O Amor de um Lican - Capítulo 159
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159: SORVETE 159: SORVETE Às vezes, as menores coisas ocupam o espaço no seu coração.
-Ursinho Pooh-
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O sol despontava no horizonte. A manhã havia chegado. A luz dourada se estendia por toda parte para iluminar a cidade movimentada. A luz era tão quente quando tocava o rosto de Aeon. Ele sentia algo tão puro. Engolfava-o completamente. Levemente descongelava seu coração frio.
“Agora, você nem mesmo poderia vê-la novamente.”
Havia alguém caminhando atrás dele. A pessoa queimava um cigarro entre os dedos, inalando o delicado gozo incendiado do cigarro. E exalava fumaça branca e fina no ar. Aeon olhou para o diabo com desgosto. “Eu não sabia que você fumava. Está tentando ser mais como um ser humano do que o diabo que você é, huh?” Ele tentou fazer com que soasse mais áspero do que deveria.
Lúcifer riu baixinho, jogando fora o cigarro que tinha nos dedos. Pisou nele. “O gosto é horrível. Não entendo por que estão desperdiçando seu precioso tempo com isso.” Ele caminhou em direção a Aeon e parou ao lado dele.
“Eu pensava que o diabo só aparecia à meia-noite. Nunca pensei que veria um durante o dia.” Aeon disse sarcasticamente. Não era o momento certo, ele não queria ser incomodado por ninguém, muito menos pelo diabo! Ele queria ficar sozinho naquele momento. Mas sabia melhor do que ninguém que não seria fácil afastar Lúcifer.
“Oh, poupe minha miserável vida!” Lúcifer lamentou-se exageradamente. “Eu sou a estrela da manhã. Diabos só aparecem à meia-noite? Você deveria esquecer esse pensamento! Porque diabos sempre estarão atrás de você, em qualquer momento de sua vida.” Ele sorriu diabolicamente.
Estavam num parque tranquilo onde poucas pessoas pareciam estar por perto. E isso porque a manhã estava apenas começando, e não muitas pessoas vinham visitar este lugar a essa hora. Apenas ocasionalmente viam duas ou três pessoas passando enquanto faziam exercícios.
Não longe do parque, havia um lago que parecia ser artificial. Uma fonte em forma de golfinho estava no meio do lago. Lúcifer e Aeon estavam de pé atrás da cerca ao redor do lago. Eles olhavam para a superfície calma da água, enquanto a brisa da manhã trazia um cheiro de grama molhada.
“Se eu soubesse que você estava com aquela garota, eu não teria que me incomodar perguntando ao Andromalius sobre ela.” Lúcifer suspirou, arrependido pela dor de cabeça que havia passado. Não teria que tomar o caminho complicado e inútil que ele tinha enfrentado.
“Não ouse tocar nela!” Aeon encarou o diabo. “Lembre-se, temos um acordo.”
Lúcifer ergueu as mãos em sinal de rendição, pela causa da discussão. No entanto, ao fazer esse gesto, o canto de seus lábios se curvou para cima, mostrando um sorriso de escárnio que era claro de se ver. “Não se preocupe, se o acordo for violado, não serei eu quem o infringiu.”
“Bem, é melhor você cumprir sua palavra.” Aeon o advertiu.
“Pretendo fazê-lo.” Lúcifer estava prestes a dar um tapinha no ombro de Aeon. Mas antes que pudesse pousar a mão sobre ele, Aeon desviou a mão dele rapidamente. “Então, o que você vai fazer agora? O livro não está mais com a garota. Tem algum outro jeito de chegar perto dela, ou se aproximar?”
“Eu encontrarei um jeito.” disse Aeon com determinação ardendo em seus olhos.
“Espero que o resultado não traia o esforço.” Lúcifer disse isso sarcasticamente. “Você sabe como aqueles licantropos são irritantemente superprotetores com sua parceira, certo?”
“Ela não é parceira dele. Eu a conheci primeiro.” Aeon disse teimosamente.
