O Amor de um Lican - Capítulo 143
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143: ELA PRECISA APRENDER A AGUENTAR A DOR 143: ELA PRECISA APRENDER A AGUENTAR A DOR Somos feitos de todos aqueles que nos construíram e nos destruíram.
-Ático-
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“Por quê?” Serefina perguntou de volta à garota. Ambos os braços cruzados na frente do peito. Seus cabelos ruivos e curtos balançaram emoldurando seu rosto bonito, como o fogo que ela acabou de conjurar para queimar o livro. “Claro que fiz isso para te salvar do guerreiro sombrio.”
Mesmo com a coisa desprezível que ela fez, nenhum remorso podia ser ouvido no jeito como ela respondeu à Raine. Ela fez parecer como se Raine estivesse errada por fazer uma pergunta tão estúpida.
“Esse livro é meu!” Raine estava frustrada nos braços de Torak, não podia se mover nem se libertar. Ela realmente queria chutar aquela bruxa de cabelo vermelho, imaginando bater nela com toda a força pelo ato indescritível que ela cometeu. Ninguém parecia entender o quão precioso aquele livro era para ela. Sentia como se o ar de seus pulmões estivesse sendo sugado de seu corpo, deixando-a sem fôlego e com uma dor excruciante no peito.
Aquele livro era a única coisa que ela trouxera consigo no momento em que Torak veio e a salvou da vida terrível no orfanato. Aquele livro era como um tesouro inestimável para ela. Sempre que se sentia pra baixo, lia-o para se animar. O livro de alguma forma a fazia lembrar do quanto sua mãe a amava, e que isso restauraria a força de que ela precisava para enfrentar sua vida miserável.
Mas Serefina, simplesmente o queimou como se fosse nada. Aquela bruxa vil estava ali, sem demonstrar nenhum remorso ou culpa pelo que havia feito. Ela parecia calma, e até aliviada após queimar brutalmente o livro.
“Não se apegue tanto a algo irrelevante!” Agora Serefina também elevou sua voz. “Se eu não fizesse o que fiz, o guerreiro das sombras sempre encontraria um jeito de te achar. Queimar o livro para destruí-lo era necessário. Eu fiz o que tinha que fazer. Tinha que ser feito, porque não havia outro jeito, ou ele voltaria para você.” Com um tom significativo, ela acrescentou, “Ele alcançaria você até mesmo em seus sonhos.”
“Ainda assim não é seu lugar decidir! Isso não justifica sua ação!” Ninguém, nem mesmo Raine sabia de onde ela havia encontrado tanta coragem para responder a Serefina do jeito que fez agora. “Você não pode fazer as coisas como quer, ou do jeito que quer o tempo todo! Especialmente não algo que não pertence a você!”
Não só Torak, mas também o resto das pessoas na sala estavam surpresas com esse novo lado de Raine. Nunca imaginaram que a descobririam dessa maneira. Raine que sempre parecia fraca e facilmente assustada, podia ser assim feroz.
Como criaturas que raramente demonstram emoção, principalmente em relação a objetos inanimados, eles não entendiam muito bem o conceito de apego que Raine tinha com o livro. Talvez, aquele diário fosse realmente importante, tal que possuía algum grande valor para ela.
“Huh, não pertence a mim?” A voz de Serefina foi ainda mais elevada, no momento em que Raine teve a audácia de falar com ela com tanta raiva e voz incisiva. Com todo o esforço que ela havia feito, e ser tratada assim em troca, a bruxa se sentiu injustiçada. Ela simplesmente não suportava.
Então, ela disse, “Então, o que esse livro representa para você? Acha que guardá-lo fará seus pais voltarem milagrosamente para você? Acha que mantê-lo ajudará de alguma forma a salvar sua pele do perigo? Tudo isso enquanto reconhece que o perigo definitivo seria causado justamente pelo próprio livro? Você ainda escolheria guardá-lo, hein!? Me diga, que benefícios o livro te traz?”
“Esse livro era a última coisa que eu tinha da minha mãe, o livro me fazia lembrar dela…” A voz de Raine tremia entre a tristeza e a raiva. Ela estava desesperadamente tentando dizer e fazer Serefina ver o quanto aquele livro era precioso para ela. Mas crescendo como uma criança profundamente traumatizada e que não falava muito, Raine simplesmente não conseguia encontrar as palavras certas para expressar o que queria dizer corretamente.
Em vez disso, todas as palavras se embaralhavam em sua cabeça, sem saber como ela deveria dizer tudo e conseguir uma frase clara e correta para fazer sua declaração. O próximo momento que ela percebeu foi quando a bruxa teve sua vez de falar novamente.
