mente enquanto se perguntava por que ele havia sido convocado para aquele quarto amaldiçoado. Será que foi um ato deliberado?
“Por que está parado lá? Eu pensei que você queria conversar. Venha aqui,” Asher disse, seu tom casual, mas autoritário. A facilidade com que ele falava parecia um tapa no orgulho já ferido de Oberon.
No passado, Oberon teria fervido de raiva com tal insolência, mas agora, sob o peso de seu próprio arrependimento, medo e dor, isso era o mínimo de suas preocupações.
Com uma leve tremura na mão, ele caminhou em direção a Asher, com as costas levemente curvadas como se carregasse um peso invisível. Ele ficou diante dele, uma mera sombra de seu antigo eu.
“Você disse que queria conversar, certo? Mas meu pescoço está doendo um pouco de olhar para cima. Por que você não se abaixa para que eu possa olhar para você confortavelmente?” O sorriso zombeteiro de Asher era um contraste marcante com a gravidade da situação, como se ele aproveitasse o espetáculo do desconforto de Oberon.
Os punhos de Oberon se fecharam, mas ele lentamente os relaxou, seu rosto uma máscara de resignação. Ajoelhou-se no chão frio e duro diante de Asher, o ato de submissão doendo mais do que qualquer dor física poderia. Ele nunca tinha sequer se ajoelhado voluntariamente diante de seu próprio pai ou mãe, e ainda assim diante dessa criatura alienígena…
“Isso aí, garoto esperto. Agora você pode falar,” disse Asher com um aceno displicente da mão, sua voz gotejando condescendência.
Respirando fundo, Oberon baixou a cabeça, lutando para estabilizar sua voz, “Eu… Eu vim a perceber algumas coisas e queria que você fosse o primeiro a saber.”
“Ah é? E que tipo de iluminação você poderia ter adquirido enquanto se enfiava em sua pequena mansão?” A tonalidade de Asher era carregada de escárnio, sua diversão evidente.
Oberon limpou a garganta, forçando-se a encontrar o olhar de Asher, “Eu percebi meus crimes e erros contra você. Eu também não guardo nenhum ressentimento por como você me puniu por tudo o que eu fiz. Mas eu imploro… por favor, liberte minha mãe. Tudo o que ela fez, foi por mim. Ela não merece pagar pelo que eu fiz..”
A risada de Asher encheu a sala, um som que ecoava pelas paredes e aprofundava a inquietação de Oberon.
Quando a risada cessou, a voz de Asher estava suave mas marginada de crueldade, “Haa, que comovente. Um filho implorando assim para proteger sua mãe. Eu nunca esperava isso de você. Suponho que você deve ser tão apegado a ela quanto ela é a você.”
O coração de Oberon se apertou enquanto ele falava com os dentes cerrados, “Você tirou tudo de mim e eu prometo não guardar rancor. Mas por favor… minha mãe é a única que eu posso considerar como família. Por favor, não a leve embora de mim. Eu já não sofri o bastante?”
O rosto de Asher se torceu em um sorriso desdenhoso, “Olhe para você… até mesmo ecoando os mesmos pedidos dela. Parece que ‘tal mãe, tal filho’ é verdadeiro no seu caso.”
Os olhos de Oberon se encheram de confusão e medo. Por que sua mãe falaria assim? Ela realmente estaria sofrendo em seu lugar? O que essa criatura estava fazendo com ela?
Antes que ele pudesse expressar suas dúvidas, a expressão de Asher se tornou fria, o calor da zombaria anterior substituído por uma indiferença gelada.
Ele firmou o pé na testa de Oberon, pressionando sua figura quebrada, “Sofreu o bastante? Nem um ano se passou desde que você se tornou meio manco. E mesmo assim, você tem desfrutado do luxo e da segurança neste castelo todos os dias, ao contrário do garoto aleijado e estrangeiro que você torturou nesta mesma sala por mais de uma década. Que tipo de sofrimento você chamaria isso, onde todos os dias você fazia com que ele sentisse como se a morte fosse uma misericórdia?”
As palavras de Asher atingiram com a força de um golpe físico. O fôlego de Oberon ficou preso enquanto o verdadeiro peso de seus atos passados pesava sobre ele, a sala girando com o contraste gritante entre seu dilema atual e o sofrimento que ele tinha uma vez infligido.
O queixo de Oberon tremeu enquanto ele abria a boca, sua voz tremendo de desespero, “Por favor… Por favor, tenha misericórdia… Eu estou disposto a fazer qualquer coisa, contanto que você poupe minha mãe disso.”
Os lábios de Asher se curvaram em um sorriso frio e zombeteiro. “Ah é? Mesmo? Você está disposto a arriscar sua vida por sua mãe?” Seus olhos brilhavam com diversão cruel, como se saboreassem a ironia distorcida do momento.
Oberon engoliu em seco, o nó em sua garganta subindo como uma pedra pesada. Ele sabia que estava à mercê de um homem que tinha poucas razões para mostrar alguma. O pensamento do destino de sua mãe, pairando precariamente, o impulsionou a perguntar, “O que você quer que eu faça?”
O olhar de Asher se aguçou, sua voz assumindo uma crueldade quase casual, “Primeiro, me diga algo. Você se lembra da Suprema Sedutora, Kira, certo? Você ia até ela quase todas as noites com a língua de fora. Então me diga… o que ela fazia com você sempre que convidava você ou Edmund para o quarto dela?”
Oberon piscou confuso, a pergunta inesperada o pegando de surpresa. Ele juntou seus pensamentos, tentando montar as noites passadas sob sua presença sedutora, “Eu… Eu não sei… Eu simplesmente acabava muito bêbado depois de apenas uma bebida, e a próxima coisa que eu sabia, eu acordei revigorado como se tivesse tido uma noite agradável com ela. Ela é apenas muito boa em fazer os homens se sentirem bem,” ele disse, sua voz traindo um vislumbre de nostalgia pela presença sedutora dela.
A face de Asher se contorceu de raiva, “Seu idiota!” rosnou ele, sua frustração palpável. Sem aviso, ele desferiu um chute brutal na lateral de Oberon, enviando-o esparramado no chão. O som do impacto reverberou pela sala, misturando-se com o gáspe de surpresa de Oberon.
Confusão e choque nublaram o olhar de Oberon enquanto ele olhava do chão, incapaz de compreender seu passo em falso.
A voz de Asher cortou a névoa de seus pensamentos, “Você e todos os homens que ela pode ter convidado para o quarto dela estavam dando nossos segredos guardados de graça. Eu sempre suspeitava disso por causa de quão bem informada ela era. Mas pensar que todos vocês idiotas não conseguiriam parar de pensar com seus pintos nem por um segundo. Você tem alguma ideia do tipo de perigo que vocês ajudaram a promover em nosso reino todos esses anos?”
O fôlego de Oberon falhou. Ele mal conseguia gerir um gaguejo, “Eu… Eu não tinha ideia. Como… Como ela poderia fazer isso tão facilmente?”
O olhar de desprezo de Asher era como gelo em uma noite de inverno, “Ela é a última maldita Caleumbra. Não me diga que você não sabe quão perigosa a espécie deles pode ser, ou você faltou às aulas de história. Eles podem te colocar em transe e fazer com que você diga o que eles querem saber. É muito fácil para eles criarem ilusões em sua mente que não se sentem diferentes da realidade. Só por isso, eu poderia ter sua bunda executada.”
Os olhos de Oberon se arregalaram em horror, “Não… por favor… eu farei qualquer coisa para compensar tudo isso. Tudo o que peço é só uma chance para provar meu valor.”