O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 625
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625: Encontrar um Propósito 625: Encontrar um Propósito A manhã estava fria, uma névoa leve pairava sobre os terrenos do palácio enquanto Rhygar observava sua mãe de um ponto discreto.
Lysandra, envolta em uma capa e movendo-se com uma urgência que sugeria pressa, saiu do seu balcão e adentrou os céus escuros carmesim.
Sua capa esvoaçava ao seu redor, um acessório incomum que despertava a curiosidade de Rhygar.
Não era a vestimenta que ela normalmente usava para seus deveres oficiais ou saídas casuais. Esta capa parecia projetada para ocultar, para se misturar ao ambiente ou talvez para protegê-la de olhares curiosos.
O coração de Rhygar acelerou com uma mistura de apreensão e suspeita. Ele a havia visto vestir essa capa uma vez antes — logo após seu pai ter partido para sua viagem prolongada. A memória daquele dia passou por sua mente, alimentando sua determinação.
Para onde ela estava indo com tanta secrecia?
Desta vez, ele estava preparado, armado não apenas com intenção, mas com um meio de segui-la sem ser detectado.
Por anos, Rhygar se dedicou ao estudo intensivo dos padrões de sua mãe.
Ele meticulosamente mapeou seus destinos usuais, a frequência de suas visitas e seus comportamentos para garantir seu bem-estar e, claro, para assegurar que nenhum homem desonesto tentasse tirar vantagem dela.
Ele viu algumas consortes de seu pai tendo casos amorosos por fora, e algumas delas foram tão descuidadas que seu pai as descobriu, e elas acabaram perdendo suas vidas como punição. Claro, ele odiava alguns de seus filhos, então ele mesmo os denunciou.
Mas ele temia que sua mãe pudesse sucumbir a tais erros, especialmente agora que Agonon a deixou miserável. Além disso, nenhum homem deveria merecer a atenção de sua mãe dessa maneira. Só ele, como filho dela, tinha permissão para cuidar dela e confortá-la, já que ela ainda deveria estar de luto.
Caso contrário, ela não teria sido mais fria com ele.
Mas ele estava aliviado ao ver que ela não teve tais casos até os últimos meses, onde ele a notou desaparecendo por um curto período toda semana, o que o deixava suspeito.
Por meio dessa observação meticulosa, ele identificou anomalias em sua rotina — especificamente os desaparecimentos misteriosos que não se encaixavam em sua agenda conhecida.
Equipado com uma capa especial — cortesia de seu pai, projetada para obscurecer sua aura — Rhygar sentiu um surto de confiança. Ele não teria consultado seu pai se não para receber esta capa e ainda se arrependia de ter contado a ele.
Quanto a essa poderosa vestimenta, foi feita para interromper feitiços de detecção, uma ferramenta perfeita para um filho decidido a seguir uma mãe altamente hábil nas artes de rastrear mana.
Assim que Lysandra se distanciou o suficiente do palácio, Rhygar iniciou seu plano. Ele esperou o tempo suficiente para garantir que ela não sentisse uma perseguição imediata.
Quando se sentiu seguro, ele partiu em direção à área que havia marcado em seu mapa — uma região isolada que ele conseguiu delimitar com base em sua investigação detalhada.
Era em algum lugar desta região, ele suspeitava, que o segredo para os comportamentos estranhos de sua mãe estava escondido.
À medida que navegava pelos caminhos fora do Continente Dracyra, a mente de Rhygar fervilhava com possibilidades. O que sua mãe estava escondendo? Por que buscar tal isolamento em um lugar tão distante de casa? Seus passos eram cautelosos, seus olhos constantemente vasculhando o ambiente em busca de qualquer sinal de um lugar para onde sua mãe poderia ter ido.
Logo após ele se aproximar de um vale, que estava envolto em uma névoa pesada e inquietante, e parecia quase outro mundo à medida que Rhygar se aventurava mais fundo.
Seus passos eram cautelosos, o silêncio ao redor dele pontuado apenas pelos chamados ocasionais das bestas voadoras.
A névoa se adensava, umedecendo suas roupas e gelando sua pele, mas ele seguia em frente.
Este lugar, o Vale das Sombras como alguns o chamavam, era conhecido por sua calma sinistra e as lendas que sussurravam sobre sua maldição. No entanto, era o único lugar não verificado, o último local onde sua mãe poderia estar escondendo seus segredos.
Enquanto isso, bem no coração do vale, ao lado do infame Lago do Sem Retorno, Lysandra permanecia silenciosa.
