O Demônio Amaldiçoado - Capítulo 220
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220: Testemunha Do Passado Assombrado 220: Testemunha Do Passado Assombrado Enquanto Asher desviava seu olhar do vasto infinito do oceano para o som do esguicho, seus olhos encontraram uma visão tão deslumbrante quanto o mar sob o luar.
— Isola? — Ele sentiu como se devesse ter esperado que ela viesse atrás dele depois de ouvir que ele levou Callisa para os mares.
Como uma divina ninfa emergindo de uma pintura mítica, Isola subitamente surgiu das profundezas do mar.
Sua pele azul crepúsculo reluzia sob o suave brilho do sol, as gotículas de água magnificando sua radiância etérea à medida que deslizavam por seu decote profundo.
Seus cabelos prateados e luminosos branquejavam sobre suas costas, caindo como uma cascata, as pontas molhadas pelo abraço do mar, adicionando um fascínio selvagem a ela.
Sua presença era uma mistura encantadora de sedutiva e majestosa, comandando uma atenção que Asher não podia deixar de conceder.
Sua forma esguia e atlética se erguia sobre a concha de Callisa enquanto sua parte inferior do corpo se transformava sem problemas das sinuosas bobinas escamosas de uma cauda de peixe para pernas com uma elegância que só a natureza poderia ostentar.
No momento em que Isola se estabilizou sobre a concha de Callisa, seu olhar de safira se voltou para Asher, uma corrente subliminar de preocupação passando sob seu ceticismo, — Por que você está aqui fora, Asher? O que o fez trazer Callisa para um lugar tão distante de repente? — Ela perguntou com confusão brilhando em seus olhos enquanto tentava disfarçar sua ansiedade.
No entanto, Asher deixou escapar uma risada fria, — Não vejo por que devo explicar minhas ações para você, Isola, — ele retrucou, seu tom tão gélido quanto o mar ao redor deles.
Os olhos de Isola se alargaram ligeiramente surpresos, pegos de surpresa por sua rejeição e a aura fria que emanava dele. Ele definitivamente não parecia estar de bom humor, comparado a como esteve todo esse tempo.
— Sei que Callisa também se imprimiu em você, mas lembre-se do seu lugar, — Asher continuou, seu olhar se endurecendo.
Ele então levantou a mão, com a palma para cima, sua voz resoluta, — Já que você veio até aqui, entregue os cristais de vida e vá embora. Quero estar sozinho com Callisa. —
Isola imediatamente se irritou, pronta para protestar, mas Asher a interrompeu rapidamente, — Você pode cumprir ou eu garanto que você nunca mais verá Callisa. —
Isola visivelmente recuou com suas palavras, seu olhar oscilando entre Asher e Callisa, — Como você pode dizer algo assim na frente dela? — Ela sussurrou, a dor evidente em sua voz.
Mas no próximo momento, ela suspirou ao ceder, sua mão estendida para agarrar seu pulso. Sabendo que seu humor não estava bom, ela relutantemente decidiu deixar pra lá.
Porém, ela estava bastante curiosa sobre o que aconteceu para que ele ficasse assim e para vir até aqui. Essa foi a primeira vez que ele tirou Callisa assim.
Mas no momento em que as palmas deles se tocaram, um súbito choque percorreu o braço de Isola, como um raio por suas veias.
Seus olhos, anteriormente focados e compostos, se arregalaram com choque enquanto eram inundados por um turbilhão de imagens e emoções que lhe eram estranhas.
Ela sentiu como se tivesse sido mergulhada em um rio violento, cuja correnteza a arrastava para baixo.
Na escuridão do fluxo insondável de memórias, uma imagem singular e devastadora se formou na mente de Isola. Era um tableau sinistro, gravado nas sombras do desespero e do terror, e isso a congelou até o âmago.
Ela viu uma pequena e humilde casa humana, seu interior espartano iluminado pelo brilho tremulante e fraco de uma única luz.
As sombras dançavam grotescamente em cima do papel de parede descascado, conferindo uma vida inquietante à cena.
Em um canto, através de um grande espelho quebrado ao lado, ela viu um menino humano de cerca de 6 anos de idade, seus grandes olhos inocentes preenchidos com um terror indizível.