“Você não precisa de um livro para lembrar de sua mãe falecida. Porque enquanto você se lembrar dela, ninguém jamais conseguirá tirar essas memórias de você. Com isso feito, você perceberá que o livro é apenas um livro.” disse Serefina revelando a verdade sem falhas. Por um breve momento, havia uma tristeza passageira em seus olhos sobre algo de anos atrás.
“Bruxa, eu acho seu modo de lidar com essa questão muito severo. Quero dizer, você poderia resolvê-lo de outra maneira, certo? Sem destruir o livro?” Disse Calleb, finalmente expressando seus pensamentos.
“Como eu disse, não havia outra maneira. Destruir o livro era a única opção. Se eu não o fizesse, não importa quão forte fosse a barreira que eu colocasse em volta dela, o guerreiro sombrio sempre encontraria um meio de se aproximar dela.” Então, a bruxa desviou seu olhar para Torak.
Com aquele olhar conflitante em seus olhos, Serefina soube exatamente o que perguntar a ele. Uma pergunta que ela sabia ser difícil para ele responder. “Você realmente ainda quer manter o livro, sabendo que isso colocaria em risco a segurança de sua parceira? Mantê-lo apenas por causa do apego infantil dela ao livro? Você sabe, o guerreiro das sombras poderia aparecer a qualquer hora, entrar pela sua porta como quisesse.”
“Chega!” Torak gritou em resposta. “Saia!” Ele ainda segurava o corpo de Raine, impedindo-a de investir contra Serefina com raiva. Sem a bruxa fazer aquela pergunta, lá no fundo, Torak estava do mesmo lado que Serefina desta vez.
Se destruir o livro pudesse garantir a segurança de sua parceira, mantendo-a longe do guerreiro sombrio. Se isso pudesse impedi-lo permanentemente de se aproximar de sua parceira de novo, então ele estava mais do que disposto a fazer do jeito de Serefina, destruindo o livro. Mas ao ver Raine sofrendo depois de perder o diário, o supremo Alfa de repente ficou conflituoso.
Enquanto isso, Serefina era mais uma vez arrastada para fora da sala por Rafael. Deixando apenas Torak e Raine lá dentro. “Pode parar de me arrastar?!” Sendo tratada da maneira mais desrespeitosa, a bruxa ficou irritada. E isso logo após fazer um grande favor resolvendo o problema. Ela simplesmente não podia deixar passar. Ela conjurou fogo em sua palma e estava prestes a atacar Rafael.
Porém, Rafael se moveu mais rápido do que ela. Ele agarrou a mão dela e juntou as mãos. E então, em um instante, a chama se extinguiu antes de poder queimá-lo. “Pode parar de ser um idiota!?” Rafael encarou Serefina com seus olhos negros. Ele estava quase perdendo a paciência com a bruxa.
Independente da personalidade suave de Raine, ou de suas questões de trauma. Mesmo que Raine ainda não tivesse atingido a expectativa de governar milhares de licantropos ao lado de Torak. Mas a garota ainda era a Luna deles. Seu título de Luna vinha antes de todas as coisas nela que eram consideradas preocupantes. Rafael simplesmente não suportava se alguém desrespeitasse Raine e a tratasse menos do que ela merecia.
“Eu? Sendo um idiota?” Serefina estava perplexa de várias maneiras, encarando Rafael por sua acusação estúpida.
“Seu Alfa deveria me agradecer por remover outra possível ameaça de sua parceira! Raine não precisa desse tipo de apego insignificante, se ela quer se tornar mais forte! Marque minhas palavras Raph, vai chegar um tempo em breve, quando ela terá que fazer algo que precisa ser feito com suas próprias mãos. Quando esse momento chegar, não importará se ela quer ou não, ela terá que fazer simplesmente porque é a coisa certa!”
Calleb se afastou quando sentiu que a tensão entre Rafael e Serefina havia se tornado uma forte hostilidade. Ele realmente não queria interromper e ser pego no meio. Especialmente com Rafael que agora estava totalmente irritado. Era uma ocasião rara ver o Beta tão impulsivo e feroz assim. Porque dessa maneira, Rafael parecia muito mais assustador do que o habitual.
A bruxa não parou por aí só porque Rafael mostrou seu lado assustador. Ela rebateu ainda mais forte e acrescentou, “O livro é uma coisa pequena que ela precisa deixar ir. Aposto que até agora, a garota nem sabe da profecia, não é mesmo? É por isso que estou te dizendo isso, ela precisa saber de tudo. Porque num futuro próximo, ela precisará fazer mais do que apenas deixar um simples diário!”