As águas escuras e roxas do lago, levemente agitadas pela brisa suave, refletiam a tonalidade vermelho-sangue do pôr do sol, criando uma cena assustadoramente bela.
O coração de Lysandra batia de forma incomum, uma mistura de antecipação e inquietação enquanto ela esperava por Asher, sua capa apertada ao redor de suas curvas voluptuosas.
“Você sempre chega tão cedo,” veio a voz familiar de Asher, cortando a quietude do ar noturno. Lysandra virou-se lentamente, seu rosto escondido sob o capuz.
“Por que você está usando uma capa novamente?” Asher perguntou, sua voz carregada de preocupação e uma leve ruga franzindo sua testa.
“Não importa. Eu só vou ver Agonon e partir,” Lysandra respondeu, sua voz carregando um toque de impaciência, tentando desviar sua preocupação.
“Não, você não vai a lugar nenhum até me contar o que aconteceu,” Asher insistiu, dando um passo mais perto dela.
Sabendo que ele não aceitaria um ‘Não’ como resposta, com um suspiro resignado, Lysandra abaixou o capuz, revelando seu rosto pálido marcado pelo suor. “Foi um erro… Eu não deveria ter me deixado curar do veneno. Ele descobriu que eu de alguma forma me curei em um dia, e aparentemente, ele não tinha me dado permissão para me curar. Suponho que ele nunca esperou que eu pudesse me curar disso. Mas pelo menos desta vez, não dói tanto quanto antes,” ela explicou, seu tom mesmo que sua voz estivesse fraca.
“Que absurdo. Mesmo que não doa, você não parece bem. Sente-se e deixe-me curar você, já que ainda não é tarde,” Asher respondeu firmemente, sua preocupação palpável.
“Você não ouviu o que eu disse? Eu não posso deixar você me curar. Ele vai fazer isso de novo. Deixe estar. Você não precisa se preocupar com isso,” Lysandra protestou fracamente, balançando a cabeça enquanto tentava dissuadi-lo de mais ações.
Os olhos de Asher, preenchidos com uma mistura potente de preocupação e determinação, encontraram o olhar desafiador de Lysandra. Ele se aproximou, seus movimentos deliberados, sua presença quase avassaladora em sua intensidade.
“Não vou deixar você continuar sofrendo assim,” ele murmurou, sua voz profunda e ressonante, ecoando levemente na quietude do vale.
“Já chega. Não chegue perto de mim,” Lysandra advertiu, sua voz suave e trêmula, traindo a dor que ela tentava tanto mascarar.
Ignorando seus protestos, Asher se aproximou ainda mais, o espaço entre eles carregado de uma tensão não dita.
Ele estendeu a mão, segurando a mão dela delicadamente com uma gentileza que contrastava fortemente com sua assertividade anterior, “Apenas se acalme. Não farei a dor desaparecer completamente, mas posso ao menos aliviar um pouco para você, e Drakar nem perceberá,” ele a assegurou, sua voz suave.
Relutantemente, a resistência de Lysandra se desvaneceu, e ela permitiu que ele a conduzisse para se sentar diante dele.
Asher então se posicionou atrás dela e gentilmente abaixou sua capa, revelando o elegante vestido vermelho escuro por baixo enquanto suas asas prateadas e escuras se estendiam lateralmente.
Quando ele alcançou o zíper em suas costas, Lysandra se virou para encará-lo, uma pergunta não dita em seus olhos.
“Suas costas sofreram o pior. Então, vou tratá-las por dentro,” Asher explicou suavemente, encontrando o olhar dela com uma expressão tranquilizadora.
Com um aceno hesitante, Lysandra se virou de novo, dando a ele acesso às suas costas feridas. Asher lentamente desceu o zíper de seu vestido, expondo a realidade cruel de seus ferimentos—suas costas anteriormente graciosas eram um canvas de marcas sangrentas de chicotadas e profundos hematomas, cada uma um sinal de seu sofrimento.
O toque de Asher era gentil enquanto ele traçava os contornos de suas feridas, seus dedos formigando com o poder contido de seu mana verde escuro.
Lysandra se tensionou inicialmente, mas gradualmente relaxou sob o calor de seu toque, um suspiro suave escapando dela enquanto sentia a dor começando a diminuir.
“Ele te machuca assim porque sabe que você é mais forte do que ele. Por que você deixou durante todos esses anos? Você poderia ter tentado,” Asher falou suavemente, suas mãos brilhando com uma luz verde escura enquanto ele começava a matar parte do veneno sob suas feridas, mas não o suficiente para fazê-la parecer curada.