Ela estava vendo tudo pelos olhos desse menino e podia ver que ele estava desesperadamente tentando se fazer menor, seu pequeno corpo encolhido contra a parede desmoronando como se desejasse desaparecer nela.
Ele estava chamando fracamente pela mulher do outro lado, — Mama… —
Sua mãe, uma figura que deveria refletir amor e conforto, era uma visão desoladora.
Vestida com roupas desgastadas, ela ficou curvada, seu corpo frágil tremendo como uma folha ao vento. Sua mão, tremendo incontrolavelmente, agarrava uma faca que refletia a luz de forma sinistra.
— Mama, o que… por que? — A voz do menino, fraca e trêmula, ecoava no silêncio tenso, seu rosto coberto de lágrimas refletindo sua confusão e medo.
A mulher cambaleou em sua direção, sua expressão torcida em uma careta horrível de luta.
— Mama… pare… por favor… —
A cada passo trêmulo que ela dava, a lâmina da faca em sua mão se aproximava perigosamente do peito minúsculo do menino enquanto ele continuava a implorar para ela parar.
Seus pequenos dedos arranhavam a parede atrás dele, seu fôlego cortado em soluços aterrorizados.
De repente, a mulher tropeçou e se ajoelhou no chão, agarrando o pescoço dele com a mão livre. A faca, ainda em sua posse, oscilava perigosamente perto dele.
Seus olhos, anteriormente vazios, de repente acenderam com uma determinação desesperada. Ela olhou para o filho, seu rosto se suavizando por um breve momento.
— Perdoe-me por ser tão fraca… — ela falou roucamente, sua voz mal audível sobre o batimento ensurdecedor de seu coração, — Você merece… mais… — Um sorriso fraco, mas de desespero e tormento, lutava para se formar em seus lábios enquanto lágrimas corriam por suas bochechas cavadas.
Com isso, ela de repente virou a faca contra si mesma com uma careta aguda, e com um movimento rápido e determinado, cortou sua própria garganta.
Isola inconscientemente torceu o rosto interiormente enquanto as gotas de sangue caíam no rosto do menino.
O suspiro agudo que escapou dos lábios da mulher pareceu sugar todo o som do cômodo, deixando para trás um silêncio sufocante.
Ela desabou no chão, sua vida lentamente se esvaindo, deixando seus olhos encarando vazios o seu filho.
“MAMÃE!!!!”
Isola sentiu a dor lancinante do coração do garoto enquanto ele abraçava o corpo de sua mãe, chorando sua alma.
Ela podia ver claramente que um demônio estava tentando colher a alma da mãe.
Mas, de alguma forma, a mãe recuperou o controle de si mesma por um breve segundo e se matou para impedir que machucasse o próprio filho.
O eco dos gritos do garoto ressoou em sua mente, deixando-a atordoada pela imensa magnitude do tormento que ele havia suportado.
Assim que a memória dolorosa começava a desaparecer, outra enxurrada de imagens tomava seu lugar, como uma maré lavando pegadas na areia.
Os olhos de Isola se arregalaram, seu coração batendo forte no peito à medida que ela mergulhava na profundidade de outra memória.
Desta vez, não era uma casa humilde que ganhava forma, mas sim um campo de batalha caótico, o solo chamuscado e cicatrizado, o ar denso com o cheiro de fumaça e sangue.
No meio do caos, havia uma única figura, um homem de estatura imponente, ensanguentado e maltratado, sua aura tremeluzindo como uma chama à beira da extinção.
Ao redor dele estavam figuras irradiando auras poderosas, cada uma um farol de intenção mortal. Seus olhares estavam fixos no homem ferido, suas expressões uma mistura de admiração e determinação impiedosa. No entanto, nenhum deles podia equiparar-se à presença potente do homem no centro, mesmo em seu estado de grave ferimento.
Seu rosto era uma tempestade de emoções; choque, confusão, tristeza e raiva distorciam suas feições em uma crua exposição da dor da alma enquanto todos aqueles em quem confiava e amava de repente se voltavam contra ele.
Ao testemunhar isso, o coração de Isola doeu com um estranho senso de empatia. Ela quase podia sentir a dor do homem como se fosse sua própria, e não sabia por que isso a afetava tanto.