“Bem, então te desejo boa sorte.” Lúcifer disse alegremente. E então, ele desapareceu no ar, como se nunca tivesse estado lá. A única coisa que ele deixou foi o cigarro no chão, como única evidência de sua aparição.
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O dia seguinte passou sem eventos notáveis.
Serefina ainda estava desaparecida. Ela não foi encontrada em lugar nenhum. O dia em que ela incendiou o diário da mãe de Raine foi o último dia em que eles viram aquela bruxa. Ela não tinha aparecido desde então. Enquanto isso, Rafael conseguiu uma nova professora para Raine três dias depois.
Seu nome era Martha. Ela era uma mulher energética na faixa dos quarenta. Ela era uma mulher de cabelos castanhos curtos, que sempre usava um batom marrom escuro. Rafael disse que ela ensinaria Raine todo o material que seria testado no exame de entrada da universidade.
Martha era rigorosa, o que lembraria Raine de Serefina. E a maneira como ela lhe ensinava, era tão bem organizada. Todos os dias Raine estudaria das dez às três, com uma hora de intervalo. Todas essas rotinas de estudo eram realizadas sistematicamente de segunda a sexta-feira. Principalmente, eles estariam dentro do Escritório do Torak como local de estudo.
Era verdade que Torak se recusava a deixar Raine em casa sozinha. Foi por isso que ele estava determinado a mantê-la dentro do seu campo de visão. Isso os levou a uma situação onde Torak estava ocupado com seus novos negócios, e Raine também estaria ocupada com seus estudos.
O fato de o escritório de Torak ter seu próprio elevador tinha seus benefícios. Ninguém mais sabia sobre a existência de Raine e sua professora ali. Porque seria sempre Rafael ou Calleb que entrariam em seu escritório. E era apenas para entregar ou buscar documentos.
Isso também ajudou Raine a se concentrar em seus estudos, pois não havia muitas pessoas insignificantes passando e entrando na sala.
Às vezes, quando Torak não precisava ir ao escritório, eles estudariam em casa. Então, Torak estaria lá para acompanhá-la. Ele lhe daria espaço, sentando-se longe dela, para não perturbar seus estudos. Ele também ficaria silencioso o tempo todo até Raine terminar com o programa do dia.
“Tudo bem, acho que é o suficiente por hoje.” A voz um pouco rouca de Martha interrompeu Raine de escrever a resposta para a questão em seu livro didático. “Você pode me dar a resposta amanhã, e também fazer a próxima página.” Ela olhou para o relógio. O tempo mostrava que agora eram 15:02.
No seu contrato, estava sublinhado que ela não poderia estender o horário de estudo e pular o tempo de intervalo. Era também um contrato confidencial que incluía que ela não estava autorizada a contar a uma única alma sobre isso. Martha não tinha ideia do porquê de Torak Donovan insistir tanto em manter isso em segredo. Mas, já que o pagamento que ela recebia era mais do que suficiente, ela se impediria de ser curiosa.
Martha arrumou seus pertences e, em seguida, disse adeus a Raine. Olhou para Torak e apenas acenou com a cabeça. Ela tinha medo de que incomodasse se se permitisse ser mais amigável do que deveria. Mesmo desde o seu primeiro dia de trabalho lá, até agora, eles nunca haviam trocado conversas casuais um com o outro. Era fácil ler apenas pelo comportamento de Torak que ele tinha zero interesse em fazê-lo.
Antes que a porta do elevador se fechasse, Martha lançou um último olhar para Raine. Quem exatamente é essa garota? Ela era muito jovem para ser a amante de Torak Donovan, certo? — ela se perguntou a si mesma, questionando o mistério por trás desses segredos bem guardados.
Depois que o elevador levou Martha embora, Raine e Torak foram mais uma vez deixados sozinhos dentro do escritório. Raine caminhou até ele e rastejou para seu colo, enterrando o rosto em seu ombro.
“Cansada?” Torak sorriu ao ver Raine agir dessa maneira. Ele colocou o documento que estava em suas mãos de lado, ajeitando-a em seu abraço. Ela estava aconchegada em seus braços como uma criança. “Quer comer algo?”
“Sorvete.”