O Amor de um Lican - Capítulo 606
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- Capítulo 606 - 606 AS ALMAS AFLITAS 606 AS ALMAS AFLITAS Hope encarou
606: AS ALMAS AFLITAS 606: AS ALMAS AFLITAS Hope encarou apreensiva a cena diante de seus olhos. Sua respiração acelerou quando suas pernas cederam ao seu peso e ela caiu no chão irregular da caverna.
Havia milhares de carcaças ali. Hope fechou os olhos e esperou, seja lá o que ela estivesse vendo, que desaparecesse no momento em que os abrisse.
Infelizmente, isso não aconteceu quando ela espiou por entre os cílios.
Fechando os olhos novamente, ela apoiou o corpo na parede úmida da caverna enquanto ajustava sua respiração.
Aqueles vaga-lumes…
“Eu realmente encontrei com os fantasmas,” Hope lamentou. Por que ela tinha que ver tudo aquilo?
Demorou um pouco para Hope se acalmar e abrir os olhos novamente. As chamas das tochas dançavam em seus olhos, enquanto ela olhava para o teto da caverna e prosseguia virando a cabeça para olhar as pilhas de ossos do seu lado esquerdo.
Aquela parte da caverna tinha um formato oval com um buraco no centro do teto da caverna. A luz brilhante do sol destacava aqueles pobres corpos mortos.
Quando Hope conseguiu se acalmar, ela pôde ver que eram corpos de crianças. Suas cabecinhas e bracinhos eram semelhantes àqueles modelos de esqueleto humano.
Se Hope não tivesse visto as roupas que eles ainda usavam, ela não teria tanta certeza assim. Aquelas roupas esfarrapadas e capas eram distintivas deste reino.
Hope não fazia ideia do que aquelas pobres crianças tinham passado, por que seus corpos pareciam assim.
Mas então, outra coisa aconteceu. Os vaga-lumes voltaram. Mas não só isso, eles se transformaram em algo.
Hope pôde ver a presença de alguém ou… muitos alguém…
Bem diante de seus olhos, centenas de crianças fantasmagóricas estavam de pé. Flutuando sobre as carcaças, olhando para Hope com olhos quase translúcidos.
O fôlego de Hope parou em seu peito. O que ela estava vendo não podia ser possível… ou podia?
“Eu não posso acreditar…” Hope sussurrou incrédula. “Vocês são… fantasmas?”
Honestamente, Hope não tinha visto tantos fantasmas, exceto aqueles de seus pesadelos. Mas ela não sabia como mais chamá-los.
Hope estava bastante certa de que seu rosto estava horrorizado enquanto as crianças olhavam para ela tristemente. Ela se sentiu mal por isso.
“Por que vocês estão me trazendo aqui?” Hope desejava que pudessem entendê-la. Ela esperou por qualquer resposta, mas ela não veio.
“Eles não podiam falar.”
Vinha uma voz suave como uma brisa vinda de trás das crianças aglomeradas. Aquelas crianças se dispersaram e abriram caminho para uma bela jovem, com cabelos brancos e uma jade azul cristalina no centro de sua testa.
Seu cabelo era extremamente longo e ela usava uma capa branca. Acrescentando o fato de que também era um fantasma, seu corpo era completamente como uma fumaça branca fina, flutuando no ar.
Mesmo assim, sua voz era forte e gentil ao mesmo tempo. Ela andou, não, ela deslizou de trás da multidão bem na frente de Hope.
“Você está… morta,” Hope afirmou em voz baixa. Quando a sacerdotisa sorriu, Hope se contorceu com suas próprias palavras.
“Sim, eu estou.” Ela assentiu para enfatizar sua declaração.
Se a sacerdotisa estava morta, então por que Quíron diria que ela poderia encontrá-la nesta montanha? Kace não concordaria em vir aqui se a única pessoa que eles estavam procurando já estivesse morta.
Hope também não concordaria em ir.
Entretanto, de certo modo, Quíron não mentiu, Hope de fato encontrou com a sacerdotisa. Seu espírito…
“O que aconteceu? Eu vim para…” Hope gaguejou, ela não acreditava que sua jornada aqui fora em vão. Sem mencionar que ela havia se separado de Kace.
“Eu sei qual é o seu propósito em vir a esta montanha,” a sacerdotisa manteve um sorriso triste, “infelizmente, eu já não pertenço mais a este reino.”
Hope ficou desolada. Ela jogou a vela que tinha na mão com raiva. Fantasma ou não, o fato de que a única razão deles estarem aqui agora, ter ido embora, Hope estava furiosa além das palavras. Seu tempo e esforço foram desperdiçados. Tantas coisas infelizes aconteceram por nada?
Entretanto, ela não sabia para quem dirigir sua raiva.
“Não fique tão chateada,” a sacerdotisa franziu a testa ao ver o corpo de Hope tremendo da cabeça aos pés. “Se a única razão para você me ver é para curar a ferida da sua parceira, então você já tem a cura para isso.”
Hope ergueu a cabeça. “Onde?”
“Antes disso, você me acompanhará numa caminhada? Há algo que quero te mostrar.” A sacerdotisa abriu os braços, num gesto convidativo.
Hope não seguiu imediatamente, ela estava hesitante. Ela não queria caminhar entre os fantasmas, mas havia algo no modo como aqueles crianças a encaravam. A tristeza de seus olhos penetrava seu coração e ela podia sentir em sua alma.
“O que você quer me mostrar?” Hope franziu a testa, desviando o olhar daquelas crianças.
“Seus amigos,” mas antes que Hope pudesse interrompê-la, ela acrescentou. “Não se preocupe, seu parceiro está a caminho.”
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Kace não acreditava que ele havia perdido Hope bem debaixo do seu nariz. Ele não sentiu nada quando percebeu que havia cochilado. Como ele pôde ser tão estúpido a ponto de pegar no sono?!
“Hope!?” a besta rugiu “HOPE!”
Ele estava correndo sem parar durante toda essa manhã, e tarde. Suor escorrendo de sua testa enquanto suas roupas grudavam desconfortavelmente em sua pele.
“MERDA!” ele praguejou alto.
Seu coração batia rápido, e seu corpo todo tremia. Seu instinto o forçou a se transformar e vasculhar a montanha inteira em sua forma de besta. No entanto, no momento em que seus ossos começavam a se deslocar, onda após onda de uma dor estranha o dominavam.
Ele não podia se transformar, ou a dor seria insuportável. Isso era o que Quíron estava falando. Nenhuma criatura sobrenatural era permitida a entrar neste lugar.
Seja lá quem colocou essa barreira, fosse a sacerdotisa ou a mulher demônio, mas com certeza funcionava.
Kace praguejou novamente, novamente e novamente.
Sua mente estava um caos completo quando ele captou o cheiro dela. O único cheiro que pertencia a ela…