De repente, a memória começou a se mover. Ela se desdobrava como uma tragédia teatral, os atores presos em seus papéis, o clímax se aproximando com uma força imparável. O homem ferido se mantinha firme, lutando e matando os Caçadores um a um.
Mas a cada momento que passava, sua força diminuía, suas lesões o atrasando, e sua aura cintilando perigosamente até ele cair.
No entanto, a cada segundo que lutava, ela sentia que mais do que as lesões, era seu próprio coração partido que mais o impedia.
As cenas de batalha e perda desapareceram, substituídas por uma mudança de tempo e local que atingiu Isola como um golpe físico. O cheiro metálico e forte de sangue foi agora substituído por um aroma estéril e clínico, tão deslocado no contexto cruel em que se encontrava.
A visão transportou-a para um quarto austero, frio e sem emoção, adornado apenas com uma cama solitária no centro.
Sobre ela jazia uma figura, um pequeno garoto que estava olhando sem vida para o teto do quarto frio acima.
O garoto não era humano, e os arredores tinham uma elegância real, assustadoramente semelhante ao quarto de alguém que ela conhecia. Isso era muito claro.
Às vezes o quarto estava cheio de figuras, algumas das quais vestidas finamente e com dignidade, a elite da sociedade. A maioria delas ela até reconhecia.
No entanto, suas ações e expressões estavam longe de serem nobres. Sorrisos cruéis brincavam em seus lábios enquanto observavam o menino, prazer sádico evidente em seus olhos. Eles se deleitavam em sua dor, nos gritos silenciosos que ecoavam de sua alma, mas que nunca deixavam seus lábios.
Palavras duras eram atiradas contra o menino, sussurros de tortura e dor, cada uma delas como uma adaga gelada em seu coração.
No entanto, o menino permanecia silencioso, seus olhos desprovidos de qualquer protesto, qualquer súplica por misericórdia. A impotência de sua situação parecia entalhada em cada célula do seu ser, na resignação abatida de seus olhos.
Por anos, essa tortura persistiu enquanto até os servos tratavam o menino como lixo.
A memória se estendia, um ciclo interminável de tormento e sadismo, dor e sofrimento silencioso. Cada dia que passava estava gravado nos olhos do menino, cada palavra de tormento tecida no próprio tecido de seu ser.
O coração de Isola se contorceu em seu peito enquanto assistia, seu aperto apertando o pulso de Asher sem ela sequer perceber. Uma dor crua e dilacerante enchia seu peito, seu fôlego preso enquanto as imagens torturantes se desenrolavam implacavelmente diante dela durante anos.
“Haa!….” Sobrecarregada pelo ataque dessas memórias, Isola ofegou, a realidade das visões finalmente se consolidando.
Ela cambaleou para trás, suas pernas cedendo sob o peso do que ela havia visto. Ela caiu na concha dura de Callisa, seu corpo tremendo com os efeitos posteriores da turbulência emocional que acabara de sofrer.
Há poucos momentos, Asher estava olhando o horizonte, esperando Isola terminar de transferir os cristais de vida enquanto se perdia em seus pensamentos.
Mas uma mudança súbita de peso quebrou a concentração de Asher, e ele se virou para ver Isola esparramada na concha de Callisa, sua pele azul-crepúsculo mais pálida do que ele jamais vira antes.
Seus olhos estavam bem abertos, encarando alguma distância invisível, como se assombrados por algum espectro terrível. Sua respiração vinha em arrancos irregulares, e todo o seu corpo parecia tremer.
Ele franziu o cenho, confuso com essa súbita exibição de vulnerabilidade. Ele nunca havia visto Isola mostrar tal fraqueza evidente, e seu rosto normalmente calmo e composto agora usava uma expressão de choque e incredulidade.
“O que há de errado com você? Você mal começou,” ele perguntou, sua voz tão fria e impassível como o vento que varria o oceano.
Isola lentamente virou seu olhar em direção a Asher. Seus olhos, largos e trêmulos, penetraram nele enquanto um nome escapava de seus lábios, “Cédric…” Era quase um sussurro, mas ecoava no silêncio como um estrondo para Asher.