A resposta de Lysandra foi tingida com uma mistura de resignação e desafio, “Você não entende. Toda vez que eu tentei enfrentá-lo, acabei perdendo coisas que eu amava. Agora tudo o que eu tenho é minha própria vida, e não vou desperdiçá-la até que eu tenha certeza de que posso acabar com a dele.”
“Quanto tempo você planeja esperar? Até que não haja mais nada para curar?” A voz de Asher rompeu o silêncio, firme mas cheia de preocupação, desafiando-a a enfrentar a verdade.
Além de querer ganhar completamente sua confiança antes que fosse tarde demais, ele não gostava de vê-la assim. Ele não sabia se era apenas culpa ou algo mais.
Lysandra, normalmente tão composta e intocável, se encontrava estranhamente agitada por seus questionamentos.
Sua voz, um sussurro mal audível acima do suave bater das águas do lago, carregava uma mistura de confusão e vulnerabilidade, “Por que você se importa tanto?”
“Porque agora você não tem ninguém ao seu lado,” Asher respondeu, seu tom suavizando, um contraste marcante com a força de suas palavras. Sua declaração era simples, mas carregada de empatia, alcançando as profundezas de sua alma.
Os dedos de Lysandra se curvaram em suas palmas enquanto essa verdade perfurava seu coração.
Asher, percebendo sua turbulência, gentilmente levantou seu queixo, persuadindo-a a olhar para ele, “Mas eu não vou deixar você estar sozinha mais. Não estou dizendo isso apenas como um aliado, mas como um homem que não pode deixar uma mulher como você sofrer assim. Você se manteve forte por tanto tempo. Mas agora…” Sua voz diminuiu enquanto ele se inclinava mais perto, seus olhos fixos nos dela, “…por que você não deixa eu segurar sua mão?”
Lysandra olhou nos olhos amarelos escuros cintilantes de Asher, encontrando neles uma sinceridade que tocava uma parte dela que havia bloqueado há muito tempo.
Suas palavras ressoavam com sua alma mais do que ela queria admitir. Ela não pôde evitar desejar parar essa dor por um segundo e encontrar consolo em seu calor.
Mas seus olhos tremularam quando ela o viu se inclinar lentamente, fazendo-a apertar os lábios enquanto brevemente desviava o olhar com os olhos fechados, “Eu… eu não posso…” Ela murmurou, sentindo-se culpada em relação ao seu amante há muito morto, apesar da passagem de tantos anos. Como ela poderia deixar outro homem tomar o lugar dele em seu coração?
Asher agora podia adivinhar o que estava causando sua turbulência, contudo, isso apenas a fazia sentir mais admiração por ela.
“Você sabe que eu tenho um passado que ainda não consigo deixar para trás,” Asher sussurrou, fazendo Lysandra abrir lentamente seus olhos enquanto ele acrescentava, “Eu deixei esse passado pesar no meu coração mais do que deveria e quase me roubou uma segunda chance de felicidade… uma segunda chance de não estar sozinho novamente.”
Lysandra, inconscientemente, virou a cabeça de volta para ele como se estivesse surpresa que ele tivesse tal passado. Sentindo a verdade e a dor por trás de suas palavras, ela sentiu como se pudesse se relacionar com ele.
“Então, não vou te dizer para seguir em frente porque nem mesmo eu encontrei um caminho ainda. Mas mesmo que eu encontre um, sempre será parte de quem sou, e isso nunca mudará. E o mesmo vale para você. Você perdeu tanto, e isso te fez quem você é. Mas você merece ser feliz novamente ao encontrar um propósito, e eu…” Asher olhou em seus olhos com um olhar profundo enquanto segurava seu rosto, “…quero ser esse propósito para você.”
Lysandra sentiu o poço quente de emoções que ela havia estado reprimindo em seu coração ondular enquanto suas palavras ecoavam em sua mente.
No entanto, sua mente congelou quando ela viu Asher se inclinar, o mundo parecendo desacelerar.
Antes que ela pudesse perceber, seus lábios se encontraram com os dela em um beijo gentil, um ato tão terno e ainda tão profundo.
Lysandra se viu imobilizada, presa em um turbilhão de emoções que ela não havia se permitido sentir em anos. O calor de seus lábios era como um farol na escuridão fria que havia envolvido seu coração, impedindo-a de pensar ou agir para impedi-lo.
Era como se seu coração finalmente tivesse assumido o controle de seu corpo.
Seus olhos piscaram fechados, a resistência inicial de seu corpo se dissipando enquanto ela se permitia se inclinar para o beijo, para o calor de seu abraço.
Naquele momento, nada mais importava, exceto lembrar como era ser amada novamente.